Chelsea's Tales
2 Second Tale - Travelling
Notas iniciais
Dentro da sala da casa de Clay, estava Chelsea sentada em uma poltrona. Já havia lido todos os romances eróticos de Shelby. Estava hospedada por lá faziam dias. Não queria ficar em sua cabana, pois o fedor de Cole ainda contaminava as redondezas. Ela se levantou quando sentiu e ouviu Clay abrindo a porta.
— Vamos para a sede. Precisamos de uma reunião.
— Agora? — Ele pareceu surpreso diante da ordem repentina.
— Eu estou ótima, então vamos. Pode ir pela cidade. Chame todos, vou te encontrar lá.
— Tem certeza? Melhor vir conosco dessa vez. Sinto muito se isso a ofende, mas não me sinto confortável deixando você viajar sozinha pelo bosque depois de tudo. Andar entre humanos só dessa vez não vai fazer mal.
Sem responder, ela decidiu acompanhar Shelby e Clay até o carro. Ela abri a porta do motorista.
— Você sabe dirigir? — Perguntou ele, incrédulo. Sua companheira ficou quieta o tempo inteiro, intimidada pela aura dominante da alfa.
— Prefiro pilotar helicópteros, mas sim, sei dirigir.
O sentinela guardou essa informação em umm baú mental. Realmente, ele não conhecia uma única atividade que Chelsea não soubesse fazer. Se quisesse, poderia seguir qualquer carreira e se tornar milionária, mas ela já havia feito isso. Agora, apenas descansava e liderava a alcateia, preferindo viver isolada do mundo. Uma situação bem deprimente, quase como a de soldados que foram úteis na guerra e quando voltam, passam a viver sozinhos nas ruas.
A líder da matilha ignorou solenemente todos os humanos que passavam. Chegou a quase atropelar alguns pedestres não tão rápidos, mas que conseguiram escapar. Após saírem da cidade, virou em uma rua que levava até a mansão. Os executores de guarda abriram o imenso portão quando os viram e ela estacionou no imenso estacionamento, quase lotado com os carros luxuosos que Chelsea comprara para os membros mais importantes. Mais veículos chegavam.
Haviam centenas de shifters na cidade, então àquela reunião compareceriam apenas os representantes dos diferentes bairros. Chelsea, Clay e Shelby entraram no casarão, passando por diversos sentinelas no caminho para o salão principal. Quando a alfa entrou, a maior parte dos shifters baixou a cabeça em sinal de submissão. A quantidade repentina de odores conhecidos e desconhecidos causava ema sensação de sufoco.
Alguns lobos, o mais discretamente possível, mostravam os dentes. Mesmo depois de anos, recusavam-se a aceitar a liderança de uma fêmea.
Chelsea manteve-se de pé enquanto os outros sentaram-se: — Imagino que a maioria de vocês já saibam o motivo desta reunião: a morte de Cole.
Iniciou-se um burburinho.
— Mas provavelmente não sabem a versão verdadeira da história. Nesse caso, eu lhes digo: eu ordenei sua execução. — Imediatamente houveram sinais de revolta por parte dos lobos mais chegados a ele e até mesmo de alguns sentinelas que o admiravam como beta.
— Certos tipos de comportamento não serão tolerados, espero que todos entendam isso. Eu sou a alfa dessa alcateia, e qualquer um que tentar me tirar desse posto contra a minha vontade sofrerá as consequências, como foi o caso do nosso querido amigo Cole. Também devem estar se perguntando quem será o novo beta e talvez estejam pensando em se candidatar para o cargo, mas isso não será necessário porque essa questão já foi decidida. Clay, um excelente sentinela que está aqui ao meu lado, será o novo beta. Agora, se me dão licença, a reunião acabou.
Sem deixar abertura para questionamentos, ela se retirou do recinto, deixando seu novo beta lidando sozinho com uma multidão de shifters furiosos.
Chelsea não esperou. Apenas foi para os fundos, direto para o bosque. Não devia satisfações. Não importava a situação, sempre sabia o que fazer. Seria tão mais fácil se todos seguissem suas ordens, sem reclamar! Ela estava sempre certa, afinal.
Mudou de forma rapidamente. Não voltaria para a casa de Clay tão cedo, ou ele teria a ousadia de ficar reclamando de sua decisão. Ele seria seu novo beta e pronto, sem discussão!
Ela não sabia bem aonde iria. Podia sentir o cheiro de dezenas de shifters próximos, raivosos, julgando suas decisões. Chelsea não poderia se importar menos com a opinião alheia. Iria apenas ignorar as queixas e viver em paz. Sozinha.
Os shifters que a apoiavam sempre diziam que ela seria bem mais aceita como alfa se tivesse um companheiro. Ela nunca se interessou por alguém. Só acreditava ainda naquela coisa de companheiros predestinados porque via isso acontecer como os outros. No fundo queria acreditar que quando os deuses a criaram, esqueceram de lhe dar um, mas ela sabia que isso não era verdade. A prova era a sensação de vazio em sua alma. A sensação de estar incompleta. Odiava isso. Queria dar um fim à sua angústia.
Qualquer cortejo por parte de shifters ou humanos direcionado à ela era totalmente ignorado e desprezado, mesmo depois de tanto tempo. Sentia tanta paixão quanto uma pedra. Mas Chelsea sabia que assim que encontrasse sua alma gêmea, tudo isso acabaria. Ela seria feliz.
De repente, enquanto vagava sem rumo definido, foi tomada por uma repentina cólera. Essa alcateia ingrata nada fazia para deixá-la satisfeita, mesmo com todos os seus esforços para fazê-la prosperar. Mas, em algum lugar, havia alguém. E essa pessoa tinha o poder de dar sentido à sua vida. À sua existência aparentemente insignificante para aqueles ignorantes.
Ela precisava ser feliz.
Ela precisava encontrar seu companheiro.
Chelsea não contou seus planos para Clay ou para qualquer outro. Não confiava neles. Apenas caminhava pela cidade como se fosse uma pessoa comum, exceto pelo fato de que suas roupas velhas a faziam parecer uma moradora de rua.
No centro de MercyCreek, a primeira coisa que comprou foi uma enorme mochila, suficiente para carregar tudo o que precisasse. Ela teria de comprar tudo na hora porque livros humanos eram os únicos itens que ela mantinha m sua minúscula cabana.
Após comprar roupas e sapatos ideais, ela voltou a pé para a cabana. Foi um longo trajeto na forma humana, mas ela ainda tinha bastante tempo. Primeiro, arrumou a mochila. Nela, colocou roupas, um par de botas extras, documentos falsos, munição e um revólver. E dinheiro, muito dinheiro. A loba era praticamente milionária. Durante sua vida teve várias profissões que lhe renderam sustento para o resto de sua vida de shifter.
Havia comprado também papel e caneta. Passou a noite inteira escrevendo e desenhando cartas, mapas, planos, projetos e guias, e colocou tudo em um grande envelope, junto com cinquenta mil dólares. Ao amanhecer, trancou sua cabana e caminhou até a casa de Clay. Deixou o envelope na caixa de correio usou a cópia da chave que tinha para entrar na garagem. Lá haviam sempre três veículos, mas naquele momento só haviam dois, pois ela, Clay e Shelby usaram um deles para ir até a sede. Chelsea tinha as chaves do terceiro, uma velha picape que ela convencera Clay a não vender, pois sabia que seria útil depois.
Enfiou na mochila alguns mapas da região que encontrou no escritório dele. Finalmente, encheu o tanque da picape e partiu. Apesar de estar tomando cuidado com o limite de velocidade, ela precisava se apressar. Até o amanhecer do dia seguinte já teriam dado falta de sua presença.
Certamente Clay a rastrearia até sua casa e encontraria o envelope. Ficaria espantado e irritado, mas ele entenderia. Havia marcado sua companheira predestinada, Shelby, e agora se sentia o shifter mais feliz de todos, e não saberia o que fazer sem ela. Teria compaixão por Chelsea, mesmo chateado por ser deixado para liderar sozinho. Ela ainda era a alfa da alcateia e em sua carta, prometera que um dia voltaria. Devia ser o suficiente para que ele não a odiasse.
Na estrada, estava seguindo seus instintos e ignorando qualquer ser humano pedindo carona ou ajuda. Nos dias que permanecera na casa de Clay, comera bastante e por isso, estava bem abastecida e menos inclinada a comer qualquer um que chegasse perto demais.
Estava olhando no mapa para procurar a cidade mais próxima e verificar. Seu companheiro predestinado não estava tão longe, então teria de checar todos os lugares próximos até encontrá-los.
Fale com o autor