Children
8 Promessa é dívida
Notas iniciais
Finalmente escovei meus dentes, e aproveitei pra tomar banho e tirar o cheiro de xixi que estava impregnado em mim. Deixei Boruto com meus mini pais enquanto isso, só espero que os dois — ou melhor, os três — estejam inteiros quando eu terminar.
Voltei para o quarto dos meus pais e encontrei Boruto sentado no chão e mexendo no celular, enquanto isso o Sasuke e a Sakura estavam mexendo de novo com as malditas algemas!
Ah, valei-me!
– Ei! — Corri e peguei as algemas que dessa vez estavam nas mãos de Sasuke — Sakura! — Virei para a menina — O que eu falei?
– O tio Boruto não se importou. — Respondeu a menina.
– Boruto! — Gritei e o rapaz se espantou, deixando o celular cair.
– Caramba, Sarada, eu já estava quase passando de fase. — Resmungou.
– Você não viu que as crianças estão mexendo com isso? — Mostrei as algemas com plumas para o Uzumaki e ele simplesmente caiu na gargalhada.
– Mentira! — O rapaz ria feito uma hiena retardada — Eita, parece que alguém aqui curte cinquenta tons de cinza... Ou melhor, cinquenta tons de rosa!
Desnecessário isso... Desnecessário!
– Boruto! — Bufei — Não acredito que as crianças estavam mexendo com isso na sua frente e você não notou!
– Ah, eu estava jogando. — Defendeu-se.
– Tia... — Sakura me chamou enquanto eu guardava mais uma vez as malditas algemas — Eu tô com fome.
– Eu também. — Sasuke falou.
O quê? Que diabos de lombriga medonha é essa na barriga desse menino? Ele acabou de comer, como pode já estar com fome de novo?
– Sarada, você está deixando essas pobres crianças passarem fome? — Boruto provocou.
– Vamos comer. — Chamei as duas crianças e saí do quarto.
Fomos os quatro até a cozinha, então peguei alguns pães, passei manteiga e coloquei num prato; Depois coloquei leite em dois copos, misturei achocolatado e pronto! Café da manhã perfeito.
É tão lindo ver crianças sentadas à mesa, comendo comportadas como se fossem anjinhos.
– Tia... — Sasuke chamou enquanto cutucava o pão — Essa sementinha em cima do pão...
– O que tem? — Questionei.
– Se plantar, nasce uma árvore de pão? Ou dá pra plantar o pão pra nascer uma árvore de hambúrguer?
Revirei os olhos.
Ah, mereço... É cada uma que sai da boca de criança, viu.
– Sasuke... — Suspirei — Só come, tá?
– O Jon Snow apareceu! — Boruto comentou ao ver meu gatinho na cozinha.
– É. — Assenti — Ele estava por aí, nos telhados da vida... Agora reapareceu. — Expliquei — Acho que o jeito vai ser castrar ele.
– O que é isso? — Sakura perguntou.
E minha mãe ainda reclamava quando eu me metia em conversa de gente grande.
– É uma coisa que faz pro gato ficar quieto. — Expliquei.
– Ah, Sarada, coitado. — Boruto falou penalizado — Vai acabar com a alegria do bichinho.
– Dane-se, eu não quero perder ele. Enfim, o que você tinha pra me dizer?
– Ah, sim... Vamos pra sala. — Boruto me puxou pelo braço e ambos fomos andando até a sala, então sentamos no sofá um ao lado do outro — Então, eu andei pesquisando sobre esses casos bizarros aí, de gente que muda de forma, enfim... Parece que já aconteceu e muita gente crê fielmente que amuletos podem fazer isso.
– Amuletos? — Uni as sobrancelhas, recordando dos colares pra lá de bregas que minha mãe comprou — Então foram os colares! Claro, só pode ter sido isso aí!
– É. — Assentiu.
– E como faz pra reverter?
– Não havia uma forma de reverter, mas o efeito é temporário.
– Então quer dizer que eles vão voltar! — Falei animada — Ah, nem posso acreditar!
– É, mas não sabemos quanto tempo vai levar. — Explicou — Pode levar dias, semanas, meses, anos...
– Anos? — Indaguei apreensiva.
– É. Tudo vai depender do amuleto.
– Merda! — Praguejei — Não aguento mais nem um dia, quem dirá um ano!
– Não vamos ser pessimistas.
– Não é pessimismo, é realismo! — Respondi — Se há essa possibilidade, precisamos considerar.
– Você é sempre pessimista, Sarada... — Suspirou — Enfim, espero ter ajudado você.
– Sim, ajudou muito! — Falei agradecida — Sério, Boruto, você foi um amor de pessoa.
– Ora... — Boruto coçou a nuca todo sem graça. Suas bochechas ficaram levemente avermelhadas e eu achei super fofo — Que foi? — Ele perguntou com estranheza após eu ter dado uma risadinha baixa.
– Nada... — Neguei com a cabeça, chegando um pouco mais perto dele — É só que... Acho que você fica muito lindo quando suas bochechas coram.
– Ora, eu não tô vermelho. — Ele fechou a cara e só ficou mais vermelho ainda — Para com isso, Sarada, para de me olhar! Tá me deixando sem graça!
– Tá namorando! Tá namorando! — Fomos interrompidos por duas criaturinhas cantarolando irritantemente e batendo palmas.
Ok, agora quem ficou sem graça fui eu! Onde estou com minha cabeça? Boruto é meu amigo!
– Ora... — Ralhei entre dentes e ajeitei meu óculos, encarando as duas pestes que estão rindo mais do que tudo na vida — Vão comer!
– Já comemos. — Sakura levantou da cadeira, seguida de Sasuke.
– Vocês são namorados, tia? — Sasuke questionou de maneira inocente, correndo até nós na sala.
– Namorados? — Senti minhas bochechas esquentarem e olhei para Boruto, que continuava vermelho e sem graça.
– Somos amigos. — O rapaz loiro respondeu.
– Mas vocês estavam quase assim... -Com suas mãozinhas, Sakura gesticulou o que parecia um beijo, quase encostando uma mão na outra — Amigos não se beijam.
– Nós não nos beijamos. — Resmunguei.
– Mas foi quase! — Respondeu a pequena rosada.
Puta merda! Odeio admitir, mas, se meus mini pais não tivessem interrompido, eu provavelmente teria beijado o Boruto, meu melhor amigo desde que éramos crianças!
Caramba, onde eu tô com a minha cabeça?
Ainda bem que meus pais são crianças agora, caso contrário o pobre do Boruto já estaria comendo capim pela raiz!
– Esquece isso, criança. — Respondi.
– Mas vocês iam se beijar! — Por que diabos essa menina tá tão empolgada? — Iam se beijar que nem o príncipe beija a princesa pra acordar ela do sono profundo...
– A Sarada tá muito longe de ser uma princesa! — Boruto gargalhou e eu só lhe mandei um olhar mortal — Fiona, talvez... — Disse sugestivamente.
– Não me importa, isso é nojento! — O pequeno Sasuke resmungou enojado — Não façam isso na minha frente!
Eu devia gravar isso, pra mostrar toda vez que ele ficar dando beijinhos na mamãe na minha frente! Não é que eu ache nojento, mas, cara... São meus pais! Não sou obrigada a ver meu pai beijando a minha mãe.
– Eu já mandei vocês dois esquecerem isso! — Briguei mais uma vez.
Não sou obrigada a ouvir meus mini pais fazerem esse tipo de insinuação!
– Pois é, nós somos amigos. — Disse Boruto.
– Amigo faz essas coisas? — Sasuke questionou confuso.
– Claro que não! — Respondi.
– Então por que vocês iam fazer? — A menina perguntou.
Caramba, agora eu arrumei! Por que criança questiona tanto? Isso é muito chato!
– Nós não íamos fazer. — Respondemos em uníssono.
– Iam sim. — Sakura esboçou um sorriso malicioso — Iam! Iam! Iam! Iam! — Começou a cantarolar e bater palmas — Iam sim!
– Para de cantar, sua chata! — Sasuke resmungou e empurrou a pequena rosada que quase caiu no chão.
– Não me empurra! — Ela o empurrou de volta.
– Ei! — Briguei, segurando no braço de Sasuke para ele não ir pra cima da Sakura — Não pode!
– Posso sim! — Retrucou. Que moleque mimado.
– Eu sou menina, você não pode bater em mim. — Sakura mostrou a língua para ele.
– Olha aí, tia, ela tá me dando língua! — O garoto falou com a voz manhosa.
– Sakura, por favor, não provoca. — Pedi — Sem brigas, os dois.
– Se vocês não brigarem, a tia Sarada leva vocês pra tomar sorvete! — Por que esse ordinário do Boruto tem que ficar dando idéia que não presta?
– Ela vai levar de qualquer jeito. — Sasuke respondeu simplesmente — Porque ela prometeu ontem e meu irmão sempre diz que promessa é dívida!
Ai, senhor, ele lembrou.
– Sim, ela vai nos levar! — Sakura deu pulinhos de alegria — Que horas, tia?
– É, que horas, tia? — Boruto sorriu de forma debochada e eu quis quebrar os dentes dele.
Tenho escapatória? Não... Pelo visto não tenho.
– Depois do almoço a gente vai. — Suspirei.
– Ah, eu queria ser uma mosquinha pra ver isso! — O loiro começou a rir.
– Não precisa ser uma mosquinha, você vai ver como Boruto mesmo! — Respondi — Você vai conosco.
– O quê? — O rapaz indagou com a voz esganiçada.
– Exatamente isso que você ouviu! — Bufei — Vai conosco na sorveteria do Shopping e eu não aceito um "não" como resposta!
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