Chicago
3 Capítulo 2
Acho que foi no ano de 2003... Hm, vejamos... É, isso mesmo, 2003!
Foi no ano de 2003 que Charlie, em um de seus finais de semana de folga, foi até a casa dos Cullen conversar com Esme e Carlisle sobre Bree ir dormir em nossa casa. Eles não se fizeram de rogados, muito pelo contrário, adoraram a ideia.
Eu só faltava soltar fogos de artifícios de tão feliz que estava. A primeira festa de pijamas que faríamos em minha casa.
E então chegou o tão esperada dia. Eu estava radiante. Finalmente pude levar minha melhor amiga para a minha casa, já que Charlie trabalhava até tarde e tudo que fazíamos era na casa dos Cullen.
Devíamos ter uns 11 anos na época e às 03:30 da manhã ainda estávamos acordadas. Meu Deus, madrugada de sábado para domingo e ainda acordadas! Hahah lembro de Bree dizendo que se seus pais soubessem disso, matariam ela. Caramba, éramos crianças e estar acordada até essa hora era um grande feito.
Charlie já roncava em seu quarto, então nós descemos para o primeiro andar afim de ver TV. Fizemos pipoca, pegamos os pedaços de pizza que sobraram do jantar e ficamos procurando algo pra ver. Um filme que estava prestes a começar nos chamou a atenção.
- Ei, essa não é a namorada do Zorro? – Bree falou quando o filme começou e em seguida colocou um punhado de pipoca na boca.
Dei de ombros dando total e completa atenção ao filme.
Era um musical.
Um musical de época.
Se passava em Chicago.
Chicago.
Era um outro mundo. Era... Sensacional (para não dizer estranho, afinal se tratava de um filme onde as mulheres assassinavam seu maridos, namorado...). Ficamos fascinadas. Meu Deus, meus olhos transbordavam de tantas lágrimas ao final que pensei que fosse me desidratar. Mas eu não chorava por que o filme era triste, não, não por isso! Eu chorava porque tinha acabado.
Eu na verdade não sei dizer com o que mais me encantei com o musical. Pode ter sido a época, as coreografias, as músicas, as roupas, Velma Kelly, talvez tudo isso ou talvez apenas o momento. Estava quase amanhecendo, e eu estava com minha melhor amiga, na minha casa. Poderia ter sido qualquer filme, qualquer musical, mas foi Chicago.
- Bells? – Bree chamou e quando me virei para olhá-la constatei que ela também chorava – Acho que encontrei meu filme favorito...
- Eu também!
Por isso, saber que o musical que Esme produziria seria esse foi um choque para mim. Segundos depois, poderiam ter sido minutos, horas e dias, que não fariam diferença, meu silencio ainda prevalecia. Porque ela tava fazendo isso?
-Bella? — ouvi sua voz chamar em um sussurro.
-Porque Esme?
- Se passaram 5 anos desde que ela se foi... É uma forma de mostrar que ela não foi esquecida, que a gente ainda pensa nela... Você pensa nela Bella?
- Todos os dias...
- Eu também. É uma forma de homenageá-la, entende?
Considerei isso por um tempo. Uma homenagem a Bree. Uma forma de celebrar tudo que ela representa em nossas vidas não era uma ideia ruim, mas fazer isso utilizando Chicago era uma boa?
Bom, eu não teria a resposta se ficasse sentada pensando.
– To dentro Esme!
Minutos e mais minutos se passaram entre acertos a cerca de quando eu iria para Nova York, onde eu ficaria; discusões sobre meu contrato, quanto eu ganharia e todo o bla bla bla que se há quando se arruma um emprego em outra cidade. Esme já tinha quase tudo pronto, só precisava do meu sim mesmo! Eu dividiria um apartamento com outra dançarina, Ros alguma coisa... Rosalie, eu acho!
Finalizei a ligação e continuei sentada no sofá. A TV havia sido desligada em algum momento da conversa e não tive vontade de ligar de novo. Mudei de posição no sofá e fiquei olhando para a janela do jardim que Charlie e eu tínhamos montado ano passado.
Charlie...
– E ai garota, o que Esme queria? – ele apareceu como se tivesse ouvido meus pensamentos. Sentou-se na ponta do sofá, ligou a TV e sintonizou em um jogo de basquete qualquer.
– Me contratar para fazer um musical.
– Uau! Isso é grande querida! Parabéns – ele disse ainda vidrado na TV.
– Charlie... — chamei uma vez
– Hm...
- Charlie... – chamei pela segunda vez. Queria que ele me desse atenção, que olhasse para mim
- Hm...
- PAI!
— Que foi Bells? – ele perguntou agora me encarando
— O musical é em Nova York... – esperei por qualquer reação, menos a que ele teve.
— Isso é ótimo querida – e se virou para o jogo de novo.
Me remexi no sofá afim de encará-lo melhor.
– Pai... Você entendeu que eu vou ter que ir para lá, né? Morar lá durante uns meses?
– Claro né Bella, até porque seria pouco provável você trabalhar em Nova York e morar em Forks ao mesmo tempo...
- E... está tudo bem para você? – perguntei em um sussurro.
Ele se virou o rosto e me analisou. Um sorriso surgiu do seu rosto!
- Ahh, eu to entendendo o que está acontecendo aqui! –fiquei sem entender o que ele quis dizer e o observei. Charlie colocou a televisão no mudo e se virou para me encarar. Seus lábios ainda traziam um pequeno sorriso consigo. – Você está preocupada em me deixar aqui sozinho, né?
Não respondi.
– Bella, — ele continuou – É a sua vida, o seu futuro. Eu não vou ficar dizendo o que você tem ou não que fazer. Você já é uma adulta e eu te criei para o mundo, não para mim. Você tem 20 anos e mal saiu de Forks. Ta na hora de explorar o que ele tem para te oferecer, querida. Na minha opinião? Se o mundo te chama, você deve aproveitar. Ou você quer ficar em Forks para sempre e acabar se casando com o filho dos Newtons? – ele finalizou rindo.
– Deus, não! Nem brinca com isso pai! È repugnante só pensar em tal... ARGH, não!
– Então pronto, Bells! Você já tomou a sua decisão. Você vai para Nova York ganhar o mundo. – ele disse com um sorriso dos mais orgulhosos no rosto e seus olhos estavam... Pera, seus olhos estavam brilhando?
– Pai, por favor! É apenas um musical... E nem chega a ser na Broadway...
– Ainda! E você está cada vez mais perto de lá ou você acha que ficar dando aula de balés para as criancinhas em Port Angeles vai te levar mais longe?
– Não, não vai, mas é que...
– Bells, vá para Nova York... Faça o seu melhor. Mas se não der certo, eu estarei aqui de braços abertos de esperando. Forks não vai sair do lugar.
Sorri com as palavras de Charlie. Sim, eu sempre poderia contar com meu pai!
– Então você vai ficar bem sem mim?
– Você acha que eu sou uma criança é? Eu sempre soube me cuidar, garota, e te eduquei muito bem... Meu Deus, eu te eduquei bem mesmo né... – ele disse me analisando de novo.
Concordei coma a cabeça.
– Então, ta vendo, eu sei me cuidar.
Fiquei em silencio e ele se voltou para a TV.
– Você acha que eu não sei me cuidar? – ele perguntou segurando o controle, mas sem tirar o jogo do mudo.
– Eu não acho pai... Eu sei!
– Sua fé em mim é tocante, garota! – então os comentários do jogo voltaram a ecoar pela sala e Charlie passou a prestar atenção nas imagens.
Ri e me aconcheguei nele. Ficamos assim.
Por mais que não fosse capaz de demonstrar sentimentos, quando o fazia Charlie era o mais sincero possível!
- Vou sentir saudades, pai
– Eu também, filha... Eu também... – ele sussurrou e começou a fazer carinhos em minha cabeça.
A hora se arrastava e o jogo continuou mais que movimentado. O NY Knicks estavam com um placar de 102 contra 97 do Miami heats e Charlie estava aflito. Eu já havia desistido de ficar aconchegada nele por conta dos pulos que ele dava quando alguém fazia uma cesta... Não que Charlie estivesse torcendo por algum dos times, porque ele não estava... Assistir e torcer para os dois era mais como um hobbie. E isso ele fazia com gosto.
Meus olhos e pensamentos não estavam na TV havia um tempo. Estavam voltados para Bree e para o musical. Estava com medo do que pudesse vir a acontecer quando eu chegasse a Nova York, mas sabia que ela estaria olhando por mim. Decidi que, já que viajaria quinta feira, iria até seu tumulo antes de partir. Não para dizer adeus, mas para dizer até logo!
Levantei do sofá.
– Ei Bells, — Charlie chamou – Pega uma cerveja pra mim.
To de saída – respondi colocando o casaco, pegando a chave do carro e me preparando para enfrentar o frio de Forks.
– Vai aonde?
– Conversar com Bree.
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