Notas iniciais
Introdução ao devaneio de um assassino, contra sua vontade, vemos as escolhas que cada um faz e como se manter com elas, espero que seja do apreço de todos.

Através daqueles óculos de piloto, estava tudo que era possível reparar, seus olhos castanhos já distantes da misericórdia. O restante de seu rosto estava escondido sobre uma meia mascara de gás, e coberto pelo capuz da jaqueta, essa que estava fechada, e era pintada com largas linhas horizontais em preto e branco. Sua jeans rasgada no joelho deixava perceber alguns machucados e cicatrizes. O tênis de cano alto estava com um emaranhado dos cadarços perto da metade da canela, e já desgastado estava com algumas manchas de sangue seco. As luvas de couro que ele usava e chegavam até a metade do antebraço, estavam segurando a foice. O opaco luar parecia escondê-lo do mundo mais uma vez, para que seguisse sua tarefa solitária. Ele só estava aguardando por um contato que lhe daria as informações de sua próxima vítima.

- Grim, bela noite não. – um senhor, com um sobretudo cumprimentava o criminoso a sua espera.

- Cale-se maldito. Sabe que só faço o que é preciso. Odeio ter que fazer o que faço.

- Pirralho insolente. Mostre um pouco de respeito aos mais velhos.

- Oh, me desculpe. Quer também uns biscoitos e uma xicara de chá? Só cala essa boca escrota e me dê o envelope do meu próximo alvo.

- Seu vermezinho mimado. Se não fosse preciso das suas artimanhas para eliminar cada um desses lixos, eu mesmo me encarregaria de acabar com você. Sorte a sua que é o protegido da chefia por ter um talento tão... Conveniente.

- Não me diga que descobriu isso sozinho? Sério que foi difícil perceber porque ainda ajudo vocês? Não me venha com essa. Não sou um monstro como você. Tenho meus pecados apenas para garantir outras dadivas.

- Seja como for, eu só vim entregar isso aqui. – ele tira um envelope preto com apenas um lacre a cera vermelha.

Assim que o envelope é entregue ao ceifador o senhor volta por onde veio. O rapaz então some, como se nunca estivesse ali. O único vestígio desse encontro, é a conversa guardada na memória. E assim geralmente são feitas as encomendas de morte, para não deixarem rastros. Esse jovem se tornara uma lenda. Sempre aparecia quando o silêncio reinava, realizava um ato rápido de misericórdia por aqueles que tinha que matar, não por não merecerem a morte, mas por ser ele aquele a ter que entrega-la a eles. E assim que estava feito, ele sumia da mesma forma que aparecera, sem explicações. A única pista que deixava era um recado na parede. Um código de S.O.S feito com o sangue da vítima. E embora ele só abatesse pessoas de grande presença no mundo, seus crimes nunca eram publico de mídias, pelo menos não fora do submundo. Ele era tratado com medo por todo o submundo. Embora rumores sobre ele começassem a ter se espalhado por fora, mas boatos nunca são levados a sério e não mostram se passar de lendas em quase todos os casos.

Dessa vez seu alvo era um funcionário do alto escalão de uma empresa de biotecnologia. A empresa não era conhecida, porem seus funcionários tinham certa capacidade de fazê-la famosa em minutos. Por isso aquele era seu alvo. Alguém que recentemente tinha se envolvido em suspeita de pedofilia e assassinato. Eles não poderiam deixar que um escândalo desses viesse a tona, temendo que a empresa começasse a criar fama, e da pior possível ainda, eles mandaram alguém elimina-lo. Sem pontas soltas. E assim foi feito. Porem dessa vez, o bilhete que deixou foi outro, ou melhor, não foi só esse. Abaixo do comum S.O.S ele ainda escreveu, “Alguém, por favor, me escute.”

Isso abalou outra vez o submundo, pois o comum intrigante agora estava sendo ampliado, ele estava revelando alguma pista da qual muitos poderiam não querer que fosse revelada. Porem nada fariam enquanto tal pista não fosse relevante.

Nada, que fizesse o faria deixar esse mundo, nada se não a morte. E essa era a única coisa que não poderia fazer. Se morresse significaria que seu segredo estaria comprometido. Por esse motivo ele continuava a aceitar fazer todos esses trabalhos. Se fosse por apenas essa razão, ele cometeria todos os pecados do mundo e faria deste inteiro o seu inimigo.

Então depois de mais uma noite tingida de vermelho. Ele se acomoda em casa, após o banho para limpar o seu espirito e reafirmar seus ideais, ele começa uma busca sobre qualquer informação possível desse alvo, assim como fazia com todos os outros. Ele buscava qualquer relação para saber quem o controlava nesse tabuleiro e quais eram as outras peças, pois ele sentia que não era o único a ser usado. Isso o enfurecia, mais do que tudo, ele sabia desde pequeno que o mundo é podre, mas ser mais um a auxiliar a deixa-lo pútrido era um desgosto. Ele só mantinha a calma, pois esperava o momento certo de revidar. Ele então ascende um incenso, e pega um cigarro. Ele raramente fumava, mas ele estava com uma carga de imenso stress e a fumaça o apaziguava. Acabando o terceiro fumo, ele espalha incensos por todo o quarto e cai na cama. Certo que nenhuma decisão ali, estava levando a lugar algum, era melhor se retirar em uma noite de sono. Mesmo com assassinato recente, ele não teria problemas com pesadelos, eles já sumiram junto com os fantasmas que o assombravam no inicio dessa fase em que se encontra.

Estava quase apagando quando o celular toca. Já passava das quatro da madrugada. Quem ligaria a essa hora? Então, opta por atender acreditando na importância da chamada, e a primeira coisa que escuta é uma voz familiar.

- Grim? Quer dizer, é você não é? Você é o Grim.

- Como assim? – estava quase começando a entrar em pânico. Um dos seus segredos, que ele guardava com tanto cuidado, havia sido descoberto.

- Eu não sei, só acho que tem alguma coisa acontecendo. Quando tento falar com você ultimamente não consigo.

- Mas o Grim é só um boato... Como posso ser eu? – estou desesperado, preciso fugir dessa situação.

- Você sabe muito bem que sempre acreditei em boatos. Até me mostrarem que são falsos. Por que esse não poderia ser falso? Pois bem, então prove para mim que é falso.

- Eu... Eu não tenho como.

- Viu. Se não consegue me provar que é falso é porque é Grim.

- Não. Não posso provar aquilo que nem sequer tenho como saber se existe. Quanto mais a saber a identidade dele.

- Não minta para mim, sabemos que mentiras não são aceitáveis na nossa amizade.

- Juro. Não sou quem você pensa que sou.

- Certo...

Desligam a ligação repentinamente. Eu estou sem reação, fui descoberto. Estou exposto sem saber qual contramedida devo tomar. Meu raciocínio não está operando nesse instante. Eu começo a tremer. Levanto-me sem calma. Preciso sair de casa. Preciso pensar. Abro o guarda-roupas para me trocar em apoiado na divisória está uma carta.

“Me desculpe, eu sei de tudo. Vou dar um jeito nisso. Prometo. Apenas confie em mim.”

Bosta. Minha mente finalmente volta a funcionar, e vou olhar no registro de chamadas, tenho que conseguir achar quem me ligou. Assim que faço, decido que teria sido melhor não tê-lo feito. Esperava um numero. Mas o Nome que encontro não me conforta. E agora ao assemelhar a voz, isso parece ainda pior.

Me troco apressadamente. Pego os óculos, pois meio que se tornaram parte de mim. Saio batendo a porta. Por minha causa alguém estava correndo perigo. Alguém que eu queria estar mantendo a segurança. Eu teria que resolver isso. Minha noite ainda não tinha terminado.

Notas finais
Basicamente eu farei como uma amiga, e não irei usar nomes reais, para personagens inspirados, e depois de um tempo lhes direi em quem cada um foi inspirado. Por uma introdução acho que esse serve. Estarei escrevendo mais, espero que apreciem e no próximo já pretendo incluir alguns personagens, acho que cinco ou seis.