Chasing Treasures
8 Linha tênue?
Notas iniciais
CAPÍTULO 8 -
A semana de recuperação passou e eu realmente havia melhorado. Não estava a ponto de sair sapateando por aí, mas conseguia andar livremente e respirar não doía.
Miraculosa e pontualmente, Brand apareceu ao fim dos 7 dias, com a expressão mais séria do que o normal e um par de cicatrizes mais profundas. Quando ele abriu a porta eu estava debruçada sobre uma mesa, concentrada em um livro de alquimia que Clare havia me emprestado.
"Esse estágio está errado." Comentei enquanto terminava de fazer um desenho de um círculo de transmutação em uma folha de papel. "Os pontos estão desorganizados, Clare. Por isso que você não obteve o potencial completo."
"Tris? Do que diabos você está falando?!"
Me virei rapidamente — tão rapidamente quanto minhas costelas permitiram — instintivamente inclinando meu corpo para o lado, de modo a encobrir as anotações alquímicas.
"Brandon?!" Perguntei, assustada.
Seus olhos verdes estavam confusos.
"Quem mais?" Ele tirou seu chapéu e jogou-o na cama, revelando uma nova cicatriz em seu couro cabeludo.
"O que diabos você aprontou?" Andei na direção dele, instintivamente erguendo a mão para seu cabelo.
"Preocupada comigo? Quem sabe você pode ser a minha médica..." O sorriso torto já estava em sua boca quando minha mão parou no ar e esbofeteou sua bochecha.
"Não quero um pirata fracote como meu companheiro numa fuga contra a maior pirata dos sete mares, Quaid. Não confunda as coisas." Revirei os olhos e voltei para a mesa, apertando com mais firmeza o laço que prendia minha camisola de lã.
"Esse tempo com a Clare não te fez bem." Ele deu uma risadinha.
Olhei para ele séria.
"Brandon, nós não nos conhecemos. Não assuma que sabe como eu realmente sou."
Aquilo foi necessário. Toda a história de fugir para o mar e me tornar da noite para o dia cúmplice e amiguinha de um completo estranho havia finalmente me inquietado na semana em que eu não fui distraída pelas constantes loucuras de Brandon. Eu tinha um objetivo, escrever meu livro, e sabia que mais cedo ou mais tarde tudo aquilo acabaria. Hoje vejo com clareza de que o fato de eu ser parecida com Anne Hawk foi apenas um facilitador. Brandon precisava de companhia, eu precisava de uma aventura. Eu tinha minhas cartas na manga. Poderia me proteger de Anne Hawk, conhecia pessoas que tornariam isso possível.Mas pela primeira vez em minha medíocre vida eu havia sido realmente pega de surpresa. Carregada por uma maré de eventos não planejados. E aquela sensação de não saber o que estava acontecendo era deliciosamente inquietante.
"Não estou assumindo nada, mas tenho algumas teorias." Ele replicou, igualmente sério. "Sobre quem você realmente é, eu digo."
Dei uma risada sarcástica e murmurei.
"Você não faz ideia."
"Quem sabe se você compartilhasse algumas informações sobre a sua vida?"
"Eu tenho que manter as pessoas interessadas, Quaid." Pisquei para ele. "Você não é o único com mistérios."
Ah, o olhar no rosto dele foi impagável. Sua boca se abriu para falar algo mas se retorceu num sorriso que eu só pude interpretar como um 'Touché'. Eu não era uma garotinha que ficaria por aí fazendo o que o misterioso e bonito pirata esperasse que eu fizesse. Na verdade, seria o exato oposto.
"Você está boa o suficiente para partirmos?" Ele perguntou, recostando-se na parede e examinando um relógio que havia tirado de seu bolso.
"Eu poderia estar pior." Dei de ombros. "Mas acho que precisarei de mais algumas semanas..." Agarrei o lado esquerdo do meu corpo e soltei um gemido alto de dor. Brandon em 4 largos passos estava ao meu lado, uma mão cobrindo a minha enquanto a outra puxava uma cadeira. Você tem certeza? É tão grave assim? Ele perguntou umas três vezes.
Gargalhei e dei um tapa em sua testa.
"Imbecil. Eu estou bem." Arqueei uma sobrancelha e olhei para a sua mão, que ele rapidamente escorregou para o seu bolso.
"Seu senso de humor não me diverte, Collins."
"Mas diverte a mim. E é isso que importa."
* * * * * * * * * * * *
Clare chegou algumas horas depois com uma grande cesta de vime contendo várias ervas. Eu já havia tomado banho e trocado para roupas novas, mais adequadas ao meu novo visual "pirata" (por pura insistência de Clare, que havia insistido que ninguém ia me levar a sério se eu continuasse a me vestir normalmente. Embora eu não veja a diferença que um sobretudo verde e um colete preto por cima de uma camisa de linho branco faça) e Brandon cochilava desajeitadamente, com metade do seu corpo para fora da cama.
"Ele já chegou?!" Clare perguntou, quase derrubando a cesta no chão.
"Não. Esse é o meu fantasma." Brand resmungou. "Buu."
Um bolo compacto de terra explodiu no rosto dele.
"Ingrato."
Coloquei uma das mãos sobre minha boca e ri. Existia alguma coisa entre os dois que era difícil de explicar. Eles funcionavam como duas engrenagens perfeitamente ajustadas, cada uma ajudando a outra a funcionar. Como dois irmãos birrentos que no fundo arriscariam tudo para se ajudar.
Como eu gostaria que estivesse errada sobre a última frase.
Mas não tinha consciência de meu futuro, então me limitei a sorrir e a sentir uma pontada de inveja (não muito grande, pois sempre tive a impressão que um relacionamento familiar nunca aconteceria entre mim e Brandon) dos dois.
Ele levantou-se e limpou a sujeira do rosto, com uma expressão indignada.
"Clare, você manchou a beleza imaculável do irresistível Quaid, como ele irá se admirar no espelho agora?" Falei com sarcasmo.
"Você não parece ter problemas em admirar meu irresistível semblante, Collins." Ele retrucou.
"Imperfeições me fascinam." Dei de ombros.
"É por isso que você não consegue manter suas mãos longe de mim?" Ele se aproximou.
"Não me lembro de uma única vez em que encostei em você sem ser para te bater, Brandon." Sorri com o canto da boca.
"Existe uma tênue linha entre amor e ódio."
"Ainda bem que sou uma ótima equilibrista."
Trocamos olhares desafiadores por alguns segundos até que Clare exclamou:
"Arrumem um quarto! E de preferência não um desta casa."
Desviei o olhar dele e peguei minha bolsa de couro.
"Para onde agora, Capitão?"
Brandon havia colocado seu chapéu e se empertigado, sorrindo aquele sorriso torto característico:
"Para o mar!"
Fale com o autor