Charlie é o Cara
24 Cada 100 gramas de chocolate pode conter até 60 fragmentos de barata.
Notas iniciais
POV-Charlie
Assim que nós vimos Cece na mesa, fomos todos caminhando naquela direção. Havia um garoto na mesa com ela e eles conversavam animadamente sobre alguma coisa. Quando ele viu que nós estávamos indo naquela direção, ele se levantou para sair. Loiro, alto e esguio, o garoto era muito bonito. Colocou as mãos nos bolsos da calça, parecia até um pouco envergonhado com a nossa presença ali.
― É melhor eu ir. ― Consegui ler nos seus lábios o que ele falou para Cece.
Cece apoiou o queixo nas mãos e acenou positivamente sem olhar para ele. O garoto permaneceu olhando para ela sem jeito.
― Oi pessoal! Eu já peguei uma mesa. ― Cece falou quando chegamos, ignorando completamente a presença do garoto ali.
― Hei Lou. ― Pete falou cumprimento o garoto com um aperto de mão.
― Pete. ― Ele sorriu para Pete, o cumprimentando de volta. Fez um aceno com a cabeça para os meninos. ― Rapazes. Moças. ― Ele piscou para mim e Amy, de forma muito educada.
― Pensei que já estivesse indo, Louis. ― Cece falou irritada, incomodada com a presença dele ali ainda.
O garoto olhou um pouco sem jeito para Cece e acenou positivamente.
― Você pode ficar cara, se quiser. ― Mike falou com um sorriso esperançoso para ele.
― Obrigado, Mike, mas é melhor eu ir indo. ― Ele respondeu Mike e olhou para Cece uma última vez, como se tivesse esperando ela pedir para ele ficar. ― Vejo vocês no treino amanhã.
Louis passou entre os rapazes e saiu dali. Eu e Amy olhamos uma para a outra, porque parecíamos ser as únicas sem entender o que havia acabado de acontecer ali. Um silêncio constrangedor ficou no ar. Acompanhei para onde Louis havia ido com os olhos e vi ele se juntar com um bando que já estava se tornando conhecido para nós, os Alpha Tau Omega. Bom, agora parecia fazer um pouco de sentido, não muito mas, já era alguma coisa.
― Bom, eu vou pedir a primeira rodada porque a minha boca está seca, quem está comigo? ― Cece falou animada batendo as mãos na mesa. Ela então levantou uma mão e gritou.
Enquanto todos ficaram distraídos e atentos a Cece, eu aproveitei que Bruce estava um pouco afastado também digitando um SMS e me aproximei dele.
― Pode me explicar? Porque eu estou super boiando no que aconteceu aqui. ― Perguntei e ele sorriu, sem desviar os olhos do celular por um momento.
― Eu só estava esperando você vir perguntar. ― Ele terminou de digitar e então bloqueou o celular, colocando-o no bolso da frente da calça. ― Louis é um Alpha, como eu vi que você observou. Ele é um dos poucos caras legais ali, se não for o único. Ele e Cece tem um rolo ou melhor enrolo, porque é muito confuso, há bastante tempo e eles continuam nessa. Cece anda com a gente e não é exatamente o modelo de garota que você imaginária ele com mas, ela já foi, tanto que eles namoraram por um ano. Lou não liga para quem ela é agora, mas quem disse que os amigos dele não ligam?
― Cece já foi uma garota modelo? Não consigo imaginá-la diferente do que ela é agora. ― Falei séria e Bruce riu.
― Sabe de nada inocente! Cece não foi só uma garota modelo, ela foi a versão original que criou as garotas modelos, Charlie. Cecília era presidente das Kappa Sigma, dançarina de balé clássico, presidente do conselho grego e a garota dos sonhos de todo calouro. ― Meu queixo caiu sem acreditar, Cece? Sério? Eu não conseguia imaginá-la de outra forma que não fosse essa de hipster doida e stripper nas horas vagas.
― Você tá zoando comigo! ― Olhei para ele sem acreditar e ele riu. ― E porque agora ela se tornou... ― Procurei uma palavra para descrevê-la agora mas não encontrei.
― Porque ela se tornou Cece, você quer dizer. ― Bruce completou para mim. ― Cecília morreu junto com o seu reinado, Cece meio que surtou com essa vida de garota popular, ela queria enfiar o pé na jaca, viver a experiência da faculdade. Ir para as festas, beber cerveja, falar palavrão, arrotar, sem que todo mundo ficasse chocado quando ela fizesse isso. Ela então saiu da Kappa Sigma e foi quando Angel virou presidente, ela e Angel já foram melhores amigas, quando Angel era uma garota legal. Angel conseguiu ficar um pouco pior do que Cece já foi um dia e virou isso ai que você conheceu esses dias atrás.
― Meu Deus, a vida de vocês é como uma novela mexicana. ― Falei ainda tonta com toda aquela informação e Bruce riu de mim.
― Claro, praticamente um capítulo de a Usurpadora. ― Ele continuou rindo de mim. ― Agora que você tem o resumo, se quiser saber mais, vai ter que esperar e comprar a versão impressa. Eu vou pegar uma cerveja. ― Dito isso, Bruce se aproximou da mesa também.
Fiquei parada ainda olhando meio confusa com tudo isso. Então, Cece já havia sido uma garota popular e a presidente da Kappa mas havia desistido porque queria ser uma universitária normal (não que ela seja normal agora, porque não é), eu acho que nunca mais conseguiria a olhar da mesma forma que antes. Talvez fosse por isso que ela não contasse esse tipo de coisa para as pessoas, para elas não a verem como a ex-popular, fútil e arrogante. Cece era uma das pessoas mais legais que eu já havia conhecido, mesmo que agora eu a associasse a sua vida de popular, eu ainda gostava dela pela garota que eu conheci, a garota que ela é agora.
Me aproximei da mesa e fui até onde Amy e Pablo estava. Pablo estava sentado em uma daquelas cadeiras altas e Amy estava de pé entre as suas pernas. Que bonitinhos, um casal de mexiáticos.
― Pablo, posso roubar a sua garota por um minutinho? ― Sorri para ele, já puxando Amy pelo braço. Eu precisava contar isso para ela. Nem o deixei terminar de responder e puxei Amy dali para contar para ela.
POV-Pete
Charlie estava me ignorando totalmente desde cedo, ela nem olhava para o meu rosto e eu nem sabia o porque. Será que era por causa de ontem a noite? Ela estava brava porque eu a deixei beber demais? Ou será que eu fiz alguma coisa e ainda não me toquei?
O pessoal conversava animadamente em volta da mesa e eu encarava a minha caneca de cerveja, pensando sobre isso. Amy e nem Charlie estavam ali.
― O que você fez para ela? ― Mike perguntou, me tirando dos meus pensamentos.
― Quê? ― Perguntei confuso.
― Charlie, ela está te evitando totalmente. ― Ele falou, dando um gole na sua cerveja.
― Nada, não que eu me lembre... ― Passei a mão pelo cabelo, tentando me lembrar do que eu fiz de errado.
― Bom, então peça desculpas.
― Pedir desculpas? Eu não fiz nada de errado! ― Olhei para ele sem entender.
― Meu Deus, eu nem sei como você pega tanta mulher sendo tão burro! Ela é uma garota, mesmo que você esteja certo ou não tenha feito nada, tem que se desculpar, porque garotas estão sempre certas. É uma das leis de Newton. ― Mike acenou positivamente.
― Garotas tem sempre razão? É uma das leis de Newton, tem certeza? ― Perguntei rindo.
― Absoluta. Não dá risada não, pede desculpas pra você ver. Ah! E leva um agradinho também. ― Mike me aconselhou.
― Agradinho? ― Repeti, sem entender.
― É, tipo flores ou sei lá...
― Nós estamos em um pub, acha mesmo que eles vão ter flores aqui?
― Flores não mas tenho quase certeza que eles tem Kit Kat, Charlie adora, ela pode comer um montão deles. ― Mike sorriu. ― Tenta a sorte.
― Certo, Kit Kat e desculpas, tudo bem. Vou tentar. ― Dei um gole na minha cerveja antes de me levantar e sair da mesa.
POV-Charlie
― O que é isso? Um episódio de Ruby? ― Amy perguntou tão surpresa quanto eu quando contei a ela sobre Cece.
― Eu disse a mesma coisa, que loucura, né? ― Falei. ― Mas não diga a ninguém que eu te contei, nem mesmo a Pablo, entendeu?
― Minha boca é um túmulo, querida. ― Amy falou, levantando a mão como se estivesse fazendo um juramento.
― Do tamanho de um né, só se for. ― Olhei para a cara dela e ela riu. Desviei meus olhos por um momento de Amy e olhei a nossa volta, foi quando vi que Pete estava vindo na nossa direção. ― Oh Deus! Pete está vindo aqui, finja que está conversando animadamente comigo sobre alguma coisa de garota e ai ele não vai querer falar com a gente.
― Ok. Tudo bem. Tudo bem. ― Amy falou tão apavorada quanto eu, olhei para trás e vendo Pete.
― Para de olhar! ― Falei apavorada para ela.
― Eu não sei o que falar? Sobre o que eu falo? Sobre o que garotas falam? Já sei! ― Ela gritou animada e começou a falar quando Pete parou do nosso lado. ― Você prefere grande ou grosso? Eu acho que é importante uma combinação dos dois e...
Escondi o rosto entre as mãos envergonhada quando Pete olhou para mim e depois para Amy.
― Nós estamos falando sobre... cenouras. ― Amy improvisou.
― Cenouras? ― Pete repetiu e olhou para mim, que ainda estava com o rosto escondido nas mãos.
― É, cenouras. Bom, acho melhor eu ir. Vou falar sobre cenouras com Pablo. ― Ela virou as costas para sair.
― Eu acho que vou também. ― Tentei ir atrás dela mas Pete entrou na minha frente, me impedido de passar. ― Com licença? ― Falei, olhando para o rosto dele.
― Eu fiz algo errado? ― Ele perguntou. ― Você tem me evitado desde cedo e está começando a ficar muito esquisito. Quer saber, nem precisa dizer, me desculpe pelo o que quer que eu tenha feito. ― Pete falou rápido demais, como se estivesse nervoso e fosse a primeira vez que ele pede desculpas. ― Se for sobre ontem a noite...
― Ontem a noite? ― O interrompi. Pronto, estava confirmado. Ontem a noite, nós totalmente tínhamos feito aquilo. ― Ótimo! ― Falei envergonhada.
― Eu não vi nada. Bom, eu vi hoje na hora que você saiu correndo do banheiro pelada mas... ― Ele gaguejou.
― Você não viu nada? Nós fizemos no escuro? ― Perguntei confusa.
― Fizemos o que? ― Ele é quem ficou confuso agora.
― Sexo. ― Falei baixo como se fosse um palavrão. ― Eu... ― Fiz uma pausa. ― Eu realmente não me lembro. ― Confessei, provavelmente vermelha como um tomate maduro de vergonha. Peter começou a rir da minha cara. ― Você é um idiota! ― Belisquei o seu peito com força.
― Charlie! ― Ele falou tentando parar de rir. ― Nada aconteceu ontem a noite!
Espera aí! Nada aconteceu? E todos os sinais, não! Ele estava mentindo, eu tinha tanta certeza!
― Mas você fez café da manhã para mim hoje! ― Argumentei.
― Eu faço café da manhã para todo mundo, o que tem de errado? ― Pete perguntou rindo.
― E Cece disse que eu coloquei coisas na minha boca ontem a noite. ― Tentei de novo.
― Oh, ela estava falando sobre você morder a cabeça do Johnny na briga.
― Eu entrei em uma briga? ― Perguntei horrorizada. ― Nada aconteceu?
― Nadinha... ― Pete falou. ― Bom, você meio que chupou a minha orelha mas acho que isso não conta como uma coisa. ― Bom, alguma coisa tinha acontecido né. ― Porque você pensou isso?
― Eu não sei, por causa dos sinais, sei lá. ― Improvisei e ele riu.
― Porque você queria que tivesse acontecido, talvez? ― Ele falou, me olhando e esperando eu dizer que sim.
― Não! Claro que não! Foi porque eu estava bêbada e quando eu estou bêbada eu tenho a tendência a fazer coisas estúpidas, como entrar em uma briga, dormir pelada, fazer aquilo com você. ― Falei irônica.
― Fazer aquilo com você? Quando anos você tem para falar assim? Cinco? ― Ele falou debochado.
― Quantos anos você tem para fazer piada sobre isso? Seis? ― Revirei os olhos e ele riu.
― Pra você. ― Ele levantou as mãos para mim, em uma ele segurava um Kit Kat e na outra uma caneca de cerveja preta.
― Eu aceito o chocolate, obrigado. ― Falei tomando o chocolate da mão dele. ― Não vou beber hoje.
― Por isso que eu penso em tudo, isso é cerveja preta sem álcool com coca cola. ― Ele sorriu orgulho, me oferecendo a caneca.
― Existe uma porcentagem de 0,001% de álcool em cada litro dessas bebidas, existe um estudo que comprova isso. Não porque elas levem álcool mas pelos ingrediente que elas são feitas. Então, eu fico com não. ― Sorri confiante para ele.
― Adoro quando você fala coisas inteligentes, é sexy. ― Ele disse debochado e piscou para mim. ― Mas eu recomendo que você prove isso. Garanto que não vai ficar bêbada com um gole. Por favor, eu insisto. Peguei especialmente pra você.
Dei um suspiro cansado e impaciente, Pete ia insistir até que eu bebesse. Peguei a caneca da sua mão, o líquido escuro e a espuma bege clara por cima, aproximei da boca e dei um pequeno gole. Era gostoso.
― É bom. ― Falei.
― Eu sei. ― Pete falou e então aproximou sua mão do meu lábio, passando o polegar sobre meu lábio superior, limpando um pouco de espuma que tinha ficado ali. ― Bigodinho de espuma. ― Ele sorriu e lambeu o seu polegar, me fazendo sorrir também. Mesmo sendo uma coisa clichê e coisa de filme dos anos oitenta, era super sexy quando ele fazia isso. ― Vamos lá, eles estão nos esperando. ― Sai caminhando do seu lado pelo caminho de volta. ― Então quer dizer que você está tendo sonhos eróticos comigo, Charlie?
― Cala a boca! ― Falei rindo e lhe cutucando com a ponta do cotovelo na costela.
― Pare de dar em cima de mim! ― Ele falou exagerado, me fazendo rir mais ainda.
Nós voltamos para a mesa e todos estavam ali, amontoados em volta da pequena mesa, bebendo e dando risada.
― Finalmente! ― Mike falou quando eu e Pete nos aproximamos. ― O que você fez de errado que demorou tudo isso para se desculpar?
― Esse é o ponto alto, Mike. Eu não fiz nada de errado. ― Pete falou, sorrindo debochado para mim e depois para Mike.
― Isso é o que todos nós homens falamos. ― Bruce disse rindo.
― Ok, agora que estamos todos nós aqui vamos tirar a nossa foto em família! ― Cece disse animada, se levantando da sua cadeira. Ela segurava uma câmera polaroid na mão.
― Foto de família? ― Amy perguntou.
― Nossa foto em família, vamos lá querida! ― Joe falou para Amy, empurrando ela e Pablo para mais perto.
Cece pediu para um garoto qualquer ali tirar a foto, enquanto todos nós tentávamos nos apertar para caber na foto. Good Life do OneRepublic estava tocando no pub.
― Vamos lá, todo mundo se ajeitou? ― Jon perguntou.
― Peraí, o cabelo da Cece ta na minha boca. ― Bobby falou, afastando o cabelo de Cece do seu rosto.
― Pisou no meu pé, Mike! ― Pablo falou para ele.
― Foi mal. ― Mike falou.
― Todo mundo se ajeitou? ― Cece perguntou agora. ― Vamos lá...
― Nós somos a cara de um comercial de margarida. ― Bruce disse, fazendo todos nós rirmos.
― Digam ROR! ― Pete falou.
― ROR! ― Falamos todos juntos quando a foto foi tirada.
Nós nos afastamos após a foto ser tirada e Cece foi pegar a câmera e a foto com o garoto, ela segurou a pequena foto e a abanou como um leque na mão.
― Deixe eu ver essa belezura. ― Bruce falou, se aproximando de Cece, assim como todos nós para ver a foto.
― Alguém tem uma caneta? ― Cece pediu.
― Eu acho que eu tenho. ― Falei. ― Deixa eu olhar na minha bolsa. ― Como eu sempre digo, tenha sempre uma bolsa preparada. Achei uma caneta preta ali e entreguei a Cece. ― Aqui.
Cece pegou a caneta e escreveu no verso da foto: Roar Omega Roar 2014.
― Isso vai para a parede. ― Bruce falou, olhando a foto junto com Mike e Jon.
― Charlie. ― Ouvi Pete me chamar e me virei para olhá-lo, ele segurava câmera apontada para mim. ― Diga algo inteligente.
― Cada 100 gramas de chocolate pode conter até 60 fragmentos de barata. ― Falei sorrindo e Pete tirou uma foto.
― Você me diz coisas tão românticas. ― Ele falou sorrindo, pegando a foto e a chacoalhando na mão.
― Deixa eu ver. ― Me aproximei dele para ver a foto.
― É que nem mágica, né? ― Pete falou, enquanto observamos a foto ir ganhando cores no papel lentamente.
― Não é mágica, é só ciência. A foto já está ai antes de sair, a luz faz com que ela apareça aos poucos, dando a impressão de estar aparecendo só depois que sai da máquina. ― Expliquei para ele.
― Não seja estraga prazeres. ― Pete mostrou a língua para mim. ― Eu gostei. ― Ele falou me mostrando a foto.
Peguei a foto da sua mão e olhei, até que não tinha ficado tão ruim.
― Me empresta aqui. ― Ele falou depois de um tempinho, pegando a foto da minha mão. Ele estava segurando a minha caneta. Pete começou a escrever algo no verso da foto.
― O que você está escrevendo? ― Perguntei, tentando ver e ele escondeu, não me deixando ver.
― Tira os olhos daqui. ― Pete riu e escondeu a foto nas suas costas. ― Vamos colocar isso na parede.
Pete pegou a outra foto com Cece e eu e Mike fomos junto com ele colocar a foto na parede. Uma parede inteira, com fotos coladas do chão ao teto, algumas até sendo colocadas uma sobre a outra, elas eram prendidas com tachinhas. Quantas histórias não haviam ali, quantas noites não haviam ali.
― Isso é incrível. ― Falei olhando as fotos.
― É muito maneiro, né? ― Mike falou, olhando tudo por ali. Ele então tocou uma foto da parede e a puxou, tirando-a da parede.
― Mike, tá fazendo o que? ― Perguntei.
― Não tem mais porque deixar aí. ― Quando ele me mostrou a foto, eu entendi o que ele estava falando. Era a foto dele e de uma garota juntos, aqui mesmo no pub, ela estava sentada em uma cadeira e Mike estava de pé atrás dela, abraçando-a.
― Oh Mike, eu sinto muito... ― Falei sinceramente, passando minha mão no seu braço carinhosamente. Eu ainda lembrava algumas partes da nossa conversa ontem e ele realmente gostava dessa garota.
― Tudo bem, Charlie. ― Ele sorriu para mim. ― Ei Pete, tem um espaço aqui. ― Mike chamou Pete que ainda estava procurando um lugar para colocar as fotos.
Pete se aproximou e entregou a minha foto para Mike enquanto ele colocava a outra na parede. Peguei a foto da mão de Mike e a virei para ver o que ele tinha escrito no verso. A garota mais bonita daqui. Sorri com o que li e Pete viu.
― Você leu. ― Ele falou meio envergonhado.
― Eu li. ― Sorri, oferecendo a foto de volta para ele. ― Sua letra é bonita.
― Sempre sabe a coisa certa para me dizer. ― Pete sorriu e pegou a foto da minha mão, colocando-a próxima a de que todos tiramos juntos.
Olhei para onde ele colocou a minha foto e vi uma foto com dois rostos conhecidos próxima a minha, me aproximei dela e a olhei mais atentamente.
― O que foi? ― Pete perguntou.
― Oh, Deus. Esses são os meus pais! ― Falei com a boca aberta, olhando a foto.
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