Chaves
4 Olhos dourados.
Notas iniciais
Agora que estão armados, não há mais nada que eu possa lhes fazer sem ser explicar toda a situação, sobre o submundo e as chaves que se diziam capazes de mudar todo o mundo. Existia uma lenda antiga encontrada através das eras em civilizações passadas. Basicamente ela dizia o seguinte:
“As chaves se perderam através do tempo. A Grande Torre foi lacrada. Os homens perderam seu direito a comparecer ao paraíso. Para ter tal direito, eles devem reunir novamente as 108 principais chaves. Espalhadas pelo globo estão, e só para os que acharem dignos, elas se revelarão. Um ligamento de alma, inquebrável se torna, entre a chave e o porteiro. Elas foram despostas em grandes, pequenas, cobre, prata, ouro. Aqueles capazes de despertarem do sono profundo se provarão merecedores do cristal, e por intermédio dele, da ascensão para a corte. O profeta destrancara as fechaduras impostas ao caminho que leva ao reino. Perecer ou prosperar, será ele a decidir o caminho dos seus semelhantes. A Chave Mestra os aguarda meus caros procuradores”
– As armas que possuímos são relíquias dessas chaves, modificadas pela corporação. Mas tudo que conseguiram foi realizar modificações na casca delas. As almas continuam intocadas, por eles. Vocês conseguiram alcançar a alma de suas relíquias, mas conseguir tocar ainda não significa o mesmo que acorda-las. Eu mesmo não consegui acordar. E a propósito, a lenda fala sobre 108 principais, mas acreditasse, que o numero total, está em torno de 1 bilhão de chaves.
– 1 BILHÃO!? – Julie estava branca. – É praticamente um sétimo do mundo! Conseguir as chaves deveria ser a coisa mais fácil do mundo.
– Claro que é fácil, geralmente você tem mais de uma consigo e nem nota, por ela estar reclusa em seu casulo. Mas não é esse o problema. Só me diga como acharemos as 108 principais entre elas? Isso é o que me tortura toda noite.
– Bem, se isso é um problema, o fator principal não seria juntar mais chaves quanto possível, juntamente com pessoas de nossa confiança capazes de alcança-las? Porque, veja bem, você reuniu umas 30 aqui, e acho que não foi tão impossível quanto acho que pensa. – Alberto estava calmo diante de tudo isso – Pietro, como acha que poderia levar as coisas desse momento em diante?
– Sinceramente, desde o telefonema da Fran eu não sei mais o que fazer, só estou fazendo o que acho que garantirá a segurança da Sté.
– Você precisa lutar meu amigo, e vamos precisar de uma equipe, a nossa própria equipe contra eles, temos que arrumar um quartel general, um lar para nós, e para aqueles que podem ser nossos próximos companheiros. Muitos tentam nos usar por temerem o que podemos fazer. Pois bem, devemos mostrar que se tentarem nos usar, deveriam temer por suas vidas primeiro.
– Claro, e por acaso tem algum lugar em mente para o nosso QG?
– Na verdade, — Marcelo que se manteve quieto até agora deixava a voz sair – eu acho que conheço o local ideal. Só precisamos chegar a um endereço. Eu levo vocês lá, vamos?
Todos ficamos surpresos, mas aceitamos, afinal, que mal teria em checar a ideia de um amigo. E bem, que surpresa nos aguardava. Estávamos diante de um velho casarão, entre muitos prédios, perto de uma rodovia nos limites da cidade. Era a residência ideal e poderíamos torna-la perfeita. Agora nossa preocupação mudara, e se consistia em duas, conseguir essa casa, e aliados o mais rápido possível.
Mal reparara no quão bom aquilo realmente era, eu estava hipnotizado pela casa e nem me dei conta que eu estava agora longe dali, estava dentro de uma cela com água estando chegando a altura de uns cinco centímetros, com um longo corredor no qual eu não conseguia ver o fim, e atrás de mim, encostado na parede sobre uma cama afixada a própria parede estava um rapaz, em posição fetal, usava uma camisa branca sem uma mancha sequer a sujando, e calça preta de moletom mais compridas que suas pernas, os pés estavam calçados apenas por meias cinzas. Seu cabelo era de um loiro muito claro que por um segundo acreditei que era branco. A pele igualmente clara demonstrava qual albino era. Ele estava com os olhos fechados, parecia dormir de forma tão pura naquele lugar. Mas como isso era possível eu não fazia a menor ideia. As perguntas surgiram na minha mente. Onde eu estava? Como chegara ali? Quem era esse rapaz? O que estava se passando aqui? Eu estava aturdido. Então ele pareceu levantar a cabeça em minha direção e seu rosto era angulado e belo, chegava a ser surreal tal beleza, a ponto que até mesmo eu me senti enfeitiçado por ela, mas não me impediu de sentir medo, muito pelo contrario, isso me deixou mais apavorado. Nisso eu comecei a recuar, totalmente amedrontado. Minhas pernas fraquejaram e eu caio, me sentado no chão encoberto por água. Uma lagrima pareceu escorrer dos seus olhos. A água do chão começa a se agitar quando as gotas das lagrimas dele as encontram, e eu escuto as suas frases, mesmo que ele não tenha aberto a boca.
“Por que não me escuta? Por que não me aceita? Por que continua fugindo de mim?”
– Quem é você?
“Você não me reconhece mesmo Pietro?”
– Como você faz isso?
“Você sabe a resposta, só não acredita na possibilidade e não quer aceita-la.”
– E como eu poderia? Eu... Eu estou confuso, não sei nem se o que faço é certo.
“E o que não é certo?”
– Eu não sei, como distinguir o certo do errado?
“O que você acredita que seja certo?”
– Eu não sei, eu só quero proteger aqueles que são queridos por mim.
“E por que isso não seria certo?”
– Eu já falei, eu não sei...
“Você deveria acreditar mais em si mesmo, e tomar as decisões que acredita estarem corretas. Finalmente pude ter uma conversa com você após tanto tempo. Sinto que o meu repouso está enfim terminando.”
– Mas... Quem é você?
“Eu?” ele abriu os olhos e eu pude ver grandes íris brilhando naquele dourado “Eu sou Grim!”
Assim que ouço isso a superfície de água explode e eu volto a encarar a casa. Começara a chover, e os outros estavam abrigados dentro do carro apenas me observando. Então me viro para eles
– Quanto tempo?
– O que? – me indagou Stella.
– Eu fiquei parado... Por quanto tempo estou parado aqui.
– Pelo menos meia hora, você entrou em transe. Tentamos te chamar, e não obtivemos resposta, quando chegamos perto para tentar te trazer para a realidade a sua foice apareceu, estava com vida própria, não conseguimos fazer nada. Então, começou a chover e nós entramos no carro e ficamos a sua espera.
– Eu acho que... Que consegui acordar ela. Acho que consegui despertar a alma de Grim.
– Mas eu pensei que você fosse Grim.
– É... Eu também pensava isso, mas acho que o nome surgiu depois que eu tive meu contato com ela.
– Ela? Grim é uma garota? Você está dizendo para sua namorada que estava em um transe mental com uma garota?
– Não! Não, não mesmo, Grim, é a chave que eu possuo, a foice. Mas definitivamente não é uma garota.
– Pera, — disse Fran interrompendo, e obrigado por ter feito isso, eu não queria uma discussão por causa da alma de uma relíquia – você está dizendo que é o primeiro a acordar uma relíquia, em quanto tempo mesmo?
– Bem, não se tem relatos da ultima vez que elas foram acordadas.
– Então você é praticamente o mais incrível portador que apareceu em quanto tempo?
– Acho que desde que as chaves foram perdidas.
– Ok, Pi, entra no carro. Vamos sair daqui tem muita coisa a ser feita e olha, eu quero escutar uma boa explicação disso, pode ser que você seja o “profeta”.
– Profeta ou não, eu ainda quero uma boa explicação disso – Stella parecia realmente zangada comigo.
– Certo, vamos pra onde agora? – eu e minha maldita boca que não sabe a forma correta de se expressar.
– Minha vez de escolher. – respondeu Julie que estava ocupando o banco do carona.
Bem, não tive muito o que fazer, me espremi no banco de trás, ao lado de Stella, e seguimos rumo a nossa próxima parada, onde eu teria algumas explicações para fazer.
Fale com o autor