Cheerock

11 Capítulo 11


Notas iniciais
Oii!! Sentiram minha falta, queridos ghosts?? Aqui vai mais um beeeem grande pra vocês! Amei escrever esse, espero que amem lê-lo!

Carly

– Carly Upsent – disse o professor.

– Sim?

– Por acaso minha aula está chata?

Você não tem ideia do quanto.

– Não, senhor.

– Então evite ficar voando no meio dela, por favor.

Suspirei. Era o quinto aviso de falta de atenção só hoje. Tenho sorte de que nenhum professor me expulsou de sala.

Naquela manhã Hugo me acordou – o que, no começo, achei até fofo – me dizendo que eu estava começando a ficar atrasada para minha escola de burros – aí perdeu a graça – e deu a inútil observação de que meus seios eram ligeiramente maiores do que deveriam ser para o meu tamanho – aí eu fiquei irritada e o expulsei do quarto o mais gentilmente possível.

Victor disse que ele era assim, convencido por sua inteligência superior. Apesar de eu já ter percebido. No começo era engraçado e fofinho, agora essa brincadeirinha já está ficando irritante.

Nós dois fomos juntos ao colégio, mas quando estávamos chegando concordamos mutuamente eu deveríamos nos separar. Afinal, não deveríamos nem ser amigos.

– Carly? – perguntou a professora de artes – Você está bem, querida? Quer tomar um pouco de água ou um arzinho?

– Estou bem – falei.

A Sra. Gaspy era muito fofa, uma senhora de idade de cabelos brancos assanhados e óculos de fundo de garrafa que deixavam seus olhos castanhos gigantescos. Ela sempre se preocupava com todos os alunos e era uma ótima professora, além de ter muito talento numa tela.

Ela acariciou meus cabelos.

– Tente desenhar o que sente querida. Isso sempre me ajuda.

– Obrigada pela dica, vou tentar.

Com um último sorriso ela se afastou. Eu não conseguia me concentrar em nada naquele dia.

Tentei fazer o que ela me indicou e comecei a passar o pincel na tela. Quando o sinal tocou para o almoço, eu tinha um desastre: vários traços escuros espalhados aleatoriamente com força e alguns claros e leves que se destacavam.

– Bonito – disse alguém atrás de mim.

Virei-me e lá estava a treinadora com seu uniforme customizado – uma saia curta roxa com amarela e um top com o nome do time de futebol americano do colégio. Seu cabelo loiro estava preso e o batom perfeitamente retocado – significava que ela tinha acabado de sair de uma “sabotagem” o que me deixou com muito nojo.

– O que você quer?

– Você sabia que Terrence foi morto por um bandido do qual ele devia dinheiro?

Nossa. Ele era um idiota, me abusava e me ofereceu como moeda de troca, mas eu nunca desejei sua morte. Tudo bem, talvez algumas vezes eu tenha desejado, mas o que eu realmente queria é que ele fosse preso, não morto.

– Não.

– Foi por sua causa.

– Minha causa? Foi ele quem contraiu as dívidas, não eu!

– Foi por sua causa que mataram ele! – ela estava começando a aumentar o tom da voz, mas logo se respirou fundo e voltou a falar normal – Você sempre deu para meu marido e eu sempre fingi não me importar, mas isso passou dos limites.

– Eu nunca dei para o Terrence – estava começando a me irritar – Ele me estuprava – falei mais baixo.

– É o que você sempre diz. Entenda que eu nunca vou voltar com Josh! Você sempre desaprovou meus maridos. “Mamãe, ele me bate!”, “mamãe, ele não me dá comida!”, “mamãe, ele quebra meus brinquedos!”. Pare de por a culpa em meus maridos e admita suas próprias fraquezas!

– Eles faziam isso!

– Você é uma inútil, garota. Sempre foi! Tenho vergonha de lhe chamar de filha.

– Mas você não chama.

– Carly! – disse Victor entrando na sala – Estava te procurando. Quero saber agora mesmo como você sabotou o último show de talentos!

Ele agarrou meu braço e me arrastou para fora. Levou-me ao auditório do colégio, que sempre ficava vazio na hora do almoço.

Foi então que as lágrimas começaram a rolar. Era desesperador, eu não tinha controle. Meu rosto estava molhado e eu soluçava muito.

– Aqui – disse ele me ajudando a sentar em uma cadeira e se ajoelhou na minha frente.

Ficou um tempo só me olhando chorar, depois saiu e voltou rapidamente com a mão cheia de papel.

– Toma, limpa isso. A rainha do colégio está com a maquiagem borrada.

Ele sentou na cadeira ao meu lado e deslizou até ficar quase deitado.

– Eu não sabia que a treinadora era sua mãe.

– Ninguém sabe – falei em um intervalo de soluços.

– É por isso que ela sempre limpa sua barra?

– Não que eu realmente queira ter a barra limpa, mas sim.

– Como ela faz isso?

Calei. Em vez de responder, olhei para ele e estendi as sobrancelhas.

– Ah, por isso você a chamou de puta.

– É...

– Sabe, isso lhe torna uma autentica filha da puta.

Esse é o jeito que Victor Simons achou para me alegrar? Chega a ser cômico!

– Então, seu padrasto morreu mesmo?

– Parece que sim.

– Nossa... e ela estava te culpando por isso?

– Ela sempre me culpa pelas desgraças da vida dela.

– Será que dá pra sua vida ficar ainda mais fodida?

– Ah, nem está tão fodida assim! Eu tenho uma casa pra morar e um amigo.

Ele ficou calado por um tempo.

– Não deveríamos nos odiar? – perguntou olhando para mim.

Retornei o olhar e sorri.

– Acho que nunca te odiei de verdade.

Ele sorriu.

– Foi mal, mas eu odiei.

Gargalhei. Comovente. Victor Simons, o rei das palavras.

Ele segurou minha mão.

– Agora eu sei quem a verdadeira Carly Upsent é.

– Vamos comer – finalizei.

– Você lê meus pensamentos.

– Pode ir na frente, vou lavar meu rosto.

– Tem certeza?

– Sim.

Ele deu um beijo na minha mão e saiu do auditório.

Algo doía em meu peito. Sempre que eu tinha uma briga assim com minha mãe eu ficava arrasada, mas ninguém nunca apareceu para me salvar. De alguma forma, Victor Simons tinha acabado de virar o herói do dia.

Sorri para mim mesma. Como pude odiar um cara tão legal por tanto tempo?

Fui ao banheiro e retoquei a maquiagem. Nem parecia que eu tinha passado tanto tempo chorando.

No refeitório, com a bandeja feita, eu fui me sentar. Comecei a ir em direção da mesa de Victor, Teddy e Logan, mas Sandra – uma das cheerleaders – veio ao meu encontro e me puxou para a mesa.

– Ai, Carly, você nem sabe, Lohanna tá espalhando pra todo mundo que te viu com o Simons no Burger King sexta.

Ah, aquela vadia. Mandei-a não dizer nada!

– É – disse outra quando já estava sentada – Ela postou no twitter que vocês pareciam até um casal.

– E ele tá te olhando – sussurrou outra fazendo careta.

Virei-me e vi que era verdade. Aqueles olhos azuis estavam grudados em mim. Quando olhei de volta ele fez uma careta e mostrou o dedo médio para nós.

Sorri de leve, mas logo me virei fazendo careta.

– É verdade. Estávamos lá mesmo. O restaurante estava lotado e tive que sentar na mesma mesa que ele.

– Lohanna disse que vocês dormiram juntos.

– Isso é mentira. Eu nunca dormiria com Victor Simons! Nem em um milhão de anos! Vocês sabem o quanto o odeio.

– Ela está espalhando pra todo mundo que foi você quem disse para ela.

– Mentira. Ela deve ter visto a gente se beijando. Queria testar se ele beija bem, mas ele falhou miseravelmente.

Elas riram.

– Você chega a ser cruel as vezes.

– Ele estava me usando também. Nos odiávamos antes e ainda nos odiamos e vamos sempre nos odiar.

Elas riram e voltaram a conversar seus assuntos fúteis.

Tocou o alarme e voltamos para nossas salas.

Perto das duas da tarde, a sra. Gaspy pediu permissão para o professor e me tirou da sala. Fiquei com medo de que ela poderia brigar comigo sobre a briga com minha mãe ou me mandar interpretar aquele quadro – ela fazia muito isso, tirar alunos para interpretar suas obras.

Quando chegamos à sala dela, meu quadro estava emoldurado e duas cadeiras jaziam em frente a ele.

– Sente, querida.

Sentei-me, como ela mandou e encarei o quadro. Ela sentou-se ao meu lado e suspirou.

– Sabe o que eu vejo aqui, Carly?

– Um monte de traços aleatórios?

Ela riu.

– Não, querida. Eu vejo uma obra de arte. Eu mandei você jogar seus sentimentos no quadro e foi o que você fez.

– Para mim é só um monte de traços aleatórios.

– Ah, mas seu subconsciente desenhou uma obra muito profunda. Sabe o que eu vejo? Vejo raiva, desespero, desprezo, tristeza, decepção, ódio, desespero, enfim, trevas. Mas no meio disso tudo, vejo uma luz. Essa luz no meio das trevas lhe traz alegria, amor, esperança e quebram todos os sentimentos ruins anteriores.

– Nossa, duvido que algo tão profundo tenha saído de mim.

– Carly, você está passando por dificuldades em sua vida pessoal?

Lágrimas ameaçaram cair. Como ela tirou isso tudo de um monte de traços idiotas?

– Nada sério.

– Querida, agarre-se nessa sua luz. Ás vezes nós estamos no fundo do poço e algo simples nos tira dele, nos salva. Não se deixe afundar nas suas trevas.

Assenti com a cabeça.

Ela passou a mão pelo meu cabelo, como uma avó protegendo sua neta. Então as lágrimas caíram. Ela afagou mais e me abraçou.

Passei o resto do dia pensando nas minhas trevas, não consegui me concentrar em mais nada. Faltei o treino das líderes de torcida e me escondi no auditório, onde Victor treinava com a banda, mas ele estava suspenso, então assisti Teddy e Logan treinando e Victor sentado olhando o teto sem prestar atenção em mais nada.

Será que minha luz é Victor Simons? Se não for ele só posso pensar em Janice.

Na volta para casa ambos ficamos calados e passamos o resto do dia assim.

Victor

Hugo me acordou dizendo que eu estava atrasado e depois disse que Carly tinha peitos grandes. Tudo o que pude pensar desse comentário foi “WTF?!”.

Nesse dia tomei meu remédio e um café da manhã reforçado. Carly desceu com a roupa mais decente que já a vi vestindo – um legging preto e uma blusa lisa verde limão.

Fomos andando e nos separamos perto do colégio para que ninguém nos visse juntos.

Na aula de biologia que temos juntos, ela estava no mundo da lua. O professor chamou sua atenção duas vezes.

Comecei a ficar preocupado, ela estava distraída desde aquela manhã, será que tinha acontecido alguma coisa? Droga! Odeio meninas, é muito difícil saber o que estão pensando.

Na hora do almoço estava indo para o refeitório com Teddy e Logan quando um grito se fez ouvir.

– Foi por sua causa que mataram ele!

Era a treinadora das líderes de torcida na sala de artes com Carly. Alguns curiosos pararam, mas logo foram embora.

– Vamos cara – disse Logan.

– Podem ir – respondi sem tirar os olhos da cena – Quero ver isso.

Logan franziu as sobrancelhas, ele sabia que isso não era de meu feitio, mas Teddy o puxou para o refeitório.

– Você sempre deu para meu marido e eu sempre fingi não me importar, mas isso passou dos limites.

– Eu nunca dei para o Terrence – respondeu Carly e depois sussurrou algo para a treinadora.

– É o que você sempre diz. Entenda que eu nunca vou voltar com Josh! Você sempre desaprovou meus maridos. “Mamãe, ele me bate!”, “mamãe, ele não me dá comida!”, “mamãe, ele quebra meus brinquedos!”. Pare de por a culpa em meus maridos e admita suas próprias fraquezas!

Caramba, deixa eu ver se entendi direito ou foi engano: a treinadora é mãe da Carly? Aquela que ela odeia e chama de puta? Nossa... eu estou chocado.

– Eles faziam isso!

– Você é uma inútil, garota. Sempre foi! Tenho vergonha de lhe chamar de filha.

Ai! Agora eu entendo por que ela odeia tanto essa mulher. Carly fez uma careta e senti que ia chorar. Ela precisava ser tirada de lá com urgência.

– Mas você não chama.

– Carly! – falei entrando na sala de supetão. Pensei em alguma desculpa para estar procurando por Carly, falei a primeira coisa que me veio na cabeça – Estava te procurando. Quero saber agora mesmo como você sabotou o último show de talentos!

Agarrei o braço dela e a arrastei até o lugar mais vazio na hora do almoço: o auditório.

Então, sem mais nem menos, ela começou a chorar. O rosto inundou de lágrimas e ela soluçava fortemente. Odeio ver gente chorando. Puta merda, o que eu vou fazer agora?

– Aqui – falei ajudando-a a sentar-se na cadeira e me ajoelhei em sua frente.

O rosto dela estava todo molhado e quanto mais ela tentava enxugar, mais ela borrava a maquiagem, deixando manchas negras ao redor dos olhos e escorrendo pelo rosto. Era deprimente, mas eu entendia o motivo do choro. A vida de Carly Upsent é mais fodida do que eu pude imaginar.

Tinha que fazer alguma coisa, não podíamos ficar o dia todo no auditório. Vamos começar com coisas simples, primeiro alguma coisa pra enxugar o rosto.

Saí do auditório correndo e fui ao banheiro, enchi minha mão de papel higiênico e voltei correndo.

– Toma, limpa isso. A rainha do colégio está com a maquiagem borrada.

Ela finalmente riu. Acho que nunca me senti tão bem ouvindo o riso de outra pessoa.

Sentei na cadeira ao lado dela e deslizei na cadeira.

– Eu não sabia que a treinadora era sua mãe.

– Ninguém sabe.

– É por isso que ela sempre limpa sua barra?

– Não que eu realmente queira ter a barra limpa, mas sim.

– Como ela faz isso?

Em vez de responder ela me olhou e ergueu uma sobrancelha. Nem precisava falar mais.

– Ah, por isso você a chamou de puta.

– É...

– Sabe, isso lhe torna uma autentica filha da puta.

Ela gargalhou. Foi a pior piada que já fiz, mas eu simplesmente não sabia o que falar.

– Então, seu padrasto morreu mesmo?

– Parece que sim.

– Nossa... e ela estava te culpando por isso?

Ela suspirou.

– Ela sempre me culpa pelas desgraças da vida dela.

– Será que dá pra sua vida ficar ainda mais fodida?

– Ah, nem está tão fodida assim! Eu tenho uma casa pra morar e um amigo.

Ela acabou de me chamar de amigo? Nossa... uma ligeira onde de felicidade e uma pontada de decepção atingiu meu peito. É possível ficar feliz e triste ao mesmo tempo e pelo mesmo motivo? Acabei de descobrir que sim.

– Não deveríamos nos odiar? – falei olhando-a só para dizer algo.

Ela tornou os olhos verdes para mim e sorriu. Estava tão... bonita. Mesmo com os olhos, nariz e bochechas vermelhos, maquiagem borrada e cabelo assanhado ela estava linda. Com um leve toque de maluquice, mas linda.

– Acho que nunca te odiei de verdade.

Sorri. Mentirosa!

– Foi mal, mas eu odiei.

Ela riu. Até eu achei uma boa piada.

Segurei sua mão. Li em algum canto que mulheres gostam disso.

– Agora eu sei quem a verdadeira Carly Upsent é.

Ela sorriu. Senti novamente aquela sensação que eu precisava me aproximar e...

– Vamos comer – ela cortou meus pensamentos. Ufa.

– Você lê meus pensamentos – menti.

– Pode ir na frente, vou lavar meu rosto.

– Tem certeza?

– Sim.

Eu podia ver que ela queria um tempo sozinha então beijei sua mão – minha mãe vive dizendo que é educado – e saí do auditório.

Chegando ao refeitório, fiz meu prato e sentei-me com Teddy e Logan.

– Cara, onde você estava? – perguntou Logan.

– A conversa das duas se estendeu.

– E pra quê você queria ver aquilo? – estranhou Logan.

– Teve sangue? – disse Teddy. Tive a ligeira impressão de que ele estava querendo me salvar.

– Infelizmente não.

– Olha ela ali – disse Logan bebendo seu refrigerante.

Ela estava totalmente nova, parecia que a cena no auditório nem tinha acontecido.

Carly fez sua bandeja e me viu. Ela estava vindo sentar conosco quando foi parada por uma puta de torcida que a carregou embora. Fiquei triste, mas era melhor assim.

Teddy e Logan continuaram falando, mas eu estava no piloto automático, concentrado em olhá-la. Eu nem sabia o que eu estava olhando, mas não conseguia tirar os olhos.

Então elas se viraram e me olharam. Saí rapidamente do transe e mostrei o dedo médio para elas. Carly sorriu de leve depois fez careta e se virou.

Logan riu.

– Essa foi ótima – disse ele.

– Eu sei.

– Vamos treinar para o concurso hoje? – perguntou Teddy.

Ele estava falando de um concurso de talentos de um bar que íamos participar.

– Não posso – falei – estou suspenso por atraso.

– Nossa, que horrível – falou Logan.

– Tudo bem, quando termina?

– Sexta.

– Ótimo, então a gente treina com você sexta.

O sinal tocou. Agora era minha aula de artes com a sra. Gaspy, minha professora preferida. Passo tanto tempo com velhos, que ela me deixa mais confortável que qualquer outro professor por causa de sua idade.

Quando entrei na sala, ela estava olhando um quadro muito bonito. Vários traços fortes escuros e alguns leves claros por cima. Algo tocou em mim e eu soube tudo o que ele significava.

– Bonito – falei chegando perto.

– Você acha?

Ela me deu um sorriso de vovó.

– Sim, bem profundo.

– Profundo? Então você pode ver uma interpretação?

– Eu vejo vários sentimentos ruins. A raiva que as pinceladas escuras foram feitas prova isso. São os demônios de alguém, mas então essa aqui de leve no meio é a chama de esperança no meio disso tudo, como uma vela na escuridão. A delicadeza com que esse traço claro foi pintado mostra que pode ter até um pouco de carinho quando o artista pintou. E se você notar, o amarelo, o branco e o azul se juntam parecendo um olho azul claro, como se o artista visse sua paz nos olhos de alguém.

A velhinha me olhava boquiaberta.

– Mas é claro que é só uma teoria, podem existir milhares de outras interpretações. O artista pode até ter pintado sem intenção alguma...

– Não, querido, acho que você está certo. Acho que está certo sim.

Os outros alunos já tinham todos chegado e estavam conversando em seus cavaletes.

– Quem pintou? – perguntei.

– Carly Upsent.

Congelei. Carly pintou isso? Meu coração começou a bater mais forte em meu peito e fiquei tonto. O mundo começou a girar sem rumo. Apoiei-me na mesa da professora.

– Victor, você está bem, querido?

– Não, eu...

Então tudo ficou escuro.

~//~

Acordei na enfermaria. A mulher de branco disse que eu apaguei na aula de artes e acordei uns vinte minutos depois e me aconselhou a voltar para casa e descansar. Falou também que minha glicemia estava baixa – ops, acho que me esqueci de comer no almoço por causa do meu hipnotismo – e que eu precisava comer algo urgentemente.

Fui ao refeitório e me prepararam algo pra comer.

Aquele quadro ainda estava gravado em minha mente. Aquele olho azul no centro... era meu?

Sacodi a cabeça para tirar aquilo da mente. Que ridículo, meu olho? Por que ela pintaria meu olho? E por que ela pintou aquele quadro?

Considerando tudo o que descobri sobre ela talvez minha interpretação estivesse certa, mas por que diabos meu olho?

Passei o resto do dia pensando naquilo. Não quis voltar para casa para não preocupar minha mãe.

Durante o treino dos meninos eles ficaram ajustando os acordes e tocando enquanto eu ficava assistindo – ou deveria ficar assistindo – para acompanhar o ritmo e treinar em casa.

Aquela droga de quadro não saía da minha cabeça. Eu não sabia se ficava feliz por eu ser a luz se suas trevas – ou assim eu supunha – ou desesperado por tamanha responsabilidade.

Voltamos calados para casa no final do dia e calados ficamos pelo resto da noite.

Notas finais
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