Chasing Treasures

4 Bastardo Atrasado


Notas iniciais
Alô meus queridos! Capítulo chegou mais cedo hoje! Espero que gostem!

Após queimar o cartaz de Anne Hawk, Brandon disse que precisava sair para resolver coisas referentes ao navio e que não demoraria muito.

"Bastardo mentiroso." Grunhi enquanto trancava a porta de meu quarto. Desci as escadas correndo e pulei os dois últimos degraus, atravessei o restaurante da hospedaria e desejei um ''boa tarde'' apressado para o taberneiro que estava mais ocupado vendo seu reflexo em uma garrafa de gim.

"Ele acha mesmo que vou ficar esperando? Pirata maldito."

Entendam porquê eu estava xingando o bastardo:

Primeiro: Ele era mesmo um bastardo mentiroso e pirata maldito. Na hora eu falava apenas por falar, mas era verdade.

Segundo: Obviamente o tempo passava de modo diferente na mente conturbada e problemática de Brandon Quaid. Ele havia dito que não ia demorar muito. A menos que eu fosse louca, dois dias se encaixavam perfeitamente em demorar muito.

Aquele era o terceiro dia e eu havia me convencido de que Brandon era apenas um louco alcólatra e que tudo aquilo era culpa da minha mente ingênua que sonhava em ser a protagonista do próprio livro de aventuras.

Até o momento em que eu fui espancada até a morte.

Estava andando pelo cais tentando achar algum lampejo de inspiração (havia desistido de encontrar Quaid e tinha retornado ao meu objetivo inicial de começar meu livro) quando avistei dois Âncoras armados com pistolas vindo em minha direção.

Não sei o que deu em mim, mas naquele dia eu estava especialmente retardada, e simplesmente continuei a andar.Passei entre os dois soldados certa de que Anne Hawk era apenas uma ladra sem grande importância e que não iam me reconhecer.

Já mencionei que eu estava retardada naquele dia?

Não houveram encenações, floreios, palavras polidas. Prenderam meus braços atrás de meu corpo e me pressionaram contra um poste de madeira.

"Vasculhe os bolsos dela. Tire tudo dela, Hawk já matou homens usando apenas uma caneta."

"É assim que vocês tratam uma dama? Serei forçada a escrever uma carta para o comandante Wes referente aos seus comportamentos." Grunhi contra a madeira. "E meu nobre senhor, eu tenho certeza de que não existe nenhum bolso aí, então acho desnecessária sua averiguação."

"Até que ela usa bem as palavras para uma prostituta marinha." Os dois âncoras riram e eu pude sentir o bafo quente e com cheiro de álcool.

Um plano simples e doloroso formou-se em minha mente. Tomei fôlego e me preparei psicologicamente para falar uma das frases mais perigosas que já proferi:

"Perdão, mas acho que confundiu o meu ofício com o de sua mãe."

As risadas pararam abruptamente enquanto os brutamontes decodificavam a frase. Foi uma das coisas mais rudes que eu já havia dito, e eu tinha plena consciência de que o homem poderia me matar ali e naquele momento, mas de uma coisa eu sabia: ele não tornaria minha morte rápida e fácil.E essa era a minha chance.

"Arthur, você ouviu o que ela..." O troglodita 2 que estivera me revistando sussurrou.

"Até piratas tem limites, sua miserável. E você acabou de cruzar o seu." Ele me virou pelo ombro e BAM! Uma dor lancinante explodiu em meu nariz e quase me fez desmaiar. Ouvi o crack e senti o sangue escorrer por meu rosto. O barulho do soco foi tão alto que até o troglodita 2 deu um passo para trás.

Era a minha chance.

Balancei a cabeça para espantar a dor momentaneamente e dei um chute certeiro no estômago do troglodita 1, ele curvou-se levemente para cobrir a barriga mas eu fui mais rápida.

Em histórias tradicionais garotas costumam dar tapas ou arranhar seus oponentes, mas não sou nenhuma fresca que tem medo de quebrar a unha.

Fechei a mão e devolvi o nariz quebrado que ele havia me dado.

Troglodita 2 sacou sua pistola e atirou em mim. Graças a Deus ele estava afastado e a bala ''só'' atingiu meu ombro.

"Maldito." Grunhi entredentes e levei minha mão ao ombro para sentir o estrago causado. Sangue encharcou a minha mão.

Troglodita 1 e 2 vieram para cima de mim e senti um chute nas costelas e um soco no queixo. Berrei de dor, e foi isso que chamou a atenção de um trôpego rapaz que andava em nossa direção.

"Então vocês acham bonito espancar uma mulher desarmada em plena luz do dia?" A voz já conhecida ecoou pela rua.

BAM! BAM! Duas balas cravaram-se no poste de madeira onde eu estivera prensada.

Os trogloditas se distraíram.

Um chute no meio das pernas de cada um e uma cotovelada no estômago do Troglodita 2 e eu saí correndo de lá como se não houvesse amanhã.

"O que demônios você aprontou, Collins?" Brandon me ajudou a subir no telhado de uma casa depois de termos corrido por diversas vielas.

"Não importa o que eu aprontei, mas sim suas consequências. Eu tenho um nariz e duas ou mais costelas quebradas e levei um tiro no ombro." A adrenalina se esvaiu de meu corpo e todas as dores começaram a pulsar juntas, cada uma parecendo que estava em uma competição de qual doía mais. "E mesmo depois disso tudo eu ainda tenho energia para fazer uma coisa."

"E o que é isso?"

PLAFT! Explodi minha mão em seu rosto.

"Você se atrasou, miserável."