Charlie e o Curioso Mundo de Sophia
19 Capitulo 19
Era quinta-feira. Lembro-me de acordar cedo para ir a clinica pegar o resultado do exame de DNA. Arrumei-me e tomei meu café da manhã. Despedi-me de meu avô Joseph e de minha avó Maria e saí de casa. Dei de cara com uma bela BMW parada em frente a minha casa, o vidro da janela se abriu e lá estava Harry com seu tradicional terno preto. Ele deu um sorriso e pediu-me para entrar no carro. Entrei e me assentei no confortável banco da frente. Coloquei o cinto de segurança e me surpreendi com Harry (mais uma vez). Ele se esticou até o banco traseiro e pegou uma sacola que lá estava. Tirou de dentro dela um copo de iorgute e alguns biscoitos embalados em uma caixinha.
– Comprei para você! – Harry disse sorridente –
– Hã... Muito obrigado! – Falei constrangido – Não precisava. Como também não precisava me dar todo aquele dinheiro.
– Aquilo foi apenas um agradecimento pelos bons momentos que você me fez passar. Você me fez lembrar que eu preciso me divertir de vez em quando e não ficar apenas trabalhando o tempo todo.
– É... Mas não precisava me dar tanto dinheiro. – Falei sorrindo. – Eu nem sei com o que gastar.
– Vou te dar uma dica. Guarde para um momento específico. Não gaste com besteiras. Tem sempre uma hora em que precisamos. – Harry sorriu e ligou o carro. –
– Ta! Vou fazer isso.
Eu estava nervoso e quando estou nervoso sempre fico com um frio na barriga. Eu não estava com fome, mas comi aqueles biscoitos com tanta rapidez que deve ter parecido que eu não comia há semanas. Foi um jeito de controlar aquele nervosismo. Realmente funcionou.
Harry dirigia o carro normalmente. Eu estava com minha cabeça encostada no vidro enquanto ouvia a musica que tocava na rádio. Era “A drop in the ocean” de Ron Pope. Uma bela canção e um ótimo cantor. Era uma das minhas musicas prefeiras. Aquela doce melodia entrava pelos meus ouvidos me acalmando daquele nervosismo. Fechei os olhos e por um segundo a imagem do sorriso de Kari e de Sophia passou pela minha cabeça. Logo eu abri os olhos e percebi já estávamos chegando. Faltava apenas atravessar um cruzamento e estacionar. Quando o semáforo apontou verde, Harry acelerou. Lembro-me de olhar para a janela do meu lado e ver um carro vermelho em alta velocidade vindo em nossa direção. Lembro de gritar alguma coisa como “Cuidado” para Harry. De repente tudo escureceu.
Muitas vezes quando estamos dormindo temos sonhos. Às vezes alguns podem ser ruins e as pessoas os chamam de pesadelos. Mas tudo isso se trata de sonhos. Sei que tive um sonho muito estranho. Tudo estava escuro. Um ponto branco e brilhante foi surgindo no meio do nada e aquele pontinho minúsculo começou a se abrir e crescer. Pude ver um grupo de pessoas me olhando. Todas aquelas pessoas estavam sorrindo para mim. Eu não sabia quem eu era e nem onde eu estava. Era tudo branco e sem nenhuma cor a não ser a cor de pele das pessoas. Havia duas garotas, elas estavam sentadas em um sofá bem bonito. Sentado entre as duas, havia um homem alto com um terno branco. Atrás do sofá, havia mais três pessoas. Um homem e uma mulher já idosos e entre eles havia uma mulher com cabelos loiros. Era impressionante como essa mulher parecia com aqueles idosos. A mulher sorriu para mim e sussurrou duas palavras: Não Desista. Foi quando senti um forte impacto em meu peito e tudo voltou a ficar escuro.
Abri os olhos e vi um homem com vestes de paciente de hospital dormindo em um sofá ao meu lado. Era Harry. Ele parecia estar com um braço quebrado, pois estava enfaixado. Seu rosto estava com um curativo. Ele parecia ter um machucado bem feio no rosto. Eu estava deitado em uma cama. Todo o lugar era branco e um azul bem claro tomava conta dos detalhes. Eu estava em um hospital. Tentei me levantar mais não consegui. Senti uma forte dor na cabeça e voltei a ficar imóvel. Alguns pensamentos vieram em minha cabeça. “O que eu estou fazendo aqui?”, “O que aconteceu comigo?”. Naquele momento eu não me lembrava de nada que havia acontecido. Nem mesmo do sonho que eu havia tido. Fechei os olhos na tentativa de me lembrar de algo, mas acabei adormecendo.
Acordei, mas eu ainda estava com os olhos fechados e senti que alguém estava perto de mim. Por algum motivo que desconheço não consegui abri os olhos. Essa pessoa me abraçou e deixou sem querer algo pequeno e molhado cair em meu rosto. Logo ela passou a mão carinhosamente em mim e limpou o que havia deixado. Ela depositou um beijo em minha bochecha e pareceu chegar bem perto do meu rosto, senti sua respiração em meu pescoço. Pude ouvir as palavras “Eu te amo” sendo sussurradas. Eu queria saber quem me dissera aquilo, mas não consegui abri os olhos para ver quem era. Alguns instantes se passaram e tudo voltou a ficar silencioso. Um silencio realmente perturbador.
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