Notas iniciais
Oi queridos. Voltei. Não postei ontem porque posei na minha vó. Mas tá aqui. Obrigada a todos que comentam e acreditam em mim. Sério eu amo vocês. Sei que estão ansiosos então , sem mais delongas, boa leitura.

– Isso é impossível! -exclamou Jonathan.

– Tem razão. Não tem como ele estar vivo até agora. Quer dizer poxa vida já fazem 878 anos.- concordou a ruiva. Foi ouvido un ruído no andar de baixo. Sussurros eram audíveis. As vozes pareciam estar discutindo.

Ela e Jonathan se entreolharam. Ele levitou o pano que cobria o quadro genealógico. Ela pescou a mão do irmão e eles ficaram invisíveis.

– Eles devem estar aqui sim.- a voz de Simon ficou mais alta. Ela e o irmão foram para o quarto dela. Clary nem reparou nele.

– Por que será que eles saíram do castelo? — a voz chorosa de Izzy preencheu os ouvidos. Clary tratou de se apressar. O irmão levitou as chaves do terraço e destrancou o cadeado. Eles foram para fora e Jonathan colocou tudo no lugar. Subiram na mureta e libertaram as asas. Pularam.

– Vamos voando mesmo. -disse Jonathan contra o vento. Clary assentiu e eles subiram no céu. Eles poderiam ficar visíveis logo logo.

– É tão bom né? — perguntou Clary para o irmão. Agora eles estavam um de frente pro outro.

– Sim. É maravilhoso. — concordou Jonathan. –Vamos voar um pouco. Chegamos mais rápido.

Clary assentiu. Mesmo que tentasse expelir qualquer pensamento e usufruir do momento não conseguia. Simon e Izzy ali? Quem mais estava com eles? Eram só os dois? E a pergunta que martelava na sua cabeça: quem era Arturo ?

Mas aparentemente eles só descobririam se fossem até onde ele estava. Eles já tinham movido seus pontinhos. Voando era mais fácil mas muito mais cansativo.

Voaram muito naquela manhã. Jonathan pensava em uma maneira de não deixar rastros. Afinal como haviam os descoberto?

Tocaram o chão no final da tarde. Clary não aguentava de dor nas costas. E estava morrendo de fome.

Reparou no cenário. Ele havia mudado drasticamente. Agora tudo o que ela conseguia ver era campo. Encostou na árvore e Jonathan a acompanhou. Ficaram frente a frente.

– Ainda não consigo acreditar que esse tal de Arturo está vivo.- desabafou Clary.

– Como você disse, é impossível.

– Mas deve ter uma maneira. Afinal essa coisinha aqui,-apontou para a bússola na sua mão-, nunca mente.

– Mesmo assim essa não é a maior das nossas preocupações do momento. A visitinha de Isabelle e Simon só provou que a Coroa está perto de alguma maneira.

– Teremos que ser ainda mais discretos.

– Nem é isso. Quanto mais adentrarem à nossa busca ficarão desprotegidos.- lembrou Jonathan meio cansado.

– Teremos que ir mais rápido então? — perguntou Clary, fazendo uma careta.

– É a única saída que eu vejo. Vamos descansar um pouco. Nós movemos bastante o nosso pontinho. Está vendo? Acho que daqui dois dias chegamos lá.

– Tomara que você esteja certo.

– Eu sempre...

–... está certo, eu sei.

Jonathan riu. Clary deitou em cima do braço. As pálpebras dela estavam pesando. Não demorou a pegar no sono.

Os dois dias seguintes pareciam repetições dos outros dias. Já estavam muito perto e resolveram parar. Guardaram a bússola e se sentaram. Agora o cenário era diferente. Já era noite. Se andassem mais um pouco chegariam ao tão almejado destino que perseguiram durante aqueles três dias.

– Estou com medo do que vamos encontrar lá. — disse Clary ao irmão.

– Não diga isso.- repreendeu-a.- Temos que estar preparados e isso inclui não apenas ter um plano , mas também não pensar no pior.

– Sempre otimista.

– Alguém tem de realizar esse papel não?

Ficaram em silêncio.

– Qual é o nosso plano?- indagou a garota.

– Achamos Arturo, obtemos o máximo de informações dele e então caímos fora.

– Falando assim eu até consigo pensar que será fácil. Fica óbvio que encontraremos resistência.

– E então fazemos o que sempre fazemos nesse tipo de situação. Lutamos.

– Não somos invencíveis. Tenho toda a certeza que não vamos enfrentar só vampiros.

– Não mesmo. Mas o alvo principal deles é os nephilim. Os demônios vão avançar para Idris . Nós somos apenas mais um objetivo.

– Acho que os Caçadores de Sombras não irão aguentar. — a ruiva suspirou. – Às vezes parece que o que estamos fazendo é inútil.

– Se eles não têm a pedra inteira também não têm poder total.

– Só que isso não os impede de mandar umas dezenas ao ataque.

– Eu sei.

Clary e Jonathan se olharam. Ambos queriam dificultar ainda mais a vida e os planos dos demônios. Mas aquilo parecia impossível. Ambos se sentiam impotentes, sem saída.

– Pode ser que eu esteja caminhando para a morte amanhã. Mas arrastarei o maior número de gente comigo.- decretou determinada.

– Conte comigo para isso.- concordou Jonathan.

Não dormiram naquela noite. Estavam demasiado ansiosos. Será que era a perspectiva de morrer? Talvez. Nunca haviam enfrentado algo tão grande e perigoso.

Vez ou outra repassavam o plano. Não era nada forçado, afinal já haviam se salvado por um triz de várias maneiras.

Os pensamentos de Clary voltavam-se involuntariamente para Idris. Ela podia imaginar o que estava acontecendo lá. Todos os nephilim lutando bravamente em uma chance de se salvar. Será que sentiam falta dela e do irmão? Será que ela e Jonathan poderiam ser mais úteis na guerra prestes a acontecer ou teriam mais necessidade no lugar em que estavam? Era uma dúvida cruel.

Amanheceu e Jonathan e a irmã já caminhavam. Olhavam para os lados toda a hora e estavam visíveis. Não havia ninguém mesmo.

Olhavam a bússola vez ou outra . Os pontinhos deles já estavam junto com o pontinho de Arturo. nas não havia nada ali.

– Devíamos esperar por isso. É claro que não deixariam seu quartel à mostra .- irritou-se Clary.

– Eu posso causar um terremoto meio acidental. — disse Jonathan. Clary riu. O menino colocou as mãos no chão e tudo começou a tremer. A areia foi revelando uma inclinação. Logo aquilo se transformou em um buraco.

– Tá legal. — disse Clary meio assustada. — Podemos dar meia volta e ir embora. Mas nenhum de nós quer isso. – Jonathan assentiu em concordância. — Ótimo. Quem vai primeiro?

– Pode deixar que eu vou. Mas vamos abrir as asas primeiro. Tudo o que conseguirmos usar a nosso favor será bem vindo.

As asas saíram das costas dos irmãos. O sangue escorria mas isso era o de menos.

– Vamos pular juntos. Aí podemos entrar invisíveis. — disse Clary. Deram as mãos um pro outro. – Você está pronto? — diante do sinal de afirmação do irmão Clary também se preparou. — Ótimo. No três. Um, dois e três. — dito isso os dois pularam. Aquele túnel parecia não ter fim. Fazia diversas manobras e Clary teve de se concentrar duas vezes mais para que eles conseguissem continuar invisíveis.

Quando chegaram se viram em um grande salão, todo reluzente e esplendoroso. Estava vazio.

' Pelo Anjo. Quanto mais nos infiltramos mais espantada fico. ' , informou Clary a Jonathan por meio dos pensamentos.

' Sabe você não é a única. Isso tudo é muito estranho. ' , respondeu Jonathan.

' Será que todos foram para Idris? '

' E deixar Arturo aqui? Não conte com isso. Ele poderia escapar facilmente. '

Eles se direcionaram para a porta à direita. Entraram discretamente. Não havia ninguém ali. Tudo estava as moscas.

– Teremos de procurar pelas celas. — a ruiva sussurrou baixinho para o irmão. Este assentiu.

Iniciaram as buscas com muita determinação. Muitas portas haviam se aberto para ambos os irmãos.

Eles procuraram muito. Encontraram um corredor abandonado. As paredes eram feitas de pedra , como o chão que pisavam. Não havia nenhuma janela ali.

Clary e Jonathan andaram determinadamente até a alta porta vermelha no final daquele corredor sombrio. Os dois estavam suando. A bússola no bolso de Clary apitou. Seria esse um aviso? Abriram a porta dessa vez sem muito cuidado. A teoria de Jonathan sobre os perigos de deixar Arturo sozinho se mostrou inválida. Aquele espaço estava completamente abandonado.

Quando abriram a porta se depararam com uma escuridão desorientadora. Quando os olhos dos dois se acostumaram eles avançaram , meio retraídos. As espadas deles brilhavam e isso acabava sendo útil. Depois de analisarem atentamente o ambiente Clary pôde dizer que estavam no ponto onde queriam estar. Aquilo era um amontoado de celas. Elas pareciam vazias à primeira vista mas se Clary observasse mais atentamente veria os corpos caídos e sem vida. Aquilo provocou calafrios involuntários em Clary , que rapidamente virou a cara. O irmão captou o olhar de Clary no mesmo momento e lançou um olhar de compreensão.

Aquelas celas pareciam não ter fim. A bússola vibrava na mão de Clary. A garota interpretou aquilo como um sinal de que estavam perto. O irmão parou repentinamente e isso fez com que Clary batesse nele.

A garota capturou o olhar de seu gêmeo e ficou horrorizada com o que viu. Na sua frente estava um homem de cabelos negros e de olhos azuis tempestuosos, quase cinzas. Aparentava ter a idade deles. Pelo Anjo, que coisa linda de se ver . Clary soltou uma risadinha e diante do olhar severo do irmão se recompôs. Foi aí que caiu a ficha. Aquele era Arturo. Arturo Morgenstern. Soltou uma exclamação. Ele olhava os dois meio confuso. Ela e Jonathan trataram de cortar as cordas que o prendiam. Quando eles o libertaram , Arturo os olhou com gratidão.

– Você é Arturo? — perguntou Clary.

– Sim, sou . — disse , em voz baixa.

– Não existe nenhuma segurança aqui , não é? — Jonathan indagou.

– Há três dias eles desocuparam esse local. — informou. — Posso perguntar quem são vocês?

– Depois. Primeiro vamos sair daqui.- Jonathan falou , virando começando a andar.

– Jonathan? Como ele disse, não há ninguém aqui.- Clary disse, sugestivamente.

Ele demorou um pouco para entender. Fez uma expressão surpresa e então os tijolos começaram abrir uma fenda. Como o teto era baixo os dois garotos tiveram que se abaixar. Quando atingiu um certo tamanho Jonathan parou. Clary voou para cima. Quando chegou percebeu que já era noite. Haviam ficado bastante tempo lá . Escutou uns sussurros e logo Jonathan e Arturo se juntaram à ela.

Eles três apenas se encararam.

– E nós achando que encontraríamos resistência. — Clary comentou, meio divertida. Nenhum dos dois falaram nada. Parecia que os dois queriam falar alguma coisa. No fim quem falou foi menina.- É melhor sairmos daqui.

Os dois concordaram a cabeça. Após alguns metros Arturo perguntou algo que queria fazer a muito tempo.

– Como é o nome de vocês? — a curiosidade era palpável na voz.

– Eu sou Jonathan e ela é Clary. – apresentou o menino .

– São Morgenstern, certo? — os dois assentiram.- Legal.

Como depois daquele breve diálogo ninguém falou nada, Clary prestou mais atenção na paisagem.

Já era noite então não conseguia ver muita coisa. Olhou para o céu e viu a lua, brilhosa e cheia , ostentando beleza.

Prestou atenção também em em seus pensamentos cada vez mais e mais confusos. As dúvidas eram tantas que ela levou as mãos às têmporas, massageando-as.

O que estariam fazendo os demônios agora? E os nephilim? Quais seriam seus planos dali em diante? Já tinham sido atacados? Para onde ela , o irmão e aquele antepassado iriam? Quais perguntas iriam fazer para Arturo?

– Vamos parar daqui a pouco. — informou Jonathan , a tirando de seu transe.

– Tudo bem. — ela concordou. Os dois recolheram as asas.

Não prestou atenção no lugar em que pararam. Ela e Jonathan organizavam os lugares , discutindo o que fazer por pensamento. Arturo, Clary observou pelo canto do olho, olhava o céu maravilhado. Clary colocou a culpa no cativeiro.

Fizeram uma fogueira e se sentaram ao redor dela. Clary entregou uma maçã ao moreno dando um sorriso de desculpas. Ele a aceitou de bom grado.

Os minutos seguintes foram de completo silêncio. Clary começou a ficar irritada. Não sabia o porque daquilo ou se a culpa era de alguma pessoa específica. A medida que os segundos passavam a atmosfera ficava ainda mais tensa.

Pegou duas maçãs e entregou uma ao irmão. Pegou uma de suas facas localizadas no bolso e começou a cortar a sua em pedaços tentando se ocupar. Comeu alguns e então se virou para encarar Arturo.

– Por que os Morgenstern são tão odiados pela Coroa?

Notas finais
'o' E então? Vocês têm ideia do motivo? Mereço recomendações? Até mais!