Checkmate

1 O jogo - Parte I


Notas iniciais
Olá, volto a escrever no nyah depois de muuuito tempo. Espero que gostem.A história foi baseada num post que eu fiz no meu blog, então talvez tenha alguns errinhos, já que lá eu escrevo sem muito cuidado. Acho que tenho jogado escape games demais... E isso está afetando minha criatividade k-k ^^ Boa leitura!

Acordei com a cabeça doendo. Ainda me lembrava de ter estado em casa pela ultima vez com a roupa que ainda estava vestindo, meu moletom vermelho e jeans desbotado. Eu me lembrava de ter posto a roupa, também me lembrava de quando, mas não me lembrava de ter saído de casa.

Parecia que tinha passado muitas horas naquele chão frio. Meu corpo estava gelado e eu estava tremendo, e aquele quarto... Eu nunca o tinha visto antes. Como eu chegara ali?

As quatro paredes eram todas brancas. A luz vinha das lâmpadas duplas do teto, não muito alto, e eram fortíssimas. Perguntei-me como conseguira dormir com tanta claridade. E por que no chão? Havia um sofá a menos de dois metros de onde eu estava. A única janela do local estava fechada e trancada por alguns pedaços de madeira. Levantei-me e andei até a porta logo à frente.

A porta estava lá. Feita de metal, com uma grossa maçaneta, ocupando o centro da parede branca. Tentei abrir, mas não deu. Trancada. E não era possível ver ou escutar o que acontecia do outro lado. Que tipo de brincadeira de merda era aquela? Olhei sobre a mesa procurando uma chave. Olhei ao redor em busca dela. Nada.

Um papel, dobrado no meio estava próximo ao local onde eu estivera dormindo. Desdobrei-o e li. “Você tem quatro horas para escapar. Quando o cronometro marcar essas quatro horas, o quarto se encherá de água. Há uma seringa com veneno escondida em algum lugar. Se não tiver mais tempo... É meu presente para você.”

Então era como um jogo... Um jogo onde eu teria que fugir da morte. Dei uma olhada rápida pelo quarto. Debaixo daquele sofá, nas gavetas da mesa, ou embaixo do tapete deveria ter objetos que me ajudariam a fugir. Senti raiva. De alguma forma, aquilo era um sequestro e algum filho da puta estava brincando comigo.

Minhas pernas doíam. Parecia que não se movimentavam a meses...

Aquilo sobre a mesa... Seria mesmo um computador? Se tivesse em rede...

Liguei-o. Demorou alguns minutos, pois ele era velho. Talvez fosse um Windows 2003 ou algo do gênero. Na tela havia dois ícones, apenas, e um deles era chamado "atalho wifi". Inocentemente, eu cliquei nele. Esperança boba. Um gif animado extremamente tosco saltou-me aos olhos. Um desenho piscava e zombava de mim. As palavras "ha ha" brilhavam ao fundo. Senti-me corroer de tamanha humilhação.

Tentei o outro ícone. Era uma galeria de imagens sem nexo. Que tipo de seqüestrador faria esse tipo de jogo com suas vitimas? Seria divertido me ver morrer assim? Não seria mais fácil me matar com um tiro, ou algo assim?

Dei-me conta de que o cheiro ruim que sentia era meu. Talvez eu conseguisse sair dali... Mas... Talvez fosse apenas uma piada, e escapar fosse impossível. A goteira no teto pingava no chão liso e frio. Se eu precisasse daquela água, eu deveria armazená-la em algum lugar. Peguei uma bacia de plástico que estava dentro de um armário de aço, provável armário de limpeza, uma vez que ali estavam cabos de vassoura, desinfetantes e panos, e coloquei embaixo dela. Estava furado. Se eu conseguisse fita isolante...

Abri as duas gavetas superiores da escrivaninha. As outras estavam trancadas, e, apenas em uma delas, havia um pedaço de papel em branco. As minhas pernas doíam tanto que cai. Sorte. No chão, ao olhar para cima, pude ver nitidamente uma chave pequenininha e dourada colada debaixo da gaveta. Com um pouco de esforço, lancei-me sobre a porta e tentei desesperadamente abri-la, mas tudo o que consegui foi quebrar a chave. Pude sentir no peito o som dela se partindo. Aquilo partiu minha esperança também, a alegria em meu rosto se transformou em choro. Bati na porta com raiva. Agora não poderia abrir nenhuma gaveta, aquelas duas partes de chave eram inúteis. Deixei-as no chão.

Precisava me acalmar e pensar um pouco. Estava subestimando a inteligência de meu sequestrador. Basicamente, tudo o que parecesse fácil, não seria; se eu entendesse algo, deveria pensar novamente. Pois estaria errado. Por que minha cabeça doía tanto? Deitei no sofá. Aquele estofado imundo parecia tão macio. Ah! Eu talvez pudesse concertar a chave...

Cuidadosamente, descolei o pedaço de Durex que prendera a chave sob a gaveta e juntei as duas partes quebradas. Não ficou bom. A cola já estava acabando. Usá-lo na chave valeria mais a pena do que para concertar a bacia. Em volta, haviam quatro gavetas fechadas, duas caixas e a porta. A chave não abriria nenhuma das duas outras gavetas da escrivaninha, e a porta eu já confirmara que não abria... As caixas requeriam senhas ou códigos especiais. Senti um no na garganta ao imaginar como faria para encontrar aqueles códigos.

Restavam então, tentar duas das gavetas do armário de limpeza ao lado da janela. Abri as portas mais uma vez e então, o armário inteiro despencou sobre mim. Com o susto e com a fraqueza de minhas pernas, cai novamente e bati no vaso da planta que estava atrás de mim. Este estilhaçou sobre minha cabeça com o impacto e então, eu apaguei.

Quando recuperei a consciência, o relógio me disse que restavam apenas três horas. O sangue escorria das minhas mãos e costas. Os estilhaços do vaso me cortaram, o armário batera em meus dedos de tal forma, que minhas unhas escureceram. Agora, só conseguia move-los sutilmente, estavam inchados. Minhas pernas doíam ainda mais e meu rosto estava imundo de terra. Por alguma razão, o que mais me irritou foi ver a planta de plástico, falsa.

Seja lá quem me colocara ali, deveria estar me assistindo naquele momento. Deveria estar rindo. Minha visão estava fora de foco, mas olhei ao redor a procura de alguma câmera ou dispositivo de som. Mas não havia nenhum... Talvez estivessem me vigiando pelo computador...

Com dificuldade, tirei o armário de cima de mim e finalmente, consegui suspirar aliviada. O peso me impedia de respirar. Tudo o que estivera dentro dele caiu para fora, menos as malditas gavetas que continuavam trancadas ali. Examinei bem o entorno do armário, a parede a qual ele estivera e conclui, após nada encontrar, que poderia colocá-lo de volta em seu lugar. Com um pouco de esforço, eu conseguiria levantá-lo. O problema era me levantar.

Peguei duas das vassouras e fiz delas muletas. Eram um pouco mais altas do que meus braços, dando uma sensação desconfortável, mas aquele era o único modo de me colocar em pé. Consegui arrastar o armário ate o canto e colocá-lo de pé. Com a chave, pude abrir ambas as gavetas. Em uma delas, não tinha nada, na outra, a tão esperada fita isolante. Eu tinha acertado. Estavam realmente esperando que eu concertasse a bacia.

Molhei um pano na poça de água que se formara no chão e esfreguei em meus ferimentos. Peguei outro, seco e amarrei sobre o pior deles. O pano estava mais sujo do que a mistura de sangue, pó e terra velha que estava minha pele. Ardeu. Senti meu rosto se contorcer. Pelo menos eu não senti quando me cortei. Teria doido mais. Passei um pouco da água em meu rosto. Concertei a bacia e coloquei-a sob a goteira. Em breve teria água.

Minha busca por objetos começara. Tentar fazer algo era melhor do que esperar pela morte. Por que eu não conseguia pensar se estava com medo ou não? Acho que a ficha ainda não tinha caído.

Removi o quadro que estava pendurado um pouco acima do sofá. Sempre tivera adoração pela Pop Art... Naquele momento, algumas lembranças do mundo fora dali surgiram muito brevemente e se foram tão rápido como chegaram. Cada vez mais, parecia que tudo o que eu conhecia se resumia a aquele quarto, e eu tinha uma necessidade, um instinto que dizia que eu precisava sair dali.

Sacudi o quadro com a esperança de que dele saísse algo. Revistei-o. Mas nele só tinha uma loira bonita, segurando um telefone, parecendo triste. Havia um espaço branco com números escritos em seu interior na parede, antes escondido. Entendi algo, imediatamente.

Levei a lâmpada do abajur da escrivaninha, ainda acesa, debaixo da tela. Eu previ bem, algo apareceu. Ali estava uma seqüência de números. Vários retângulos, um menor do que o outro, em linha reta, enumerados. 5, 2, 3, 7, 4, 1, 6. Parecia que a luz revelara alguma sombra, mas seja lá o que fossem os retângulos, eu não encontrava suas formas reais em lugar nenhum.

Mesmo com o tic-tac do relógio e as pistas incompletas que eu encontrara, eu estava tentando me incentivar o tempo inteiro. Eu era inteligente... Eu conseguiria sair dessa... Mas meu tempo era realmente curto.

Notas finais
Até a próxima! Deixe comentários :D