Cheerock
18 Capítulo 17
Notas iniciais
Carly
Alguém bate na porta e a abre.
– Eu tenho uma coisa pra você – disse Victor entrando e fechando a porta em seguida.
Fecho o livro que estava estudando e me viro para ele.
– O que é?
Ele parou e me olhou com um suave sorriso.
– Eu tenho uma surpresa pra você e você me trata assim? Poxa...
– Senta aí, eu não fui grossa.
Ele sentou-se na minha frente e olhou bem fundo nos meus olhos.
– Você está escondendo alguma coisa de mim.
Gelei, como ele poderia me ler tão facilmente assim?
– Eu não sei do que você está falando...
– Carly, pare de fugir de mim – ele segurou meu rosto com as mãos e me fez olhar em seus olhos – Eu sei que tem alo acontecendo.
Meus olhos se encheram de lágrimas.
– Eu queria ter falado, eu juro, mas eu não tinha coragem de te encher com mais problemas meus...
– Carly, eu sou seu namorado, eu estou aqui pra te ajudar, se você não me contar seus problemas eu não vou adivinhá-los e eu quero estar com você tanto nos momentos bons quanto nos ruins.
– Eu sei, não vou mais esconder nada de você, eu prometo.
– E vai me contar agora?
Então eu o contei tudo o que me incomodava desde que as aulas voltaram. Quando finalmente acabei ele continuou calado por um tempo.
– Você vem passando por tudo isso sozinha?
Abaixei a cabeça.
– Porra Carly, você tem medo de me contar? Eu quero ajudar você, não é isso que eu ando fazendo desde que você fugiu daqueles mafiosos?
– Sim, eu sei. É que eu pensei que já tivesse causado tantos problemas...
– Carly, por favor, nada de segredos.
Olhei-o e entrei em sua imensidão azul.
– Nada de segredos.
Ele passou a mão pela minha bochecha e beija minha testa, depois meu nariz, minhas bochechas e, finalmente, minha boca. Passei os braços ao redor de seu pescoço e ele segurou meu rosto com ambas as mãos, acariciando minhas bochechas. Foi algo mais profundo do que a intensidade que andávamos tendo, quase romântico.
Separamo-nos depois de um tempo e encostei minha testa na dele.
– Obrigada – sussurrei.
– Carly, eu... – quase pude ouvir suas próximas palavras, talvez fosse cedo demais para eu dizer isso, mas eu com certeza tinha sentimentos por Victor que eu mal entendia ainda – A minha surpresa, ainda não disse o que é.
Talvez fosse cedo para ele dizer aquilo também.
– Estou curiosa!
Falei me ajeitando na cadeira e sorrindo, ele se levantou e pegou alguns papéis impressos do bolso e voltou a sentar.
– Eu estava fazendo um relatório para a aula de sociologia sobre o sistema penitenciário de Louisiana e me lembrei de que você uma vez disse que seu pai é um presidiário.
Deixei de sorrir, eu não estava gostando nada do rumo da conversa.
– Calma – disse ele pegando minha mão – Eu pesquisei um pouco, peguei alguns documentos online, tio Google me ajudou e eu o achei.
– Você o quê?
– Eu achei seu pai, ele está a apenas alguns quilômetros daqui, está preso e sob julgamento há mais de treze anos – ele soltou minha mão e pegou os papéis sobre a mesa e abriu a primeira página e lá estava a foto do meu pai, do jeitinho que eu lembrava. Ofeguei. Lembrava-me muito bem quando ele bateu na nossa porta quando eu tinha oito e me deu um abraço que minha mãe nunca teve coragem de dar e não me largou até a policia vir e o levar embora novamente – Carly eu peguei os boletins de ocorrência de seu pai e são todos de pequenos furtos, tirando uma escapada da prisão domiciliar há seis anos, mas logo foi pego e levado á uma prisão de verdade.
– Sim, eu lembro. Ele fugiu para me ver.
Victor me olhou e sorriu.
– Você se parece um pouco com ele.
– Quando ele sai da prisão? – perguntei esperançosa.
Victor coçou a cabeça.
– Não sai. O caso dele ainda está sendo julgado, próxima semana sai o veredicto.
– São só furtos, certo? Ele fica só alguns anos preso, certo?
– Carly ele está sendo julgado de matar e estuprar dez mulheres.
– O que?
– Isso poderia dar a ele pena de morte, mas a decisão do júri só sai próxima semana, com o veredicto final.
Eu não conseguia acreditar que meu pai faria uma coisa dessas, será que ele se arrependeu? Será que ele fez mesmo?
– Existem provas de que ele fez isso?
– Os registros mostram que ele trabalhava com outro cara, mas ele conseguiu fugir no ultimo roubo dos dois, nesse duas mulheres foram estupradas e mortas e cinco homens foram mortos, de acordo com os registros.
– Existem evidências de que foi meu pai?
Ele me olhou passou a mão pelo cabelo.
– Eles fecharam uma loja de conveniência e fizeram sete reféns, mataram todos. As únicas pessoas que saíram ilesas para contar história são seu pai e o comparsa que fugiu. Além disso, a loja não tinha câmera de segurança, todo dinheiro e tudo de valor das vítimas sumiu, isso é latrocínio. Existem evidências claras de que ele estava lá, que saíram balas da arma que seu pai carregava e ele é o único vivo e acessível para contar a história.
– O que isso significa?
– Ele provavelmente será condenado.
– Pena de morte?
– Pode ser pena de morte, pode ser prisão perpétua, depende do júri.
– Perpétua... – repeti.
Victor segurou minhas mãos e olhou fundo nos meus olhos.
– O que você acha de irmos visita-lo amanhã?
– Sim, eu quero.
– É domingo, então provavelmente tem visitas.
Sorri.
– Obrigada, Victor.
Abracei-o bem forte, ele estava restaurando tudo na minha vida.
Dei um beijo leve e sorri.
– Obrigada, minha luz.
Ele também sorriu.
– Eu estou começando a acreditar que na verdade minha luz é você.
Ri.
– Não vou mudar de ideia.
– Desde que você veio pra cá escrevi três músicas, acho que você é minha musa inspiradora.
– Epa, você nunca me falou dessas músicas.
– Talvez algum dia você as veja – disse ele sorrindo – Tenho que ir, Ted chamou para treinarmos na casa dele. Vamos participar de um show num bar daqui a alguns meses e vai ter um caça-talentos lá.
– Você vai tocar uma das minhas músicas lá?
Ele sorriu.
– Quem sabe?
Então ele me beijou e saiu.
Peguei o arquivo mais uma vez e comecei a folhear. De repente uma folha diferente, escrita a mão, com a caligrafia de Victor e cheia de versos apareceu no meio. O título era “Hand on heart” (mão no coração – Olly Murs).
Comecei a ler e meu sorriso só aumentou a cada palavra lida.
– Seu... maldito poeta.
Victor
Quando me mandaram pesquisar sobre o sistema penitenciário de Louisiana o pai de Carly me veio de repente na cabeça. Seria perfeito fazer um trabalho com alguém de dentro e de quebra eu ainda ajudaria minha namorada. Dois coelhos numa cajadada só.
O problema é que quanto mais eu pesquisava, menos eu queria mostrar para ela o que eu estava descobrindo. De acordo com todos os artigos ele estava sendo acusado injustamente e o júri estava considerando a pena de morte.
No domingo passado eu fui ao presídio no horário de visitas, me apresentei como sendo um estudante disposto a ajuda-lo e todas as minhas suspeitas se confirmaram. Ele era inocente, na verdade um dos homens mortos era seu ex-comparsa, que ele tinha matado para que ele não fizesse mais vítimas, pois seu plano era sair e continuar com aquele massacre. No final a polícia o pegou e ele acabou sendo culpado por todos os crimes do comparsa morto. Como eu iria explicar aquilo a Carly? Talvez fosse melhor até não contar nada a ela e manter essa história escondida, mas no final das contas ela tinha o direito de saber que seu pai era inocente.
Por isso naquele dia eu me decidi e imprimi tudo o que eu tinha pegado e pesquisado. Na bagunça da minha mesa com todas as letras que eu estava escrevendo e os trabalhos passados os papéis acabaram se espalhando e tive que junta-los na pressa.
Meu celular tremeu e vi uma mensagem de Ted: “Minha casa em meia hora, a gente precisa treinar sua nova música (que por sinal eu adorei)”.
Certo, então eu me atrasarei um pouco pro treino, mas se eu não for agora falar com Carly eu simplesmente perco a coragem.
Bato na porta e entro.
– Eu tenho uma coisa pra você – anunciei sem mais delongas.
Ela fechou o livro de literatura inglesa e virou-se pra mim, com uma sobrancelha estendida.
– O que é?
Nossa, essa foi fria. Mesmo assim dei um sorriso.
– Eu tenho uma surpresa pra você e você me trata assim? Poxa...
– Senta aí, eu não fui grossa.
Sentei-me e olhei em seus olhos verdes. Lá estava novamente aquela sensação que eu sentia quando ela me escondia algo e que eu estava tendo fazia algum tempo. Era como se sua boca conseguisse mentir, mas não seus olhos. Resolvi acabar logo com aquilo.
– Você está escondendo alguma coisa de mim.
Ela paralisou, como se tivesse sido descoberta.
– Eu não sei do que você está falando...
Ela olhou para o lado, desviando nossos olhares.
– Carly, pare de fugir de mim – segurei seu rosto, forçando-a a olhar para mim – Eu sei que tem alo acontecendo.
Ela logo começou a chorar. Eu sabia.
– Eu queria ter falado, eu juro, mas eu não tinha coragem de te encher com mais problemas meus...
– Carly, eu sou seu namorado, eu estou aqui pra te ajudar, se você não me contar seus problemas eu não vou adivinhá-los e eu quero estar com você tanto nos momentos bons quanto nos ruins.
– Eu sei, não vou mais esconder nada de você, eu prometo.
– E vai me contar agora?
Então Carly desabafou tudo o que andava acontecendo com ela desde o começo das aulas. Como eu pude ter sido tão estúpido em não ter notado nada daquilo?
– Você vem passando por tudo isso sozinha?
Ela abaixou a cabeça, desviando o olhar novamente.
– Porra Carly, você tem medo de me contar? Eu quero ajudar você, não é isso que eu ando fazendo desde que você fugiu daqueles mafiosos?
– Sim, eu sei. É que eu pensei que já tivesse causado tantos problemas...
– Carly, por favor, nada de segredos.
Ela me olhou e algo em mim pareceu derreter. Algo estralou na minha cabeça e eu tive outra ideia de música. Isso andava acontecendo muito ultimamente.
– Nada de segredos.
Passei a mão em sua bochecha e beijei sua testa, seu nariz, sua bochecha e sua boca, nesse último levei a outra mão para segura-la e ela envolveu meu pescoço. Eu nunca tive nada assim antes, nunca senti nada assim antes. Eu já começava a sentir que eu não era mais o mesmo e isso estava me dando muito medo, eu estou mudando muito de uma hora para outra, é assustador. Mas são momentos como esse que me acalmam e me lembram que estou mudando para melhor.
Paramos de nos beijar e ela encosta sua testa na minha.
– Obrigada.
– Carly, eu... – essas palavras saem em um impulso e quase tenho um ataque cardíaco quando percebo que elas quase saíam. Não, não estou nada pronto para mudar isso também e não vou ser o primeiro a dizer isso, as mulheres dizem antes, é a lei natural das coisas – A minha surpresa, ainda não disse o que é.
– Estou curiosa! – diz ela se ajeitando e sorrindo.
Levanto e tiro os papéis do bolso.
– Eu estava fazendo um relatório para a aula de sociologia sobre o sistema penitenciário de Louisiana e me lembrei de que você uma vez disse que seu pai é um presidiário.
Ela fica séria. Oh-oh, talvez eu tenha errado em dizer, talvez ela não queira saber... não, eu já comecei e vou terminar.
– Calma – falei pegando sua mão – Eu pesquisei um pouco, peguei alguns documentos online, tio Google me ajudou e eu o achei.
– Você o quê?
– Eu achei seu pai, ele está a apenas alguns quilômetros daqui, está preso e sob julgamento há mais de treze anos – peguei os arquivos, abri na primeira página e a entreguei. Ela segurou e sorriu, me dando a certeza de que estava no caminho certo – Carly eu peguei os boletins de ocorrência de seu pai e são todos de pequenos furtos, tirando uma escapada da prisão domiciliar há seis anos, mas logo foi pego e levado á uma prisão de verdade.
– Sim, eu lembro. Ele fugiu para me ver.
Sorri, isso não estava no relatório, mas era realmente tocante.
– Você se parece um pouco com ele.
– Quando ele sai da prisão? – perguntou ela feliz.
Oh, nossa. Certo, a verdade.
– Não sai. O caso dele ainda está sendo julgado, próxima semana sai o veredicto.
– São só furtos, certo? Ele fica só alguns anos preso, certo?
– Carly ele está sendo julgado de matar e estuprar dez mulheres.
– O que?
– Isso poderia dar a ele pena de morte, mas a decisão do júri só sai próxima semana, com o veredicto final.
Ok, Victor, agora a parte em que ele é inocente.
– Existem provas de que ele fez isso?
– Os registros mostram que ele trabalhava com outro cara, mas ele conseguiu fugir no ultimo roubo dos dois, nesse duas mulheres foram estupradas e mortas e cinco homens foram mortos, de acordo com os registros.
– Existem evidências de que foi meu pai?
Passei a mão no cabelo, essa conversa está bem tensa.
– Eles fecharam uma loja de conveniência e fizeram sete reféns, mataram todos. As únicas pessoas que saíram ilesas para contar história são seu pai e o comparsa que fugiu. Além disso, a loja não tinha câmera de segurança, todo dinheiro e tudo de valor das vítimas sumiu, isso é latrocínio. Existem evidências claras de que ele estava lá, que saíram balas da arma que seu pai carregava e ele é o único vivo e acessível para contar a história.
– O que isso significa?
– Ele provavelmente será condenado.
– Pena de morte?
– Pode ser pena de morte, pode ser prisão perpétua, depende do júri.
– Perpétua... – ela sussurrou, tenho certeza de que tinha esperanças de que ele pudesse sair e ficar com ela.
Segurei suas mãos e olhei-a.
– O que você acha de irmos visita-lo amanhã?
– Sim, eu quero.
– É domingo, então provavelmente tem visitas.
Ela sorriu.
– Obrigada, Victor.
Ela me abraçou como ninguém nunca o fez, forte o suficiente para ficar quase desconfortável. Sim, eu fiz a coisa certa.
Ela me deu um selinho e sorriu.
– Obrigada, minha luz.
Sorri, se ela soubesse que quem estava iluminando alguém aqui era ela...
– Eu estou começando a acreditar que na verdade minha luz é você.
Ela riu.
– Não vou mudar de ideia.
– Desde que você veio pra cá escrevi três músicas, acho que você é minha musa inspiradora.
– Epa, você nunca me falou dessas músicas.
– Talvez algum dia você as veja – falei sorrindo, vamos tocar na competição para a qual estamos treinando e aí ela vai ver como me inspirou – Tenho que ir, Ted chamou para treinarmos na casa dele. Vamos participar de um show num bar daqui a alguns meses e vai ter um caça-talentos lá.
– Você vai tocar uma das minhas músicas lá?
Sorri, hora de dar uma de enigmático.
– Quem sabe?
Beijei-a e saí, eu estava mais que atrasado para o ensaio e Ted vai me matar, mas valeu a pena.
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