Children of the War

1 Capítulo Único - The Wall


Notas iniciais
AHHHH, não sei se alguém vai ler isso :)Mas se ler: eu sinto saudades dos meus personagens. Então eu TIVE que matar a saudade escrevendo algo, sem contar a Denise me dando feels (junto do tumblr com o trailer da 4 temporada, eu não resisto).Matando a saudade da minha Targaryen preferida, do meu Martell lindo e de umas crianças que eu acho que serão fofas. :BAh, e do bastardo também :P ps: eu estou bastante ciente de que esse não foi o meu melhor trabalho. Mas entre o TCC e os meus originais, estou voltando a me aquecer para Game of Thrones :P

Rhaena encarou o chão coberto de neve branca e fofa e quis sorrir, ao invés de encolher-se um pouco, desviando de memórias desagradáveis. O cheiro do gelo e a sensação do sol batendo em seu rosto naquele dia frio, no entanto, lhe traziam memórias mais agradáveis; lhe falavam sobre segurança e lar, de uma maneira que só o Norte poderia. Ela guardava algo de familiar de cada lugar que chamou de lar ao longe de sua vida, e era a primeira vez, em oito anos, que voltara a pensar no Norte daquela forma.

Estavam hospedados em Winterfell em uma visita informal. Incapazes de mandarem duas crianças para a morte, após a guerra, Rhaena e Robb haviam optado por tomarem Tommen e Myrcela, os bastardos de Cersei e Jaime Lannister, como protegidos e reféns, para impedir que qualquer Casa que ainda guardasse lealdade aos Lannister se rebelasse. Agora, oito anos mais tarde, Robb havia concordado com o casamento de Myrcella com um de seus cavalariços e, a pedido dela, Rhaena e a família haviam se deslocado até o Norte para que o jovem Tommen pudesse ver a irmã uma vez mais, antes de seu casamento.

A rainha não havia cogitado a idéia de pisar onde estava, ir até o Castelo Negro significava alguns dias a mais de viagem e encontrar com alguém que nem mesmo 8 anos de distancia conseguiram prepará-la para ver novamente.

Mas Daeron fora bastante insistente quanto a visita, o que acabou por fazer com que os gêmeos também insistissem. Quentyn, então, achou que uma visita da família real poderia ajudar a fortalecer os laços entre a Patrulha e o Trono de Ferro, além de satisfazer a curiosidade das crianças.

O fato de que os dois – e mesmo Daenerys, companhia constante de sua família – eram incapazes de negarem as suplicas dos pequenos não era muito mencionado.

Passada as devidas formalidade, Rhaena acompanhava Quentyn enquanto conversavam com o Lorde Comandante, mas ela não prestava realmente atenção a conversa, os olhos passeando de um filho para o outro.

Daeron era três anos mais velho que os gêmeos e costumava ser o mais sério dos três, parecido demais com o pai. Mas a seriedade havia sido deixada de lado em beneficio da neve que nunca havia visto e do lugar inusitado ao qual visitava. Ele leva Myriah pela mão, mesmo que os dois estivessem engajados em uma pequena e divertida guerra de neve. Enquanto o mais velho tinha todas as feições dos Targaryen, Myriah e seu irmão gêmeo, Lewyn, haviam herdado do pai os cabelos da cor do ébano e a pele levemente mais bronzeada que a do irmão. A constituição de ambos era menor, os olhos tinham um tom escuro de púrpura e o rosto ainda tinha os traços redondos que definiam a infância.

Logo atrás de Daeron e Myriah, vinha sua ama, uma garota dothraki – que Rhaena havia aprendido a confiar há muito tempo – e Daenerys, com o pequeno Lewyn no colo. Embora a tia se mostrasse bastante carinhosa com todas as crianças, ela e Lewyn compartilhavam um laço especial. O garoto era mais tímido que os irmãos e não demonstrava qualquer interesse em grandes aventuras e lutas como eles. Myriah agia, por vezes, como um menino, sendo a companhia constante de Daeron. Mas Lewyn preferia a companhia dos adultos e dos dragões da tia, a companhia das histórias do maester e dos pais sobre a guerra e as Cidades Livres.

Eram tão diferentes um do outro que Rhaena aprendeu a amar a cada um de uma maneira diferente, da maneira que cada um precisava ser amado.

Com um sorriso, viu enquanto a tia conversava baixinho com o filho, que tinha a cabeça apoiada no ombro dela enquanto ela o segurava fortemente. Antes que pudesse formular qualquer outro pensamento, viu Daeron acenando para ela e chamando-a com um sorriso largo no rosto.

A loira correspondeu o sorriso e desculpou-se com o Lorde Comandante, caminhando com a graça de uma rainha até as crianças. Notou que, a sua volta, os soldados estavam a postos na entrada do pátio e próximos as diversas portas. Mesmo com os acordos e boa vivencia entre o reino do Sul e do Norte, os soldados estavam constantemente tensos por ali.

Quando pegou-se sendo observada, Rhaena forçou seus pés a não pararem e o rosto a permanecer impassível. Não queria demonstrar qualquer emoção, não deveria. Jon estava se aproximando lentamente do Lorde Comandante, os olhos cinzentos fixos em seu rosto, e a mulher sentiu como se pudesse parar de respirar. O ar estava frio demais, havia muita neve no chão para que atravessasse, tudo se movia lentamente, os oito anos não pareciam mais do que oito dias.

Então o contato visual foi quebrado pela distancia e foi como se tudo acelerasse de repente, ela virou o rosto e forçou os lábios a sorrir mais uma vez quando se aproximou dos filhos. Ela segurou as saias de veludo negro, movendo o vestido para que se abaixasse na altura dele e segurou suas mãos enluvadas, encharcadas de neve.

“Se não pararem com isso vão acabar pegando um resfriado.” Ela sorriu para os pequenos, que apenas sorriram de volta.

“Dorrit disse a mesma coisa.” O menino resmungou, revirando os olhos para a jovem dothraki.

Rhaena segurou uma risada e o encarou com um ar severo enquanto se levantava, a neve fazendo sons suaves debaixo da sola de suas botas. Familiar, pensou, distraída por um mero segundo.

“Você deveria ouvi-la então.”

Daeron deu de ombros e afastou os olhos da mãe, encarando além dela. Deixou que a pequena Myriah pronunciasse seus desejos, algo que a rainha já tinha conhecimento. Os olhos das crianças haviam brilhado quando eles ficaram próximos o suficiente para ver os contornos iniciais da Muralha, e estar tão perto dela os maravilhava.

“Quando poderemos subir lá em cima?” a menininha perguntou com sua voz infantil e atrapalhada, apontando um dedo pequenino e gorducho para cima.

A mulher não precisou acompanhar seu dedo para saber do que ela falava. O mero pensamento de seus filhos expostos no fim do mundo trazia calafrios. Ela mesma nunca havia estado lá em cima, no limite entre a segurança e o perigo; nunca havia observando além da Muralha para as terras selvagens que corriam ao extremo norte.

“Vocês não irão.” Ela respondeu simplesmente, observando enquanto a expressão dos dois mudava da esperança para a incredulidade em segundos.

“Mas mamãe..” Daeron começou, como se tivesse algum argumento forte o suficiente para fazê-la reconsiderar e deixar que eles se arriscassem em uma incrível subida sobre uma Muralha completamente feita de gelo.

Um dedo gelado subiu a coluna de Rhaena mais uma vez e ela fechou os olhos por breves momentos para dispensar a sensação.

“Papai!” a voz de Myriah cortou o que o irmão queria dizer, e Rhaena virou-se rapidamente, fazendo com que sua capa rubra balançasse e deixasse que o vento gelado do dia entrasse pelas mangas soltas de seu vestido.

Toda sua pele se arrepiou no mesmo instante em que seus olhos cruzaram com os cinzentos mais uma vez, e ela não soube dizer se foi o frio ou se foram as emoções misturadas e bagunçadas em seu coração. Ela havia esquecido-o completamente enquanto estava com toda sua atenção voltada aos filhos, e agora era como se tudo voltasse a ficar pesado demais.

Enrolou-se o melhor que pode em sua capa e forçou-se a desviar os olhos e encarar o marido que se aproximava, com Jon e o Lorde Comandante em seu encalço. O homem já estava bastante velho e grisalho e ela se perguntava como ele ainda se mantinha firme o suficiente naquele lugar gelado e solitário. Perguntou-se, também, se Jon viria a ser o próximo Lorde Comandante quando ele se fosse e percebeu que não sabia como se sentiria a respeito. Tê-lo naquele cargo significava uma linha direta de contato com ele, mesmo que por razões puramente políticas. E mesmo depois de oito anos, Rhaena não sabia como se sentia em relação a manter contato com Jon.

Observou pelo canto do olho enquanto a filha corria atrapalhada pela neve e pelas saias pesadas de veludo e lã até o pai, que disfarçava o sorriso em seu rosto. Ela mesma segurou o próprio sorriso quando encarou o marido, olhos atentos em sua pequena menina. O coração esquentou e voltou a bater em um ritmo regular, sua pele voltou a aquecer-se

“Papai, quando poderemos ir?” a menina repetiu a pergunta, estendendo uma das mãos para segurar a de Quentyn. A mão da menina desapareceu na palma do pai e, dessa vez, a rainha não reprimiu o pequeno sorriso que surgiu no canto de seus lábios.

“Ir aonde?” o homem parecia confuso e Rhaena armou sua melhor expressão você-sabe-muito-bem para ele, erguendo uma das sobrancelhas.

“Para o topo da Muralha.” Ela explicou por eles. “Parece que alguém lhes disse que era possível, não?”

Daeron se aproximou, enfurnando-se por debaixo da capa da mãe e abraçando-se as pernas dela, enquanto encarava os homens. Sério e contido, ele ainda estava aprendendo a se relacionar com adultos e deixar a timidez infantil de lado.

Ela deixou que sua mão passasse pelos cabelos lisos do garoto, entremeando os dedos nos fios finos e claros, que cresciam no mesmo estilo ao do pai. O pensamento logo fez com que seus olhos encontrassem Jon mais uma vez, analisando cada detalhe, como se pudesse encontrar a resposta para aquela questão que há tanto a perturbava.

Ele encarava o garotinho de volta com os olhos espremidos, distraído, como se ele próprio os analisasse. O frio repentino voltou e ela fechou a mão livre em um punho, deixando que a outra caísse dos cabelos do filho para seus ombros, apertando-o contra seu corpo, como se pudesse torná-lo invisível.

“E quem foi que disse isso?” Quentyn perguntou, encarando a esposa, sobressaltando-a.

Rhaena o olhou ainda de mãos dadas com a filha e, só então, percebeu que o mundo não havia parado, de fato. Ela levou alguns segundos para lembrar-se do que falavam, mas foi salva por Daeron, que explicou um pouco mais irritado com a situação.

“Maester Pythos disse. Ele me contou em nossa última aula.” Ele encarou o pai e, então, a mãe, com os grandes olhos violetas abertos como pratos em uma suplica silenciosa.

O danadinho sabia mesmo como conseguir o que queria dos pais, mas Rhaena lembrou-se rapidamente que não podia ceder.

“Sinto muito, rapaz, mas não acho que seja possível, não é Jon?”

A surpresa de que Quentyn chamasse por Jon tão casualmente fez com que Rhaena não se movesse e, inconscientemente, apertasse o filho mais forte contra si. O menino não reclamou, mas moveu-se levemente, deixando-a saber como estava desconfortável.

Jon parecia tão surpreso quanto, encarando Quentyn e, em seguida, as crianças. Suas palavras saíram rápida e cordialmente, frias.

“Sinto muito, vossa graça. A Muralha não está em um bom dia.” Respondeu prontamente, o que não desencorajou os pequenos.

“Isso quer dizer que subir até lá seria uma aventura?” o menininho perguntou, os olhos brilhando e as mãos apertadas contra as saias da mãe.

Rhaena encarou Jon com uma expressão firme e negou rapidamente com a cabeça, esperando que ele entendesse o que queria dizer. Jon piscou duas vezes antes de responder, surpreso pelo gesto. Era a primeira vez, desde que chegara, que Rhaena demonstrara perceber sua existência, mesmo que com pequenos gestos.

“Uh, não, vossa graça. Seria perigoso. Imprudente, eu diria.”

A expressão de Daeron desmanchou rapidamente para uma careta derrotada, mas Myriah era um pouco menos conformada. Começou a andar em uma direção qualquer, apontando para a Muralha e fazendo diversas perguntas a Quentyn no que, acreditava Rhaena, fosse uma maneira sutil de tentar distraí-lo de sua resposta inicial.

Logo os dois já estavam próximos de Daenerys e Lewyn, no outro lado do pátio, aproximando-se da Muralha. Lewyn havia descido do colo da tia e espalmado as mãos contra o gelo, como se ele pudesse derretê-la com o olhar, enquanto Quentyn se apressava para impedir que Myriah lambesse-a e acabasse com a língua presa em uma construção de milhares de anos.

A loira mordeu o lábio inferior para não rir e, antes que pudesse perguntar ao filho mais velho se ele gostaria de se juntar aos irmãos, percebeu que ele encarava Jon. A excitação e o deslumbramento havia voltado ao seu rosto.

“Você é um homem da Patrulha da Noite, Jon?” ele perguntou, interessado.

O bastardo sorriu devagar e pequeno, de uma maneira que não pudesse ser notada facilmente. Rhaena estava o encarando mais uma vez.

Respondeu prontamente, as mãos escondidas atrás das costas. “Sim, sou, vossa graça.”

“Você já esteve lá em cima?”

“Muitas vezes.”

Houve uma pequena pausa, o tempo suficiente para ouvir a risadinha de Myriah de longe.

“Eu posso ser um homem da Patrulha da Noite?” ela quase não percebeu que a pergunta se diria a ela, e não a Jon.

“Oh, não querido. Você será um rei, um dia. Não um patrulheiro.” Informou com um sorriso apologético no rosto, voltando a passar a mão pelos cabelos do menino.

“Mas por que não? Eu quero as aventuras dos livros, não ficar sentado no Trono de Ferro.”

“Mas reis também vivem aventuras.” Jon foi rápido, respondendo-o antes que ela tivesse chance para pensar sobre o assunto. “Como o rei que divide o nome com vossa graça, Daeron, o jovem dragão.”

“Ele não foi um bom rei.” O menino respondeu sério. “Tia Arianne diz que foi um tolo por achar que podia dominar Dorne.” Falou tão categórico que Rhaena se surpreendeu. Sabia que deixá-lo muito tempo na companhia de Arianne resultaria em algum tipo de influencia, mas nunca havia imaginado que seria em pontos de vista histórico. “Além do mais, prefiro o rei Daeron II. Ele encontrou uma maneira de trazer Dorne para junto dos Sete Reinos.” As palavras dele eram exatamente as mesmas que Quentyn usava para contar sobre o Targaryen que homenagearam ao lhe nomear.

“Como você.” ela deixou os dedos deslizarem pelas bochechas vermelhas do frio de Daeron e sorriu para ele.

Mas seu coração logo se apertou um pouco, quando viu o sorriso de Jon desaparecer, afinal de contas, ela era a única que sabia suas verdadeiras razões. A única que jamais poderia saber.

O menino deu de ombros, olhando desolado envolta. “Se eu for rei, e quiser ter aventuras com a Patrulha da Noite, eu posso?” insistiu no assunto, fazendo Rhaena rir.

“Bem... Acredito que sim. Em alguma batalha de grande importância.” Olhou para Jon, em busca de apoio, sem perceber realmente que o fazia. Era natural buscar apoio em Quentyn quando as crianças se tornavam por demais curiosas e, quando se deu conta do que fazia, sentiu as raízes da culpa instalando-se em seu coração mais uma vez.

“Se os Caminhantes Brancos nos invadirem. Precisaremos da ajuda do rei e de seus cavaleiros.” Jon respondeu a primeira coisa que cruzou sua cabeça.

Os olhos do jovem príncipe se arregalaram e ele olhou a mãe em um misto de empolgação e medo.

“Mamãe, você iria para a guerra?” o pensamento parecia tão absurdo na voz da criança que Rhaena imaginou o que ele diria quando chegasse a idade e ouvisse sobre a guerra que os levara ao trono.

Parte sua não queria que ele descobrisse essa história. Parte sua queria permanecer como a criatura mística e divina que era aos olhos do seu filho. Alguém com o poder de manter o mau longe e protegê-los das sombras e dos pesadelos. Queria que a infância pudesse permanecer com eles para o resto da vida e que os horrores que vivenciaram antes não fossem de seu conhecimento.

“Não, querido.” Sorriu mais uma vez para ele, mascarando a pontada de pânico que lhe acometia sempre que pensava sobre uma nova guerra, qualquer que fosse. “Não nasci para o manejo da espada.” Tentou bloquear as memórias de quando Jon tentara ensiná-la a lutar em Correrrio, durante o inicio da guerra. “Mas tenho certeza que seu pai iria.” Ela não conseguiu se impedir de encarar Jon enquanto dizia essas palavras, a dúvida mais uma vez martelando em sua cabeça.

O menino sorriu e se afastou, correndo na direção dos irmãos e do pai. Rhaena deveria segui-lo, mas não conseguia afastar os olhos de Jon. Os sentimentos se misturavam dentro de seu peito e ela sentia uma enorme vontade de puxá-lo para seus braços e abraçá-lo fortemente, lembrando-se como seu cheiro e calor eram reconfortantes, de como, uma vez, ele fora toda a família que ela sempre quis.

Outra parte queria gritar e jogá-lo no chão. estapeá-lo e feri-lo tão dolorosamente como ele havia feito quando desaparecera em plena madrugada, deixando-a sozinha na Fortaleza Vermelha, desesperada e sem ninguém. Odiada por todos que amava.

O desejo durou pouco e logo foi sobrepujado pela realidade: a partida de Jon fora a responsável por unir Quentyn e Rhaena. Se o bastardo tivesse aceitado a posição na Guarda da Rainha, ela jamais teria se aberto ao marido, jamais teria deixado que ele se tornasse seu melhor amigo, sua pessoa de confiança. A dor que ele havia lhe causado, havia feito com que ela se resignasse a tirar o melhor do que tinha. A não deixar que tudo desmoronasse porque ele não a amava o suficiente.

Ou talvez ele amasse. Amasse o suficiente para perceber que a melhor chance dela seria em Porto Real, e não como uma fugitiva.

Sua cabeça começou a doer e ela suspirou, virando-se em direção a família antes de ser chamada de volta.

“Ele é um Stark.” As palavras cortaram Rhaena como aço valiriano, rápida e precisamente.

Foi como se uma rajada congelante passasse sobre suas feições, como se o vento estivesse soprando tão forte em sua direção que ela não podia respirar direito. Seus pulmões ardiam. Ela virou-se bruscamente, quase tropeçando, olhando-o estarrecida.

“Como?”

Jon arregalou os olhos, surpreso com a reação dela e deu dois passos para se aproximar. A loira não se afastou e sua expressão também não mudou, sentia-se zonza.

“Eu quis dizer.. Que ele puxou muito de você.”

Quando ela soltou a respiração – que não sabia ter prendido – seus pulmões incharam-se com o ar renovado, deixando que a cor retornasse ao seu rosto.

“Ele tem a cor dos Targaryen, mas no porte.. Será um homem do norte, como os Stark. Foi o que eu quis dizer.” Ele a olhou, desconfiado

Ela assentiu lentamente com a cabeça, passando a língua pelos lábios em alivio.

“As vezes é como se eu fosse a única responsável por gerá-lo.” Ela balbuciou, encarando o patrulheiro.

Jon ainda a avaliava, medindo-a e demorando-se em sua expressão. Ela começou a virar-se novamente, mas foi interrompida mais uma vez quanto dele estendeu o braço, quase tocando-a e recuando no ultimo instante.

“Rhaena...” a expressão dela estava mais séria agora, impassível. “Majestade.” Ele rapidamente se corrigiu, mas ela não deixou que continuasse.

“Oito anos Jon. E nem uma palavra.” Sua voz tinha um tom cansado, de alguém que tinha muito a dizer, há muito tempo. Mas que não se importava mais. “Eu não quero saber.”

Ela lhe deu as costas e começou a caminhar em direção a família, ouvindo a neve ser esmagada pelas solas da bota. O sangue pulsava em seus ouvidos e ela ainda tentava normalizar a respiração quando ouviu o sussurro a suas costas.

“Ele é realmente quem acredita ser?”

Ela olhou por cima do ombro por um breve segundo. “Não sei.” Confessou, da única maneira que se permitia.

Notas finais
Se leu e gostou, deixa uma comentário. Eu não mordo, mesmo :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.