Charlie é o Cara

52 Que a semente da discórdia seja plantada !


Notas iniciais
BOAAAAAAAAA NOITE ROR!!!!! Como vocês estão? Eu espero que muito bem e se não estiverem, a hora de sair da bad é agora com esse capítulo novo de Charlie é o Cara! Tem muita treta, tem momentos engra e tem um final que foi choque de monstro sim!!!!!! Um obrigado especial a Nikki Regina e a Raquel que comentaram o capítulo anterior, esse é pra vcs meus amores! ♥

POV-Charlie

― Você se amarrou bem firme? ― Tive que gritar para Mike me ouvir do telhado.

― Eu acho que sim! ― Ele gritou de volta, fazendo um sinal de joia.

Eu estava parada no meio do jardim, com as mãos apoiadas na cintura e observando Mike no telhado. Ele havia se amarrado com um conjunto de lençóis, fazendo uma corda de lençol como nos desenhos. Como era sexta-feira, os rapazes estavam limpando a casa. Mike tirou a tarefa de consertar as telhas quebradas e tirar uma boneca inflável que estava presa no nosso telhado há quase um mês.

― Tem certeza? ― Perguntei de novo. ― Porque se você cair dai, a queda é feia. Eu sei disso porque quase quebrei o chão ― Fiz uma pausa. ― com o meu rosto.

― Você é super magro, Mike. Vai ser como um saco de ossos atingindo o chão. ― Cece gritou ao meu lado.

― Seria engraçado se ele caísse! ― Pablo disse rindo.

Ele estava sentado em cima do cortador de grama, enquanto Amy espalhava protetor solar pelas suas costas.

― Se ele cair, ele provavelmente vai morrer. ― Joe disse enquanto podava algumas roseiras que haviam em nosso jardim.

― É, eu também acho! ― Jon falou, então tirou a camisa e enxugou o rosto suado com ela, olhando diretamente para Cece.

Então pegou uma cerveja gelada da caixa de isopor no meio do jardim e a abriu, deu um longo gole tentando parecer sexy. Então se preparem, o pior ainda está por vir. Ele despejou a cerveja na sua cabeça como se fosse uma garrafa de água. Poderia ter sido sexy. Sim, poderia. Jon é sexy, tem tanquinho e molhado é incrível. Porém, o que aconteceu foi ele gritar porque a cerveja estava muito gelada e congelou seu cérebro, depois ele se afogou quando entrou um pouco de cerveja no seu nariz. Iniciando um ataque de tosse e ele quase vomitou no meio do gramado. Me virei para Cece.

― Porque ele tá fazendo isso? ― Sussurrei.

― Ele é só... ― Ela o olhou um pouco preocupada. ― esquisito.

Dei de ombros e concordei. Bruce estava pintando os degraus da entrada e Bobby estava simplesmente cavando um buraco no meio do gramado há uma meia hora.

Eu me aproximei dele, ele estava dentro do buraco e já alcançava a sua cintura de profundidade.

― Hei Bobby! ― Eu sorri e ele parou de cavar.

― Oi Charlie!

― O que você está fazendo aí, amigão? Tentando encontrar ouro?

― Na verdade, eu estou abrindo uma passagem para nós irmos até o Japão. ― Ele disse, ofegante e se apoiando na pá que usava para cavar. ― Eu ouvi dizer que fazem grilos fritos para o almoço lá. Você acha que grilos tem um gosto bom?

― Me desculpe, Bobby. ― Eu o olhei confusa. ― Você disse que está abrindo um buraco no chão para nós irmos ao Japão?

― É! ― Ele sorriu, animado. ― Vamos comer uns grilos! Uhuuuuu!

Eu forcei um sorriso e olhei para trás, para ver se os outros tinham ouvido isso também.

― Como ele entrou na faculdade? ― Amy disse. ― Sério! Não, alguém me explica! Você deixaria esse cara cuidar do seu cachorro? Bobby precisa ser estudado. Ele é único!

― Não seja tão dura com ele, Amy. ― Cece disse rindo. ― Eu adoraria ir até o Japão, Bobby. ― Ela gritou para Bobby e ele voltou a cavar, super animado.

― Bobby, que tal se eu te ensinar uma outra maneira de irmos ao Japão, hein? Podemos comprar passagens pela internet e ir no avião. ― Eu apontei para o céu. ― Te pouparia de todo o trabalho.

Ele parou de cavar e ficou pensativo.

― Sabe o que é um avião, Bobby? ― Amy perguntou a ele, debochada. ― Sabe essas coisas enormes que voam por aí? O grande pássaro de ferro?

― É claro que eu sei o que é um avião, Amy! ― Ele respondeu ofendido. ― É um trem com assas. Eu vi na TV ok!

― Ok, já chega por hoje! ― Eu disse. ― Bobby, fique a vontade com o seu buraco. Mais tarde vamos conversar sobre os aviões ok? Eu te amo e por favor, não quebre nenhum cano com a pá! Hora de irmos meninas.

Amy se despediu de Pablo com um beijinho e fez ele vestir um sombreiro para não se queimar no sol. Nós fomos caminhando até o dormitório para encontrar Mary Elizabeth e ajudá-la com a mudança.

― Você não achou estranho ela ter mudado de ideia do nada? ― Amy perguntou.

― Sim, mas eu não falei nada. Sei lá, é chato. Mary é uma garota legal, não quero pensar coisas ruins sobre ela.

― Talvez ela só tenha caído na real de que Angel é um porre e nós somos as legais aqui. ― Amy continuou.

Cece permaneceu em silêncio, ela parecia pensativa.

― Cece, o que você acha? ― Amy perguntou.

― É, o que você acha? ― Me virei para ela, esperando ela falar também.

― Gente... ― Ela parecia estar tentando evitar essa conversa com todas as suas forças. ― Charlie está certa. Mary é uma boa garota. Mas aquelas pessoas não são. Especialmente Johnny, acho que ela passa tempo demais com ele.

― Johnny é ruim, mas Angel é pior! ― Amy falou.

― Angel é uma pessoa horrível as vezes, eu concordo. Mas o pior de todos é Johnny. Ele manipula as pessoas Amy, você não conhece ele como eu conheço. Eu sei que pode parecer que Angel é o cérebro por trás de todas as maldades deles, mas Johnny é. Eu sei, porque ele também já fez isso comigo. Johnny sabe usar as pessoas como fantoches para fazer maldades para ele.

Isso que Cece havia dito fez algo crescer dentro de mim. Talvez ela estivesse certa. Acima de tudo, eu sempre achei que Angel fosse uma garota machucada. Mas Johnny, bom, quando você fala com ele você percebe que ele só é mal mesmo. Indiferente, frio, calculista.

― É o que ele está fazendo com Mary Elizabeth. ― Eu disse.

― Eu odeio ter que afirmar, mas é exatamente o que ele está fazendo com Mary. Em alguns meses, ela pode ser a nova Angel. ― Cece ficou cabisbaixa.

― Ele é tipo o Satã corrompendo um anjinho de Deus. ― Amy disse. ― Eu vou escrever uma fanfic sobre isso.

― Eu preciso ligar para o Pete. ― Já estava tirando o celular do bolso quando terminei.

POV-Angel

― Cara, isso meio que explodiu a minha mente. ― Peter continuou.

Ele estava de pé na sala de espera, andando de um lado para o outro. Quase fazendo um buraco no chão.

― Mas é uma possibilidade, não é? ― Ele continuou, eu acho que ele estava mais falando sozinho do que comigo. ― Talvez sua mãe esteja errada e você realmente seja filha do seu pai, considerando seu nível de maldade. Porque quando eu olhos nos olhos de Charlie, eu só vejo 17% de maldade.

― Peter não é uma possibilidade. É um fato. ― Fiz uma pausa. Até para mim era difícil dizer isso. ― Eu e Charlie somos irmãs.

― Você fez um teste de DNA? ― Ele perguntou e eu revirei os olhos. ― Não, é sério! Você fez? Eu posso arrancar um fio de cabelo de Charlie enquanto ela estiver dormindo e nós vamos fazer o teste. Se ela estiver muito cansada talvez eu consiga até um pouco do seu sangue.

― Hei! Hei! Hei! Vamos parar por aí! ― Eu disse me levantando do sofá. ― Quem aqui está pedindo por um teste? Talvez Peter, você devesse fazer um teste, um teste de DST, inclusive. ― Apontei um dedo no seu peito.

― É, eu realmente preciso. ― Ele concordou. ― Mas ainda acho que você deva fazer o teste, vou conseguir o cabelo para você.

― Peter, não! Isso não é sua decisão! ― Eu me joguei de volta no sofá e ele ficou em silêncio.

― Talvez você esteja certa. ― Pete murmurou depois de uma pausa. ― Mas também não é uma decisão só sua. É hora de você contar a Charlie e acabar com isso. Puxe esse band-aid de uma vez!

― Não é tão simples, Peter! Você pode por um segundo se colocar no meu lugar e parar de pensar na sua preciosa Charlie? Tem ideia do que pode acontecer? ― Ele parou e ficou me olhando. ― Porque desde a última vez que eu chequei, Charlie ainda me odeia, minha mãe fodeu com nós duas, meu pai é o maior babaca e só Deus sabe como o pai de Charlie vai reagir com essa história.

― Eu sei. Me desculpe. ― Ele se sentou ao meu lado novamente e conseguiu ficar em silêncio por um momento. ― Eu sei que você está com medo, acredite em mim, eu também estaria no seu lugar. Mas se você realmente for irmã de Charlie, eu sei que ela nunca vai virar as costas para você.

Olhei para Peter esperançosa e tentei sorrir, mas só consegui entortar meus lábios em um angulo esquisito. Apertei seu ombro com uma mão.

― Obrigado por ficar do meu lado Pete, eu odeio você só um pouquinho agora. ― Ele sorriu.

― Eu sei. Eu sei.

Foi quando o celular dele começou a tocar no seu bolso, ele pegou o mesmo e recusou a chamada. Era Charlie.

POV-Charlie

― Pete não está atendendo. ― Guardei o celular depois de cinco chamadas encaminhadas para a caixa postal. ― Ele disse que estava com o pai. Será que está tudo bem?

― Charlie, se não estivesse o hospital com certeza já teria ligado. ― Amy me tranquilizou, mais ou menos.

Nós três estávamos paradas na frente do dormitório, esperando para entrar.

― Porque nós estamos esperando mesmo? Eu moro aí também sabe. ― Amy continuou, ela estava afiada hoje.

― Nós estamos pensando, Amy. ― Eu disse.

― Você está pensando. Cece está tomando sol e comendo jujuba.

Olhei na direção de Cece, ela realmente estava sentada nos degraus da entrada do prédio, na parte que batia o sol. Com um saco de jujuba nas mãos e com um óculos de sol.

― E eu estou aqui só reclamando.

― Cece, você se lembra daquilo que você contou para mim e Pete? Sobre como se expulsa o presidente de uma fraternidade?

― Uhum. ― Ela murmurou de boca cheia.

― Se você voltar a ser uma Kappa, você pode tirar Angel do poder e cuidar de Mary Elizabeth de perto. Enquanto eu e Amy tentamos encontrar uma forma de mostrar para ela como Johnny é mal.

― Charlie, pera aí! ― Amy me interrompeu. ― Johnny se parece com um Max Steel, como você espera provar para Mary Elizabeth que por sinal está apaixonada por ele, que ele é o Anti Cristo em pessoa?

― Eu ainda não pensei nessa parte! ― Eu falei.

― Porque Amy simplesmente não mata ele? ― Cece disse, enfiando mais um monte de jujubas na boca. ― Ela é boa nessas coisas, não é?

― Assassinato não é uma opção!

― É sim! ― Amy se ofereceu.

― E aí, perdedoras!

Foi nesse momento que nossos planos diabólicos foram interrompidos por Willa e Stacey. Acho que todos ficamos realmente chocados quando vimos Willa. Ela estava... diferente.

― Oi Stacey e ― Gaguejei. ― Willa.

― O que aconteceu com você, Willa? ― Cece perguntou.

― Parece que você acabou de sair de um clipe do Evanescence e é a Avril Lavigne em 2001 com overdose. ― Amy explicou exatamente.

― Ela é emo agora. ― Stacey respondeu por nós.

Estava evidente, porque era no meio da tarde e Willa vestia tudo preto. Inclusive, um sobretudo preto e estava mais ou menos uns 30 graus. Uma maquiagem preta para completar e a maravilhosa franja sobre o olho.

― Desculpem, eu abracei a escuridão agora. ― Ela ajeitou a franja. ― Eu amo as trevas e o demônio.

― Me desculpem. ― Stacey choramingou. ― Angel a desestabilizou mentalmente e agora ela está lidando dessa forma.

― Oh, pobrezinha! ― Amy puxou Stacey para um abraço.

― Eu odeio pessoas. ― Willa resmungou para mim quando eu fiquei a encarando demais. ― E eu odeio você. Espero que você seja atropelada por um ônibus e morra.

Eu fiquei horrorizada e dei um passo para trás, me afastando dela.

― Viu, Cece? É por isso que precisamos de você. ― Amy disse, ainda abraçando Stacey que soluçava de chorar. ― Será que dá para salvar o mundo logo?

― O ar é tão limpo aqui. ― Willa disse. ― Me faz querer morrer. Será que podemos ajudar Mary Elizabeth logo para eu poder voltar a me cortar e escrever no meu diário com sangue?

― Ok, vamos nessa! ― Eu disse.

Sai andando na frente para dentro do dormitório antes que Willa pudesse me matar.

― Onde está Angel? ― Cece perguntou a Willa, bem atrás de mim.

― Provavelmente reinando o inferno. ― Ela respondeu.

POV-Pete

― Você acha que ele ainda vai demorar muito? ― Perguntei a Angel e olhei para o relógio no alto da parede da sala.

Nós já estávamos ali há quase umas três horas e nada ainda. Além de tudo, a recepcionista parecia pouco interessada em ajudar.

― Sim, ele vai. Nós só precisamos ser mais chatos que ele e esperar até ele ceder. ― Ela respondeu, jogando Candy Crush de novo.

― Eu não posso ficar aqui para sempre. Tenho um compromisso.

Angel para de jogar e se virou para ficar me olhando.

― O seu compromisso é fazer sexo com Charlie? ― Ela arqueou uma sobrancelha.

― Não! ― Eu neguei na hora. ― Talvez! Mas não hoje! Eu prometi ajudá-la com as nossas malas, eu vou conhecer os pais dela nesse fim de semana.

― Você vai conhecer os pais dela? ― Angel repetiu.

― É. Eu estou meio nervoso mas sei lá. Acho que vai ser legal. ― Encolhi os ombros. ― Eu estou bem nervoso.

― Você realmente gosta dela né? ― Os olhos de Angel quase brilharam.

Desviei meus olhos dos dela e fiquei encarando a mesinha de centro com o maior interesse.

― Eu amo ela. Charlie tem meu coração de todas as maneiras.

― É por isso que você está tão preocupado com isso. Está com medo de que quando Charlie descobrir isso pode afetar o relacionamento de vocês.

Eu apenas apertei os lábios e a olhei novamente, ela estava certa.

― É por isso que você não quer mentir para ela.

― Se eu perco a Charlie, eu perco tudo.

Foi quando meu celular começou a tocar de novo, Charlie mais uma vez.

― Não posso mais esperar, vamos entrar!

POV-Charlie

― Porque tem tantas pessoas aqui? ― Amy sussurrou para mim, me ajudando a empacotar alguns livros de Mary. ― Ela tem tipo, quatro caixas de coisas, ela poderia ter feito isso sozinha.

― Amy, quietinha. ― Coloquei outro livro dentro da caixa. ― Peter ainda não me atende, isso está começando a me irritar.

― Charlie, é o Peter. Sério, relaxa. O pior que pode ter acontecido é ele ter caído no buraco que Bobby fez no jardim e estar preso lá até agora.

Respirei fundo, tentando não me irritar com isso. Olhei para trás e vi Cece conversando com Mary Elizabeth e Summer do outro lado do quarto.

― Você acha estranho Angel não estar aqui? ― Amy me perguntou.

― Amy, acho estranho tudo que Angel faz. Mas não estou nem aí, pelo menos ela não está aqui. Willa, pode pegar esses livros que estão bem aí do seu lado? ― Pedi a Willa, ela estava sentada no canto da cama.

― Não. ― Ela respondeu e nem se moveu. Eu e Amy ficamos a encarando por um momento. ― Desculpe, é que meu instinto é ser cruel com qualquer um que fale comigo. Toma aqui!

Foi quando ela atirou os três livros na nossa direção.

― Você ficou louca? ― Amy perguntou, assustada depois de quase ser atingida por um livro na cabeça.

― Eu amo ritalina e tenho baixa auto estima. ― Ela respondeu e forçou um sorriso.

― Oieeee gente! ― Stacey apareceu na porta do quarto carregando sete copos de café e uma caixa de donuts. ― Um pouco de açúcar para alegrar nossa tarde perfeita! Willa, esse aqui é o seu. ― Ela entregou um copo para Willa. ― Eu batizei o dela com tranquilizante para cavalo. ― Stacey sussurrou para mim e Amy e piscou. ― E ai, sobre o que vocês estão falando?

― Cece está disposta a ser uma Kappa novamente. ― Summer respondeu, aceitando um café também. ― Não é maravilhoso? ― Ela sorriu.

― Uhuu, Cece! ― Amy ficou empolgada demais e eu tive que tapar sua boca com a mão.

Mary Elizabeth sorriu para ela mas não parecia muito animada com a ideia.

― Angel concordou com isso? ― Willa perguntou. ― Vocês precisam da autorização de Lúcifer para isso.

― É uma fraternidade, Willa. Fraternidade. Não é um culto religioso em homenagem a Angel. ― Summer respondeu. ― Os outros membros também votam.

Me levantei do chão para colocar a última caixa de Mary Elizabeth sobre a cama e me aproximei dela.

― Está tudo bem, Mary? ― Sussurrei. ― Você está calada e não me parece muito bem.

― Tudo ótimo. ― Ela me respondeu sem nem mesmo olhar para o meu rosto. ― Pronto? Acho que já podemos ir.

POV-Pete

― Hei! ― Bati com a mão no balcão da secretária, chamando a atenção dela. ― Nós precisamos falar com ele!

Angel estava parada ao meu lado e ficou olhando a secretária tirar os fones de ouvido que usava.

― Desculpe, o que você disse? ― Ela perguntou.

― Precisamos falar com ele e tem que ser agora! ― Falei firme. A recepcionista apenas revirou os olhos e colocou os fones de novo. ― O que nós fazemos agora? ― Sussurrei para Angel.

― Eu posso matá-la. O que você acha? ― Ela falou. Fiquei meio confuso porque ela pareceu ter falado bem sério.

― Quer saber? Já deu.

Foi a última coisa que eu falei antes de sair dali e caminhar em direção a porta. Eu fui correndo para poder tomar impulso e arrombá-la caso estivesse trancada, mas nem mesmo pensei que fosse estar aberta. Pois bem, estava. O que me rendeu uma entrada triunfal.

― Peter! ― Angel gritou e entrou na sala correndo quando eu passei pela porta e deslizei pelo chão. ― Você está bem?

A secretária que estava sentada no colo do pai de Angel gritou e caiu do seu colo com o susto repentino.

― Mas o que diabos está acontecendo aqui? ― O sr. Waters gritou irritado. ― Angel?

― Angel! ― Eu chamei seu nome, levantando meu braço para ela me ajudar. ― Me ajuda aqui, eu acho que meu cérebro ta escorrendo pelo meu ouvido.

― Peter, isso nem é possível. ― Ela disse, me ajudando a ficar de pé.

― Tem certeza? Eu bati a minha cabeça no chão com bastante força.

― O que você está pensando, Angel? ― O sr. Waters continuou gritando e saiu de trás da sua mesa, vindo na nossa direção. ― Julieta, chame a segurança agora!

Ele disse a secretária que estava se divertindo com ele e a garota saiu como um raio.

― Você vai chamar a segurança para a sua própria filha? ― Angel perguntou incrédula, olhando para ele sem acreditar. Eu ainda me apoiava nela para ficar em pé. ― Eu só queria falar com você!

― Eu estava ocupado! E você não é minha filha! O que você quer?

A maneira como ele foi rude e grosso com Angel a deixou sem reação, ela só ficou parada em silêncio me apoiando. Sinceramente, mesmo que Angel não fosse lá uma pessoa muito boa, isso não era desculpa para ela ser tratada assim.

― Hei! ― Eu gritei e apontei o dedo na direção dele, já ficou em pé sozinho. ― Não fale assim com ela!

― Relaxa, Pete. ― Ela disse, abaixando a minha mão. ― Eu sabia que seria inútil mesmo. A única coisa que ele se importa é com ele mesmo.

― O que você quer, hein? Veio aqui para me insultar? Foi sua mãe que te mandou aqui para me extorquir, aquela safada? ― Ele continuou falando um monte de merda.

― Você quer que eu acerte um soco na sua boca? ― Falei irritado. ― É melhor prestar atenção no que você fala.

― Morde essa língua, garoto! ― Ele veio na minha direção e tive quase certeza de que ele ia me bater.

― Eu não estou aqui para lhe causar problemas, ok? ― Angel começou a falar e interveio, entrando na minha frente e sendo a única coisa entre nós. ― Eu estou aqui, porque eu quero a sua ajuda.

― Minha ajuda? De quanto você precisa? ― Angel se fingiu de ofendida e ele repetiu. ― Preciso de números, Angel.

Ela engoliu o seu orgulho em seco e tenho certeza que precisou reunir todas as suas forças para pedir ajuda dessa forma.

― Nós estamos falidas, Robert. Estamos quebradas. A carta da hipoteca chegou hoje, o governo tomou a casa. Nós não temos nem para onde ir. Tudo bem se você não quiser nos dar dinheiro, minha mãe ainda é conselheira da faculdade e tem o seu salário. Mas, você ao menos poderia nos dar um lugar para ficar por enquanto?

Robert Waters não segurou a risada por muito tempo até começar a gargalhar na cara de Angel. O que foi pior do que ele gritar um não. Estar ali naquele momento realmente partiu meu coração, ver Angel naquela situação, tão vulnerável. Se encolhendo do meu lado enquanto ele gritava e ria. Eu mal podia imaginar como deveria ter sido para ela crescer com esse idiota como pai.

― Você acha mesmo que eu vou dar mais um centavo do meu dinheiro para você e sua mãe? ― Ele teve que parar de falar para rir. ― E pior ainda, deixar que vocês vivam na minha casa? É sério mesmo?

Olhei para Angel do meu lado e vi que seus olhos estavam marejados, ela mordia o lábio com força para segurar o choro.

Eu nem pensei para fazer, eu simplesmente parti para cima de Robert e lhe acertei um soco no meio do nariz. Ele parou de rir na hora e gritou, tampando o nariz com as duas mãos.

― Segurança! ― Ele gritou. ― Segurança! ― Voltando para trás da sua mesa, tentando se esconder. ― Vai pagar por isso, seu marginal! Vou processá-lo!

― Acho que é hora de ir! ― Eu disse para Angel, mas ela já saiu me arrastando pelo braço.

POV-Charlie

― Peter ainda não está atendendo! ― Eu disse irritada, ligando novamente para ele.

Andava de um lado para o outro no meio do saguão de entrada da casa da Kappa. Amy estava sentada nos primeiros degraus da escada, comendo o resto dos donuts que Stacey havia comprado junto com os cafés.

― Já está anoitecendo. Ele provavelmente ia me avisar se algo tivesse acontecido. ― Continuei. ― Nós vamos sair em duas horas e eu nem fiz as malas ainda.

― Charlie, relaxaaaaa! ― Amy falou de boca cheia, cuspindo um pouco de donut ao falar. ― Come um donut. ― Ela me ofereceu a caixa, ainda restavam três.

― Amy, a menos que você tenha uma caixa cheia de Peter para me oferecer, eu preciso recusar.

Ela deu de ombros e continuou comendo.

― Sobra mais para mim. ― Falou de boca cheia. ― Cece está lá em cima com Mary e as Kappas, preparando o terreno sabe? Você acha que é um plano bom? Usar Cece para derrubar Angel?

― É um plano horrível. ― Eu falei, com o telefone na orelha. ― Mas nós já tivemos piores. Lembra quando jogamos sêmen de cavalo na Angel?

― Meu Deus, Charlie! Eu estou comendo! ― Amy gritou, cuspindo o que tinha na boca.

― Se eu tivesse dito Pablo ao invés de cavalo você não faria essa cara. ― Eu abri um sorriso debochado e ela me mostrou o dedo do meio.

POV-Cece

― Você teve sorte, Mary. ― Eu disse, ajudando Mary a terminar de organizar as suas coisas com Summer. ― Você conseguiu uma boa colega de quarto.

Summer sorriu para mim.

― Sem ofenças, Stacey e... ― Gaguejei por um momento. ― Willa.

― Nenhuma Cece. ― Stacey sorriu simpática, ela era meio que burra demais para se importar.

Willa apenas rosnou para mim.

― Tenho certeza que vamos ser grandes amigas, Mary. ― Summer falou. ― Exatamente como eu e Cece somos. Especialmente agora que ela vai voltar para a Kappa.

― Tem certeza que Cece é sua amiga? ― Mary Elizabeth sussurrou alto o suficiente para todas nós ouvirmos.

― O que você disse, Mary? ― Eu perguntei confusa, eu realmente não havia entendido o que ela falou.

― Porque você diria isso? ― Summer questionou, olhando para mim.

Mary Elizabeth perdeu a cor do rosto e não disse nada por um momento.

― Bem... ― Mary respirou fundo e continuou. ― Ela não é bem um exemplo de amiga.

― Mary, eu não estou entendendo onde você quer chegar. ― Summer falou séria.

Mas eu estava, como estava.

― Mary, o que você está fazendo?

― Cece, por favor. Não me venha com essa agora. ― Mary se fingiu de vítima. ― Você conta a ela ou eu conto. Quer começar sua vida nova na Kappa já com mentiras?

― Eu sabia! Eu sabia que isso acontecer! Foi ele não foi? Foi Johnny, aquele filho da mãe! Ele está falando coisas e está fazendo a sua cabeça! Ele vai te destruir, Mary! Pare de ser tão inocente! ― Eu gritei frustada, apontando meu dedo para ela. ― Olha o que ele fez com Angel, olhe o que ele fez comigo! Você não pode cair nessa agora!

― O que diabos está acontecendo aqui? ― Summer perguntou irritada. ― Será que alguém pode me explicar?

― Hey pessoal, vamos nos acalmar! ― Stacey se intrometeu. ― Não é com gritos e puxões de cabelo que resolvemos as coisas na Kappa, ok? Quem dormiu com o namorado de quem?

― Você dormiu com Adam? ― Summer me perguntou, quase partindo para cima de mim.

― E a semente da discórdia foi semeada. ― Willa disse rindo. ― Eu amo quando as pessoas se viram uma contra as outras.

― Eu não dormi com Adam! ― Eu me defendi.

― Ela não dormiu com Adam. ― Mary Elizabeth completou. ― O melhor amigo gay dela sim.

― Mary! ― Eu gritei. ― Cala a boca!

― O quê? ― Summer olhou para todas nós e ficou sem palavras por um momento. ― Eu não acredito em você. Eu não acredito em nenhuma de vocês.

― Você deveria, eu tenho fotos. Johnny me mandou no momento em que ele descobriu e me pediu para te contar. Cece sabe disso á meses e nem ao menos cogitou te contar isso!

― Summer, não é bem assim! Johnny também sabia! Johnny sabia a meses!

― Ela está mentindo. ― Mary Elizabeth falou. ― Johnny me disse que ela mentiria, não acredite nela.

― Parece que o bicho está pegando! ― Stacey resmungou e Willa riu.

― Quando elas vão começar a se bater? ― Willa disse rindo.

― Summer, por favor... ― Eu tentei de novo e ela gritou.

― Sai daqui, Cecília! Sai daqui agora! ― Summer gritou.

― Ela está mentindo para você.

― Não é muito diferente do que você fez, né? ― Ela me alfinetou. ― Saia daqui agora! Nunca você será uma Kappa novamente, eu vou garantir que não!

― Eu saio, com muito prazer! ― Eu me virei para sair mas parei no meio do caminho. ― Alias, você me livrou de um fardo porque eu nunca quis ser uma Kappa novamente! Eu prefiro morrer a voltar para esse ninho de cobras! E você Mary Elizabeth, está cometendo um erro terrível e quando perceber será tarde demais. Deixe o meu recado para Johnny, ele vai se arrepender. Se ele fizer mais qualquer coisa contra os meus amigos, eu vou acabar com a vida dele.

POV-Pete

Parei o carro na frente da casa da Kappa com Angel chorando no banco ao meu lado. Ela veio o caminho todo chorando de soluçar sem dizer nada. Abri o porta luvas do carro e tirei uma caixinha de lenços de papel, entreguei para ela.

― Obrigado! ― Angel soluçou a palavra, enxugando as lágrimas. ― Porque você tem lenços de papel no seu carro?

― Mike chora o tempo todo também. ― Eu respondi.

― Entendi. ― Ela continuou enxugando os olhos.

― Angel, olha... seu pai é um babaca e me desculpe por todas as vezes que eu fui um babaca com você. Eu acho que isso explica uns 80% dos seus problemas de caráter, mas eu quero que saiba que sou seu amigo, ok? Assim como Charlie também será, melhor ainda, ela será sua irmã! E se você não se sente forte nesse momento para contar a ela, eu vou respeitar isso mas em algum momento você terá que contar, entende? E eu estarei do seu lado para te ajudar! E quanto ao seu problema com uma casa, você e sua mãe podem ficar na minha casa.

― Na ROR? ― Ela chorou mais ainda.

― Não, na minha casa de verdade com meu pai. Eu moro a meia hora do campus e a casa é grande, vocês podem ficar lá por todo o tempo que precisarem, ok?

― Peter... ― Ela me olhou de uma forma tão triste que eu achei que meu coração fosse quebrar.

― É um favor. ― Eu peguei uma das suas mãos e apertei. ― Um dia eu também posso precisar de um e você vai ter que me ajudar.

― Não vou não! ―― Ela falou soluçando.

― Ok, ainda estamos trabalhando na parte de você ser uma boa pessoa. ― Eu sorri. ― Vamos, eu te levo até a porta.

Disse saindo do carro. Abri a porta para Angel sair e fui com ela até a porta. Ela ainda chorava um pouquinho e eu a puxei para um abraço, lhe dando uns tapinhas nas costas.

― Vai ficar tudo bem.

― Porque você está apertando meu corpo com os braços? ― Ela perguntou confusa.

― Isso se chama abraço, Angel!

― Ah tá! ― Ela me abraçou de volta.

POV-Charlie

― O que será que está acontecendo lá? ― Amy perguntou, olhando para cima. ― Toda essa gritaria não pode ser algo bom.

Alguma coisa estava acontecendo lá em cima mesmo. As garotas estavam gritando e logo em seguida Cece desceu as escadas correndo.

― Hora de ir! ― Ela disse, já indo em direção a porta.

― O que aconteceu lá? ― Amy perguntou.

― Mary Elizabeth é uma idiota! ― Cece gritou frustada. ― Sinto muito Charlie, mas Johnny já fez a cabeça dela.

Precisamos correr para alcançar Cece até a porta. Eu não conseguia imaginar o que havia acabado de acontecer para Cece reagir dessa forma. Ela abriu a porta a nossa frente fervendo de raiva.

Quando eu olhei a cena que estava acontecendo na frente da porta, quem ferveu de raiva foi eu. Cece e Amy também pararam ali e me abriram espaço para passar.

― Peter? ― Foi só o que eu conseguia dizer ao vê-lo abraçando Angel ali.

Notas finais
E aíí? Vai gente, comentem ai que quero saber o que vocês estão achando! Faz o comentário bom, faz o comentário ruim, quero todo mundo brigando com a Mary Elizabeth e o Johnny, todo mundo dando muito abraço na Charlie porque ela vai precisar e cuidado para não caírem no buraco do Bobby, ok? Enfim, eu espero que vocês tenham gostado! Peter e Angel vão construir uma amizade bem legal a partir de agora e ele vai ensinar ela a ser uma boa pessoa, mas pode ser que isso cause alguns problemas com a Charlie, começando agora né! Vocês acham que ele vai conseguir sair dessa? E Joe, baby, Joe também está fufufufufu! Esperem ansiosamente pelo próximo porque vai ser ma-ra-vi-lho-so! Bjsssssss para as melhores leitoras do Nyah! ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.