Chicago University
9 Eu estou tendo alucinações?
Notas iniciais
LEIAM AS NOTAS INICIAIS
Pov. Tris
TRÊS SEMANAS DEPOIS
Eu acordei às 6:00 da manhã com Tobias babando do meu lado. Ele está tão lindo dormindo, que acorda-lo chega a ser um desafio. Sei que está tão acabado quanto eu. Ontem, passamos o dia inteiro procurando igrejas para o casamento e só conseguimos quando já eram 18:00.
O evento vai acontecer daqui a dois meses. Sei que vai ser corrido, mas não dá mais para esperar. Então os preparativos vão começar hoje mesmo.
A igreja já está escolhida, mas ainda falta o local da festa. Decido que vou fazer isso hoje. Me levanto rapidamente e tomo um banho bem demorado.
Saio do banheiro e Tobias ainda não acordou. Pego uma roupa confortável, afinal, sei que vou andar bastante. Coloco uma blusa de alcinha azul, um shorts jeans e uma sapatilha da mesma cor da blusinha. Deixo meu cabelo solto, coloco meus anéis, minha aliança de noivado, meu colar e uma pulseira delicada. Passo uma maquiagem bem leve e separo uma bolsa bege clara.
Eu olho para cama e vejo que Quatro continua em um sono profundo. Melhor acorda-lo. Eu chego bem perto e lhe dou um beijo calmo e sereno. Me afasto e vejo que ele finalmente acordou.
– Bom dia Bela Adormecida- eu digo brincalhona.
– Bom dia amor- ele me puxa para mais um beijo e depois me olha de cima a baixo- UAU... Você está linda. Para onde vai?
– NÓS vamos sair para procurar um lugar para a festa de casamento- eu digo e ele enfia a cabeça no travesseiro resmungando.
– Eu estou cansado de andar- ele diz sonolento.
– Eu também. Mas eu vou sofrer mais que você. Vamos fazer isso até umas 14:00. Ai você volta para casa e eu vou ver vestidos de noiva com as meninas como o combinado.- eu digo me sentando na cama e fazendo carinho em seus cabelos- Vamos lá Quatro. Temos que resolver isso para fazer o resto.
– Está bem- ele diz por vencido- Vou tomar um banho.
– Ok- eu digo animada- estarei lá na cozinha preparando café da manhã.
– Ok.- eu lhe dou um selinho e saio do quarto em direção à cozinha.
Preparo omeletes e bacon. Para beber, pego apenas um suco de laranja na geladeira. Espero Tobias durante uns 15 minutos, até que ele aparece. Ele colocou uma calça jeans colada bem escura, uma camisa branca que deixava seu abdômen destacado, uma jaqueta de couro preta justa e um Vans azul marinho. Aquela foi a roupa mais sexy que ele já colocou para sair. Ele estava parecendo aqueles motoqueiros gatos e músculos... Ele só não era motoqueiro.
– Caramba- eu digo depois que ele se sentou na mesa- Você está muito lindo.- quase babei.
– Não sei qual a novidade- ele pega o suco e coloca no copo.- Eu sempre fui e sempre vou ser bonito.- ele toma um longo gole do líquido.
– Eu esqueço que não posso elogiar- eu falo ironicamente e coloco um pedaço de bacon na boca.- Mas enfim... Por onde a gente vai começar?
– Não sei.- ele diz comendo sua omelete- Não conheço nenhum lugar para festa de casamento.- ele para um pouco e sorri de lado- Mas eu sei quem deve conhecer.
– Eric- eu digo- Tem como ligar para ele?- eu pergunto e tomo um gole de suco.
– Sim. Só vou acabar de comer e faço isso- ele diz atacando o bacon em seu prato- Você e as meninas vão voltar que horas?- ele pergunta.
– Não faço nem ideia- eu digo- São vestidos de noiva. Não vai ser tão rápido. E isso se eu achar alguma coisa hoje, se não só outro dia.
Eu estava animada para ver os vestidos de noiva desde o dia em que a Chris comentou.
Flashback On
Nós duas estávamos no Starbucks e então vimos uma carro antigo passar na rua. Ele lembrava muito aqueles carros de noiva e o assunto surgiu.
– A gente tem que começar a preparar as coisas para o casamento- fala Chris pegando seu capuccino.
– Eu sei. Mas não tenho ideia por onde começar- eu digo pegando o meu café- São tantas coisas que é difícil escolher.
– Vamos começar com o básico- ela se senta na cadeira em frente a minha e dá um gole do líquido em seu copo- O lugar. Vocês pretendem se casar em que tipo de lugar?
Eu não tinha conversado com Tobias sobre o assunto. Não tinha a mínima ideia se ele queria se casar em uma igreja, que é o que eu quero, ou em uma casa de campo, ou na praia, ou em um sitio ou até mesmo em um restaurante diferente que realizasse esse tipo de evento (N/a Autora: criatividade zero, eu sei). Não sei nem se ele ao menos pensou nisso.
Mas do jeito que eu conheço Tobias, eu aposto e ganho que ele aceitaria se casar em um lixão que não estaria nem ai. O importante era estar comigo. Nem me acho, né?
Então eu penso na pergunta de Chris. Minha família é bastante religiosa, e nós somos católicos. Sempre que pensava em meu casamento, me imaginava vestida de branco, de braço dado com meu pai, entrando na igreja por um tapete vermelho ao som da marcha nupcial. Enquanto meu futuro marido estaria no altar com vontade de chorar, mas se segurava para não parecer fraco. Na hora eu soube o que falar.
– Igreja- eu digo com convicção.
– Ok. A outra parte é o horário. — ela diz- O lugar e a hora influenciam em várias partes do casamento. Por exemplo. Se uma pessoa se casa ao ar livre no período da manhã, não combina muito um vestido todo de cristais e emperequetado e nem o uso de luzes lede. Mas um no período da noite exigiria algo mais extravagante em todos os sentidos.- ela pensa um pouco- No seu caso, que é a igreja, o horário não influencia muito, afinal, é um local fechado. Mas em relação a festa de casamento que acontece logo depois, ai já complica. Não tem como colocar um "tuts tuts" às 15:00 e esperar que todos aproveitem do mesmo jeito que um "tuts tuts" às 3:00 da manhã. Então, sugiro que, se quiser uma festa mais animada, faça o cerimônia por volta das 20:00 e a festa a partir das 21:30. E sabe lá Deus até que horas iria a balada mais que demais.- eu a encaro tomando meu café e com a cabeça a mil- Porém, se for alguma coisa mais reservada, o mais apropriado seria fazer um almoço e aproveitar o resto da tarde com os amigos e familiares.
– Bom- eu digo- Eu sou uma pessoa que não é muito fã de holofotes, mas nem de longe quero fazer alguma coisa sem graça. Eu amo dançar, beber e gritar igual a uma doida. Então acho melhor fazer a cerimônia umas 19:30 e a festa umas 21:00 para acabar lá pelas 4:00 da manhã no máximo.- me dá um estalo- E terá que ser num sábado. Para dar tempo dos convidados descansarem no domingo e voltar a rotina na segunda-feira.
– Ok- essa parte está resolvida- Agora você tem que falar com Tobias e procurar os lugares.- ela toma um gole do capuccino e se vira para mim novamente- Próximo tópico: vestido.
– Não tenho ideia do que eu quero.- eu digo pensativa — Só sei que tem que ser branco. Nada de marfim, ou pérola, ou gelo ou qualquer outra coisa. Tem que ser branco.
– Ok senhorita- fala Christina- Nós podemos sair esse fim de semana e procurar alguma coisa para ter uma ideia de modelo. Eu falo com as meninas e nós vamos todas juntas. O que acha?
– Perfeito.- eu tomo o resto do café- Mas chega desse assunto por hoje. Eu estou querendo da minha cama. Estou exausta. Faz pouco tempo que eu sofri o acidente e eu preciso descansar.- eu pego o dinheiro e deixo em cima da mesa- Eu tenho que ir para casa.- me levanto e dou um beijo na bochecha da Christina- Boa noite. Mande um beijo e um abraço para o Will.
– Ok- ela retribui o gesto- Mande lembranças para o Quatro.
– Pode deixar. Tchau.
– Tchau.
Flashback off
Volto do mundo da lua quando vejo que Tobias já terminou o café da manhã e me dá um cutucão no braço para me acordar.
– Amor? Vamos?- ele pergunta.
– Mas tem que ligar para o Eric- eu digo automaticamente.
– Eu já ligue- ele fala em seguida- Estava tão pensativa que nem prestou a atenção.
– Me desculpa- eu digo sorrindo- Estava lembrando do dia em que eu e Christina saímos. Ela é uma grande amiga.
– Ela é- ele diz pensativo — Mas enfim. O Eric disse que tem um lugar perfeito no centro da cidade. E é para lá que nós vamos.
–-------------------------------------------------------------
Eu e Tobias chegamos em frente ao local e meus olhos brilharam de excitação. Só a fachada era de tirar o fôlego. Era uma construção bem grande, com as paredes revestidas de espelhos bem escuros, uma porta enorme preta e um logotipo prateado na parte mais alta do local. Era um círculo com o desenho de chamas no centro dele e logo abaixo o nome do lugar, " Audácia ".
Nós descemos do carro e tocamos o interfone. Esperamos por um tempinho, até que ouvimos a voz de uma mulher. Ela soava calma e tranquila.
– Pois não?- ela disse e senti Tobias apertar a minha mão. O olhei e ele estava estático.
– Hum... nós viemos conhecer o local para o nosso casamento- eu digo estranhando o modo como Quatro ficou ao ouvir a voz da mulher.
– Um momento- ela diz- Já estou descendo ai.
Quando ela fala isso, Tobias aperta minhas mãos mais forte do que anteriormente. O que raios está acontecendo? Não sei, mas vou descobrir.
– Amor? O que foi?- eu pergunto calma para ele, mas Tobias não me ouve- Quatro?- eu digo- Tobias me escuta- eu o chacoalho levemente e ele me encara.- O que aconteceu?
– Eu... — ele ia falar, mas a porta se abriu e uma mulher apareceu.
Ela aparentava ter uns 40 anos, tinha cabelos pretos e olhos castanhos. Era forte e usava uma camisa preta básica, jeans claros e um all star escuro. Ela parecia ser simpática com aquele sorriso no rosto. Sentia que já a havia visto em algum lugar, mas não me lembro de onde.
– Olá- ela me cumprimentou sem olhar para o Tobias, mas eu sentia que esse ia quebrar as minhas mãos de tão forte que estava seu aperto- Eu sou...- então ela olhou para Quatro. Seu sorriso desapareceu e uma cara de espanto ficou em seu rosto.-... Tobias?
Eu olhei para meu noivo e vi que uma lágrima caia de seu olho direito. Ele estava parecendo uma estátua. O único modo de saber que ele estava vivo era a sua respiração. Mas ele estava sorrindo para a mulher ao meu lado. Eu fiquei sem entender nada.
– Mãe?- ele perguntou confuso e eu fiquei espantada.
– SUA MÃE?- eu praticamente gritei com espanto.
–-------------------------------------------------------------
Pov. Tobias
Não era possível. Minha mãe estava ali, na minha frente, com uma cara de espanto. Eu não sabia o que falar. Não tinha o que falar.
Eu passei anos da minha vida achando que ela estava morta. Eu a encontrei morta. Praticamente irreconhecível na época por conta dos hematomas, arranhões e inchaços. Mas ainda sim, ela estava morta.
Eu e Edward, o amigo detetive da minha mãe, ficamos procurando pelo assassino durante anos. Nos metemos em tantas confusões, que era de contar. Enfrentamos gente barra pesada e policiais corruptos para descobrir cada detalhe sobre a morte dela. Nós havíamos descoberto quem havia matado minha mãe, mas nunca o motivo de tal crueldade.
E agora, eu dou de cara com ela na rua por um acaso. Isso só pode ser uma piada de mau gosto. Só tinha uma explicação plausível para tudo isso.
– Eu estou tendo alucinações?- eu pergunto meio débil e a sorri.
– Não meu filho- ela se aproxima- Posso te abraçar?- eu dou um sorriso e a puxo para perto de mim.
– Como isso é possível? Eu a vi morta.- eu digo aos prantos- Eu e Edward descobrimos o assassino sendo que nem morta você estava.
– Eu vou explicar tudo- ela disse se soltando de mim com cara de choro- Mas vamos entrar.
Eu olho para os lados e encontro Tris chorando com a mão na boca de tanto soluçar. Ela deve ter ficado nervosa ou emocionada, não sei. Eu sorrio e a abraço.
– Ela é...?- me pergunta olhando para minha mãe.
– Sim- eu digo ainda tentando convencer a mim mesmo- Ela é minha mãe.
– Ai meu Deus- e então Tris desmaia.
Eu a seguro na hora em que seu corpo fica mole. A pego no colo e entro correndo no prédio. A coloco delicadamente no chão e me viro para minha mãe.
– Eu preciso de sal e água- eu digo e ela corre para pegar. Quando volta, me entrega o que lhe pedi e se abaixa perto de mim.
Eu pego o sal, abro a boca de Tris e coloco em baixo de sua língua. Espero durante um tempinho, até que ela começa a abrir os olhos lentamente.
– Graças a Deus!- eu ouço minha mãe falar em um tom de alivio.
– Tobias?- pergunta Tris meio atordoada- O que aconteceu? Eu estava sonhando que sua mãe estava viva... e- ela vê minha mãe e arregala os olhos- Não era um sonho?
– Não, meu amor- eu digo e a ajudo a se sentar lhe entregando o copo de água- Bebe.- e ela o faz.- Melhor?
– Sim- ela sorri e se levanta- Obrigada- e então deposita um selhinho em meus lábios- Me desculpem por esse drama. É que saber que a senhora está viva mexe muito comigo também. Afinal, você era amiga dos meus pais. Eles sofreram tanto com a sua perda.- fala Tris mais calma.
– Eu sei disso Beatrice- então ela a reconheceu- Caso não se lembre, meu nome é Evelyn.
– Eu me lembro sim- fala ela- Mas pode me chamar de Tris.
– Pois bem- minha mãe me olha e ameaça se aproximar, mas desiste- Eu vou lhes explicar o que aconteceu. Sigam-me.
Ela foi em direção às escadas que estavam do outro lado do salão, então eu e Tris a seguimos. Tudo ainda me parece irreal.
Minha mãe morreu, eu a encontrei, a velei e a enterrei 7 palmos abaixo da terra. Fiquei anos sofrendo e procurando provas para desvendar o mistério de sua morte. E agora ela está aqui. É muita coisa para uma pessoa suportar.
Por que ela nunca mais me procurou? Por que ela fez tudo isso? Como ela sobreviveu? Quem mais sabia que Evelyn estava viva? Ou melhor, alguém sabia que ela estava viva? Como ela reconheceu a Tris? Ela era tão pequena na época em que ela "morreu", e não teve quase nenhum contato com os Prior depois que eu nasci. Como ela conseguiu se esconder do mundo durante tanto tempo? Mas o mais importante... O que realmente aconteceu?
Nós entramos em uma sala, que imagino ser seu escritório, e cada um senta em uma cadeira que está no cômodo. Eu seguro a mão de Tris procurando conforto. Ela a segura com firmeza e faz carinho com o dedão na parte de cima da mesma. Eu encaro minha mãe. Ela está nervosa.
– Saiba que eu estou muito feliz em saber que a senhora está viva- eu começo- Não há como dimensionar a minha alegria. Mas esse sentimento não chega nem perto da frustração e da raiva que eu estou sentindo nesse momento.- uma lágrima escorre de seus olhos- O que realmente aconteceu?- eu pergunto.
– Bem...
LEIAM AS NOTAS FINAIS
Fale com o autor