Chocolate e Sedução

9 Capitulo Nove - Parte Um


Peter

Arrependo-me do que disse assim que escuto minha voz ecoar pelo estúdio. Julie fala algo, tenho que fazer leitura labial para entender, "Não vou ". Quero sorrir mas o público que esta assistindo poderia entender mal. Não consigo me controlar. Meus lábios se curvam.

Julie sorri também. A entrevista acaba. Não escuto as ultimas palavras de Victoria, mas sei que devo me levantar. Cumprimento-a levanto-me. Julie vem correndo em meu encontro, seus braços arredonda-se em volta a meu pescoço.

– você foi ótimo. — Ela me beija. — Juro que não vesti cinza Pra provocar você.

Rio.

– isso não me parece muito com cinza.

– minha cor favorita é azul a sua é cinza, então estou usando um vestido perfeito.

Ela se afasta do nosso abraço.

– Para onde você vai agora? — Pergunto.

– Pra casa...?

– você por ir comigo?

– pro seu apartamento? — Ela pergunta e tenho medo das memórias que se passam na cabeça dela.

– isso não me parece muito com cinza.

– minha cor favorita é azul a sua é cinza, então estou usando um vestido perfeito.

Ela se afasta do nosso abraço.

– Para onde você vai agora? — Pergunto.

– Pra casa...?

– você por ir comigo?

– pro seu apartamento? — Ela pergunta.

– Sim. Algum problema nisso?

– Não... é que...

– Devo lembrar que você assinou um contrato? – Não quero ser grosso, mas realmente gostaria que ela fosse comigo, quero mostrá-la a surpresa que nos espera.

– Tudo bem.

Seguro na sua mão e saímos juntos do estúdio. O corpo de Julie esta tenso, espero que ela não esteja com medo de mim, isso seria péssimo.

Aperto o botão para chamar o elevador, ele fica vermelho então a porta se abre. Entramos. Julie vai apertar o botão da garagem, mas não é para lá que pretendo ir. Sou mais rápida que ela, e aperto o botão do telhado.

Ela me olha com as sobrancelhas erguidas, olho para ela de volta sorrindo no estilo “Confie em mim”.

O elevador não demora como o da Eagles então chegados no destino antes que eu me desse conta. A porta se abre e o vento bagunça o cabelo da Julie. Ela continua linda.

Saímos e vamos caminhando até o centro do terraço. Há um grande Helicóptero nos esperando.

– Julie, conheça a Sarah-99.

– Será que devo ficar com ciúmes? – Ela Poe um fio de cabelo para trás da orelha. Esqueço o que falar. Engulo em seco.

Abro a porta, para que ela entre. Acomodo-me ao seu lado.

– Você não deveria pilotar essa coisa?

– Eu sou um homem de muitos talentos, mas tomar direção de um helicóptero infelizmente não é um deles.

Fred chega.

– Desculpe o atraso. Podemos ir Agora. – Ele diz.

Ajudo Julie a por o cinto, e os fones de ouvido, faço o mesmo. Sarah-Nine-Nine decola. Observo Seattle daqui de cima, os prédios, as luzes e os carros, eu já viajei pra vários lugares, mas a Dorothy tinha razão. Nenhum lugar é como nosso lar.

Destruído olhando para o céu a minha frente, Julie me surpreende, fecho os olhos para senti-la contra meus lábios.

– Obrigado.

– Pelo que? – Pergunto.

– Por Tudo. – Ela diz.

Sarah pousa no telhado do Eagle, Inc.

***

O Maximo de amor que demonstramos até chegar no apartamento é ficar de mãos dadas, talvez tenhamos esgotado o limite de carinho por hoje.

Sei que ela deixe esta pensando no Gustin, eu poderia odiá-lo por tê-la abandonado, mas se ele não tivesse feito isso, agora não estaríamos aqui. Sei que ele esta por aí, ameaçando voltar, mas no momento a Isabela me apresenta perigos maiores.

– Eu tenho que pegar um livro no meu quarto. Espere-me na Cozinha. – Digo para ela.

– Mas já estamos aqui.

– Eu quis dizer na cozinha. – Altero o tom de voz para ela entender, até que finalmente ela começa a se deslocar.

Subo até meu dormitório, e na segunda gaveta, retiro o fundo falso e pego o livro de receitas. Sei que é desnecessários, mas encontrar um guia culinário na casa de um dos maiores criadores de Software da America geraria varias perguntas.

Abro a porta na Cozinha, e Julie esta sentada na mesa de frente para o balcão.

– Pronta? – Pergunto.

Ela faz sim com a cabeça, e amarra o cabelo em um rabo de cavalo, parece que faz séculos mas há somente alguns dias ela esteve aqui pela primeira vez em que comeu sopa mexicana.

– O que vamos comer hoje? – Ela pergunta para mim. Fico feliz em saber que ela vai gostar. Pego um avental e uma touca na gaveta do armário. e ponho o livro em cima da mesa, ela observa a capa. Seus olhos brilham.

– Temos dez receitas para hoje. Não sei se você já foi para Paris, mas espero que você não tenha tomado café ainda.

Ela sorri.

Começo a pegar os ingredientes. Pego quatro ovos na geladeira, uma lata de creme de leite no armário, um pote com farinha de trigo e um pouco de manteiga, tiro de lá tambem açúcar, e na parte das frutas, pego uma laranja.

Ponho o liquidificador na tomada, tiro a tampa, quebro os ovos, e jogo a casca na lata de lixo, depois um pouco de sal junto com a clara e a gema, boto meia xícara de açúcar e uma completa com a farinha de trigo, depois despejo o creme de leite. Coloco pra bater.

Julie me observa em silencio, admirada, eu acho. Desligo o Liquidificador. Começo a preparar o recheio. Ponho uma panela no fogo, e derramo a manteiga, deixando-a derreter, junto com açúcar até ir virando um creme.

Coloco a laranja no descascador. Em seguida pego-a, e corto no meio, espremo um pouco da banda sobre o creme na panela. Raspo um pouco da casca e jogo tambem.

– Musica?

– Sim, por favor.

Ligo o radio e aumento o ar-condicionado. Esta tocando Ed Sheeran, me pego olhando para Julie cantando uns trechos de Give me Love.

Volto para a mesa, e pego junto uma frigideira. Coloco manteiga fritar, jogo a massa, que começa a aderir uma coloração, ergo a panela, jogando a massa quase solida no ar, ela gira e flamba de volta no lugar. Derramo o recheio e com uma espátula dobro em quatro partes, como se fosse um lenço derramo a receita pronta sobre um prato de porcelana. E empurro para a Julie.

Ela pega um garfo e uma faca que deixei próximo a ela e corta um pedaço, leva até a boca e começa a mastigar.

– Meu Deus! Isso é muito bom.

– Crepe Suzette. Pronta para o próximo?

– Sim. – Ela diz com a mão sobre a boca, por educação, até que engole o pedaço. Ainda sobrou massa, deixo mais alguns pratos prontos para caso ela ou ate mesmo eu querer mais depois.

Vou até a geladeira, pegar uma massa de bolinhos que eu deixei lá antes de ir para entrevista, levavam mais ou menos quase duas horas para preparar com o tempo que a massa assava e descasava então como eu já havia planejado optei por fazer logo.

Pelo o açúcar, o rum e o chantilly. Derramo em uma panela, e mexo para derreter, os ingredientes se fundem formando uma calda. Tiro um bolinho da forma e coloco no pote próprio, derramo a espécie de caramelo sobre o quase pudim de passas. Em seguida coloco uma torre de chantilly sobre ele. E entrego para Julie.

Ela tira um pedaço com uma colherzinha, e leva para seus lábios rosados.

– Tão doce... E tão quente... Incrível!

– Baba au Rhum. Você já deve ter ouvido falar do próximo.

Caminho até o forno, o programei para ligar faz quinze minutos, espero que as massas tenham assado, para tentar me desvencilhar dos problemas com a empresa acabei passado a maior parte da minha tarde aqui.

Tiro a assadeira, e ponho sobre o fogão. Pego uma tigela de vidro, e coloco manteiga, e algumas raspas de chocolate, depois um pouco de nata. Coloco no microondas, e tiro a massa solida.

Certifico-me de usar luvas para colocar o recheio nas metades do biscoito.

– Macaron! Meu Deus! Eu sempre quis comer isso.

– Essa é sua chance, mas quando formos a França garantirei que você vai comer um desses de verdade.

Coloco uns seis biscoitinhos sobre o prato e entrego a Julie, ela nem precisa dizer, mas já sei que ela esta adorando.

Meu telefone toca. É meu advogado. Sei que a Julie poderia me ajudar com o caso, mas não quero metê-la nisso.

– As outras comidas já então prontas. — Pego os pratos da geladeira e ponho sobre a mesa. – Preciso atender.

Saio da Sala.

Julie

Tenho sete pratos em minha frente. Eles estão completos com doces e seus respectivos nomes. Começo por um pão chamado Eclair. Talvez se fale “E-Cl-er” mais isso não importa muito. Ele é um pequeno pão comprido, com calda de chocolate por cima, cortado no meio com chantilly.

O próximo, cronologicamente, o quinto, parece uma fatia de bolo normal, com recheio rosinha, e um morango sobre, como primeiro a fruta, e quando mastigo um pedaço da torta, tenho alusão com bolo gelado. Porem a massa parece palha cedo, como finas tiras de doritos. Talvez esse Mille Feuille seja meu favorito.

Agora comendo um Profiterole, que parece sorvete sobre um pouco mais solido, parecem tambem a mesma massa no Eclair. Ainda restam Madeleine, Crème Brulée, Tarte Tartin, Paris Brest.

Termino de comê-las e faço algumas anotações para a próxima coluna da revista, se os fãs gostarem escrever um livro não seria tão ruim assim.

Caminho até a sala, Peter esta sentado na mesa, ele gira o pescoço tentando ficar mais confortável, ele parece muito tenso. Toco em suas costas quando chego atrás dele.

– Tudo bem?

Ele vira os papeis que estava assinando, e olha pára mim.

– Desculpe, eu tê-la deixado lá sozinha.

– Sem problemas, mas acho que eu deveria ir para casa agora.

– Seu carro está na garagem, mandei trazer para cá.

– Como?

– Eu tenho uma copia da chave.

Beijo sua bochecha e caminho para o elevador.

Não percebo como os segundos passam, dirijo até em casa, durmo, acordo no dia seguinte, comprimento a Witija e seu namorado, vou para academia, volto, estudo, entrego a matéria sobre os doces franceses para a revista, estudo, durmo.

Acordo na sexta percebendo que já se passando quase dois dias que eu vi o Peter ou que pelo menos ele falou comigo, o que quer que esteja naqueles papeis esta atormentando ele. Esta na hora de ir para academia. Yamaha não esta aqui, nem a Witija, não faço idéia de onde eles estejam.

Meu corpo doe em cada músculo existente. Baixo no celular os livros de resumo sobre tudo que eu preciso estar craque até amanha. É minha ultima prova.

Saio para academia. Faço todos os exercícios enquanto leio, estudo ainda mais, falo com o Ritch para ele me ajudar a estudar ainda mais de alguma forma.

São mais de dez horas quando minha mão me liga.

– J?

– Mãe, desculpa não ter ligado esses dias, estive muito ocupada...

– Qual o nome dele?

– Dele quem?

– Não pense que eu sou boba!

– Mãe, como você sabe disso?

– Querida, eu só tenho quarenta anos, ainda consigo comprar uma revista.

Rio.

– Sua irmã tambem está namorando com um tal de Dan Schreave.

– Isso já tem um tempo.

– E ela só veio me contar agora? Que Absurdo, mas irei perdoá-la, quero vocês duas aqui, quero conhecer meus genros.

– Tudo bem, mãe. Irei falar com o Peter.

Fim da ligação.