Notas iniciais
Bom, este é o segundo capítulo. Estou adorando escrever esta história, espero de verdade que venham gostar.

Meu avô Joseph e eu saímos da casa de Dakota calados. Estávamos andando lado a lado e meu avô ainda segurava meu braço. Foi quando eu me arrisquei a falar sobre o que havíamos presenciado.

- Você já havia visto uma pessoa autista vô Joseph? – Perguntei –

- Já. Algumas vezes me deparei com esse tipo de pessoa. – Respondeu ele –

Ficamos em silêncio até entrarmos em casa. Quando entramos, percebemos que o almoço já estava sobre a mesa e minha avó Maria estava nos esperando para almoçarmos juntos. No almoço conversamos sobre o que havíamos presenciado. Minha avó já havia trabalhado em um hospital e havia conhecido pessoas autistas. Ela não se surpreendia com o que eu contava, mas sorria como se estivesse escutado aquilo pela primeira vez.


Quando acabei de almoçar fui para o meu quarto e desabei em minha cama. Fiquei pensando em Sophia, eu não conseguia tira-la da cabeça. Eu nunca tinha visto de tão perto uma pessoa autista. Eu pensava em como devia ter sido a infância dela, a pré-adolescência. Na escola, como ela devia ser tratada. Será que ela havia sofrido como eu sofri? Foi quando eu me levantei e fui até a janela do meu quarto e olhei para a janela do segundo andar da casa onde eu havia visto Sophia pela primeira vez. E lá estava ela, sentada no mesmo sofá de antes. Desta vez ela estava com um papel em sua mão e um lápis, provavelmente ela devia estar desenhando ou escrevendo alguma coisa. O braço machucado estava com um curativo.

- Sophia! – Gritei –

Ela imediatamente olhou para mim. Eu acenei com a mão dando um tchau para ela, mas Sophia apenas me olhava atentamente. Foi quando ela se levantou e abriu a janela. Meu coração começou a bater mais forte. O que ela iria fazer? Sophia começou a subir na janela, o risco dela cair de lá de cima era grande. Eu já havia lido em um site que alguns autistas não têm noção do que é perigoso. O que eu iria fazer? Não conseguia pensar em nada de útil em relação ao que estava acontecendo. Foi quando tive uma idéia. Correndo, saí do meu quarto, desci a escada e fui para a casa de Dakota. Pude ouvir os meus avós me chamando. No caminho consegui ver a menina autista se equilibrando na janela do segundo andar de sua casa. Ao ver isso, corri ainda mais. Ao chegar à casa de Sophia comecei a bater na porta e chamar por Dakota. Dakota abriu a porta e percebeu meu desespero.

- Charlie? O que foi? – Perguntou ela que parecia não estar entendendo o motivo de meu desespero. –

- A Sophia! A Sophia! – Foi tudo o que consegui dizer –

- O que tem ela?

- Ela vai pular da janela! – Gritei –

Dakota se virou e subiu as escadas correndo para o quarto de Sophia. Eu fui atrás correndo na mesma intensidade. Dakota abriu a porta do quarto onde Sophia estava e se desesperou com a cena de Sophia se equilibrando da janela.

- Sophia! –Disse Dakota aos prantos – Filha olha aqui para mim. Vem aqui na mamãe filha.

Sophia olhou para Dakota e apenas sorriu. Foi quando eu me arrisquei.

- Oi Sophia. – Falei – Lembra de mim?

Ela acenou timidamente que sim.

- Então, que tal a gente ir ali à cozinha para... Para... Tomar um sorvete? Que tal? – Perguntei –

Ela olhou para mim parecendo interessada.

- É filha, lá na cozinha tem um sorvete pra você. – Disse Dakota enxugando as lagrimas do rosto –

- Vou depois mãe, eu brincar um pouquinho? – Disse Sophia articulando as mãos de um modo meio estranho–

Autistas têm vários problemas, um deles é não se referir a si mesmo de forma correta. Como no caso de Sophia perguntar “eu brincar um pouquinho?” quando queria perguntar “eu posso brincar um pouquinho?” ou talvez “Me deixa brincar um pouquinho?” .

- Claro filha! Vamos brincar um pouquinho aqui. – Disse Dakota que tentava chamar a atenção de Sophia enquanto eu me aproximava dela sem ela perceber para tentar tira-la de perto da janela. –

A cada passo que eu dava, Dakota parecia ficar ainda mais nervosa. Foi quando eu já estava escorado na parede ao lado da janela onde Sophia estava. Meu coração estava acelerado. E se alguma coisa desse errado? E se na hora que eu tentasse puxar Sophia de perto da janela algo desse errado e ela caísse de lá de cima? Essas perguntas estavam martelando em minha mente. Se repetindo a todo o momento. Mas eu tinha que arriscar, eu devia. Se eu não fizesse aquilo e algo de ruim acontecesse, essa lembrança iria ficar me atormentando por toda a minha vida.

Comecei a sentir falta de ar, mas eu tinha que vencer aquilo. Respirei fundo, fechei os olhos e pedi a Deus em meus pensamentos que me ajudasse naquele momento.

- Deus, me ajuda! – Sussurrei –

Tomei coragem e me posicionei em frente à janela. Vi Sophia se assustar com a minha “aparição surpresa” e se desequilibrar. Eu podia ouvir Dakota gritando o nome da filha. Vi meu avô e minha avó na rua desesperados com a situação. Minha avó colocava a mão sobre a cabeça enquanto meu avô corria para tentar agarrar Sophia caso ela caísse. Meu coração estava acelerado e a falta de ar era grande. Eu estendi a mão para segurar a de Sophia e ...

Notas finais
Bom,espero que tenham gostado. Se quiserem dar dicas, críticas, opiniões ou qualquer coisa do tipo não exitem em me falar.Ficarei muito agradecido. Abraços...