Chasing the Wonderland.
2 The Blue Caterpillar
— Como assim? — Perguntou Alice, incrédula.
— Ah, entendi! Haha! Muito engraçado, mas eu não vou cair na pegadinha de vocês! Pode ir me dizendo qual é o segredinhos de vocês! — Disse Alice para sua mãe e namorado.
Ohannah fechou os olhos e tentou imaginar uma maneira mais correta de explicar o que estava acontecendo. Por fim, desistiu.
Disse:
— Não é uma brincadeira. Eu estou falando sério! Mas eu não sei como te explicar isso, ainda é confuso até para mim. Vamos pedir para que sua prima te explique.
— Quem? A Bruna? — Alice ainda achava que tudo não passava de uma brincadeira, mesmo vendo o tom sério de sua mãe.
— Sim, ela mesma. Vamos para o carro, eu vou dirigir até a casa dela. — Respondeu Ohannah.
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Então os três foram para casa de Bruna, a prima de Ohannah e prima de segundo grau de Alice.
No caminho, Alice estava percebendo todo clima de seriedade, e estava realmente em duvida se tudo aquilo era brincadeira ou um assunto sério.
Stuart estava sem ação. Ele era um garoto tímido. A única vez que tomara coragem para algo foi quando pediu uma linda garota loira em namoro, Alice.
Ohannah dirigia atenciosamente.
Chegaram.
A casa era velha, cheia de plantas em todos os cantos. Não tinha muros, apenas uma cerca de madeira a qual qualquer um poderia pular. No quintal havia várias engenhocas e quadros velhos que serviam de cama para os quatro cachorros que ali habitavam.
Ohannah parou em frente à cerca, e então deu um grito um tanto quanto peculiar:
— É A YOLANDA!!!!
Stuart estranhou, olhou para Alice em busca de uma explicação, e a mesma deu os ombros e disse:
— Sim, minha mãe e prima de segundo graus são estranhas, e ainda mais estranhas quando estão juntas.
Então a porta da casa abriu, e de lá saiu uma senhora de cabelo azul, usando pantufas azuis nos pés e com seu corpo coberto por uma manta azul.
Ela encarou, com os olhos semiabertos, as três figuras paradas em frente à sua casa.
Lentamente fuçou no bolso de sua calça azul e de lá tirou um maço de cigarros. Pegou um cigarro e o acendeu com um isqueiro azul.
Foi andando lentamente para a entrada de sua casa, onde se encontrava o pequeno portão de sua cerca, e mais a frente aqueles três indivíduos.
Bufava as fumaças do cigarro, elas tinham diversas cores; Azul, rosa, amarelo, vermelho, verde...
Uau, fumaças coloridas! — Pensou Stuart.
A senhora finalmente abriu o pequeno portão. E então disse:
— Então chegou a hora, não é? — Retoricamente perguntou.
Ohannah balançou sua cabeça em um sinal positivo.
— Bom, entrem. Não liguem para os cachorros ou os sapos, eles não mordem. — Bruna deu uma risadinha roca.
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Todos entraram na casa, se acomodaram. Por dentro a casa parecia ainda mais velha do que do lado de fora. Nas paredes havia ervas daninhas crescendo, e quase tudo era feito de uma madeira escura e resistente. E também nas paredes havia vários quadros, cujo quais eram usados como decoração, e não cama para cachorros.
Ficaram em silencio por um tempo, mas logo Bruna tomou iniciativa e começou a falar.
— O que você conseguiu explicar, Ohannah?
— Quase nada, para falar a verdade.
Houve uma pausa. Bruna deu um longo trago em seu cigarro e soltou lentamente as fumaças coloridas. Olhou fixamente nos olhos de Alice e perguntou:
— Quem és tu?
Alice por um momento ficou sem resposta. Sua prima sabia quem ela era, elas eram amigas. Por que essa pergunta agora? Pensou que talvez Bruna, mais conhecida pelo bairro como “A Bruxa Azul” tivesse finalmente ficado louca de vez, igual seu irmão.
Mas a garota foi adiante e respondeu:
— Sou a Alice! Você não se lembra de mim?
Bruna deu uma gargalhada alta e rouca.
— É claro que eu me lembro de você, minha pequena! Eu quero saber se você sabe quem você realmente é! Se você entende seus sentimentos, se você compreende suas ações. Acredite em mim, esse conhecimento será o mais importante que você terá que carregar na sua jornada.
— Mas me deixe explicar o que está acontecendo. — Bruna deu uma tragada ainda mais longa que a ultima em seu cigarro, e enquanto a fumaça saia de sua boca e narina ela foi explicando.
— Você, Alice, e apenas você, irá de voltar no tempo um dia antes do seu pai ser assassinado pela Rainha Vermelha. Pois na verdade, você já fez isso antes! Uma versão sua já visitou o passado na época em que eu e sua mãe éramos adolescentes e nos avisou de tudo o que estava para acontecer. Você é um paradoxo, Alice. Você só existe se você voltar no tempo e impedir a morte de seu pai, Gabriel. Do contrário, você vai desaparecer nessa realidade, vai ser como você nunca tivesse existido!
Alice estava muito assustada, muito mesmo. Mesmo aquilo parecendo loucura para ela, no fundo ela sabia que era real. Aqueles sonhos que ela tinha, eles queriam realmente dizer algo!
Alice respirou fundo.
— Supondo que eu acredite na sua história... Como eu vou saber quem é “Rainha Vermelha”? Como eu vou impedir que ela mate meu pai? Aliás, como eu vou voltar no tempo? Isso parece loucura demais para mim! — Relutante, disse Alice.
— Eu não posso te contar como você vai fazer isso. Se eu te contar, eu imediatamente crio mudanças no espaço-tempo, você vai ter que descobrir essas coisas por si mesma. Tudo o que eu posso te contar é como você vai voltar no tempo, o resto é com você.
— Ok, então como eu vou fazer isso?
— Bom, eu e meu irmão, Bruce, estávamos desenvolvendo uma arma biológica capaz de redistribuir as químicas no cérebro humano, tornando capaz de total controle sobre sua mente. E nós conseguimos criar isso! Acontece que só funciona em um certo tipo de pessoa, nós nunca chegamos a descobrir qual eram esses requisitos... Mas deu certo no meu irmão, e ele foi capaz de controlar sua mente num ponto onde ele conseguia manipular o próprio tempo e espaço. O problema é que o efeito só durava alguns minutos. Com o tempo nós aperfeiçoamos nossa invenção, e finalmente conseguimos maestria para manipular o tempo! Inserimos essa química em dois tipos de cogumelo. Um você come para ir ao passado, e outro para ir ao futuro! Infelizmente meu irmão ficou viciado em todo esse poder, o que o levou a loucura. Sim, é por isso que ele está internado em um hospício! E é exatamente para não acabar como ele que você tem que manter forte em sua mente quem você realmente é.
— Uau, isso é realmente pesado! — Alice estava estonteada.
— Ok, eu estou quase acreditando. — Alice deu ênfase na palavra “quase”. — Me de esse cogumelo então, para que eu possa ter certeza.
Bruna olhou para Ohannah com um pouco de preocupação.
Ohannah disse:
— Seu primo de segundo grau, Bruce, que tem a posse desses cogumelos. Ele nunca parou de mexer com o tempo e espaço, mesmo estando louco. Nós teremos que ir falar com ele...
Stuart olhou com medo para Alice. Visitar um louco que supostamente controla o espaço-tempo não parece uma coisa muito divertida de se fazer.
Alice se mostrou determinada. Levantou da cadeira a qual estava sentada e disse:
— O que estamos esperando?
Logo todos se levantaram e saíram da casa. Na verdade, todos menos Bruna. Ela ficou na porta.
Alice voltou e perguntou para Bruna se ela não iria vir.
— Não. Não é a hora certa para eu ver meu irmão. Mas eu tenho certeza que ele vai te ajudar. Apenas não deixe a loucura dele te contaminar. — Bruna sorriu e acendeu outro cigarro.
Alice balançou a cabeça positivamente e deu as costas. Mas antes que pudesse dar um passo, Bruna pôs a mão em seu ombro e disse:
— Garota, não deixe que essas coisas mudem sua cabeça. Lembre-se: Quem és tu? — Bruna soltou suavemente aquelas fumaças coloridas no rosto de Alice, deu um sorriso e entrou em sua casa.
Alice sorriu e prosseguiu sua jornada.
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