Cher Maître

20 Me Ama, Eu Sei


Notas iniciais
Olá olá, já aviso de antemão que eu não sei escrever esse tipo de cena. Espero não decepcionar vocês com a minha vergonha. Acho que é só isso, beijinhos ♥

— O que você está fazendo, Rebeca?

Vicente parecia impressionado com o que via. Em outros momentos eu poderia fazer piada da situação, mas eu estava determinada demais a conseguir o que queria para pensar em tiradas sarcásticas. Ser vista pelos olhos de Vicente era fantástico. Ele me olhava com adoração, como se tivesse uma verdadeira obra de arte em sua frente. Seu olhar devoto me deixou ainda mais excitada. Não conseguia me conter. Não nua trancada em um quarto com ele.

— Te amando, Vicente.

Coloquei-me entre suas pernas. Ele estava surpreso, era nítido. Mas ele queria tanto quanto eu. Por isso, não foi surpresa que ele se levantasse e me beijasse com ardor. No mesmo instante que nossos lábios tocaram-se, senti minha pele começou a formigar e uma parte em especial do meu corpo começou a contrair-se sem parar. Suas mãos passeavam pelo meu corpo sem nenhuma restrição, ele parecia feliz em explorar as partes de mim que ele não conhecia. Eu estava muito feliz por ele estar disposto. Mal podia esperar para fazer o mesmo.

Os toques de Vicente me inundavam de todos as melhores sensações que uma mulher pode sentir, mas ainda pareciam muito pouco para conter o fogo que me consumia naquele momento. Um calor irradiava por cada pequena fibra do meu ser. Eu estava impaciente, queria logo que ele fosse inteiramente meu. Por isso, agarrei sua mão, enquanto beijava-o com toda a sensualidade que podia, colocando-a em meu seio direito. Ele pareceu entender o recado, uma vez que o apertou forte o suficiente para que eu soltasse um leve gemido. Gemido que pareceu deixá-lo faminto.

Vicente empurrou-me na cama, beijando-me enquanto enfiava-se no meio das minhas pernas. Ajudei a desabotoar sua camisa, admirando o seu belo abdômen em seguida. Meu Deus! Como ele podia ser tão lindo? O dourado de seus cabelos ainda era perceptível mesmo com a luz baixa e a sua pele tão clara parecia uma espécie de porcelana cara. Com certeza ele era a coisa mais linda que já havia caminhado pela terra. Não conseguia me conter. Nem por um segundo. Antes que ele tivesse terminado de retirar sua camisa, abri sua calça sem grandes dificuldades, revelando sua bonita cueca de seda. Com certeza eu faria piada disso em outro momento, mas não naquele.

Voltei a beijá-lo, mordendo seus lábios propositalmente e arfando cada vez que ele colocava seus lábios em meu pescoço. Seria possível me sentir mais quente? Quando ele desceu pela minha barriga enchendo-me de beijinhos e chupões, eu percebi que sim. Estava pronta para decretar que não tinha como melhorar, mas suas brincadeiras com meus seios fizeram com que eu pudesse ser ouvida do quarto ao lado. Eu estaria envergonhada em qualquer outra ocasião.

Era muito bom deixá-lo fazer todo o serviço, porém era ainda mais divertido deixá-lo louco. Em um rápido movimento, prendi-o embaixo de mim, beijando-o logo após. Apertei suas mãos contra minhas pernas e me mexi de forma provocante. Ele fechou os olhos e mordeu os lábios. Lindo. Vicente agarrou meus cabelos com força o suficiente para que eu jogasse meu corpo pra trás, mas não deixei que ele continuasse conduzindo. Dei um beijinho suave em seu pescoço e desci até sua intimidade, deixando beijos em sua barriga perfeita. Antes que ele protestasse, levei-o ao céu de uma maneira que tinha certeza de que só eu conseguiria. Suas mãos voltaram ao meu cabelo, conduzindo minha cabeça docemente.

— Rebeca, eu… — Ele sussurrou.

— Me ama, eu sei — Sorri com a expressão mais safada que eu poderia ter.

Vicente correspondeu meu sorriso da mesma maneira. Entretanto, logo me prendeu embaixo de seu corpo forte. Ok, ele não me deixaria mandar. Eu não ligava. Não tive tempo para protestar por ele ter acabado com minha brincadeirinha pervertida, já que em um movimento firme, senti cada parte de mim sendo invadida por ele. Não consegui ficar em silêncio. Ele olhava-me concentrado, o homem mais lindo que eu já havia visto na vida. A obra de arte mais bonita da França não estava no Louvre, afinal. Uma de suas mãos desceu até minha intimidade, fazendo movimentos que me deixaram ainda mais afetada, sua outra mão entrelaçou-se a uma das minhas e me ajudou a acompanhar sua dança em meu corpo.

Movimentos vagarosos de vai e vem foram logo substituídos por outros mais fortes e mais firmes, eu parecia prestes a incendiar ali mesmo. Não era possível que ele fosse tão habilidoso, nenhum homem o era. Obviamente ele não era qualquer homem. Tinha certeza de que eu não aguentaria por muito mais tempo, mas ele acabou por se render antes de mim. Conduzindo seus lábios para minha intimidade logo após constatar seu total rendimento. Segurei seus fios dourados enquanto ele retribuía o favor que eu havia prestado a ele. Não demorou mais que alguns minutos para que eu também me rendesse. Uma sensação nunca experimentada antes me atingiu em cheio, deixando as minhas pernas bambas e minha respiração ofegante.

— Vicente, eu… — Me esforcei para sussurrar.

— Me ama, eu sei — Ele repetiu minha frase, abraçando-me em seguida.

Com certeza eu queria ter tempo para ficar digerindo a melhor noite da minha vida, mas o sono logo me arrebatou, fazendo com que eu dormisse no peito de Vicente. Já era manhã quando percebi que ele estava se mexendo. Vicente dormindo parecia um dos anjos da Capela Sistina, mas acordado tinha mais controle sobre a minha mente do que o próprio demônio. Belíssimo paradoxo. Fiquei completamente paralisada, não queria acordá-lo. Porém, não consegui não levantar. Rapidamente peguei meu celular e fotografei. Tão lindo. Parecia que cada dia eu me aproximava mais dessas pessoas malucas apaixonadas.

É, era exatamente o que eu era: pessoa maluca apaixonada.

Como eu sabia que devia explicações para minhas amigas, mandei a foto que tirei de meu amado no nosso grupo. Nosso fuso horário era diferente, por isso elas não veriam a mensagem no mesmo momento. Voltei a me aconchegar ao lado de Vicente, mas não por muito tempo, já que ele acordou. Antes que eu dissesse qualquer coisa, ele me apertou contra seu corpo. Não preciso dizer o que eu senti. Como boa provocadora que sou, dei uma leve mexida em meus quadris, recebendo um aperto ainda mais forte como resposta.

— Já de manhã, Rebeca?

— Você quem começou.

— E acho que vou terminar.

E então voltamos às atividades da noite anterior. A vida era bela, enfim.

*/*

Eu queria protestar. Eu não queria ir embora do meu mundo perfeito de conto de fadas com meu príncipe francês perfeito. No entanto, carregava minhas malas pelo aeroporto internacional de Atenas. O lado bom: minha mão livre segurava a de Vicente. Parecia bom demais para ser verdade. Mas era verdade. Meu corpo levemente dolorido entregava que tinha sido tudo muito real.

— Ainda falta uma hora — Vicente afirmou. — Dá tempo de eu te comprar um chocolate.

— Mas eu…

Ele não me deixou terminar e logo sumiu na multidão. Aproveitei para checar meu grupo com as meninas. Clarice havia comentado “sabia que você estava aprontando, sua safada” e vários emojis de lua preta. Ela amava esses emojis. Luíza havia comentado “nossa, seu homem é lindo, com todo respeito” e vários emojis dando língua. Monalisa havia visualizado a mensagem e não tinha respondido. Será que ela estava chateada pela ligação de ontem? Acho que não. Monalisa era compreensiva demais pra isso. Tentava me convencer de que devia estar tudo bem, porém uma mensagem de Ricardo me fez pensar no contrário “que horas você chega? Preciso da sua ajuda! Alerta de emergência, Beca”. O que poderia ter acontecido? Bruna descobrir sobre Monalisa? Provavelmente não, eles tinham terminado, ela não faria nada contra Monalisa.

Queria ligar para Ricardo, porém Vicente chegou animado. Não poderia falar aquele tipo de coisa na sua frente. Era tudo muito recente pra enfiá-lo nas minhas complexidades.

— Espero que você goste, é o meu preferido — Ele me entregou uma barra de chocolate com nome esquisito.

— Europeus e suas manias… — Debochei.

— Eu consigo disfarçar bem a minha origem, tá bom?

Franzi o cenho.

— Ah, com certeza brasileiros andam com looks diariamente programados e com os cabelos cheios de pomada fixadora!

Ele riu.

— Eu não uso pomada fixadora!

— Você quer me convencer que um cabelo liso escorrido como o seu fica em pé pela força de natureza? Me poupe, senhor Bordeaux.

Ele me puxou pela cintura, apertando minha bunda disfarçadamente. O senhor moralista estava cada vez mais saidinho. Essa não é uma reclamação.

— Você pronuncia Bordeaux perfeitamente bem.

Mordi o lábio.

— E você aperta minha bunda como agradecimento? Parece interessante — Fiz uma pausa. — Você tem alguma lista de palavras em francês para eu pronunciar corretamente?

*/*

Chegar no Brasil foi aliviante, porém ruim ao mesmo tempo. Eu ainda tinha duas semanas no ensino médio e não sabia exatamente como as coisas funcionariam com Vicente. Esperava que a velha atmosfera não deixasse-o completamente surtado e o afastasse de mim. Eu não suportaria. Depois de nos despedirmos com beijos pornográficos o suficiente para que crianças fossem proibidas de ver, ele me deixou na frente de minha casa. Meu pai logo apareceu para me ajudar com as malas.

O senhor Carlos Garcia dificilmente trocava alguma palavra comigo ou com Ricardo. Ele estava ocupado demais com a sua loja. Ocupado demais para os seus próprios filhos. Na maioria das vezes, nós não ligávamos. Mas algumas vezes era difícil ter de lidar com a sua total apatia.

— Como foi a viagem, querida? — Ele perguntou.

Até a forma como ele fingia se importar conosco era ridícula.

— Foi legal, pai — Sorri forçada. — Mas nada é como um lar cheio de amor paternal, não é?

Ele fechou o rosto. Esse era ele.

— Filha! Que bom que você voltou! — Minha mãe me apertou. — Seu irmão está lá em cima, mal pode esperar pra te ver! Perguntou sobre você várias vezes! Parece prestes a dar um piti.

Ricardo prestes a dar um piti? Coisa boa não podia ser. E, levando em conta o sumiço de Monalisa e sua ligação misteriosa, com toda certeza tínhamos problemas no paraíso. Será que os dois tinham brigado tão feio que só minha intervenção resolveria? Ah, não. Eles não poderiam ser tão infantis. Principalmente Ricardo. Ele não ficaria tão afetado com uma briguinha de casal. Era algo mais sinistro. Ponderei enquanto bebia água. A única coisa que poderia deixá-los extremamente afetados dessa maneira era uma só: que alguém tivesse descoberto sobre o namoro.

Conhecendo a família de Monalisa, tinha certeza de que eles não lidariam bem. Tirando o fato de que Monalisa ainda nem tinha terminado o ensino médio e meu irmão já era um publicitário rico e estabelecido, tinha ainda a fama de Ricardo. Todo mundo sabia que ele era um galinha. Desde sua adolescência ele o fora. A cidade era pequena, as pessoas comentavam. Além disso, Ricardo ainda tinha namorado uma influencer. Ela provavelmente não deixaria barato para a mídia. Todo mundo devia estar falando do término deles. Porém, o pior ainda podia ser mais letal: se Bruna soubesse que foi trocada por Monalisa, ela não deixaria barato.

E, conhecendo Ricardo, seria difícil que ela não soubesse. Bruna não era do tipo que puniria Monalisa por isso, mas puniria Ricardo. E que maneira melhor de puni-lo do que afastá-lo de Monalisa? As peças só se encaixavam. Ela nem mesmo precisava ir até a mídia para destruir o casal. Bastava um telefone para a casa dos Borges e toda a casa de cartas de Monalisa e Ricardo ia para o espaço. Depois de me sentir orgulhosa por minha constatação, simplesmente subi as escadas e bati no quarto de Ricardo.

Logo, um ser alto e moreno apareceu na minha frente. Ricardo era uma versão masculina e mais bonita de mim, posto que tínhamos os mesmos olhos castanhos e o mesmo cabelo escuro e lustroso. A diferença gritante entre nós ficava na altura: eu parecia uma adolescente púbere, ele era alto o suficiente para que Monalisa, já alta, ficasse pequena ao seu lado.

— Eu já sei: a Bruna contou tudo para os pais da Monalisa! — Afirmei antes que ele dissesse qualquer coisa.

Ricardo franziu o cenho, negando com a cabeça e sentando em sua cama depois disso.

— Antes fosse, Rebeca! A Bruna não é assim tão infantil, o problema é muito pior…

Comecei a me assustar de verdade.

— O que diabos é então, Ricardo?

— Eu não sei exatamente como te falar isso, mas a Monalisa está grávida.

Tive que me apoiar na parede para não cair ali mesmo. Aquilo era demais.

Notas finais
O clã Garcia crescendo?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.