Cheerock

17 Capítulo 16


Notas iniciais
Meus Ghosts!!! Antes de tudo eu sinto muito pelo atraso! Mesmo assim, aqui mais um capítulo para vocês, e para quem fez ENEM, foram bem?? enjoy!

Victor

A mensagem dizia para me encontrar com ela no camarim dos atores em cinco minutos.

– Senhor Simons, se o celular é mais interessante do que minha aula talvez você queira fazer uma redação de duas mil palavras sobre a inutilidade dos smartphones – disse o professor de filosofia.

– Duas mil? – perguntei incrédulo.

– Pra amanhã.

– Amanhã??

– Valendo vinte e cinco por cento da sua nota.

Eu tive que escancarar minha boca. Duas mil palavras sobre a inutilidade do smartphone pra amanhã. Puta que pariu.

– Como eu estava dizendo...

“Não posso, o professor está de TPM” mandei rápido e guardei o celular.

Estava sendo basicamente assim por tempo integral: na frente de todo mundo um odiava o outro e entre quatro paredes éramos namorados. Eu até cheguei a pensar que talvez isso fosse só um fica ou algo assim, mas a coisa estava ficando séria. Carly e eu estamos a quatro meses juntos e até onde eu sei ninguém sabe.

Tudo bem, eu concordei com isso desde o começo, só que eu nunca pensei que essa situação fosse me deixar tão desconfortável. É como se estivéssemos fazendo algo errado, não parece ser, mas quando alguém faz algo escondido é por que está errado. Não me entenda mal, eu adoro estar com a Carly e beijá-la é muito bom, mas eu simplesmente não entendo por que ela não pode simplesmente parar de esconder a verdade das pessoas. Eu não sou nenhum hipócrita de sair por aí dizendo que é errado esconder coisas das pessoas por que eu também escondo, mas... ah, sei lá. Só sei que eu não quero continuar escondendo isso de todo mundo e pronto.

O sinal toca e eu estou quase saindo quando o professor de filosofia me segura na porta.

– Na minha mesa amanhã até as dez da manhã.

– Positivo.

Ele finalmente me solta e eu fico livre para andar.

– O que foi aquilo? – perguntou Ted.

– Alguém me mandou uma mensagem no meio da aula de filosofia e o professor viu.

– Caralho! E aí?

– E aí que tenho que entregar uma redação com duas mil palavras sobre a inutilidade dos smartphones até amanhã de manhã valendo vinte e cinco por cento da nota.

– Porra... Era pelo menos uma mensagem de se valer a pena?

Sorri impulsivamente. Claro que valia a pena.

– Não, foi a operadora mandando promoção.

Ted me lançou um olhar torto. Talvez ele me conhecesse melhor do que eu acredito que conheça.

– Malditas operadoras.

– Sim – falei olhando para baixo com culpa de ter mentido para meu melhor amigo.

Meu celular vibrou no bolso. Institivamente minhas mãos começaram a coçar para ver o que era, mas eu tinha quase certeza que era a Carly e na frente do Ted eu não podia olhar.

–Já sabe com quem você vai no baile de formatura?

Com certeza eu sei com quem eu quero ir, mas ela com certeza não vai comigo.

– Não faço ideia, e você?

Ted olhou para Andy, a sua ex-namorada que o trocou pelo ex da Carly, Taylor.

– Tenho uma ideia...

– De jeito nenhum, você não pode ir com a Andy! Ela é uma puta! Te trocou por um jogador de futebol americano malhado.

– Vou falar com ela, não me espere.

– Espera, Ted. Não vai, ei!!

Ele já estava lá e Andy já estava falando com ele. Esse desespero me dá nojo.

Peguei meu almoço e sentei em uma mesa qualquer. Logan tinha faltado então provavelmente eu iria almoçar sozinho.

Olhei a tela do celular.

“Sala de computação, nada de menstruações”.

Haha. Mal sabe ela que eu estava falando sério.

Olhei meu prato e o celular. Se eu comesse não daria tempo de ver a Carly, mas se eu visse a Carly não daria tempo para comer. Que dúvida cruel.

No final das contas lá estava eu na porta da sala de computação. Respirei fundo e abri.

E cinco líderes de torcida me encararam. Carly estava no meio delas, é claro. Parecia ligeiramente assustada e desconcertada, mas sua expressão me dizia claramente que ela não queria que eu dissesse que ela estava me esperando aqui.

Então fiz a melhor cara de nojo que consegui.

– Não posso mais ter paz nem na hora do almoço e vocês me perseguem?

– Alto lá, Simons – disse uma das putas de torcida – Estávamos aqui antes.

– E o que um bando de putas de torcida fazem na sala de computação?

– Por que não pergunta para a Carly?

Todas olharam para ela e percebi que eu tinha que agir.

– Ah, foda-se eu não quero saber.

Saindo de lá eu até tentei comer alguma coisa, mas o sinal tocou antes que eu tivesse chance de triscar na comida.

Lá pelas duas da tarde a visão começou a ficar embaçada e o estômago embrulhado, então pedi para ir à enfermaria.

– Victor, você de novo – disse a enfermeira.

– Eu tenho um fetiche por agulhas e remédios.

Ela riu e me sentou em uma cadeira no meio da sala.

– O que você está sentindo?

– Tontura, visão embaçada, dificuldade pra respirar... acho que é o veneno que colocam na comida daqui.

– Ou a falta dela.

Fui pego.

– Não tive tempo de comer hoje.

– Para o refeitório mocinho.

Ela me deu um passe e cinco dólares para comprar alguma coisa.

Quando o sanduíche estava a dois centímetros da minha boca senti o celular vibrar novamente.

Olhei a tela.

“Camarim. Agora”.

Isso estava ficando, no mínimo, exaustivo.

Comi logo a porra do sanduíche e fui ao camarim do teatro.

Abri a porta e lá estava ela. Finalmente. E sozinha.

– Até que em fim, onde você estava?

Só morrendo de fome ali, desculpa pela demora.

– Na aula, estamos numa espécie de colégio aqui... eu acho.

Ela olhou o relógio.

– Não temos tempo pra isso.

Então ela agarrou meu pescoço e colou sua boca na minha. Por algum motivo sempre que isso acontecia eu esquecia de tudo ao meu redor. Jared Letto podia estar ali, na minha frente, querendo me conhecer e eu nem ligaria. Talvez, se ele estivesse ali eu até a beijaria de olhos abertos pra ter certeza de que não era uma miragem, mas não pararia de beijá-la.

Então eu me lembrei que tinha algo a falar com ela ali.

– Carly.

– Oi.

– Eu não posso continuar com isso.

Ela se afastou.

– Como assim?

– Eu me sinto mal mentindo pra todo mundo, faz dias que eu não almoço direito na escola, meus amigos estão desconfiados e os professores estão notando que minhas saídas são frequentes e não me dão mais presença.

– Eles não podem fazer isso, você está indo para as aulas!

– É, mas não assisto nem metade da aula!

Ela olhou para o chão.

– Você não acha que está na hora de falar pra todo mundo?

– Mas Victor, somos eternos inimigos! Todo mundo sabe disso!

– Carly eu não sou o novo Romeu e você não é Julieta! Até por que aqueles dois são o casal mais burro da face da terra.

– Romântico.

– Ah qual é Carly, você se mata sem ter certeza que o outro está morto? Se quer se matar faz direito, mas não põe a culpa no seu namorado!

– Eles estavam apaixonados demais para esses meros detalhes...

– Estamos perdendo o foco aqui... Carly, eu sei que todo mundo diz que um namoro escondido é mais legal, mas eu não estou me sentindo particularmente excitado com essa correria, nem ansioso pelas broncas da minha mãe quando eu for reprovado por falta de presença. E muito menos pelos deboches do Hugo.

Ela suspirou.

– Tudo bem, vamos parar a correria. Mas eu não posso falar pra todo mundo ainda, eu não estou pronta.

– Carly...

Ela pulou em meu pescoço e me deu um beijo. Antes que eu pudesse me recompor ela já tinha ido embora.

E eu fiquei no camarim tentando achar linguiça suficiente para encher num relatório sobra a inutilidade dos smartphones.

Carly

Mandei a mensagem com pressa. Considerando que ele demore exatos cinco minutos para chegar aqui, teremos quinze minutos para aproveitar e depois voltar para a sala. Milimetricamente calculado e perfeito.

Respirei fundo e esperei, mas ele estava demorando e eu estava me comendo de ansiedade.

Meu celular vibra e eu quase me mato de susto, mas logo me recupero e olho só para me decepcionar. Ele não vem.

Faz duas semanas que as aulas voltaram e estamos com esse esquema de encontros entre as aulas que é super excitante, mas eu percebi que Victor anda distante, como se aquilo não fosse bom o suficiente para ele. Mas o pior de tudo é que minhas amigas da equipe de líderes de torcida estão notando. Ninguém pode saber que eu estou namorando Victor Simons ou minha reputação vai por água abaixo. Claro que eu não preciso realmente da reputação em si, mas ela é importante para mascarar que está tudo bem.

A verdade é que minha mãe descobriu que estou na casa do Victor e está pronta para colocar Janice na justiça, me humilha durante os treinos e me vigia como águia. Eu me sustento em Victor, ele é o único que realmente me escuta e tem sempre os melhores conselhos para me dar, porém ele não é psíquico e eu simplesmente ainda não tive coragem de dizer a ele tudo o que está acontecendo.

Na hora do almoço mando uma mensagem chamando-o novamente. “Dessa vez eu vou contar”, é o que eu fico me dizendo o tempo todo, mas eu sei que no final das contas não vou falar nada e acabo beijando-o para controlar minha própria boca. Eu sou um desastre.

Ele começa a demorar e eu fico cada vez mais nervosa, até que finalmente a porta se abre e quatro líderes de torcida entram.

– Porra – sussurro para mim mesma.

– Oi Carly – diz Jess – Que surpresa você por aqui, na sala de computação...

Risinhos.

– O que uma líder de torcida faz sozinha na sala de computação? – diz Alicia.

– Eu estou só pensando comigo mesma. Algum problema?

– Ah não – insiste Jess – Você parece estar esperando alguém...

Risinhos.

– É o Taylor?

– Ou talvez o Igor...

– Eu acho que você está de olho no Lian.

A porta se abre e Victor para estático. Puta merda.

– Não posso mais ter paz nem na hora do almoço e vocês me perseguem? – disse ele fazendo uma cara de nojo extremamente convincente.

– Alto lá, Simons – disse Jess, ela é a única que odiava Victor Simons mais que eu, hoje ela deve ser a número um do clube “Eu Odeio o Victor” – Estávamos aqui antes.

– E o que um bando de putas de torcida fazem na sala de computação?

– Por que não pergunta para a Carly?

Todos os palavrões do mundo não poderiam expressar o que sinto agora. Dei meu olhar suplicante para ele e felizmente Victor entendeu e se esquivou.

– Ah, foda-se eu não quero saber.

E foi embora.

Jess voltou seu olhar de cobra cascavel para mim.

– Será que Carly está de olho no Simons?

Ela pronunciou o nome dele com nojo e senti uma vontade impossível de pular em cima dela e espanca-la até a cara de cobra dela sumir, quem era ela para falar assim do Victor? Ele tem dez mil vezes mais caráter que ela. Mas me controlei e esnobei.

– Você sabe que a única pessoa que odeia mais o Simons do que você sou eu.

Ela riu.

– Estamos na sua cola, Upsent.

Quando elas finalmente saíram, pude respirar e o sinal tocou. De volta para a luta.

No meio da aula de inglês eu simplesmente não aguentei mais.

“Camarim. Agora”.

Eu precisava vê-lo, precisava falar pra ele o que estava acontecendo.

Fiquei andando de um lado para o ouro do camarim até ele chegar. Parecia daquele jeito distante e cansado, mas ainda assim lindo.

– Até que em fim, onde você estava?

– Na aula, estamos numa espécie de colégio aqui... eu acho.

Olhei o relógio e descobri que não conseguiria falar com ele. Antes que as lágrimas começassem a derramar dei logo a primeira desculpa que me veio a cabeça.

– Não temos tempo pra isso.

Agarrei seu pescoço e comecei a beijá-lo. Aquilo era a única coisa que me fazia esquecer meus problemas. Eu não sabia se era algo naqueles olhos azuis ou no modo apaixonado que nos beijávamos, mas nem com meus dois anos de namoro com Taylor eu tive algo tão intenso como tenho com Victor.

Ele parou e encostou a testa na minha. Eu ainda estava de olhos fechados.

– Carly.

– Oi.

– Eu não posso continuar com isso.

Assustei-me. Meu pequeno castelo de cartas não pode se desfazer agora, isso é inadmissível.

– Como assim?

– Eu me sinto mal mentindo pra todo mundo, faz dias que eu não almoço direito na escola, meus amigos estão desconfiados e os professores estão notando que minhas saídas são frequentes e não me dão mais presença.

– Eles não podem fazer isso, você está indo para as aulas!

– É, mas não assisto nem metade da aula!

Olhei para o chão, envergonhada. Era verdade, por isso ele estava tão distante ultimamente. Deviam ter chamado sua atenção várias vezes.

– Você não acha que está na hora de falar pra todo mundo?

Ah não, isso não!

– Mas Victor, somos eternos inimigos! Todo mundo sabe disso!

– Carly eu não sou o novo Romeu e você não é Julieta! Até por que aqueles dois são o casal mais burro da face da terra.

– Romântico.

– Ah qual é Carly, você se mata sem ter certeza que o outro está morto? Se quer se matar faz direito, mas não põe a culpa no seu namorado!

– Eles estavam apaixonados demais para esses meros detalhes...

– Estamos perdendo o foco aqui... – disse ele mexendo as mãos de uma forma engraçada – Carly, eu sei que todo mundo diz que um namoro escondido é mais legal, mas eu não estou me sentindo particularmente excitado com essa correria, nem ansioso pelas broncas da minha mãe quando eu for reprovado por falta de presença. E muito menos pelos deboches do Hugo.

Suspirei. Ele estava certo. Era o momento certo para lhe contar da perseguição das líderes de torcida, o real motivo pelo qual eu não queria publicar nosso relacionamento, mas eu não consegui.

– Tudo bem, vamos parar a correria. Mas eu não posso falar pra todo mundo ainda, eu não estou pronta.

– Carly...

Agarrei seu pescoço e fiz a única coisa que sabia fazer para fazer Victor Simons se calar. Parei o beijo no momento de mais intensidade para que ele ficasse atordoado e fugi. Eu precisava de um momento sozinha com minhas lágrimas. Aliás é só isso que ando fazendo ultimamente: chorar.

Mas isso não importa agora, a partir de hoje terei de aprender a viver sem minhas pequenas doses diárias de Victor. Devo voltar a ser forte novamente, mesmo que isso me custe tudo o que eu conquistei sozinha até agora, por que, afinal de contas, a ordem judicial deve chegar essa semana e eu ainda não tive coragem de dizer nada a ninguém.

Ai eu Deus, eu estou tão fodida...

Notas finais
gostaram dos meus dramas?? kkkkkkk