Notas iniciais
Como prometido, o segundo capítulo! Espero do fundo do meu coração que gostem. ♥

Os dias se passaram, era véspera de Valentine’s Day e as ruas de Tóquio estavam uma loucura. Sentia-se estranha ao sair sem levar o moreno consigo, já que passavam seu tempo livre juntos, mas dessa vez ela não quis a companhia alheia. Até porque estava preparando uma surpresa para o mesmo e teve que dar tudo de si para guardar segredo, embora ele desconfiasse de algo.

Tinha a lista feita por Sakurai em mãos enquanto vagava entre as lojas que ele mesmo havia indicado, tornando a busca de Satsuki não tão cansativa como pensou que seria. Em poucas horas comprou todos os ingredientes, forminhas e embalagens; assim que terminou, partiu para a casa de Sakurai.

Chegando lá foi bem-recebida por Ryou e sua mãe que se encontrava em casa no momento, deixando ambos envergonhados dizendo que formavam um belo casal; o rapaz se atrapalhava todo ao dizer que eram apenas amigos e que a rosada era a gerente do clube de basquete que ele freqüentava e naquele momento Momoi viu a origem da mania peculiar do lançador em se desculpar; sua mãe se curvava exageradamente junto dele ao pedir desculpas, o que a deixou extremamente embaraçada.

Depois disso, foram para a cozinha e esse era um dos cômodos mais equipados da casa. Parecia que cozinhar era um hobby de todos e novamente ela se viu constrangida por não ter nenhuma habilidade culinária. Ryou a tranqüilizou e a instruiu no processo de derretimento da barra e preparo das trufas de chocolate, que ela optou fazer ao invés de um chocolate em forma de coração – afinal, aquele era um chocolate obrigatório, certo? –; as fôrmas usadas para as trufas eram de um formato curioso: de bola de basquete. Satsuki achou que seria o mais conveniente, já que o Ás era a pessoa mais apaixonada por basquete que ela conhecia. Junto de Sakurai fez recheios de vários sabores: brigadeiro, leite condensado e coco, maracujá e cereja em calda, seu preferido. Fez duas fornadas de seis e as separou para Aomine e fez mais para Sakurai e sua família, agradecendo por ele tê-la ajudado. Com a ajuda do lançador, o que era para serem trufas mortais, se tornou deliciosos chocolates e perfeitamente comíveis – os primeiros que fez quase provocou náuseas no garoto, quando experimentou. Despediu-se de todos, numa reverência polida e graciosa, e partiu para casa com suas sacolas.

No meio do caminho, sentiu algo em seu bolso vibrar e se deu conta de que o celular estava tocando; nem precisou olhar o visor para saber quem era, o moreno tinha um ringtone exclusivo em seu telefone. Atendeu a chamada.

Moshi-moshi?

– Satsuki! Onde diabos você está?

– E-eu? – gaguejou, pensando numa desculpa. – Estou no centro, por quê?

Aomine bufou do outro lado da linha.

– O que você está fazendo aí?

– Vim passear um pouco.

– Por que não me chamou?

Porque estava fazendo chocolate para você, idiota.

– Porque eu quis vir sozinha.

A rosada conseguiu ouvir o ala-pivô ranger os dentes, ele não parecia nada feliz com a afirmação dela.

– Você tem me evitado a semana inteira. O que eu fiz dessa vez, Satsuki?

– Você não fez nada.

– Então por que tem me evitado?

– Não estou te evitando, Aomine-kun.

Estava realmente evitando o Ás, mas não era por maldade. O evitava por saber que ele a conhecia tão bem que saberia que ela escondia algo. O silêncio pairou sobre a conversa, deixando-a desconfortável.

– Você está aí?

– Estou. – respondeu, seu tom mostrava o descontentamento do moreno. – Me liga quando chegar em casa.

– Certo.

Desligou a chamada, sentindo-se mal por excluir Aomine daquele jeito. Ele também se sentia mal, geralmente era o ala-pivô que repelia Satsuki, e não o contrário. Teria ela se cansado das atitudes grosseiras dele? Teria feito algo que não se lembrava e ferido os sentimentos dela? Bem, uma coisa que o moreno aprendeu ao longo dos anos de amizade com a gerente é que garotas eram delicadas e realmente sensíveis – mesmo Momoi não sendo tão delicada e feminina assim a seu ver.

Chegou em casa e não ligou para ele. Não saberia o que dizer e o moreno era uma pessoa difícil de enrolar; se falasse com Daiki, estragaria a surpresa. Ele, por sua vez, aguardou ansiosamente a ligação dela, mas não aconteceu. Ela estava realmente chateada com algo, para ignorá-lo assim. Assim que pegou o celular para ligar novamente para ela, o alerta de mensagem quase o matou de susto, era uma sms dela.

“Desculpe por não ligar, estou muito cansada. Pode me encontrar amanhã no terraço depois da aula? Quero te entregar algo.”

O Ás franziu o cenho, estranhando o conteúdo da mensagem. Se ela quisesse lhe entregar algo, poderia simplesmente vir até a sua casa; moravam perto e eram praticamente vizinhos. Ela provavelmente jogaria algo em si, por isso quis se encontrar no terraço. Seu rosto se contorceu numa expressão de dor por antecipação, Satsuki tinha uma ótima mira quando estava zangada. Se ao menos fosse isso, significava que estava tudo bem. Tudo ficava bem depois que ela descontava a raiva naquele que a causou – sempre ele. Deitou-se na cama e dormiu tranquilamente, sem demais preocupações.

Momoi rolava de um lado para o outro na cama, sentindo dificuldades para dormir após ter mandando a mensagem para o outro que de tão idiota, não teve a consideração de respondê-la. Seu coração palpitava tanto, enquanto era presa naquela doce agonia em pensar na reação alheia diante de seus chocolates. Antes de entregá-los, precisava avaliar suas reais intenções. Era apenas amizade, certo? As trufas eram chocolates obrigatórios, que daria em forma de agradecimento por tudo que ele sempre fez e faz por ela. Enquanto refletia, se deu conta que jamais dera chocolates para ele no Valentine’s Day e que nunca o viu receber também; o que era confuso, pois sempre ouvia as meninas dizendo que dariam algo para ele, mas nunca o perguntava também. Lembrou-se do que sentiu dias antes quando suas colegas de classe falavam sobre o chocolate honmei que uma delas entregaria ao moreno; uma raiva que a deixou agitada, com ciúmes... CIÚMES?

– Não... – arregalou os olhos, surpresa com os próprios sentimentos.

Sussurrou para si mesma tentando negar o óbvio. Sempre teve ciúmes dele, jamais deixou qualquer garota se aproximar. Era somente ela e mais ninguém. Nenhuma outra tinha o direito de estar perto de seu Dai-chan e nem uma delas era boas o suficiente para ele. Então as palavras de Kuroko ao dispensá-la fizeram sentido naquele exato momento:

“Não posso aceitar, Momoi-san. Eu não sou o homem que você ama, você sabe disso.”

Finalmente, havia entendido. Gostava de Tetsuya, mas não da forma absurda, torta, obsessiva e idiota que amava Aomine Daiki. Reconheceu seus sentimentos por ele e foi sincera com o próprio coração: estava perdidamente apaixonada. Um peso invisível abandonou seu corpo e ela o sentiu leve, relaxado. O sono a venceu por esforço e ela adormeceu profundamente.

Notas finais
Amanhã temos a conclusão dessa fic que eu gostei taaanto de escrever. Você, leitor fantasma, eu te desafio! Deixe um review. Mesmo que seja apenas um "gostei", mas deixe. Comentários são de suma importância para o autor e sempre o incentiva a escrever mais. ♥