Notas iniciais
Espero que gostem da fanfic ;)
Boa leitura.

Último dia de aula, finalmente poderei gritar para os quatro cantos que estou livre! Passei com as melhores notas, então é óbvio que nos próximos bimestres não terei que me preocupar com recuperação ou coisas do tipo.

— Sarada!

Eu estava saindo da escola quando ouvi Chouchou gritar.

Me virei para trás e vi minha melhor amiga correndo em minha direção.

— Que foi? — Indaguei surpresa, pois Chouchou pareceu estar realmente com muita pressa. Na verdade parece estar agoniada mesmo.

Ela parou ao meu lado, segurou em meu ombro e respirou fundo.

— Por que não me esperou? — Resmungou — Enfim... O que você marcou na questão 12 de química?

— Você correu tanto só pra isso? — Ri, afinal, eu pensei que o motivo do desespero fosse outro — Eu marquei a letra c.

— Ufa! — A morena levou a mão até o peito, suspirando aliviada — Então eu acertei... — Sorriu sem graça — O Boruto tá crente de que é a letra a, mas eu não confio muito naquele loiro burro.

— Com certeza não é a letra a! — Falei convicta — Era a alternativa mais absurda do universo!

O Boruto tá caçando um jeito de ficar de recuperação de novo, tenho certeza disso!

— Enfim, eu confio mais em você. — Chouchou falou mais tranquila — Agora vou perguntar pro Shikadai o que ele marcou na 12.

Chouchou saiu correndo para ir falar com o Shikadai.

Ela me mata de rir, mas ainda não creio que ela confiou no Boruto. Também não creio que ele foi burro a ponto de marcar aquela alternativa naquela questão.

Ou melhor, não é muito surpreendente. Ele sempre foi idiota.

Meu pai e o pai do Boruto são amigos de infância e o papai diz que o Naruto, meu padrinho, era tão estúpido quanto sua cria. Bem... Se o Naruto era um verdadeiro estúpido na infância e adolescência, isso eu não sei; Só sei que o Boruto é um completo tapado!

Fiquei uns dois minutos parada em frente à escola, até que o carro do meu pai finalmente estacionou lá do lado para que eu entrasse.

— Demorou hoje, hein. — Comentei assim que entrei no automóvel, afivelando o cinto de segurança.

— Foi mal... — Ele suspirou, dando partida no carro — Tive uma reunião de última hora hoje na empresa.

— Hum...

Coloquei meus fones de ouvido e fiquei em silêncio durante todo o trajeto da escola até a nossa casa.

— Vai fazer o que nas férias? — Meu pai questionou quando saímos do carro.

— Aproveitar a Netflix. — Respondi com os olhos brilhando como se fosse uma garotinha apaixonada.

Ah, quem precisa de namorado quando se tem Netflix o dia inteiro e um prato de brigadeiro com pipoca e refrigerante? Claro, Deus sabia que nem todo mundo iria encontrar um amor, por isso criou as séries e comidas gostosas.

— Você devia arrumar um namorado... — Murmurou.

Nossa... Quando você é uma adolescente e seu pai diz que você precisa de um namorado, então é porque a situação tá pra lá de tensa.

— Nossa, pai... — Comentei desanimada.

— Ok, me expressei mal. Namorado não, mas bem que podia sair com suas amigas... Sei lá, você vai ter um mês de férias. — Deu de ombros — Claro, pra voltar até as dez da noite.

Tava bom demais pra ser verdade...

Entramos em casa, onde eu joguei minha mochila em cima do sofá e recebi um olhar desaprovador do meu pai, como se me mandasse tirá-la de lá.

— Depois eu tiro. — Respondi e ele nada disse. Acho que concordou.

Fomos os dois para a cozinha, onde minha mãe terminava de fazer o almoço. Ela é médica, mas tirou férias, então nesse período será somente dona de casa mesmo. Já meu pai, como é um dos donos da empresa, não tem bem férias definidas.

— Fiz empadão, eu sei que vocês dois adoram. — Ela falou sorridente enquanto terminava de cortar os tomates para a salada — Sei que também adoram tomates.

Claro, tomate é o que não falta aqui em casa.

— Meu estômago já tá gritando! — Falei com água na boca.

Meu pai e eu nos sentamos para comer, mas, por algum motivo, minha mãe se ausentou da cozinha por uns dois minutos... Deve ter ido ao banheiro, sei lá.

Mas logo ela apareceu com dois colares em mãos, os pingentes eram a metade de um coração e se completavam. Minha mãe acha isso bonitinho, mas eu acho meio brega. Meio não, muito brega.

— Sasuke, amor, olha que fofo. — Minha mãe sentou à mesa e mostrou os colares para meu pai — São lindos, né?!

— Uhum... — Meu pai respondeu simplesmente, prestando mais atenção na comida do que na minha mãe.

Claro, com o empadão da mamãe, quem iria querer prestar atenção nessas bugigangas sem graça?

— Fui ao supermercado hoje pela manhã e tinha uma senhora vendendo umas bijuterias lá na frente... — Contou — Eu vi esses dois e achei bonitinhos.

— Mãe, isso é brega. — Revirei os olhos — E essas velhinhas que vendem essas coisas parecem macumbeiras.

— Sarada, não diga essas coisas! — Ela me repreendeu — Comprei porque acho que tem um significado lindo. Veja... — Ela me mostrou os pingentes — Os corações se completam e há uma criancinha dentro dos pedaços.

Ah, ela deve estar pensando que os pingentes simbolizam os corações dela e do papai, já que se completam; E a criancinha sou eu, já que está dentro dos corações.

Putz, por que diabos minha mãe vê simbologia em tudo?

O que pra mim é uma bugiganga brega, pra ela é um objeto com um significado especial.

— Sim, são lindos... — Concordei apenas para que a minha mãe pare com essa faladeira. Essas bijuterias são bregas e ela não vai me fazer mudar de idéia.

— Sasuke, amor, comprei para nós usarmos. — Mamãe falou docemente, já se levantando para colocar um dos colares no pescoço do meu pai.

— Sakura... — Ele encarou minha progenitora com uma sobrancelha levemente arqueada — Tem certeza disso?

— Tenho! — Assentiu.

— Tá bom... Tá bom... — Bufou e simplesmente colocou o colar para dentro da camisa.

É mais fácil concordar do que discutir com a minha mãe. Ela parece ser doce, mas fica assustadora quando tá zangada.

— Que bom que gostou. — Ela colocou o outro colar no próprio pescoço e voltou a se sentar para comer.

Tirando essa loucura da minha mãe, o resto do almoço foi normal. Depois que terminou de comer, meu pai seguiu para o quarto e eu fiquei ajudando minha me com a louça.

Finalmente livre, segui para o meu quarto e coloquei um pijama, podendo enfim ficar a sós com minhas séries.

Qual série assistir? São tantas que quero ver... Mas, pra iniciar em grande estilo, optei por Wolf Hall, afinal de contas só tem seis episódios e dá pra ver tudo hoje mesmo. Sim, é a série perfeita, ainda mais pra uma fascinada por História como eu sou!

Após alguns episódios, decidi ir até a cozinha para fazer pipoca. Chegando lá, encontrei meu pai perto da geladeira.

Ué... O que meu pai tá fazendo aqui?

— Pai... — Chamei, então meu progenitor me encarou — Tá de folga hoje à tarde?

— Não. — Suspirou, escorando-se na pia — Liguei pro Itachi pra avisar que eu não tô bem hoje.

— O que o senhor tem? — Questionei preocupada, afinal, meu pai é forte e não pega nem resfriado.

Ok, todo mundo adoece de vez em quando, mas a coisa mais rara do mundo é Sasuke Uchiha cair doente.

— Um pouco de dor de cabeça... Náuseas... — Suspirou — Vou deitar.

— Deve ser virose. — Comentei pensativa.

Hoje em dia tudo é virose... Ah, mas o papai é casado com uma médica, então tá tudo de boa. Tá certo que minha mãe é pediatra, mas isso não significa que ela não vai saber o que meu pai pode ter.

— É, deve ser. Toma cuidado, pois sua mãe tá assim também e você pode ser a próxima.

Meus pais precisam ser vacinados com urgência!

— A mamãe tá passando mal também? — Perguntei e meu pai assentiu — Putz... Eu espero não adoecer também.

Ficar doente nas férias é a última coisa que eu quero!

Meu pai foi se deitar por não estar se sentindo bem e eu fui fazer minha pipoca para voltar a assistir Wolf Hall.

Fiquei dentro do meu quarto até terminar todos os seis episódios e valeu a pena! A série é ótima e a cena de decapitação foi incrível, explícita, chocante... Putz, chegou a arrepiar! Perfeição define.

Terminados os seis episódios pra lá de perfeitos de Wolf Hall, que eu com certeza assistirei novamente, fui para a cozinha para colocar o balde de pipocas vazio dentro da pia.

A casa tá silenciosa... Nada do papai e da mamãe. Não é comum eles dormirem nesse horário. Devem estar muito mal mesmo.

Fui até o quarto dos meus pais e dei duas batidas na porta, afinal, eles podem estar fazendo coisas que... Enfim, não quero presenciar.

Mas eles nada responderam, o que me deixou ainda mais preocupada.

— Pai? Mãe? — Chamei, mas não obtive resposta.

Preocupada com o que pode ter acontecido aos meus progenitores, abri a porta do quarto para ver o estado deles... Mas, ao invés de ver dois corpos adultos na cama, vi duas bolinhas enroladas nos edredons.

Juro que, por um momento, pensei que fossem dois travesseiros. Só que, chegando mais perto da cama, vi um pequeno tufo de cabelo preto de um lado e um pequeno tufo de cabelo rosado do outro.

Ajeitei meu óculos e estreitei os olhos, encarando com surpresa e estranheza os dois corpos minúsculos encolhidos e enrolados nos cobertores.

Puxei os dois cobertores de uma vez, revelando duas crianças pequenas: Um garotinho dos cabelos negros e desgrenhados, e uma garotinha dos cabelos rosados e lisos.

A surpresa foi tanta que um grito agudo escapou de minha boca, acordando as duas criaturinhas que até então dormiam feito dois anjinhos.

Eles acordaram assustados e se encararam, logo em seguida olharam para mim e era óbvio que acharam tudo ao redor muito estranho.

— Onde eu tô? — Perguntou a garotinha com a voz manhosa, fazendo beicinho e um pouco assustada também.

— Eu... Eu... — Os olhinhos do pequeno moreno se encheram de lágrimas — Eu quero a minha mãe!

O moleque abriu o berreiro e, pra completar, a menininha também.

— Meu Deus! — Suspirei assustada — Parem de chorar! Parem de chorar! — Implorei — Por favor. Eu... Eu dou um doce pra cada um.

Os dois calaram a boca na mesma hora e me olharam com os olhinhos encharcados.

As duas crianças estão sem roupas; Na verdade, estão meio envoltas nas roupas que meus pais usavam mais cedo.

Eu não posso acreditar que isso esteja acontecendo, pois é loucura pensar em algo assim. Todavia, eu reconheceria essas crianças em qualquer lugar... Eles são meus pais!

Notas finais
Que tal? Gostaram?
Bjsss ♡