Characters´s Stories
1 01. Born To Die
Annabeth Chase e Perseu Jackson eram franceses. Ela, filha de um dos maiores inimigos de Hitler. Ele, um francês apaixonado que, obviamente, não era a favor do Nazismo. O Führer a cada dia conquistava mais territórios com seu exército, e a Alemanha a cada dia estava mais poderosa.
Annabeth e Percy ainda estavam vivos. O pai de Annabeth a mandara fugir, com medo de que Hitler, ao descobrir sobre ela, a matasse. Apesar de não se sentirem bem com tal ato, tentavam negar sua nacionalidade e se disfarçavam com nomes falsos, para conseguirem, pelo menos, onde ficar.
Mudavam constantemente de lugar, para que não corressem riscos de serem descobertos, ou pior, darem de cara com algum nazista. No momento, se encontravam na Áustria. Não estavam seguros, pois a mesma acabara de ser dominada pela Alemanha.
Em uma floresta qualquer, se escondiam. A guerra podia ser escutada dali. Gritos, tiros, bombas. Pessoas implorando pela vida. Pessoas morrendo.
Annabeth começava a pensar que a vida era apenas isso. Nascer, viver, morrer. Nascer, para depois morrer. Era disso que se tratava tudo aquilo.
—Talvez devêssemos parar. – disse Percy, parando de andar, fazendo com que Annabeth, que estava andando um pouco a frente, parasse e se virasse para ele.
— Como assim parar? Você quer morrer? – a garota de cabelos loiros tinha indignação no olhar.
— Nós vamos morrer de qualquer forma, Annie. Você sabe disso, só não quer admitir. Isto é uma guerra perdida para pessoas como nós.
Percy agora estava sentado. Abria sua mochila e tirava de lá duas garrafas de uísque que conseguira no último lugar o qual os dois trabalharam, antes de fugirem mais uma vez.
Annabeth, relutante, desistiu e sentou, por mais que ainda estivesse pensativa. Se lembrava de como estava se sentindo sozinha, andando pelas ruas da França, pouco antes de fugir.
— Isso me deixa triste, pensar que vamos morrer. Não me faça chorar. – ela respondeu, depois de um longo silêncio, dando um longo gole em uma das garrafas – Eu só queria estar em casa.
— Eu posso fazer com que se sinta em casa. – respondeu Jackson – Eu sou seu, de qualquer forma. Eu sou sua casa agora.
Continuaram bebendo, sem se importar com o local que estavam, ou com a atual situação. Só queriam beber, rir, se divertir em meio a tempos turbulentos.
— A estrada é longa, nós devemos seguir. – disse uma Annabeth embriagada e Perseu concordou, embora alterado pelo álcool. Andavam, completamente bêbados, pela floresta.
Apesar de embriagados, conseguiam ouvir barulhos da guerra se aproximando, soldados correndo pela floresta. Torciam para que não fossem os nazistas, mas o universo não estava a favor das pessoas contra a Alemanha no momento. Começaram a andar mais rápido, enquanto uma chuva começava a cair.
As coisas que Percy carregava em sua mochila, caíram no chão, e eram coisas bem importantes para sobrevivência para serem deixadas para trás. Annabeth ajudava, tentando pegar tudo o que podia, mas a chuva, agora forte, atrapalhava sua visão, deixando-a quase cega. Ela estava confusa, não sabia o que pegar, nem onde procurar. Parecia uma criança brincando de pega, e a medida que ouvía os soldados se aproximando, tinha medo de não conseguir encontrar tudo e não sair a tempo.
Os dois voltaram a correr, agora encharcados pela chuva. Percy segurava a mão de Annabeth enquanto corria, tentando, em vão, fazer com que a garota corresse mais rápido.
O caminho ficava mais difícil a medida que a floresta ficava mais densa. Foi então que Annie se deu conta de que estava prestes a morrer, pois eles nunca conseguiriam fugir de soldados treinados.
Não querendo passar seus prováveis últimos momentos de vida atormentada, confusa, e com medo, Annabeth começou a imaginar que aquilo era só mais uma brincadeira de quando era criança. Estava indo em direção a morte e tentava, obviamente em vão, se divertir nesse meio tempo.
Percy implorava para que seus pés não falhassem, ele precisava continuar correndo. Seu corpo todo doía a cada passo, por conta do esforço que estava fazendo.
A mata da floresta se abriu e, de repente, o casal se deparou com portões grandes, pesados e altos, que iam até onde a vista alcançava. Não tinham para onde ir agora. Seria esse o fim?
— Vou ver se eles estão perto. – disse Perseu, ofegante. Annabeth, embora com medo de que algo acontecesse, fez que sim com a cabeça, pois sabia que não adiantaria negar: Percy faria de qualquer jeito.
— Estarei te esperando aqui nos portões. – ela falou e juntou seus lábios com os do garoto, a chuva ainda caindo.
Percy se soltou e foi em direção à mata, não indo muito adentro. Não demorou muito para que voltasse.
— Vão chegar a qualquer instante. Não tenho certeza se me viram, a chuva está atrapalhando um pouco. – disse e Annabeth assentiu.
Os dois se beijaram. O exército se aproximava. Continuavam se beijando. Alguém os viu. Se beijavam. Mais passos, agora mais rápidos e mais próximos.
Afastaram o beijo, mas mantiveram as mão unidas, e se depararam com uma boa quantidade de homens nazistas. Após confirmarem que os dois não eram alemães, os homens apontaram suas armas.
— Ele está com ela. Está com a queridinha da França. – um soldado falou para outro, apontando para Percy. Annabeth fora reconhecida. – ELE É DELA, ENTENDERAM? DEVE MORRER TAMBÉM! – o mesmo soldado aumentou o tom de voz, para que todos que estavam ali escutassem. Os homens assentiram.
Annabeth fechou os olhos e os manteve desse jeito, sua cabeça a mil. Nascidos para morrer, nascidos para morrer, nascidos para morrer, pensava.
A garota, então, ouviu um tiro e sentiu a mão que segurava a sua se soltar, e depois, um barulho de um corpo caindo.
Annabeth abriu os olhos e confirmou: Percy Jackson, seu amor, estava morto.
E antes de conseguir pensar em qualquer outra coisa, ouviu o som do gatilho, e tudo em seu corpo parou de funcionar. Para sempre.
O amor não foi o bastante para salvar as vidas de Annabeth Chase e Perseu Jackson. Porque Annabeth, Percy, e todos, foram nascidos para morrer.
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