Chest Of Memories
6 Um Salto de Sapato
A rainha guardou de volta a meia flecha, e voltou a atenção para o próximo objeto: Um salto de sapato preto.
— Aposto que deste você se lembra! – Ela falou, mostrando para o marido o pequeno pedaço de madeira encapada em veludo entre seus dedos.
— Não tem como esquecer... – Respondeu Peter rindo com a esposa...
XX
Luci Pevensie suspirou de novo, enquanto a filha corria pela milésima vez para a janela, verificar se o navio de velas negras continuava atracado no porto real de Cair Paravel.
— Ele não vai fugir, Amanda.
— Nuunca se sabe... – respondeu a garota sentando-se de volta na cadeira, onde a mãe e Aninia lhe ajudavam a pintar as unhas. – Estou arrastando um pirata para se casar na corte. Não é exatamente a coisa mais convencional...
— Mas vocês já são casados de qualquer jeito! – Exasperou-se a mais nova das princesas de Cair Paravel.
— Eu sei... Mas seria extremamente constrangedor eu passar essa vergonha diante da corte!
— Se ele casou uma vez, ele casa de novo...-Falou a loirinha com indiferença.
Amanda soltou um suspiro tenso. A mãe lhe alisou a mão, como sempre entendendo tudo antes mesmo de ser dito.
— Filhinha, relaxe – falou a rainha colocando uma mecha da princesa para trás da orelha – É o seu dia hoje. Não é momento para preocupações.
Nesse momento Fernanda entrou no quarto, seguida por Carol, que matraqueava sem parar.
— Mamãe, tira ela de trás de mim, eu vou ficar louca!
-O que foi? – perguntou a morena revirando os olhos – Eu só estou dizendo que é melhor reforçarmos a segurança no salão! Vamos ter piratas rondando por aí!
— Carol, eu sei que são piratas – exasperou-se Fernanda – Mas não podemos fazer nada sobre isso!
Nesse momento ela lançou um olhar desgostoso para Amanda.
— Mas acredite em mim, eu sei planejar a segurança de um evento! Ou você já se esqueceu que da ultima vez que tivemos uma invasão, fui eu quem cuidou de tudo enquanto você velejava feliz por aí?
-Mãe! São piratas! Fale para a Nanda que precisamos de MAIS guardas! Ela só está fazendo isso porque não quer por a patrulha de Sir Black em serviço hoje, já que ele está de folga e é um convidado! – Carol imitou os trejeitos da irmã mais velha. Fernanda revirou os olhos.
-Meninas! Já lhes disse que não são piratas, são corsários, assim como o marido da sua irmã – falou a rainha comprimindo os lábios. Amanda segurou o riso. – E tenho certeza de que tudo irá correr bem hoje a noite.
A princesa não aguentou e caiu na gargalhada, sendo seguida pelas irmãs. A rainha tentou manter a seriedade, mas a postura durona não durou muito tempo, e logo ela caiu na gargalhada, acompanhando as filhas.
Amanda secou as lágrimas dos olhos, enquanto a mãe murmurava qualquer coisa sobre não destruírem o salão de baile. Nesse momento, Missy irrompeu no quarto, trazendo uma grande caixa fechada por uma fita.
— Aqui está, mãe. Agora que fui busca-lo, recepcionei a costureira e tudo mais, creio que eu posso vê-lo, não? – perguntou a morena esperançosa.
— É claro que não! Ninguém vai ver o vestido além de mim e da sua irmã!
— Mas eu estou aqui ajudando desde cedo! – Argumentou Aninia desesperada.
-Não interessa!
-Mãe, você está sendo egoísta! – choramingou Nini.
— Egoísta? Ora essa, vocês também vão ver o vestido, mas quando sua irmã aparecer no salão de baile, vestida nele, pronta para se tornar a Sra. Sparrow! Isso é um momento íntimo de mãe e filha!
Aninia revirou os olhos. Os dedos de Missy cutucavam a caixa nervosamente. Carol lançava olhares compridos da mãe para a caixa, e Nanda mantinha-se bem quietinha. Sabia que não precisava argumentar.
— Ah certo! Vão chamar Jane e Bruna, e então vocês podem ver o vestido! – bufou a rainha. Fernanda pulou de pé e saiu apressada chamar as duas irmãs.
Assim que estavam todas no quarto, a rainha trancou a porta e olhou para a filha que iria se casar. A garota deu um sorriso.
— Agora que estão todas aqui, não acho que quero abrir meu vestido. Não quero que todas vejam!
— Dai me paciência! – Falou Missy. – Ou você abre, ou abro eu. Você que sabe!
— Essa é minha irmãzinha... Sempre me ajudando nas decisões mais difíceis da vida!
Amanda desatou o laço da caixa ainda rindo, e puxou o pesado vestido para fora. As irmãs todas prendiam a respiração... O tecido vermelho e brilhante era a primeira coisa a chamar atenção. A tonalidade incomum de vermelho queimado emprestava ao vestido um ar de sofisticação. As mangas eram justas na parte superior do braço, com pequenos laçarotes. A partir dos cotovelos, um cetim quase durado se abria. No corpete justo e na saia ampla, se viam bordados de fio de ouro, maravilhosamente trabalhados. Aninia deu um assovio de admiração.
— Vou ter que dar duro para superar esse aí no meu casamento!
-Não vai superar nada Nini. Você é tão terrível que duvido que alguém jamais queira desposa-la! – Brincou Nanda, recebendo uma careta da irmã mais nova.
— Só está faltando a Giu... – Falou Jane com a voz fraquinha. Amanda observou sua mãe engolir em seco e desviar o olhar para baixo. Abriu a boca para falar algo, mas as palavras não lhe vieram. Então, de repente a luz havia voltado aos olhos da rainha.
— Agora que conseguiram o que queriam, todas vocês, para fora!
-Até mesmo eu? – Aninia resmungou.
— Porque você sempre acha que é diferente? – Nanda falou pegando a irmã pelo braço e a puxando dali.
— Nanda? – Chamou Amanda no ultimo instante.
— Sim?
— Por favor, irmãzinha... Fique de olho no meu querido marido. Em nome de Aslam, não o deixe fugir!
Todas as garotas caíram na gargalhada, mas Amanda continuou a encarar Fernanda, com um riso amarelo pregado nos lábios e um olhar doentio, até que as gargalhadas das irmãs cessassem.
-Está falando sério? – perguntou Missy por fim, franzindo as sobrancelhas.
Amanda somente respondeu com uma risadinha amarela. Todas as garotas reviraram os olhos juntas, exatamente como a mãe costumava fazer, o gesto idêntico a ressaltando as semelhanças entre elas. Então elas deixaram o quarto, com Carol fechando a porta ao sair. Amanda deu um longo suspiro e estendeu a mão para que a mãe continuasse.
— Quando você era só uma garotinha, costumava brigar comigo porque eu queria cortar suas unhas, você se lembra?
— Claro que me lembro! Minhas unhas faziam muita falta mamãe! São muito úteis em uma briga.
— Posso imaginar que faziam mesmo mocinha... Tenho até medo de imaginar o que você fazia durante os seus passeios misteriosos...
— Eu não fazia nada demais. A culpa era toda da Carol. Estávamos lá, brincando tranquilamente quando ela, mimada como sempre foi, arranjava alguma picuinha com alguém. Você a conhece, mamãe, sabe como ela é intransigente quando quer.
A rainha riu do comentário da filha. Era verdade, Carol, assim como todas as suas filhas fora abençoada com um alto potencial para a teimosia.
— Então eu tinha de protege-la não é mesmo? Sou a irmã mais velha dela!
— O papel de princesa nunca lhe caiu muito bem, não é mesmo, minha filha?
-Ora mamãe... Assim a senhora me ofende! Sei ser um primor de educação quando quero!
— O problema está em você querer... Você sempre foi selvagem demais para a vida na corte...
— Selvagem? Oras!
Luci caiu na gargalhada com a expressão indignada da filha, o que só fez a garota ficar mais indignada ainda.
— Foi um elogio, minha filha! Um elogio! Aprecio cada uma de vocês do jeito que são, e você sabe disso mais do que ninguém! Adoro vê-las assim, tão diferente umas das outras, e ao mesmo tempo tão unidas... Minhas meninas lindas! – A rainha parecia à beira das lágrimas – São meu maior orgulho, esses meus filhos!
— Ora mamãe, com pais tão maravilhosos, como poderia ser diferente?
Luci terminou de pintar as unhas da filha, dando um beijo na testa da garota antes de se levantar.
-Sabe, minha filha, acho que eu deveria ter imaginado que seria assim...
— Assim o que, mamãe?
— Seu casamento! Seria muita ingenuidade da minha parte pensar que você faria um casamento nobre e respeitável como sua ir... – A rainha engoliu as palavras. Giulia se casara com um homem que declarara guerra contra Narnia. Um casamento nobre e respeitável...
— Mamãe, se tivesse que escolher em me casar com um desses nobres tediosos, cheios de manias e pompa, ou morrer solteira, acho que preferia morrer solteira!
Luci riu da afirmação da menina, que já corria para a janela novamente. Com um olhar aliviado no rosto, a garota voltou a se sentar na cama, assoprando as unhas que secavam.
— Querida, vocês já estão casados, não é? Então pare com isso, não há motivo para o Sr. Sparrow fugir!
— Você não conhece o senhor meu marido mamãe. Se ele fugisse, eu seria obrigada a ir atrás dele, e tomar providências para que ele nunca mais copulasse, e isso seria uma grande perda para o mundo, se entende o que quero dizer... – Então a princesa ficou vermelha como um tomate. Não podia acreditar que havia falado aquilo para sua mãe... O nervosismo deveria ter fritado seus neurônios! Mas a rainha desatara a rir, seu riso só aumentando diante do constrangimento da filha.
— Mamãe, me desculpe! – sussurrou a princesa com as mãos na boca.
— É adulta agora, Mandy. Viajou por meses com este homem... Eu sou velha mas não sou boba!
— Você não é velha, mãe!
— Eu sei querida... – a rainha deu uma risadinha. – É só uma maneira de falar...
— Mamãe... Você e papai... Foi amor à primeira vista?
-Ah, minha filha... Se aquilo não for amor à primeira vista, então eu não sei o que é... Seu pai era o rapaz mais bonito em que eu já tinha posto meus olhos... E olha que eu cresci com seu tio Luna, meu padrão de beleza sempre foi alto, hein? Ainda me lembro da primeira vez que olhei nos olhos dele... Foi como se todo o mundo tivesse parado!
— Será que eu terei um futuro assim, mãe? Como o seu e de papai?
— Claro que sim, minha filha... O homem te ama, da pra ver nos olhos dele!
Amanda suspirou pesadamente.
— Sabe, mamãe... Não foi amor à primeira vista comigo não... Quero dizer, sem dúvida eu fiquei surpresa ao constatar que ele era bonito... Mas eu só o via como um meio de conseguir o que eu queria. E acho que ele via a mesma coisa em mim...
— Bom, minha filha, certamente é difícil pensar em amor à primeira vista quando a primeira vez que se veem você o droga e ele manda amarrá-la. – brincou Luci, arrancando risadas da filha. – Mas de uma coisa eu tenho certeza... Esse homem definitivamente a ama, minha menina! Fique tranquila, o modo como ele a olha não nega... Já o levou para altar uma vez, pode levar de novo.
— Vou sentir tanta falta disso! – Falou a garota deitando a cabeça no colo da mãe.
— Disso o que?
Em resposta a princesa pegou a mão da rainha e colocou sobre o seu cabelo, imitando um afago.
— Disso mamãe... Agora aproveite enquanto eu ainda estou aqui para me fazer um carinho. Garanto que depois vai ficar choramingando por aí por não poder mais me mimar!
Luci riu para a filha, pondo-se a afagar as pesadas mechas negras.
— Minha menininha... – sussurrou a rainha. – Sempre foi a mais arredia entre suas irmãs, e olhe que isso quer dizer alguma coisa... Quem diria hein... Aquela bolinha chorona vai se casar... Com um Pirata!
— Mamãe, está ficando sentimental de novo! – Falou a garota sentando-se e encarando a mãe.
Luci somente riu e deu um beijo na testa da filha.
— Acho que suas unhas já secaram, não?
— Acho que sim!
— Bom, vou pedir para Lily e Alice prepararem seu banho... Encomendei algumas coisinhas com o Max que você vai adorar!
A rainha se levantou e foi até porta, onde suas aias a esperavam. Pouco depois, Amanda observava a mãe despejar essências na água.
— Um pouco de alfazema para dar sorte... Patchuly Para acender a paixão... E calêndula para manter viva a chama do amor. E claro, não podemos nos esquecer de Ylang-Ylang. Fertilidade! Quero muitos netos, está me ouvindo, mocinha?
Amanda riu enquanto se despia e mergulhava na água quente e aromática. A mãe então dispensou as aias, e pôs se a cuidar pessoalmente da filha. Aquilo fora algo em que a rainha insistira. Fora a mesma coisa quando Giulia se casou. Aquele era um momento apenas para mãe e filha...
Luci lavou os cabelos de sua princesinha com cuidado. Depois disso, enrolou as madeixas úmidas em uma toalha fofa, e lançou pétalas de flores na água. Deixou sua menina relaxando ali, imersa em pensamentos...
A primeira palavra de Amanda... “Não”. Também, com a frequência que ela ouvia isso dos pais, não seria de se admirar. A primeira vez que a garota vira a praia. Desde então a rainha deveria ter imaginado o que sua filha se tornaria. Ainda podia visualizar claramente, Amanda correndo em direção à água com suas pernas curtinhas, os bracinhos gorduchos se agitando no ar. Naquele dia, Jane se sentara com ela e a ajudara a construir um castelo de areia...
A rainha se lembrou da primeira vez que a garota sumira... Apenas 7 anos. Saíra com ela e com outras meninas para um passeio pela cidadela. Amanda conseguira ludibriar a ama que tomava conta dela e se embrenhara pela cidade. Naquele dia, toda a guarda real de Cair Paravel saiu à busca da princesa. No fim, ela foi encontrada brincando com moleques na beira do rio, tão coberta de lama que era praticamente impossível reconhece-la.
Lembrou-se também de quando Amanda fora “raptada” por piratas... O começo da louca história de amor que culminava no casamento que iriam presenciar hoje.
— Mãe?
-Ah, já terminou? Sente-se aqui, vou pentear seus cabelos...
— Mãe, não vai se atrasar? Você precisa estar linda hoje, lembra-se? É a mãe da noiva!
— Bobagem, querida... Me arrumo rapidinho... Você vem primeiro!
Ela secou o melhor que pode o cabelo da filha com a toalha, e depois penteou mecha a mecha do cabelo escuro e brilhante. Enquanto o cabelo da filha secava, a rainha se banhou e se vestiu num robe de seda, para depois começar o árduo trabalho de torcer, trançar e prender as mechas, até que todo o cabelo da princesa estivesse preso para cima, com cachos caindo displicentemente do coque elegante.
— Está linda! Agora me ajude a vestir meu vestido, para que eu possa te ajudar com o seu vestido e passar sua maquiagem...
Depois de vestida num belo modelo de seda verde, a rainha sentou a filha em sua cama e começou a lhe aplicar a maquiagem. Depois, ajudou a garota a vestir o belíssimo vestido, apertou os laçarotes do espartilho, e ajeitou as saias. Por fim, a rainha pegou o bonito arranjo de cabelo e prendeu no penteado da filha. Quando terminou, a princesa estava linda. À beira das lágrimas, Luci beijou as duas faces da princesa.
— Está perfeita, minha menina...
— Obrigada, mamãe...
— Como se sente?
— Enjoada.
— Relaxe, Amanda. Vai dar tudo certo... Vou chamar Lily para te acompanhar.
Pouco depois ela observou a filha sair, acompanhada da sua dama de companhia. Rapidamente a rainha terminou de se arrumar, e seguiu se encontrar com Peter em seus aposentos. O grande rei estava pronto, esperando por sua esposa.
— Está tão linda que acho que vai ofuscar o brilho da nossa princesa, Luci.
— Não seja tolo, Peet. Vai babar quando vir nossa pequena... Vamos descer e recepcionar os convidados junto com as garotas e Rick.
Logo o grande salão do palácio estava cheio. Nobres de todas as partes do reino e de Arquelândia também. Toda a tripulação do pérola estava impecavelmente arrumada, embora seus rostos maltratados pela maresia não negassem sua origem. Sparrow esperava a frente do salão, lindo em sua casaca nova e brilhante. Ele parecia tão nervoso quanto sua jovem noiva.
— Olhe só Lu, o homem está verde de nervoso! – riu Peter. – É corajoso o suficiente para se casar às escondidas com uma princesa, mas treme como vara verde diante da corte.
Luci segurou a língua e não disse que o pirata não havia sido corajoso ao se casar com Amanda em Tortuga. A rainha sabia muito bem que fora o álcool que levara ao incidente, mas preferiu deixar seu marido na ilusão.
Quando o guarda que estava na porta fez sinal para a rainha de que todos os convidados haviam chegado, ela mandou Peter ir buscar a filha. Então ela foi até o encarquilhado pirata, Teague Sparrow, pai do noivo, que hoje trajava uma bonita casaca preta.
— Sr. Sparrow... A cerimônia já vai começar.
— Claro, majestade – ele respondeu com um sorrisinho irônico nos lábios. – Se me der a honra...
Luci aceitou o braço que o homem lhe oferecia, e aguardou ansiosamente, até que a harpista começou a tocar. A rainha entrou pela passarela, altiva e linda, e andou até o altar.
Depois, veio Missy, gloriosa em um vestido azul escuro, de braço dado com o Imediato de Sparrow. Joshamee Gibbs ocupou seu lugar como padrinho, enquanto Missy parou do outro lado. Ela, Nanda, Aninia e Carol haviam brigado pelo posto de dama de honra, mas no fim, Amanda as fizera tirar a sorte, e Missy fora a vencedora. Luci viu Aninia, parada ao lado de Arthur, mostrar a língua para irmã, e receber um beliscão de Fernanda. Precisou segurar o riso, mas então, tudo parou.
Peter apareceu com Amanda na entrada do Salão. A garota deu o mais lindo sorriso ao constatar que seu noivo, afinal, não havia fugido. Luci relanceou um olhar para o pirata, mas este parecia apenas boquiaberto, como se não acreditasse na própria sorte. Então ele também sorriu, e Luci percebeu que tinha lágrimas nos olhos. Ela olhou para Peter, que lhe deu um sorriso emocionado.
Chegando ao altar, Peter cumprimentou o pirata, e lhe entregou a filha, e Luci pode ver as linhas severas no rosto do esposo. Ele veio parar ao lado dela, enquanto Sparrow dava um beijo casto na testa de Amanda.
O mago Albus Dumbledore começou a cerimônia, falando com sua voz calma e tranquilizadora. Luci lembrava de seu próprio casamento, e da felicidade que sentira ao beber cada palavra dita durante a cerimônia. E antes que a rainha se desse conta, chegara seu momento favorito... A troca de votos.
— Você, Jack Sparrow, aceita Amanda Pevensie para amá-la e respeitá-la de hoje em diante, até que a morte os separe?
— Capitão. – respondeu o homem.
— Perdão?
— É Capitão Jack Sparrow...
Os convidados caíram na gargalhada. Capitão Jack Sparrow fez uma mesura para todos, e em seguida encarou a noiva, que permanecia olhando-o aflita.
— E então? – perguntou Albus.
— O que?
— Aceita?
— Ah! Claro que aceito! – Respondeu ele sorrindo. Albus prosseguiu:
— E você, Amanda Pevensie, aceita o Capitão Jack Sparrow como seu esposo, para amá-lo e respeitá-lo até que a morte os separe?
— Aceito! – Respondeu Amanda sem desviar os olhos dos do marido.
— Eu os declaro marido e mulher... Agora, Capitão, pode beijar a noiva...
Sparrow puxou Amanda para si, enlaçando-a pela cintura e a puxando para um beijo nada casto, sob uma chuva de pétalas vermelhas e douradas. Luci segurou o riso diante das caras horrorizadas de algumas damas da corte. Quando o casal se separou, Sparrow segurou o rosto da noiva junto ao seu e sussurrou “minha princesa. Minha”. A rainha riu com prazer diante daquilo, enquanto Amanda puxava o marido para um novo beijo.
XX
A festa seguia animada. Como as princesas previram, o vinho deixara muitos dos piratas animados, mas ninguém parecia se importar. Teague Sparrow, junto com alguns membros da tripulação haviam tomado a orquestra para si, e agora tocavam animadas cantigas piratas, embora tivessem tido o bom senso de deixar as letras de fora. Henrique logo se juntara à orquestra pirata, e agora ele e Teague pareciam melhores amigos. Fernanda havia claramente exagerado no vinho e dançava animadamente de braço dado com Sir Black. Aninia e Arthur também dançavam juntos, embora, impressionantemente, a caçula estivesse bem mais comportada que Fernanda. Missy também dançava com Caspian, as faces afogueadas, e o riso estampado no rosto. Jane conversava de perto com Sir Remus, e Bruna estava entretida em alguma história que Gibbs lhe contava. Carol estava sentada à um canto com Jacob, e Amanda... Bem Amanda dançava com Jack, como se nunca mais na vida fosse ter outra oportunidade de dançar. A rainha observou risonha as filhas trocarem de par, rindo e batendo palmas. Várias senhoras apreciavam o espetáculo com ar de riso nos rostos, e Luci viu até que uma das convidadas, a viúva Willow, da Arquelândia se engraçara com um dos convidados piratas. Barbosa, capitão do Vingança da Rainha Anna aparentemente gostara da atenção, visto que conversava bem de perto com a mulher.
— E lá se vai mais uma... Te digo, Luci, a despeito da quantidade impressionante de filhos que tivemos, acho que ainda vamos acabar sozinhos nesse castelo!
— Nem pense em uma coisa dessas! Além do mais, não creio que Nanda vá nos deixar... Ela parece encaminhada com alguém bem próximo de nós... – Brincou a rainha ao ver o modo como Sir Black segurava a cintura da mais comportada das princesas ao dançar.
— Ia ser tão bom se todas elas fossem comportadas como Nanda...
— Tem certeza, Peet? – A rainha o olhou divertida, com uma sobrancelha levantada. – Imagine só, oito princesas a te pentelhar dentro do conselho...
O rei estremeceu só de imaginar.
— É, acho que as prefiro assim, diferentes umas das outras... Só acho que elas podiam ter saído um pouco menos a você...
— Oras... Pois eu as adoro do jeito que são! Mesmo com toda a dor de cabeça que elas dão!
Peter riu com gosto.
— Eu também as adoro do jeito que são... Só queria entender o que foi que eu fiz para que acabasse cercado de mulheres tão adoravelmente encrenqueiras!
Luci abriu a boca para responder, indignada, mas então um barulho chamara sua atenção. A música cessara, e todos olhavam fixamente para...
Pela juba de Aslam, Amanda estava no chão, estatelada, com o marido caído sobre si. O silêncio durou apenas alguns segundos até que Fernanda, visivelmente alterada, apontasse para a irmã no chão e começasse a gargalhar.
Luci olhou preocupada para a filha, mas esta estava rindo também, assim como o pirata caído com ela no chão. Ela viu a filha se levantar, apanhar algo no chão e se encaminhar em sua direção, mancando ligeiramente, de mãos dadas com o marido.
— Mamãe, acho que a festa acabou para mim! – falou ela ainda com o riso no rosto, estendendo o salto do delicado sapato preto e entregando para a mãe.
Luci tirou o objeto da mão da filha, rindo também e a beijou no rosto.
— Boa noite, Sra. Sparrow! – brincou.
— Boa noite, mamãe, boa noite, papai...
Sparrow fez uma mesura e saiu com a noiva. Luci observou a filha deixar o salão, abraçada com o marido, um sorriso pregado nos lábios e uma dor no coração. Lá se ia seu bebê... Abanando a cabeça, ela voltou a olhar para onde a festa corria animada e...
— Oh Peter, por Aslam, tire o vinho de perto da Nanda!
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