Chase
13 Bennett Witch
Notas iniciais
Bonnie sentia-se confusa, tudo parecia um borrão em sua mente, cambaleou até a entrada da casa sem saber ao certo como avia chegado ali. Lembrava-se de ter conversado com Derrick e se afastado para pegar bebidas e então ela viu a cozinha repleta de sangue e fugiu para o andar de cima, tropeçou alguns passou ouvindo vozes em sua mente, foi aterrorizante.
Chegou ao quarto e encontrou Damon lá a observando, o abraçou forte e sentiu-se segura por alguns instantes mais depois a vozes estavam de volta e sem ao menos saber, ela repetia tudo como se soubesse o significado de cada palavra dita em seus lábios. No próximo instante ela estava finalmente livre, mais a sensação da liberdade não era como esperado, queria voltar correndo para pensão e se esconder nos braços de Damon. Seus pensamentos eram estranhos e confusos.
Passou a mão pela porta e respirou fundo, tinha o cheiro familiar de rosas, menta e o incenso que Sheila acendia no fim da tarde. Sorriu triste. Suas mãos foram para a maçaneta gelada, fechou os olhos por um segundo esperando receber um abraço forte de sua voz e ouvir mais uma de suas broncas e rir das caras e bocas de Sheila.
O lugar estava vazio, frio, sem a vida que um dia ouve ali. Seus passos quase ecoavam e arrepios passavam por seu corpo a todo instante.
Pelo contrario do que pensava sua casa não estava empoeirada ou com teias de aranha, na verdade estava limpa, mais ainda sim avia algo a incomodando. Enquanto subia a escada ouve um pequeno ranger de seus saltos contra o chão de madeira.
Bonnie já não estava tão feliz em ver seu lar, sentia-se solitária e um pouco temerosa. Abriu a porta de seu quarto lentamente, tudo parecia igual, a não ser seu guarda roupa praticamente vazio. As flores brancas estavam intactas, mais o perfume estava diferente como se a essência tivesse sido misturada a algo ruim, podre. Franziu as sobrancelhas, algo definitivamente estava errado. Seus livros ainda estavam na prateleira no lado direito, as flores ainda estavam ali mais faltava vida.
Se sentou na cama e suspirou, parecia que o odor podre estava cobrindo seu quarto, suas mãos foram para o travesseiro, o cheiro de rosas não estava mais ali. Bonnie se levantou rápido de mais e tropeçou em seus próprios pés, xingou e retirou os saltos deixando-os de lado. Bufou.
Ouve um barulho estranho e então a bruxa estava alerta, fechou as mãos em punhos ao lado do corpo e respirou fundo tentando sentir de onde vinha o barulho.
Pertence a mim...
O sussurro ecoou em sua mente a fazendo arregalar os olhos e cambalear para trás. Ele estava em sua casa, o odor podre, o ar de morte. Sombra estava vindo para ela e Bonnie estava pronta para enfrenta-lo.
Os passos ecoaram no corredor e a bruxa suspirou se preparando para ele, olhou ao redor se sentindo menos bêbada do que a algumas horas atrás, ela estava sóbria e preparada para o pior.
Eu não tenho medo, repetiu mentalmente.
As pontas de seus dedos quase doíam pela magia que se pulsava para ser liberada, seus olhos estavam mais verdes e mais atentos. Os passos estavam mais perto, podia ouvir o som estranho que ele fazia.
E então as paredes começaram a se deformar, o papel que as cobria foi se rasgando, sangue descia junto a ele e por de baixo avia carne morta como de uma pele em decomposição. Bonnie não iria se abater por aquilo.
Pertence a mim...
Ecoou mais uma vez mais a bruxa não tremeu, o sangue começou a cobrir o chão, o odor podre fazia seu estômago revirar. Sentiu-se um pouco tonta mais não recuou. Ele estava próximo.
Dessa vez o terno estava rasgado em alguns lugares e o rosto tinha cortes profundos, a boca estava costuradas e os olhos estavam lá, brancos e sem vida, sem nenhum sinal de humanidade, os cabelos estavam sujos e ele parecia em cansaço profundo, os ombros encurvados e Bonnie reparou uma fratura exposta em seu braço esquerdo.
Caroline disse que estavam atrás dele, lembrou-se, possivelmente seus amigos fizeram isso com Sombra. Sentiu-se protegida e quase sorriu.
– Pertence a mim.– Saiu dos lábios costurados, as linhas negras se afrouxaram quando ele falou mais continuaram ali prendendo sua boca, uma gosma negra escorreu no canto da boca e ao ir de encontro ao terno o queimou como ácido.
– Não mesmo. — Bonnie sussurrou e sentiu o sangue tocar seus pés descalços.
Levantou seu braço direito balbuciando algumas palavras, o homem foi jogado contra a parede sangrenta.
– Pertence a mim.– Repetiu ele se levantando, o terno agora estava mais sujo e ela ouviu um pequeno estalo.
Seu estômago revirou.
Ela levantou a mão mais uma vez querendo afasta-lo mais dessa vez não ouve nada, ele continuou caminhando calmamente em sua direção.
– Pertence a mim.
Bonnie não se abalou, concentrou-se em seu guarda roupa o fazendo voar em direção ao homem que foi atingindo em cheio, o guarda roupa bateu contra o corpo e se desfez, ele continuou caminhando em sua direção. A bruxa jogou nele sua cama mais ele continuou a caminhar.
Ele estava perto. Bonnie deu um passo atrás pensando no que iria fazer.
Tentou dar-lhe um aneurisma assim como fazia com Damon mais o homem parecia cada vez mais forte, os ombros não estavam mais encurvados e o cansaço já não era perceptível. Tentou impulsiona-lo para longe mais não ouve resultados, ela tinha que sair dali. Respirou fundo lembrando-se da sala e fechou os olhos e então ela estava na sala, pânico a preencheu ao ver o homem a sua frente.
Ela tremeu ao sentir a mão agarrar forte seu braço, tentou se afastar ou afasta-lo com magia mais nada funcionava. Um grito escapou de seus lábios quando ele enterrou seu dedos em sua carne, podia sentir as unhas rompendo sua pele.
– Pertence a mim.
Bonnie não sabia mais o que fazer. Esse era seu fim.
Damon ligou para o irmão enquanto tentava, sem sucesso, se acalmar. Sentia o cheiro de Bonnie misturado com algo podre.
– Onde eles estão? - Perguntou Stefan enquanto saía da pensão acompanhado de uma Caroline aflita e preocupada.
– Na casa de Sheila. — Responde o mais velho avistando a casa da Bennett, percebeu chamas pela janela da sala, seus olhos se arregalaram. — Cheguem rápido.
Desligou sem esperar uma resposta de seu irmão.
Damon podia sentir o pânico e desespero de Bonnie, quase podia ver através de seus olhos verdes, o coração da Bennett estava disparado e a respiração irregular. O vampiro rompeu a porta indo em direção ao cheiro de Bonnie. Encontrou uma sala em chamas, os moveis jogados e uma Bonnie encolhida no canto com os olhos arregalados, Sombra caminhava em sua direção, o braço da bruxa estava ferido e ele sabia que ela estava fraca. Podia sentir aquele ser sugar a magia ao redor.
Antes que Sombra tocasse em Bonnie, o vampiro o jogou contra a parede em chamas, ele soltou um som brutal se contorcendo contra o fogo. Damon encarou Bonnie, que agora tinha os olhos fechados, encolhida, abraçando o próprio corpo, o ferimento parecia feio, ela estava descalça e seu vestido tinha sido rasgado, os longos cabelos estavam com as pontas um pouco queimadas.
Damon avançou em Sombra, que avia se libertado das chamas, o ser estava em pé o encarando com os olhos brancos e sorrindo sob os pontos na boca ou seja lá o que aquilo era. O vampiro agarrou o pescoço de Sombra que riu lançando uma onda de magia sobre ele, que se afastou mais logo o atacou novamente, a magia era claramente de Bonnie, por algum motivo estava mais resistente a magia da garota. Voltou a agarrar o pescoço de Sombra jogando-o contra as chamas, dessa vez o ser gritou e os finos que prendiam a boca se romperam deixando uma gosma negra escorrer, assim que o liquido entrou em contato com a pele alva de Damon o queimou. Ele se afastou grunhindo de dor, o ferimento continuou aberto.
– Vampiro inútil.– Balbuciou Sombra passando a grande língua pelos fios, o liquido escorria por sua pele e queimava o terno. — A bruxa me pertence, imortal...– Continuou e estendeu a mão em direção de Damon que foi levado ao ar, pode ouvir o som de seus próprios ossos se quebrando, gritou sentindo a visão embaçar pelas lágrimas de dor que desciam livres por seu rosto. — Sinto a ligação entre vocês... Um vampiro tão jovem e já ligado a uma bruxa tão poderosa? Você sabe o que ela é, não é mesmo?!– Sombra fechou a mão lentamente ouvindo os gritos do vampiro, eram como música para seus ouvidos. — Vou romper a ligação de vocês assim que enfiar meu...
– Fique longe dela. — Damon conseguiu dizer com dificuldade interrompendo o monologo daquele ser.
Sombra riu.
– Vou estar bem próximo a bruxa, dentro dela para ser mais exato... Prometo te deixar ver tudo... Vai poder ouvir os gritos... Os gemidos...– Sombra fechou os olhos como já sentisse o prazer. A mão se fechou e Damon gritou mais alto.
Sombra foi empurrado contra o fogo mais ou vez, Damon caiu contra o chão, ouve uma tosse fraca que fora abafada pelos sons que Sombra fazia ao ser consumido pelas chamas.
– Você não ira encosta um dedo em mim. — Murmurou Bonnie que se mantinha em pé com certa dificuldade, uma de suas mãos segurava o braço ferido estacando o sangue. — Eu sou uma bruxa Bennett, não um brinquedinho de cão de caça.
Os olhos dela estavam mais verdes, as chamas refletiam neles os fazendo parecerem dourados. O fogo cresceu e os gritos de Sombra aumentaram. A bruxa se virou tropeçando e caindo sobre o corpo de Damon que já estava se curando, apenas sua mão ainda queimava pelo liquido que saía da boca de Sombra.
– Vamos Damon. — Sussurrou a Bennett, sua voz estava rouca e cansada, as chamas já consumiam o teto e a fumaça era tóxica e fétida, já que estava queimando a carne apodrecida de Sombra, a fazendo tossir cada vez mais.
Damon levantou-se de vagar, Bonnie continuou ao chão tossindo e segurando o ferimento que sangrava bastante, ele a pegou no colo e usou suas forças para sair daquele lugar rapidamente, se queimou na saída e ainda podia ouvir os gritos de Sombra. Assim que saíram da casa, agora em chamas, Damon caiu levando a bruxa consigo, sua visão se tornou turva. Apertou Bonnie, aparentemente desacordada, contra seus braços tentando ouvir os batimentos cardíacos dela, ele não conseguia, na verdade, nem conseguia enxergar direito, apenas viu Bonnie com os olhos fechados sobre seu peito, o rosto sujo e os cabelos chamuscados. Sua mão queimou ainda mais, a sensação se espalhava em seu braço. Sentiu-se humano outra vez, fraco e cansado, apertou o corpo pequeno e magro da bruxa mais uma vez e fechou os olhos lentamente.
– Damon. — Foi a ultima coisa que ouviu antes que apagar completamente.
Stefan estava parado estático vendo seu irmão mais velho abraçado a Bonnie, ambos desacordados. Segurou a mão de Caroline fortemente mais a loura se soltou correndo em direção ao casal desacordado, pegou sua amiga no colo como se fosse uma boneca ou um bebe indefeso.
– Pegue Damon, vamos sair daqui, os vizinhos já chamaram os bombeiros. — Disse ela o fazendo engolir o nó que se formou em sua garganta e caminhar até Damon, ele o pegou com cuidado, o Salvatore mais velho parecia tão humano aos seus olhos.
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