Charlie é o Cara
18 A cama é nossa.
Notas iniciais
POV-Pete
Não tem mais jeito e nem para onde fugir mais, ou eu conto agora de uma vez ou vou enrolar até contar da pior maneira possível. Vamos fazer assim, como tirar um curativo, bem rápido. Se eu contar rápido ela nem vai perceber. Oh, claro Peter, ela não vai perceber que vai ter que ficar no mesmo quarto que você.
― Então, Charlie... ― Comecei, sorrindo de um jeito esquisito, tentando manter a calma. Ela me olhou daquela forma curiosa, merda acho que ela percebeu.
― O que foi? ― Ela perguntou séria, esperando eu contar. ― O que é tão terrível que você está com medo de me contar?
― Terrível? Te contar? ― Repeti, gaguejando um pouco. ― Eu nunca disse isso. Nunca. Nunquinha. Eu só...
― Para de enrolar e fala logo. ― Ela disse impaciente.
― Tudo bem. Como eu começo a falar isso? Bom, acho melhor simplesmente mostrar né. ― Continuei enrolando sem saber como contar. ― Acho que todos devemos manter a calma agora.
Ela revirou os olhos impaciente e caminhamos até o meu quarto. Olhei para ela uma vez antes de abrir a porta e ela arqueou as sobrancelhas e fez um sinal com as mãos para eu ir logo. Abri a porta do quarto e olhei para ela.
― É isso. ― Falei.
― Seu quarto? É isso que está te deixando todo esquisito?
― Meu quarto. Nosso quarto. Não está um dia tão bonito hoje? Espero que não chova. Você viu o jornal ontem? ― Falei rápido depois, até me atrapalhando nas palavras.
― Nosso quarto? ― Charlie repetiu. ― Eu ouvi isso direito?
― Oh Deus! Você disse: Eu ouvi isso direito. ― Engoli em seco. ― Não é um bom sinal.
― Eu quero bater na sua cara agora com facas. ― Ela disse, apertando os olhos para mim. ― Você não acha mesmo que vou ficar no mesmo quarto que você, né?
― Bom, nós não temos muitas opções. Nós votamos.
― Vocês votaram? Tipo, como se eu fosse um saco de batatas que se joga em um canto? Vamos votar para ver em que quarto ela vai ficar. ― Ela falou incrédula. ― Eu não quero ficar com as batatas hoje.
― Não foi assim, você fala desse jeito parece que foi terrível. Não foi tão terrível, foi só tipo... quem vai querer dormir com ela. ― Falei, tentando parecer não tão horrível quanto realmente era. ― Tipo assim.
― Quem vai querer dormir com ela? ― Ela me olhou furiosa.
― Não no duplo sentido. Viu? Você está vendo malícia onde não tem.
― Oh, eu estou? Jura?
― Talvez não tanto. ― Admiti. ― Mas você pode ficar tranquila quanto a isso também. Eu estou proibido de me envolver com você. Proibido sob qualquer circunstância. Beijinho, gracinha, conchinha, etc. ― Ela gargalhou quando eu falei. ― Tá rindo do que?
― De você achar que eu realmente fosse fazer qualquer uma dessas coisas com você para você estar proibido. ― Ela respondeu ainda rindo.
― Aé? E você fala como se fosse fácil resistir a mim. ― Olhei para ela ofendido.
― É mais do que fácil, não existe chance no planeta que me faça querer ter algum contato com você. Nós somos cargas do mesmo sinal. Já tentou juntar dois imãs pela parte de trás? Somos nós dois. ― Ela sorriu orgulhosa.
― Se está tão convencida assim, porque não fica no mesmo quarto que eu?
― Porque você ainda é um garoto e eu ainda sou uma garota. ― Ela respondeu.
― Esse é seu melhor argumento, sério? ― Fiz um bico, me fingindo de pensativo. ― Não em convenceu.
― Eu não preciso convencê-lo de nada.
― Então eu estou ficando até que você me convença do contrário com um bom argumento. ― Fui entrar dentro do quarto mas ela me impediu, entrando na minha frente.
― Não! ― Tentei desviar novamente e ela me barrou. ― Não! Não! Não!
― Sim! Sim! Sim! ― Falei ainda tentando passar por ela. ― Porque não?
― Porque não!
― Não me culpe pela nossa tensão sexual ser palpável. ― Dei de ombros e sorri confiante.
― Você é tão... ― Ela fez uma pausa, apertando os lábios e pensando em algo suficiente ruim para me chamar.
― Sexy? ― Pisquei para ela e mordi meu lábio inferior.
― Irritantemente idiota e confiante! ― Ela me empurrou. ― Odeio você!
― Você odeia a conexão que nós temos porque não acha que sou bom o suficiente para você, então se faz de durona mas aposto que secretamente está se sentindo atraída por mim. ― Dei de ombros. ― Não se preocupe, acontece com a maioria das garotas.
― Você é tão convencido. ― Ela riu nervosa. ― Tá bom, se acha tão confiante assim, tudo bem. Vou quebrar essa confiança da melhor forma, provando que você está errado. Pode ficar no quarto mas a cama é minha.
Eu sei que eu deveria ficar com a boca fechada agora mas eu não ia perder essa oportunidade, correndo o risco de apanhar o que eu não havia apanhado até agora, aqui vai.
― A cama é nossa. ― Passei a ponta da língua pelo meu lábio inferior.
Charlie bufou como um boi bravo, então me atacou. Suas duas mãos se fecharam em torno da minha garganta e apertando, me enforcando.
― Eu tava brincando! Charlie! Meu Deus! Socorro! Você pode ficar com a cama! ― Falei enforcado.
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