Charlie é o Cara
17 Lar doce lar.
Notas iniciais
POV-Charlie
Depois de ter que esperar quase meia hora enquanto Pablo e Pete carregavam minhas malas do dormitório até a casa da fraternidade. O lugar não parecia tão assustador assim de dia, era uma casa de subúrbio como qualquer outra. Um dia ela provavelmente já foi azul mas hoje é só de uma cor desbotada que lembra o azul mas não é azul, vai saber que cor é essa.
Se você tirasse o sofá do meio do jardim, os barris de cerveja empilhados ao lado da casa, as latas e garrafas espalhadas pelo jardim e todo o resto, o lugar seria habitável.
― Lugar legal, não? ― Pete perguntou ao ver a minha cara de desespero ao olhar para a casa. Ele piscou e passou por mim.
Eu não sei porque mas sinto como se eu estivesse me mudando para a bolsa da Lindsay Lohan. Respirei fundo e joguei o cabelo para trás, criando coragem. Continuei andando em direção a porta, seguindo Pete e Pablo até a porta. Não tem como se pior, não tem. Subi os degraus da entrada e parei na frente da porta com Pete e Pablo ao meu lado. Pete abriu a porta e indicou que eu entrasse.
― Bem vinda ao lar, Charlie!
Pisei com o pé direito primeiro (não sou lá muito supersticiosa mas esse era um caso extremo, então estou aceitando qualquer coisa), entrei na casa e dei uma boa olhada a minha volta.
― Oh. Meu. Deus. ― Falei olhando a casa.
Era realmente uma casa só de garotos. Você pode imaginar o resultado do que é uma casa montada por garotos, não é? Onde se deveriam ter poltronas comuns, eles tinham poltronas para jogar vídeo game, um sofá retrátil cheio de almofadas um tanto... diferentes. Com diferentes eu quero dizer, cada almofada levava o nome de uma posição sexual. A mesinha de centro parecia servir como porta copos, assim como todo o resto da casa. No topo da lareira da sala haviam vários troféus de baseball e uma foto do time pendurada sobre a mesma e em cima cravado com letras regras estava escrito: Roar Omega Roar.
Mesas de sinuca, ping-pong, pebolim e mais alguns jogos de fliperama. Uma TV de sabe lá quantas polegas mas era grande, vídeos game, home theater e um aparelho de som que me assustou só de olhá-lo. Deus, quanto barulho essas coisas podem fazer?
― Isso é uma casa ou o playground particular de vocês? ― Perguntei olhando tudo a minha volta.
― Você gostou? ― Pete perguntou um pouco ansioso, me olhando preocupado com o que eu iria dizer a seguir.
― A cueca é parte da decoração ou o quê? ― Perguntei para ele, apontando para uma cueca que estava pendurava sobre um abajur na sala.
Pablo correu até lá e a tirou dali, jogando-a por uma janela aberta.
― Vamos fingir que isso nunca aconteceu. ― Pablo falou, sorrindo simpático para mim.
― Pessoal, Charlie está aqui! ― Pete gritou. ― Venham dizer oi. ― Nós ficamos em silêncio por um momento e não ouvimos nada. ― Bom, acho que eles não ouviram.
Não, eles ouviram, eles só não estavam afim de dizer oi mesmo.
― Vamos dizer oi então. ― Peter sorriu de forma gentil, tentando me animar ou me deixar mais confortável ali. ― Vamos lá.
Ele me segurou pelos ombros e foi me empurrando em direção a escada, enquanto Pablo vinha atrás de nós.
― Então Blanca, ― Pablo falou atrás de nós meio sem jeito, eu já estava começando a me acostumar com ele me chamando de Blanca. ― Amy falou de mim?
― Amy falou de você? ― Repeti, ganhando tempo para pensar o que eu diria a seguir. Pablo parecia ser muito legal e eu não queria de jeito nenhum começar a minha amizade com ele dessa forma, uma mentirinha não vai fazer mal, né? ― Ela está totalmente na sua, não para de falar de você. Meu Deus, ela falou sobre você ontem o tempo todo. Chega a ser irritante. ― Talvez eu tenha exagerado um pouco.
Olhei por cima dos ombros e vi Pablo dando um sorriso convencido.
― Safadinho. ― Pete sorriu para ele. ― Acho que vou deixar o meu bigode crescer também, o que você acha Charlie? ― Ele falou perto da minha orelha, ainda me segurando pelos ombros.
― Você nem tem barba. ― Pablo falou.
― Não precisava dizer para ela né. ― Pete sussurrou para ele. ― Primeira parada, planeta nerd. ― Nós três paramos na frente de uma porta.
POV-Pete
Charlie não parecia nada feliz aqui, imagino qual seria a reação dela ao saber quando ia ter que dividir o quarto comigo. Provavelmente me esganar ou sei lá. Abri a porta do quarto de Bruce e Bobby.
― Hei pessoal, olhe só quem está aqui. ― Apontei para Charlie sorrindo, como se não fosse óbvio. ― Charlie, esses são Bruce e esse é Bobby.
― Oi. ― Ela disse meio envergonhada e acenou. As bochechas dela sempre ficavam rosas quando ela sentia vergonha.
― Oi Charlie. ― Bruce disse e se levantou da poltrona no canto do quarto e veio até ela, cumprimentando-a com um beijo no rosto. ― Bom conhecer você com Pablo usando calças dessa vez.
― Boa observação. ― Ela sorriu olhando para Pablo.
― Eu fico confortável sem as calças em qualquer situação. ― Pablo respondeu dando de ombros.
― Seja bem vinda. ― Bruce falou sem jeito, coçando a cabeça. Então me olhou como se perguntasse se deveria dizer mais alguma coisa.
― E aquele é o Bobby. ― Falei, cortando o silêncio constrangedor e apontei para Bobby ainda sentado em outra poltrona no quarto.
― Oi Bobby. ― Charlie disse e sorriu para ele.
― Porque seu cabelo é vermelho? ― Bobby perguntou olhando para ela como se ela fosse um unicórnio.
― E nós acabamos aqui. Você não disse que queria conhecer o Mike, Charlie? Vamos lá. ― Falei a segurando pelos ombros e me afastando com ela dali.
Fomos para a próximo porta, o quarto de Mike e Pablo. Ouvimos uma música vindo do quarto e Charlie me olhou confusa.
― Essa é a música do filme Ghost? ― Ela perguntou.
Apertei os lábios e fiz que sim com a cabeça.
― Ele está passando por uma fase, a namorada terminou com ele. ― Expliquei. ― Mas não se preocupe, ele vai ficar bem. ― Abri a porta do quarto e a música Unchained Melody invadiu os nossos ouvidos. ― Ei Mike, olhe só quem está aqui.
Mike estava deitado na cama, com um pote de sorvete e uma garrafa de whisky. Havia um monte de lenços de papel espalhados pelo quarto e ele estava chorando, assistindo Ghost.
― Ele está bem? ― Charlie sussurrou, olhando assustada.
― Oh, está. Totalmente. Isso aí não é nada, não liga para isso. ― Deus, ele estava terrível.
― Me diga que esses lenços de papel são de lágrimas. ― Ela sussurrou.
― Não vamos tomar o risco, né. Vamos ver os gêmeos. ― Falei fechando a porta do quarto.
Não havia nada de errado com os gêmeos, não tinha como ser constrangedor ou assustador agora. Abri a porta do quarto dos gêmeos.
― Hei pessoal, Charlie está aqui. ― Falei animado, cutucando Charlie devagar com o cotovelo.
― Oi. ― Ela disse envergonhada novamente, acenando para eles.
― Esses são Jon e Joe. ― Apontei para eles ao dizer seus nomes.
― Não, eu sou Joe.
― E eu sou o Jon. ― Eles falaram. Merda, eu nunca sei qual é qual.
― Eles são muito iguais. ― Charlie sussurrou.
― Eu sei, são como clones. ― Falei. ― Legal, acho que é isso. Boa conversa, pessoal. Vamos.
Pablo havia ficado no quarto com Bruce e Bobby, o que era bom por um lado, ele não ia me ver apanhar de Charlie na hora que eu contasse a ela que ela ia ter que dormir comigo. Mas também era péssimo porque ele não ia estar ali para impedir ela de me matar.
Fale com o autor