Chocolate e Sedução
14 Capitulo Quatorze.
Notas iniciais
Tenho désseis anos, há um garoto mais velho olhando pra mim, não consigo acreditar. Ele é do segundo ano, caras assim não falam com meninas do meu tipo.
Meu cabelo está mais escuro que o normal, pensei em passar mechas rosas mas hesitei e por sorte acabei desistindo.
Minha camisa branca dos "Zombietles" está coberta por uma jaqueta de couro preto e vermelho com zíperes prateados, fiz questão que minha mãe me mandasse para um colégio público, para eu ser uma menina normal, não uma criança rica num internato.
Minhas calças deveriam ser estilosas, mas só rasgaram quando eu tentei fugir do carro que veio me buscar. Lamentavelmente minha mãe não economizava na segurança e no conforto.
Para me livrar disso acabei caindo. América me ajudou a comprar o tênis e a bolsa. Não sou muito familiarizada com marcar , mas gostei de usar um converse branco.
Finjo estar mexendo no celular, pelo reflexo do vidro vejo que o garoto conversa com os amigos. Um nova mensagem.
America: “Estamos aqui, um quarteirão na frente do colégio, se demorar vamos te buscar.”
Eu não quero ter que atravessar por todos aqueles meninos, eles vão rir de mim, eu sei disso, pelo um óculos na mochila, e ponho no rosto, ele fica folgado sobre meu nariz.
Começo a andar, usando só uma alça da mochila, ponho o celular no bolso, olhando para frente, vejo arvores alem da rua, só preciso atravessar o pátio e seguir andando.
De repente as arvores somem, e a gravidade me puxa para baixo, vou de encontro ao chão, ouço gargalhadas dos garotos mais velhos. Levanto-me.
– Tudo bem com você? – O garoto que estava me olhando pergunta, estendendo a mão para me entregar o óculos de sol, agora com uma lente quebrada.
– Os vidros costumam quebrar quando eu estou por perto. – Digo me referindo ao fato deu ser desastrada.
– Eu acho você bonita. – Ele diz, fico corada, ponho o cabelo atrás da orelha.
– Tenho que ir. – Falo para ele, e começo a andar, minha perna dói um pouco, não percebi isso quando fiz esforço para me levantar porem, andando ela incomoda.
– Ei! Espere.
Paro. Não por causa dele, mas para atravessar a rua.
– Você não me disse seu nome...
Olho para os dois lados e atravesso, ele me segue. Paramos frente a frente na outra margem.
– E por que eu diria? Você só me viu cair, e me ajudou, poucas garotas iam achar que isso vale um numero de telefone.
Ele sorri, e coça a cabeça, só agora percebo o quanto ele é bonito. Seus olhos são verdes, seu cabelo loiro escuro, ele veste um moletom preto com uma águia marcada no peito sobre uma camisa branca. Seu jeans é tão legal quanto os meus acidentalmente surrados, a barra de sua calça esta dobrada, mostrando sua boca de couro seco marrom de cano médio, com o laço mal feito. Rio. Garotos.
– Tudo bem, vamos começar direito. – Ele estende a mão para eu apertar. – Olá, bonita camisa.
– Obrigado, serio que você acha isso?
Ele não responde, apenas levanta o moletom, vejo uma camisa como se fosse reflexo da minha, fico tensa, ele tem uma “Zombietles” igual que eu comprei.
– Meu nome é Julie. – Digo. Seu sorriso é imensurávelmente perfeito.
– Prazer em conhecê-la, sou Henrique August, mas pode me chamar de Gustin, como meus amigos aqui na America.
– Você é...
– Britânico. – Ele completa.
– Me empresta seu celular?
Ele confuso tira do bolso e me entrega. Abro a lista de contatos. Clico em “Adicionar um novo”. Digito 887-0695. Devolvo-o.
– Então Julieta, se você quiser, eu estou me candidatando.
Rio.
– Ótimo, me ligue até as oito, e verei se ainda tem vaga.
– Não se preocupe, só demorarei o tempo de fazer uma boa serenata.
– Espero que você seja um bom poeta.
Garotas beijam caras no primeiro dia que se conhecem? Não sei, beijo no canto de sua bochecha, ele é pego despreparado, ele fica vermelho e eu começo a correr até o carro.
+++
Faz duas semanas que eu e o Gus estamos saindo, conversando na verdade, estou preocupada, desde o beijo que eu lhe dei na bochecha no dia que nos conhecemos, não rolou mais nada.
Quer dizer, ele pegou minha mão no corredor do colégio, fiquei morta de vergonha, mas tudo pareceu normal, falei com America, ela me certificou que ia acontecer em breve. Minha mãe me obrigou a convidá-lo para jantarmos.
Como não contei para ele ainda da nossa grana, eu a convenci a ser em um restaurante, ela reservou uma mesa numa franquia no centro de Seattle, desde que viemos morar aqui ela não parece muito feliz, como se algo a incomodasse.
Minha irmã esta decidida a fazer faculdade em Nova Iorque, minha mãe pensa em comprar uma casa em uma das ilhas da fronteira para passar o verão.
Sinto-me fútil, mas não quero me mudar e deixar o Henry, meu primeiro, e talvez único namorado.
A aula esta acabando, não paro de rabiscar no caderno, Henrique August Baynes, não perguntei por que apenas um sobrenome, eu tenho medo dele parar comigo.
O sinal toca, sou a primeira a sair correndo da sala, quando abro a porta me bato de cara com ele.
– Eu queria fazer uma surpresa para você.
– Que tipo se surpresa? – Pergunto, ele segura minha mão e começamos a andar.
– Eu queria que você fosse à minha casa. – Engulo em seco. – Conhecer minha mãe, mas como ela não esta lá melhor ainda para gente.
Sorrio. Pego o celular do bolso e mando uma mensagem para minha mãe dizendo que irei na rua com o August, ela automaticamente diz que esta bem.
Saímos do colégio, estamos quase no final do ano letivo, eu quase no segundo e Henry quase no terceiro, tenho medo de pensar no ano final do ano que vem quando ele sair do colégio.
Se não houver jeito mesmo, acho que aceitarei a proposta da minha mãe para ir a Nova Iorque, se ele for embora, Seattle me trará lembranças e eu irei querer riscá-la do mapa.
A caminhada não demora, pelo menos com ele ao meu lado o tempo parece passar ainda mais rápido como se fosse uma corrida para chegar ao fim.
Ele mora em um condômino, ou simplesmente uma sua sem saída com um portão grande na frente. As casas aqui são bonitinhas, e todas com tom claro como se a policia fiscalizasse e dissesse que só poderiam pintar se misturassem a cor com tinta branca.
A maior casa é pintada de amarelo em um tom quase nulo, tem portar de madeira com detalhes entalhados, há uma pequena cerca e degraus para subir há varanda.
Tem duas cadeiras de balanço aqui. Gustin senta em uma delas e eu me ponho ao seu lado, jogando a mochila de qualquer jeito no chão como ele fez.
– Geralmente isso aqui não tem ninguém desde que a vovó veio morar conosco é a única que se vê sentada na porta de casa, as pessoas estão muito ocupadas com suas vidas, olhando por uma janela e se esquecendo de viver através de outra.
– O que você mais gosta de fazer? – Pergunto, mudando de assunto sem ter o que responder sobre o outro.
– Criar coisas. Ter idéias, adaptá-las. E você?
– Eu gosto de comer. – Digo, ele ri.
– Você é muito engraçada sabia? Esse é outro motivo pelo qual eu te amo.
Minhas bochechas queimam.
– Na verdade eu gosto de assistir “Lei & Ordem” mas demo que acabe um dia, apesar de serem mais de trezentos episódios eu...
Ele se aproxima de mim e me beija, não sei o que fazer, não posso ficar com o olho aberto, fecho o olho e preparo-me para fazer igual aos filmes, abro a boca e inclino para o lado oposto da cabeço do Gustin, nossas linguais se tocam e eu tento fazer o melhor possível.
– Nossa! – Ele diz.
– Desculpe.
– Não precisa se preocupar, você beijar tão...
– Mal?
– Não! Eu achei que talvez fosse seu primeiro beijo – E foi. Corrigi mentalmente – Mas você beijar muito bem.
Rio sem jeito.
– Talvez devêssemos entrar... Aproveitar que não tem ninguém em casa...
Ele se levanta, e eu o sigo.
+++
Abro os olhos lentamente, não sei onde estou, mas a iluminação não parece do campus da faculdade. Minha boca esta coberta por alguma coisa, meus lábios não se tocam, tem uma tira grossa de tecido a amarrando.
Olho para os lados, é uma pequena sala de madeira, provavelmente uma cabana abandonada. Meu corpo estremece em imaginar os motivos e como eu vim parar aqui.
– São Três da manhã. Você dormir mais do que eu imaginei.
Minha cabeça dói, ainda mais agora ouvindo a voz do Henry, isso desperta flashes de um sonho, possíveis memórias, ele era tão... E se tornou assim.
Tento levar a mão até a parte traseira do meu crânio, mas elas estão amarradas.
– Não adianta, tenho plano para você. – Ele aparece na minha frente, percebo que estou deitada no chão sobre um tapete. Ele me ergue e me encosta na parede.
Gustin caminha até uma mesa perto da porta, ele começa a montar alguma coisa, com pouco deixa um objeto cair sobre as talhas.
Vejo uma bala correr até perto da parede, ele pela e coloca junto com as outras, ele esta sorrindo, olhando para mim ele libera a trava de segurança da pistola. Seu rosto muda.
– Eu estou Doente. – Ele grita. – Por isso eu deixei você. Não queria que você me observasse morrendo, tambem não quero agora.
Mordo o pano que cobre minha boca, quero falar, com a língua consigo empurrá-lo para frente e abaixá-lo até o queixo. Henrique fica surpreso com minha façanha.
– E onde a Isabela entra nessa historia?
– Isabela, Renata, não todas grandes e antigas amigas, mas nem todas serviram tanto, porem a Isabela me ajudou quando eu tive a idéia de voltar.
– E para que você voltou? Para me assombra? – Indago.
– Eu voltei pelo seu dinheiro. Eu voltei pela cura. – Ele tosse ferozmente, sua mão fica suja de sangue, ele limpa na calça. – Agora que eu tenho você, sua mãe será obrigada a me entregar o quanto eu precisar, então em irei embora.
O celular toca. Vejo uma massa rosa se mexer sobre a mesa. meu telefone.
– A policia vai encontrar você antes. – digo, com esperança.
Ele caminha até a mesa, e o pega, em seguida vejo o objeto retangular ser arremessado contra a parede.
– Eles querem nos rastrear,
Ele vem até mim, quero gritar, ele pegar um pano velho e Poe no meu nariz, fecho a boca, tento não respirar. Meus pulmões queimam. Tarde demais.
Peter
Não consigo dormir, nem largar o celular, já falei com a policia, eles estão tentando descobrir onde a Julie esta junto com o maldito do Gustin. Só quero dar um fim dele, quero Julie de volta. Quero deixá-la segura.
Julie
Hoje é meu casamento. Eu vou me casar. Vou me casar com meu primeiro namorado. Ficar calma. Ficar calma. Tento repetir coisas assim na minha cabeça até que não consigo mais.
América disse que eu deveria esperar, meninas não se casam com apenas dezenove anos, mas eu já estou na faculdade o Gus também, e ele já tem um emprego numa grande empresa, isso me deixa mais nervosa com estômago revirado.
Me Bato de cara com o August quando saio do quarto, ele ganhou corpo nos últimos anos, após se mudar duas vezes junto com a mãe ele ganhou uma casa, e eu acabo passando bastante tempo aqui.
Nossas mães não ligam, a minha inclusive assinou os papéis antes de viajar, e disse que só voltaria para quando eu me formasse, América já está no segundo ano na faculdade, sua inteligência é suprema a ponto de fazer administração e Moda ao mesmo tempo, se bem que ela planeja trancar uma delas.
Phillip está no ensino medido, está história de vida com e sem um pai me deixa confusa as vezes, farei 20 anos em pouco tempo estou feliz por isso.
Os braços do Henry estão mais grosso e seu peito estufado, ele está em óculos escuros e boné, com certeza está voltando de algum lugar.
Ele está usando uma camisa branca dos Beatles parecida com a que usava no dos que nos conhecemos. Há uma sacola plástica em uma de suas mão direita e uma garrafa de água com gás na outra.
Ele usa um short de elástico com cordão para amarrar de cor rosa claro semelhantes as casas da rua onde nos beijamos pela primeira vez, seu comprimento é curto, indo até bem acima dos joelhos e sendo bem folgado.
Acredito que seja sua roupa favorita e acaba se tornando a minha também quando ele vesti isso sem cueca e se senta no sofá com as pernas abertas.
Beijo-o, penso em lembrá-lo de que dia é hoje mas mudo de assunto mentalmente.
– Sabe aquela garota que eu conheci mês passada, agora somos amigas, e eu convidei ela para ser madrinha, afinal precisamos de testemunhas e não temos muitos amigos.
O barulho de sua sandália preta com correias cinza é tudo que tenho como resposta, então ouço um barulho de olho borbulhante. Rapidamente o cheiro de ovo frito e bacon toma conta da casa.
Estou na sala, ele caminha com um prato na mão e com dois garfos, ele pretende dividir comigo.
Assim que acabamos ele lava louça e volta para mim. Ele sempre volta. Penso.
– amo o jeito que você cozinha. — Digo. Me aproximado dele, passa a mão na sua camisa e tiro-a, fico observando, o tempo que ele deixou de passar comigo foram bem gastos na academia.
– Amo o jeito que você confia em mim, eu sou um borrão cinza, Julie, comida queimada, mesma assim você acha um jeito de tentar me salvar.
Sorrio.
– Não sei se isso tem muito haver com salvação, mas eu aprendi uns truques novos.
Desfaço o laço de seu short o mais rápido possível, levanto os olhos para ver como o Gus fica ainda mais lindo com os lábios entre abertos e meu som favorito é seus gemidos.
Quando termino o trabalho, me arrumo para sair.
– Até mais.
– Até mais.
Já estou passando pela porta quando ele me grita.
– Você sabe que quase voltarmos para casa hoje a noite, seremos marido e mulher, não né?
Sorrio, e não respondo, como ele sempre faz comigo.
Não me incomodo de andar, mesmo a casa da Witija, minha recente amiga, não ser tão perto é legal ver as coisas e as pessoas.
Eu sei que sou jovem mas fiz minha escolha.
Chego na sua varanda quase sem sentir minhas pernas, toco a campainha e espero. Ela abre a porta e eu entro.
– Você vai ficar tão linda. — Ela disse e eu sorrio agradecida por sua ajuda. — Vamos, eu procurar umas maquiagem legais para você usar hoje.
Witija tem cabelos curtos, ela diz que se arrepende e vai deixar crescer, ela não tem olhos muito puxados mais eles se mostram espremidos quando ela ri.
Ela pintou em todos de verde, queria se destacar um pouco na faculdade mais mudou de idéia rapidamente, e está pintando de preto novamente.
Sento-me um uma cadeira próxima ao espelho em seu quarto, ela está com todos matérias sobre a mesa. Escolhemos um vestido alguns dias atrás, estranho termos ficado amigas muito rápido mas eu deixei o vestido aqui.
Ela começa com base, depois muda para arrumar meu cabelo, lavamos e depois ela começa a secá-lo, ela passa rímel no meu olho para dar um tempo antes de pranchar meu cabelo.
Quando acaba me olho no espelho. — Melhor noiva adolescente não gravita que eu já vi.
Fico olhando pra ela. Tensa.
– quem disse que eu não estou grávida? Eu não casaria sem um motivo maior.
– O QUE?
– Estou brincando, não planejo ter um bebê antes dos vinte e cinco.
Rimos juntas.
– Está quase na hora de irmos. — ela diz.
Me preparo para ir vestir a roupa especial.
Olho-me no espelho do banheiro do Fórum, estou realmente bonita, sei que o que importa é apenas a assinatura, mas o simbolismo que envolve tudo isso aqui me deixa excitada.
Witija está com vestido roxo tão escuro que parece preto, em seu melhor estilo, ela segura minha mão, parecendo um casal começamos a caminha até o salão principal.
A porta se abre, vejo meus amigos aqui, vejo o meu amor, ele fica tão lindo de terno, ele é tão lindo. Eu amo Henrique August, eu sempre amarei.
– Pode beijar a noiva.
De repente, tudo que eu amo se dissolve, e se torna tudo escuridão.
+++
Abro os olhos, estou em movimento, meus olhos lacrimejam sem parar, não quero mais lembrar dos tempos felizes, é triste ver que isso acabou.
– Se você pudesse voltar no tempo o que fazia? – Pergunto. Sem esperança de resposta quando saímos da rodovia.
Ele parece louco, não me responde.
– Estamos indo para o norte.
– Onde? – Ele não responde.
– Não arrisque do benefício que eu te dei ao deixar você falar.
Ele acelera o carro, e só vejo a velocidade diminuir quando chegamos a um posto de gasolina. Ele para o carro próximo da bomba e se inclina para mim, apertando o nó na corda que amarra minhas mãos.
– Shoreline. Nem pense em correr.
Ele disse e mostra a arma de fogo presa na sua calça.
August sai do carro, e para pra encher o tanque, quando vai pagar ele percebe a presença de policiais. Quero gritar. Vejo tudo pelo retrovisor. Ele corre até mim.
Liga o carro e acelera. O tempo passa com uma rapidez incrível assim como as coisas do lado de fora, estamos no limite Maximo.
– Você é minha, Julie. — Diz o Gustin, Seu olhar é insano, quero dizer alguma coisa mas duvido que ela vá ouvir. Minhas mãos estão ardendo, tento mexe-las e me soltar mas ele amarrou muito forte. — Você sempre será minha.
Gustin desacelera um pouco o carro.
– Você precisa por o cinto. — Ele tira o próprio e vem para cima de mim, continuamos em movimento quando ele coloca o encaixe na fivela.
Então o carro soube, sinto a gravidade deixando meus pés, erguendo-me no ar, mas controlada pelo pedaço de tecido que me segura.
Henry tenta segurar o volante e gira-lo para voltarmos ao caminho certo, mas o carro se inclina para a esquerda, meu bumbum bate forte no banco e minha cabeça sobre com o impacto no mesmo.
Observo o corpo do Gustin desprovido de qualquer segurança seguir em direção ao vidro enquanto todo meu mundo fica imóvel.
A primeira volta foi o suficiente para fazer sua festa ir a encontro ao vidro, que raça em micro pedaços, o sangue corre entre as veias dos flocos quebrados.
Rodamos mais uma vez, e outra, meu estômago revisa. Até que paramos com cabeça pra baixo, o rosto do Gustin está sujo de borrões vermelhos e roxos.
Seus olhos vazios me encaram, todo seu verde foi embora.
– Gustin? -Chamo.
Ele não responde. Meu olho está espremido, não consigo ver direito.
Puxo a mão para cima com forma tentando me livrar do no que as preste, consigo. Não sei mais o que fazer, não quero olhá-lo. Preciso de ajuda.
Procuro ao redor tentando achar um modo me de comunicar com o mundo exterior. Acho um celular no porta malas, é o meu. A tela está rachada.
Não consigo ligá-lo. Acho outro debaixo de um monte de livro que caíram quando eu abri a caixa.
Tenho medo de me livrar de cinto e acabar tento algum problema maior do pescoço, que já doe, é difícil olhar as coisas de ponta cabeça, pelo o celular preto do Gustin, tem uma foto nossa, fico arrepiada e com vontade de chorar.
Deslizo o dedo para o lado, preciso da senha. Coloco o aniversário dele, sem resultado, o meu aniversário, continua sem resultado, nossa data de casamento, a tela é liberada.
Aberto do teclado digital, minha cabeça está zonza preciso lembrar do número do Peter, tento duas vezes mais diz que o número não existe, lembro-me de quando ele pegou meu celular pela primeira vez, agora digito o número certo.
– Alo?
– Peter... Preciso de você... O Gustin ele... por favor... Vem me. Buscar.
– Onde você está?
Não consigo responder. Minha cabeça doe bastante.
– Por favor. — Digo.
Meus olhos se fecham e sinto o carro se mover novamente.
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