Checkmate
5 Um Problema Inesperado
Jonh acordou arrasado, sua cabeça doía, ele não se lembrava de nada antes de apagar. Estava no laboratório de química, caído perto dos frascos vazios. Aquele lugar estava bagunçado. O garoto foi lavar seu rosto na pia, pelo reflexo da água, ele viu que estava pior de que pensava, seus olhos azuis escuros estavam mais densos e com olheiras, seu cabelo castanho escuro estava mais bagunçado que o normal.
Ele ainda tentava saber o que aconteceu, mas não se recordava de nada. Ele resolveu sair da sala, assim que colocou seus pés para fora da sala, viu uma loira de olhos cinzentos morta junto com um ruiva de olhos azuis intensos, parecia um homicídio duplo. E ainda mais a frente, viu uma pilha de corpos carbonizados. Assustado, caiu, não sabia o que tinha acontecido e todos essas pessoas mortas, ele sobrevivera a um massacre? Se sim, porque ele só teria um galo na parte de trás de sua cabeça?
Desesperado ele gritou:
– Alguém? Alguma coisa? O que está havendo aqui?
Provavelmente ele gritou alto demais, pois um garoto com um machado começou a persegui-lo, provavelmente ele não queria conversar.
Depois de algum tempo ele conseguiu despistar o maníaco. Quando conseguiu descansar, ele viu que suas roupas não estavam adequadas, pois tinha um rasgo enorme no meio do blazer de colegial dele e suas calças estavam agora na altura do joelho. Hora de tomar banho, foi até os armários do ginásio, e ligou a ducha. Quando foi a ultima vez que tomara banho? A três dias atrás, presumiu, seu cabelo nunca estivera tão sujo.
Depois do banho, ele procurou roupas, até que achou um armário que não estivesse com cheiro de suor e carne podre, e vestiu as roupas de lá. Estava pronto, sua (não tão) nova calça jeans um pouco surrada serviu perfeitamente, junto com uma blusa preta com mangas.
Só havia um problema agora, a fome estava de matar, se estivesse desmaiado, simplesmente seria por causa do seu estômago. Ele pegou o rumo ao refeitório do colégio, ele andava tranquilamente, mas os cadáveres eram de traumatizar qualquer um.
Tudo aquilo havia assustando-o, mas uma coisa aconteceu que o desesperou, um barulho de sussurros vinha da sala do 2º ano. "Ótimo, mais loucos armados" ele pensou, mas sua curiosidade não se conteve. Assim que abriu a porta da sala, dois jovens estavam dormindo em cima de mochilas, com certeza era um casal.
Eles eram tão serenos que faziam que aqueles maníacos virarem coelhinhos. Ele examinou os dois, estavam vivos. Sua atenção era chamada para a garota, seus cabelos negros cintilavam na luz do sol, suas roupas estavam desgastadas como a dele, sua saia estava quase indecente. De repente o garoto ameaçou acordar, mas não conseguiu.
– Jonh... — Disse a garota já abrindo os olhos — Jonh! Você está bem! Graças a Deus eu te encontrei! — Ela pulou do monte de travesseiros.
O garoto que estava do lado dela acordou aos pulos:
– Ai, o que eu perdi? Quem é esse?
– Jonh, você não ficou bravo porque eu estava... bem...- Gaguejou ela, vermelha.
– Bravo? Você me conhece? Olha... Desculpe se eu atrapalhei vocês, eu só estava procurando o refeitório, eu realmente lamento — Desculpou-se
– Jonh... O que aconteceu? Sou eu Katie! Não se lembra de mim? — Perguntou ela preocupada — Sou eu, sua namorada...
– Minha o quê?- No mesmo segundo ela se jogou em cima dele e o beijou.
Ele não foi muito gentil, pois se separou dela e disse:
– O que pensa que está fazendo? Está ficando maluca? E você... — Jonh apontou para o garoto — é o namorado dela, não é? O que pensa que está fazendo sentado aí sem fazer nada? Manda essa garota me largar!
– Desculpe, mas estou tentando entender o que está acontecendo aqui! — Respondeu o garoto, irritado — E me chame de Nathan, por favor!
Nathan se levantou, pegou o braço de Katie e puxou, separando-a de Jonh.
– Estou indo embora, pombinhos! se estiverem atrás de mim, estarei no refeitório, estou morrendo de fome! — disse Jonh
– Espere! Iremos com você! — Disse Nathan correndo até ele.
Os três saíram da sala, deixando a sala totalmente vazia e sem vida.
***
Kai estava exausto, Alexy e Fredy haviam adormecido a algum tempo, já que haviam buscado por uma sala vazia a noite toda e ele prometeu ficar de vigia no primeiro turno. Não conseguiu, pois começou a dormir encostando a cabeça no colo de Alexy.
O rapaz teve um sonho bastante estranho, tudo começou em sua casa, uma grande e luxuosa mansão situada na parte rica de Nova York, com jardins imensos, carros caros, vários criados e os seguranças. Ele saiu de um ônibus escolar, foi até o porteiro e disse:
– Sou eu Frank, Kai Chase, deixe-me entrar!
– Sim patrão. — Disse o empregado, apertando um botão e fazendo um enorme portão pesado e dourado se abrir.
Logo ele entrou em casa, sendo recebido por uma mulher bonita, loira de olhos castanhos reluzentes, ela estava descendo das escadarias lentamente.
– Kai Chase, meu amado filho, por que veio tão cedo da escola? — Perguntou a mulher
– Desculpe sra. Chase, mas tenho uma notícia não muito boa para lhe dar...
– Tenho três coisas para lhe falar, primeiro, não me trate formalmente, sou sua mãe! — Ela chegou mais perto do garoto e o encarou, frustrada — Segundo, deixe me adivinhar, foi expulso novamente de uma escola particular, que deprimente! — Ela voltou a sorrir divinamente e continuou com um sorriso — Terceiro, não quero saber de nada, vá para o quarto e se arrume, teremos uma visita especial!
– Que tipo de visita?
– Uma que você é obrigado a receber! Senhorita Vitória está vindo para cá, vai responder o pedido de matrimônio! — Disse sra. Chase com animação.
– Eu já disse que eu não queria me casar, principalmente com aquela garota arrogante!
– Não fale assim de sua noiva! Deve se casar com uma dama, já é uma tradição da família Chase!
– Eu não quero! Por acaso você casou a força? — Perguntou ele o que já sabia.
– Sim! Acha que eu me casei com o seu pai por que eu quis? Fui forçada, só por causa da minha família ignorante precisava de dinheiro! Agora vai se arrumar e seja educado!
– Certo, não discutirei mais! Depois não reclame se eu estiver infeliz! — Gritou Kai se trancando no quarto.
Foi a última coisa que ele se lembra do sonho, pois acordou com um tapa na bochecha. Alexy estava enfurecido, ele não era travesseiro de ninguém.
– O que foi que eu disse, bela adormecida? — Disse ele com a cara vermelha de raiva
– Bem... Desculpa Alexy, eu não...- Tentou falar Kai mas levou outro tapa.
Enquanto eles brigavam, Fredy ria incontrolavelmente, mas ele se lembrou de Sandy e seu sorriso desapareceu como mágica.
– Precisamos achar ela!- disse Fredy passando a mão nos cabelos castanhos
Os dois pararam de brigar e deram atenção a ele:
– Ela? — Perguntou Kai e Alexy ao mesmo tempo e confusos.
– Sim! Sandy, precisamos encontrar-la!
– Ah! Aquela ruivinha, certo? — Interrogou Kai
– Vamos logo, ou as coisas vão piorar para ela! — Alertou Alexy
Kai se levantou, olhou para suas roupas e disse:
– Precisamos se trocar primeiramente.
– Concordo! — Disse Fredy
– Espere, acho que essas roupas estão muito bem em mim! — Protestou Alexy
– Cara, seu blazer está chamuscado, acho que não! — Teimou Kai
Não havia discussão, Alexy iria com eles e pronto, mas ele achou outra saída:
– Vocês não estão com fome? Eu irei até o refeitório buscar comida. Se troquem que eu já venho!
– Espe...- Tentou Kai mas ele já havia ido.
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