Charlie é o Cara
22 O ataque de John Travolta .
Notas iniciais
POV-Pete
― Você quer entrar? Charlie ainda está dormindo. ― Tirei a escova de dentes da boca, só para usar ela como arma caso Amy tentasse alguma coisa. Verdade seja dita, ela é assustadora.
― Com dormindo você quer dizer dormindo ou quer dizer que ela está morta? ― Amy perguntou sem se mover do lugar.
― Eu quero dizer que nós fomos dormir tarde ontem e ela ainda está dormindo. ― Respondi.
― Foram dormir tarde é? ― Amy abriu um sorriso malicioso. ― Safadinhos.
Ela piscou para mim e entrou. Fechei a porta quando ela entrou e Amy estava olhando tudo a sua volta.
― Charlie está lá em cima no meu quarto... ― Amy se virou para mim e sorriu daquele jeito de novo. ― Nosso quarto, eu quero dizer.
― Nosso quarto? Está tão intenso assim? Sempre soube que ela tinha uma quedinha por você mas nunca achei que Charlie fizesse o tipo vamos apressar as coisas. ― Ela estalou os lábios e então parou na porta da sala.
― Ela tem uma quedinha por mim? ― Sorri orgulhoso.
― O que você aconteceu com ele? ― Amy apontou para dentro da sala.
Pablo. Como eu poderia explicar isso? Me aproximei dela na porta e cocei a cabeça, sem jeito, olhando para Pablo ainda dormindo no chão. Nós fizemos chuquinhas por todo o cabelo dele, pintamos seu bigode de loiro, fizemos alguns desenhos no seu rosto e grudamos uma boneca inflável no seu corpo com fita.
― Como eu começo explicar isso? ― Falei enquanto Amy me encarava, esperando uma resposta. ― Posso dizer que não foi ideia minha, eu só participei.
― Ele está parecido com um travesti que eu vi na TV esses dias. ― Amy falou olhando para ele.
― Ele não se parece mais com Pablo, vamos chamá-lo de Carmela. Ele vai matar a gente quando ver o bigode.
― Sinceramente, eu meio que gostei. ― Amy acenou positivamente, apontando para o bigode loiro. ― Do bigode, não o pênis ejaculando desenhado com batom no rosto dele.
― Oh! Isso foi Charlie. ― Falei me lembrando de Charlie desenhando no rosto dele com batom ontem.
― Vocês festaram para valer ontem a noite, hein? Mal posso esperar para ver o que tem desenhado na cara da Charlie. ― Amy sorriu e se virou para sair. ― Eu vou acordá-la.
― E eu vou terminar de escovar os dentes. ― Mostrei minha escova. ― E Carmela, continue dormindo.
POV-Charlie
― Acorda! Acorda! Acorda! ― Os berros de Amy e ela batendo palmas alto no meio do quarto me tiraram do meu sonho sobre um modelo italiano e gostoso passando óleo de bronzeador em mim numa ilha deserta. ― Charlie! Charlie! Charlie, tá acordada? Charlie, tá me ouvido? ― Ela berrou bem próxima de mim.
Eu estava acordada e estava ouvindo, mas com tanto sono, não quero me levantar. Preferi simplesmente ignorar e continuar com a cabeça coberta e fingir que estava dormindo até Amy decidir ir embora.
― Charlie, você não está morta, está? Charlie! Charlieeeeeee! Charlie, acordaaaaaaaaa! ― Amy continuou, não tinha mais jeito.
― Se você parar de gritar eu prometo que descubro a cabeça. ― Falei por debaixo do edredom e descobri a cabeça pela metade, ficando apenas com os olhos para fora para olhar Amy.
― Que? Quem? Que porra é essa? O que está acontecendo aqui? Charlie? ― Mike apareceu na porta do quarto segurando um bastão de baseball e olhando para Amy sem entender nada. ― Quem é essa? O que está acontecendo aqui? E porque vocês estão gritando?
― Eu sou Amy. Oi! ― Ela sorriu animada e acenou para Mike.
Apenas apontei de Amy para Mike, já que ela já havia se apresentado.
― Achei que tivesse um ladrão aqui e ele estivesse roubando o cabelo precioso da Charlie. Porque você está gritando? ― Mike olhou para ela sem acreditar. ― Quase fez os meus ouvidos sangrarem.
― Eu achei que Charlie estivesse morta, então eu ia gritar até ela voltar a vida. ― Amy explicou e deu de ombros, como se isso fosse super normal.
― Onde você encontrou esse monstro? ― Mike perguntou indignado para mim. ― Precisamos colocar nela uma daquelas coleiras de cachorro que quando eles latem elas dão choque.
― Isso é uma ótima ideia, Mike. ― Falei e Amy me olhou sem acreditar.
― Eu vou ver se eles vendem aquilo na internet. ― Dito isso ele saiu do quarto e fechou a porta.
― Ele acabou de me chamar de cachorra? ― Amy perguntou quando Mike saiu.
― Ele está sensível. Não se preocupe. ― Respondi.
Agora que eu estava começando a acordar e realizar as coisas, a primeira coisa que eu percebi foi... nada. Com nada eu quero dizer, eu não estava vestindo nada. Levantei o edredom apenas o suficiente para olhar lá embaixo e ver que eu realmente estava nua.
― Meu. Deus. ― Falei abaixando o edredom novamente, como se isso fosse fazer a roupa aparecer de volta num passe da mágica.
― O que foi? ― Amy me olhou confusa.
― O que não foi! ― Falei apavorada a beira de um ataque de loucura. ― Eu sou nua, literalmente, sem nada, do jeito que vim ao mundo! Do jeito que a gente toma banho!
― Eu sei, Peter me contou que a noite de vocês foi animada. ― Amy disse sorrindo maliciosa.
― Foi? ― Perguntei mais apavorada ainda.
O que eu havia feito? Levei uma das mãos aos lábios sem acreditar. Tentei me lembrar da última coisa que eu havia feito ontem e comecei me lembrar de tudo o que eu havia feito ontem. Pole Dance? Lap Dance? O que eu bebi? Eu dancei em cima de uma mesa? Tem como isso ficar pior?
Escondi o rosto entre as mãos e comecei a soluçar chorando.
― Foi tão ruim assim? ― Amy perguntou quando eu comecei a soluçar.
― Eu não sei, Amy! Porque eu não me lembro, não me lembro nem de como eu cheguei ao quarto ontem e muito menos o porque eu estou nua. Ontem eu fiz Pole Dance em uma boate de stripper e dancei em cima de uma mesa! Meu Deus! ― Gritei surtando e Amy me olhou assustada.
― Eu acho melhor eu pegar um remedinho pra você... ― Amy sussurrou se afastando lentamente, como se fizesse algum movimento brusco eu iria atacá-la.
Amy saiu do quarto e fechou a porta me deixando sozinha. O que eu tinha feito? Me enrolei no edredom quando Amy saiu e caminhei pelo quarto até pegar o meu celular para ver que horas eram, mas quando vi o que realmente havia ali nem liguei para as horas. Trinta e sete chamadas perdidas e vinte mensagens de texto da minha mãe e do meu pai, várias atualizações do Facebook e do Instagram.
― O que eu fiz? ― Sussurrei.
Quando eu fui abrir as mensagens para me preparar para o que vinha a seguir quando fosse ligar para os meus pais, o celular começou a tocar de novo, em na minha mão. Era minha mãe. Só podia ser brincadeira comigo.
Atendi com o telefone até meio afastado da orelha porque ela com certeza ia gritar.
― Charlie! ― Minha mãe gritou furiosa no telefone.
― Oi mãe. ― Falei mansinha e me encolhendo.
― Eu quero que você comece a explicar e a falar agora sobre o que são essas fotos no seu Instagram e no seu Facebook e o porque de você não estar atendendo desde ontem, espero um bom argumento que não faça eu e seu pai entrarmos no carro agora e irmos buscar você!
Fotos? Que fotos? Coloquei a chamada em espera no celular e abri o meu instagram e o meu facebook para ver as fotos. Cece me fazendo uma Lap Dance, eu fazendo uma Lap Dance em Cece, dançando em cima de da mesa, bebendo shots de tequila com os rapazes, fazendo twerk em cima da mesa com Cece e as garotas, mordendo a ponta de um Kit Kat enquanto Mike mordia outra, sentada de cadeirinha nos braços dos gêmeos e havia colocado como legenda: Daenerys Targaryen, uma foto de Pablo fantasiado de travesti e eu jogando Just Dance com Cece e Joe.
― Charlie! ― Minha mãe gritou no telefone.
― Mãe, eu posso explicar... ― Comecei a falar. Não, na verdade eu não podia. Maldito whisky com mel e coca, mas era tão gostoso.
― Então comece, eu estou esperando!
Choraminguei baixinho, não havia desculpa para inventar ali agora.
― Na verdade, eu não posso explicar não.
― Você estava em um clube de stripper, Charlie! O que você estava fazendo lá? E quem são aquelas pessoas? Eu pensei que fosse você mais responsável. Você poderia ter sido presa ou se machucado...
― Eu sei, mãe. Eu sei. ― Falei enquanto ela tagarelava sem parar.
― Você sabe? Então porque você fez, hein? Você me desapontou, Charlie. Eu nunca ia esperar algo assim vindo de você, nunca!
― Mãe, me desculpe. Eu sinto muito. Juro que nunca mais vai acontecer de novo. Eu não sei o que aconteceu, eu só... ― Comecei a falar, me mantendo firme para não chorar. Tudo que eu vinha fazendo nos últimos dias era desapontar meus pais.
― Eu espero que não, porque se não você vai voltar para a casa. Você sabia que haveriam regras com a liberdade para ir estudar longe. ― Minha mãe continuou. ― Seu pai quer falar com você. ― Pronto, agora desandou de vez.
― Charlie? ― A voz grossa e séria do meu pai falou do outro lado.
― Oi, pai. ― Mordi meu lábio inferior, me preparando para o que você ia dizer. Esperei ele começar a falar mas não disse nada, apenas escutei os barulhos que ele estava fazendo pelo celular e ouvi o som de uma porta sendo fechada. ― Pai, o que você está fazendo? ― Perguntei confusa.
― Me escondendo da sua mãe, não temos muito tempo então vou ser rápido. ― Ele falou e sua voz ecoava, ele tinha se trancado no banheiro. ― Ontem foi a sua iniciação? Eles ainda fazem isso? É um máximo! Charlie, e aí, você curtiu? A minha iniciação foi uma das melhores noites da minha vida, aposto que vocês festaram para valer... ― Ele ia continuar falando mas ouvi o grito da minha mãe.
― Daniel! Daniel! ― Ela gritou batendo na porta. ― Você não está a encorajando a fazer isso, está?
― Não querida, eu só não queria gritar com ela na sua frente. ― Meu pai falou.
― Abra a porta e me deixe falar com ela! ― Minha mãe continuou batendo na porta.
― Só um minutinho querida! ― Meu pai gritou de volta para a minha mãe e então sussurrou para mim. ― Charlie, eu estou muito feliz por você mas tenha cuidado e juízo, tudo bem? E não conte para a sua mãe que tivemos essa conversa.
― Daniel! ― Minha mãe continuou gritando.
― E não fique grávida, Charlie, porque pode acabar ficando igual a sua mãe! ― Meu pai gritou bravo, fingindo me dar uma bronca e abriu a porta.
― O que ele falou para você? ― Minha mãe falou furiosa no telefone.
― Para eu não ficar grávida e não pegar nenhuma DST, que o que eu fiz foi muito irresponsável e que quando eu estiver de volta, eu vou ficar de castigo. ― Menti. Aposto que minha mãe deu um olhar assassino para o meu pai.
― Aham... ― Ela murmurou, como se ela realmente acreditasse naquilo. ― Ainda estou furiosa com você e quando eu ligar novamente, eu acho muito bom você me atender mocinha. Ou garanto que eu e seu pai estamos indo buscar você e puxar a sua orelha.
― Sim, senhora. ― Respondi, um tanto aliviada.
― E não me chame de senhora, faz eu me sentir velha. ― Ela falou e eu tive que me segurar para não rir.
― Sim, mamãe. ― Tentei novamente.
― Bem melhor. Eu estou de olho, Charlie.
― Amo vocês! ― Falei e ela finalmente desligou.
Me arrastei até a cama e me joguei na mesma, gritando com a cara contra o colchão para soltar toda a minha frustração. Eu preciso de um banho, estou fedendo mais do que um mendigo. Espero que eu não tenha vomitado em mim mesma na noite passada.
Me levantei da cama e vesti um roupão, peguei uma toalha e sai do quarto. Escutei conversa lá embaixo e desci, o barulho vinha da cozinha. Fui até lá e encontrei todo mundo ali, incluindo Amy, que estava sentada, comendo ovos mexidos, bacon e tomando café.
― Olha só quem acordou! ― Cece falou animada quando me viu parada na porta.
Ela vestia um moletom da faculdade que ficava grande demais para ela, o que me levou a crer que fosse de um dos meninos. Ela fritava ovos mexidos e Joe ao seu lado o bacon. Jon estava sentado na pequena mesa redonda com Amy, Bruce e Bobby. Pete estava de pé e encostado no balcão da cozinha, assim como Mike.
― Charlie, você precisa comer um pouco disso aqui. Eu não sabia que strippers e gays conseguiam cozinhar tão bem! ― Amy falou de boca cheia, nos fazendo rir.
― Você está tão bonita quanto se um caminhão tivesse passado por cima de você. Parece que foi uma noite e tanta, hein. ― Bruce falou me olhando e sorrindo debochado.
― O que você quer dizer com isso? ― Olhei assustada para ele, uma noite e tanta? O que ele queria dizer com isso? Será que ele sabia?
― Charlie? ― Mike estalou os dedos próximo ao meu rosto me trazendo de volta a realidade. ― Tá dormindo ainda?
― Preciso de um... ― Gaguejei e pisquei, procurando algo para falar. ― banho.
― E café. ― Pete se aproximou de mim e me ofereceu uma caneca de café. O vapor quente exalando dai e o cheiro delicioso e convidativo. ― Fiz para você. ― Ele sorriu e deu um pequeno sorriso.
Fiz para você? O que ele queria dizer com isso? Fiz para você tipo... fiz seu café da manhã de agradecimento pelo sexo?
― Não vai pegar? ― Pete perguntou um pouco confuso, ao me ver pensar muito para pegar uma xícara de café.
Eu sentia como se eu aceitasse, ia significar que eu também estava agradecendo por algo que eu fiz e nem lembrava, mas eu estava com tanta sede e o café estava cheirando tão bem que não consegui resistir. Apertei meu lábios e estiquei minha mão para pegar a caneca de café, assim que toquei na mesma e senti a temperatura morna, a ponta dos meus dedos tocou com as de Pete e ele olhou para as nossas mãos.
― Eu vou... tomar isso no banheiro. ― Falei para eles quando peguei a caneca.
Me virei para sair da cozinha e dei um pequeno gole na caneca, mas quando fui sair algo entrou no meu caminho. Pablo travesti estava parado ali na porta nos olhando com uma cara nada boa, foi impossível não cuspir tudo que eu tinha na boca quando olhei para a cara dele.
― Oh meu Deus! ― Bruce falou e começou a gargalhar, assim como todos ali, incluindo eu.
― Ha ha ha! Engraçadinhos. ― Pablo falou sério. ― Tem um pênis ejaculando desenhado no meu rosto, qual de vocês perturbados fez isso?
Todos os rapazes riram e olharam para mim.
― Me desculpe. ― Sussurrei para ele tentando não rir. ― Pelo menos é da MAC. É um pênis ejaculando Ruby Woo na sua boca. ― Assim que eu falei isso eu não resisti e comecei a rir junto com eles. ― Eu sinto muito.
― Tem espuma de barbear no meu saco. ― Pablo disse ainda sem rir. ― É como se eu estivesse usando uma cueca almofadada.
Todos nós gargalhamos quando ele disse isso.
― Culpado! ― Pete falou rindo.
― Voy a tomar venganza. ― Ele falou sério em espanhol e se aproximou da mesa, pegando uma fatia de bacon do prato de Amy.
Sai da cozinha e fui até o banheiro, tomando o meu café. Eu precisava de um banho mais do que nunca. Entrei no banheiro e tranquei a porta, eu já tinha colocado as minhas coisas ali, porque tomar banho com um shampoo e creme e um sabonete que sete caras já usaram não está no dicionário de higiênico para mim. Tirei o roupão e o pendurei para quando fosse sair, coloquei a caneca de café vazia na pia, liguei o chuveiro e deixei a água esquentar antes de entrar na banheira. Entrei na banheira e fiquei de pé na mesma, deixando a água quente cair e me molhar inteira. Afastei o cabelo molhado da minha nuca, deixando a água quente cair ali e me massagear. Escutei um barulho que não era o chuveiro e nem a água caindo, fiquei mais atenta por um momento para ver se escutava novamente e eu ouvi.
― Olá? ― Falei, sem me mexer. ― Tem alguém aí? ― Perguntei, atenta os sons e o barulho continuava a vir. Era como se alguém estivesse fuçando no cesto de roupa do banheiro.
Desliguei o chuveiro e fiquei apenas ouvido por trás da cortina do chuveiro, puxei um pouco a mesma para espiar o que estava causando o barulho e olhei para o cesto de roupa, vi algo felpudo ali, parecido com um casaco de pele e apertei os olhos para ver melhor.
― O que é isso... ― Comecei a falar quando o que parecia uma bola de pelo, se levantou e olhou diretamente de volta para mim de dentro do cesto de roupa... era um guaxinim!
Gritei alto e o animal fez um barulho assustador, pulei para fora da banheira e corri pelada pelo banheiro, abrindo a porta e correndo para fora do banheiro aos berros.
― Charlie? ― Pete me chamou e veio em direção ao banheiro, assim como todo mundo.
Assim que vi todo mundo ali e eu pelada, me encolhi no canto do corredor e coloquei um braço sobre os peitos e uma mão entre as pernas.
― O que você está fazendo? ― Ele perguntou confuso.
― Tem um animal selvagem no banheiro! ― Gritei indignada. ― Parem de olhar para mim! ― Gritei. ― Alguém pega uma toalha para mim.
― Um animal selvagem? ― Mike perguntou confuso.
― Sim! Sim! Um guaxinim! E ele olhou direto nos meus olhos, com um olhar que dizia: eu vou te matar! ― Falei.
― Oh, é o John Travolta. ― Bobby falou e todos olhamos para ele.
― Está alimentando aquele guaxinim de novo, mano? Sério? ― Jon perguntou sem acreditar.
― Eu fico pensando que ele tem uma família de bebês guaxinins para alimentar e então alimento ele. ― Bobby falou.
Fale com o autor