Fui até a janela do meu quarto e passei á observar as estrelas, tentando vê-las em conjuntos, achar uma constelação, mas todas parecem frias, distantes e sozinhas.

Infinitamente sozinhas.

O cheiro de seu cigarro havia impregnado meu quarto, minhas cortinas, meus lençóis. A cada tragada que ele dava enquanto me fazia carinho eu me sentia quente como seu interior. E desejava ser o cigarro pendendo em seus lábios vermelhos.

Seu sotaque e sua voz grave e suave me transmitiam a serenidade que procurava – e ainda procuro – há dois anos. Dois longos anos infernais.

Estou começando a melhorar agora e devo muito isso a ele e a minha psiquiatra. O verde profundo de seus olhos não me permitia fazer uma loucura. Eu o havia prometido que não faria nada.

Mas agora eu o sinto partindo, sinto a fumaça de seu cigarro se extinguindo e não irei conseguir dormir sem ele para me abraçar. Então decidi por levantar e observar o luar.

Liguei para ele. Única maneira de nos comunicarmos. Nenhuma resposta. Talvez a linha estivesse ocupada, talvez ele não tivesse me ouvido, talvez ele estivesse com algum problema ou talvez, apenas talvez, ele realmente havia partido.

Estremeci com o pensamento e observei a rosa que ele havia entregado. Então ouvi meu celular tocando e atendi sem ao menos verificar o visor. Ouvi sua voz do outro lado.

- Ficou com medo, anjo?

Eu poderia dormir sossegada.

Obrigada, Ryan.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!