Cheerios
7 Entre razões e emoções
Notas iniciais
Aqui está o capítulo, cheio de razões e emoções e
Ok, lotado de razões e emoções. Transbordando de razões e emoções. Completamente emo, gay, um delírio gigante da Cheerios. É que eu cansei de fazer a coitada se foder na vida. Quero que ela pense um pouco porque... Porque eu to com preguiça de escrever! Por isso!
Já vou avisando, eu perdi o jeito para escrever comédias e... Ai, isso vai virar um romance meloso e cagado pra caralho porque eu to de TPM e a vida é linda ♥
Cheerios sentou-se na maca do hospital, sentindo sua cabeça rodar. Havia muito tempo que não sentia uma dor de cabeça tão forte, e suas suspeitas eram de que o remédio não fazia mais efeito.
Para sua sorte (ou, talvez, azar), não havia nenhuma criatura mitológica ou fictícia em seu quarto. Tudo estava em seus devidos lugares e com suas cores corretas, sem brilhos extras ou cabeças duplas. Mike também não estava lá, o que fez Cheerios sorrir de alívio. Não estava nas melhores condições, e preferia que seu ex-amigo-agora-futuro-peguete não a visse daquele jeito.
Ela bebeu um pouco do que quer que estivesse dentro do copo verde que encontrou na mesinha ao lado de sua cama e apertou o botão que chamava as enfermeiras. A única coisa que queria fazer no momento era ir para casa e repetir para si mesma "minha vida é uma merda".
- Chamou, senhorita? — uma senhora de cabelos cinzas entrou em seu quarto, sorridente como apenas as enfermeiras conseguiam ser. Isso irritava Cheerios de uma forma que ela jamais conseguiria explicar.
- Não, gata, o botão aqui do lado se apertou sozinho. — sorriu de volta para a mulher, que não pareceu se importar com o sarcásmo. Deveria estar acostumada com isso. — Eu já posso voltar para casa? Não vou suportar outra noite completamente drogada nessa porra desse hospital de merda.
A enfermeira argumentou com Cheerios durante longos cinco minutos, alegando que ela podia não estar pronta para voltar para casa. Afinal, além da fratura, ela também havia intoxicado as vias aéreas com a quantidade de produto de limpeza que usara para limpar o banheiro, e seu estômago — prejudicado pelas longas semanas comendo apenas salgadinhos vencidos e tomando Coca-Cola — também não estava nas melhores condições.
Cheerios falou que jogava merda na cabeça da senhora se ela não saísse do hospital naquele dia, e a enfermeira fez questão de se afastar (por questões de segurança) e ir procurar o médico responsável por Cheerios.
Cerca de uma hora depois, a garota estava novamente em seu confortável apartamento, agora limpo e cheiroso — algo lhe dizia que d. Célia havia passado por ali — e livre de qualquer comida prejudicial a sua saúde. Tantos cuidados fizeram com que o estômago de Cheerios revirasse, mas talvez fosse apenas o excesso de remédios que tomara naquele hospital.
Cheerios não encontrou a empregada em lugar nenhum, o que a fez sorrir de alívio pela segunda vez naquele dia. Ela não queria chegar perto de pessoas. Não queria respirar no mesmo ambiente de pessoas. Tudo o que queria era se sentar no sofá e refletir sobre a merda que sua vida tinha se transformado.
E isso começara havia pouco tempo. Cheerios vinha de uma família rica, e não necessitava de um emprego. Seus pais, mesmo se falíssem, poderiam sustentar ela e as próximas cinco gerações no maior luxo possível. Porém, a garota gostava de se sentir responsável por seu sustento, mesmo que isso fosse uma mentira inegável. Ela gostava de ter sua própria renda para, ao menos, comprar seus salgadinhos e refrigerantes.
Mas depois que fora chutada do emprego — "crise econômica, não posso pagar tantos funcionários" o chefe lhe dissera -, Cheerios viu seu mundo afundar. Continuava sendo maravilhosamente sustentada pelos pais, mas, em contrapartida, perdera o que significava sua independência. Agora dependia de papai e de mamãe até mesmo para comer. Uma adulta não deveria precisar do papai e da mamãe para comer, certo? Uma mulher de 25 anos, bem-resolvida, formada e vacinada sendo sustentada pelos pais?
E, então, a mudança de sua melhor — e única — amiga, Tifanny, para Búzios. Cheerios se sentia tão sozinha que quase podia se abraçar e se dizer "hey, eu estou aqui", se é que isso faz algum sentido. A verdade é que ela queria dizer isso para sua melhor amiga, mas a vadia largara Cheerios para dar o cu (agora com a desculpa de matrimônio) para um cara rico.
E a solidão a matava. A matava e consumia por dentro. Uma moça tão jovem, mas também tão amargurada.
É, Cheerios. A sua vida realmente é uma merda.
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