Changes of Destiny
6 O desejo
Notas iniciais
Depois de cair na real e pensar que ainda estava completamente nu, me apressei em me vestir ainda com expressão confusa em meu rosto.
Estava arrasado olhando com uma incredulidade gritante para aquela loira a minha frente.
É impossível que Sam tenha odiado se ela mesmo me beijou! Tomou todas as rédeas da situação antes mesmo que eu pudesse pensar em plano, em Carly ou Griffin. Ela tinha iniciado. Não fazia sentido querer exigir que aquilo nunca mais pudesse acontecer.
Eu sabia que queria que acontecesse mais um milhão de vezes. Talvez até mais.
Realmente gostei de algumas garotas em Toronto, fiquei uns bons meses saindo com elas todas as noites, mas nada parecia se comparar com aquilo que tínhamos acabado de fazer. Era insano o quanto era excitante. Insano o quanto meu corpo já estava reagindo mal por não tê-la em contato.
Que tipo de loucura está acontecendo comigo? Que tipo de cara pensa assim depois da sua primeira transa com uma mulher?
Você está em completa anormalidade mental, Freddie.
— Acho que preciso de um banho. — soltei tentando desviar o olhar desconfortável que eu havia perdurado por mais tempo do que deveria.
Sam pegou no meu braço com força me forçando a virar para ela.
— Você entendeu, não é, Freddie? — disse pausadamente como se eu fosse uma criança.
Queria gritar em alto e em bom som que não, eu não tinha entendido. O que tinha de tão errado assim em transar comigo, afinal? O tesão não é nenhum esmagador de cérebro, tenho plena convicção de que a queridinha estava bem consciente quando quase pediu para que eu enfiasse meu pau dentro dela logo.
— Eu não sou nenhum, doente, Puckett. Sou bem limpinho, faço meus exames regularmente e tenho um bom plano de saúde.
Eu realmente não queria levar a fundo aquela conversa, então optei pelo bom e velho deboche.
Simplesmente, não seria capaz de determinar com todas as letras que nunca mais transaria com ela, aliás, se eu pudesse, estaria a arrastando para um banho de segundo round agora.
— Deixa de ser idiota! — ela disse dando uma risada um pouco constrangida — Não é nada disso. É que... você não acha que foi meio estranho?
Estranho? Samantha, o que está dizendo? Isso foi absolutamente delicioso, a melhor transa da minha vida! O que poderia ser estranho em tantas faíscas de prazer soltadas por segundo? Não consigo nem pensar muito nisso que meu pau já começa a endurecer como pedra.
— Eu não achei estranho coisa nenhuma. — disparei em um tom mais grosseiro do que eu queria — Você é toda linda, Sam. Por que você acha que é estranho transar comigo? Sou algum horroroso, por acaso?
Me achei tão Freddie-nerd-de-15-anos depois dessa frase. Acho que é natural, porque depois de começar para valer minha vida sexual, me acostumei com todos os elogios possíveis das parceiras. Agora parecia até que eu estava praticamente checando se havia agradado ou não.
Eu a vi colocar uma mecha de seu cabelo atrás da orelha. Olhara para a parede do quarto como se tivesse alguma movimentação lá. Fitou o teto suspirando enquanto parecia se preparar para falar algo.
Quando olhou de volta para mim, finalmente, começou a esboçar o início de uma gargalhada.
— Parece até que você quer que eu te elogie! — Sam disse enquanto dava pequenos risos.
Desgraçada! Em que momento ela adquiriu esse poderzinho de ler mentes?
— Nada a ver, nerd. É que nos conhecemos há tanto tempo e nunca rolou nada, achei que você ia rir disso depois, assim como estou fazendo agora.
Eu não queria rir, eu queria dizer que era praticamente impossível uma mulher me fazer chegar ao orgasmo apenas com penetração e ainda mais de camisinha! Ela tinha conseguido esse feito e estava preocupada com a época em que éramos dois idiotas brincando de se odiar.
— Éramos, tipo, crianças, Sam. É perfeitamente normal que a gente não tenha tido essa intenção um com o outro antes.
Reparei quando Sam tombou a cabeça para o lado um pouco pensativa.
— É verdade, mas também acho que foi o momento de hoje. Olha esse hotel que a gente está! É todo glamuroso, espaçoso e quentinho. — ela deu uma pequena olhada em volta — O clima ajudou muito. Acho difícil que role de novo, até porque eu estou mesmo interessada no Griffin e você sabe.
Porra, Samantha.
Deveria ganhar o prêmio de melhor frase corta-clima pós sexo do planeta. Que escroto, seria nojento se ela estivesse pensando em Griffin enquanto estávamos, sabe... lá! Agradeço aos céus por pelo menos ela ter me chamado pelo nome certo!
Senti meu rosto esquentar e estava torcendo para não estar vermelho de raiva com aquele comentário. Que merda, Puckett! Estou com vontade de te chamar de trouxa por estar tão afim de um cara que não quer nada com você!
Sei que não teria coragem, mas eu juro que queria, Sam, eu juro!
— Até acreditaria se não tivesse sido você a primeira a me beijar. — dei ênfase no "você" de propósito para que ela se lembrasse direitinho que aquela loucura toda não era só culpa minha.
Ela pareceu dar de ombros.
— E daí, bobão? — disse tentando passar um ar de superioridade — Eu já falei, foi só momento.
"Só momento". Que engraçado. Se ela quisesse desprezar aquilo pelo menos teria que chamar de "senhor momento". Meu sangue está fervendo em pensar que eu sou o único otário que tinha achado aquilo maravilhoso. Eu te odeio, Sam.
— Você é inacreditável. Guarda para você seu discursinho sobre estar gostando do Griffin e todas essas outras idiotices. Aposto que iria odiar se eu estivesse falando de outra pessoa minutos depois de acabarmos de foder.
Sam sorriu com um enorme ar sarcástico. Como eu podia odiá-la tanto e ao mesmo tempo estar lembrando de como ela dizia tão irresistivelmente meu nome em sussurro? Aquela mulher era a pura perdição.
— Eu até te daria um fora, mas sei que fica ridículo a gente brigando o tempo todo. — olhou para a porta como se lembrasse da cena de Shay saindo — Eu gostei também, Frednerd. Mas, não quero ser uma hipócrita que diz que gosta de Griffin enquanto transa com o melhor amigo dele.
Me aliviei, primeiramente, por ela ter baixado um pouco a guarda e admitido quase discretamente que havia sido bom. Entendi seu ponto. Era realmente contraditório querer Griffin enquanto ela mantinha relações comigo. Mas, eu sabia bem qual era minha missão: ela teria que esquecer o meu amigo de uma vez por todas!
— É meio escroto mesmo, mas você sabe que ninguém precisa saber, né? — perguntei me aproximando dela.
Seu cheiro ardente e natural começou a invadir minhas narinas mesmo ainda com uma considerável distância. Estava começando a me perder naquela sensação e pensar que poderia ficar bêbado quase inconsciente que, mesmo assim, não estaria tão desconcertado quanto naquele momento.
Mexi em sua franja, colocando-a um pouco para o lado esquerdo de sua testa enquanto mergulhava no azul de seus olhos. Minha mão já estava pousada na parte lateral de seu cabelo, quase na beirando a nuca.
Sam é mais linda do que metade das meninas que já encontrei na vida. Ah, quem eu estava enganando? Era mais linda que todas elas. Seus cílios marcantes e completamente naturais, suas bochechas rosadas, seu cabelo formatado perfeitamente para o seu rosto, seus lábios naturalmente fartos e coloridos pareciam me fazer delirar.
Não sabia ao certo onde reparar e em que parte me demorar mais com meu olhar. Era tão ela. Nenhuma das garotas com quem me envolvi tinham tantas características únicas. Era sempre uma coisa que costumava chamar mais a minha atenção. Mas, em Sam, não, cada parte que eu descobria era mais interessante do que a outra.
Ela começou a respirar pesado enquanto parecia prestar atenção na minha boca. Nossas respirações estavam se misturando e eu podia sentir que seria impossível me controlar para que não transássemos nunca mais, como ela queria.
— Mas, eu vou saber... — disse tentando ser firme, mas falhou — isso seria tão sujo de se fazer. Com certeza minha consciência me denunciaria todos os dias.
Ela desviou seu olhar de encontro ao meu. Mas, que tesão do caralho aquela garota estava me causando. Eu queria refletir sobre o que ela estava falando, eu juro.
Não tinha se afastado de mim ainda e eu me senti grato por isso. Estava certo que uma espécie de ímã colava nossos corpos e era inútil lutar contra aquilo. Afinal, as leis físicas sempre vencem.
— Eu não ligo — disse quase num suspiro do que como numa bem construída frase.
Colei nossos lábios sem delicadeza enquanto entrelaçava meus dedos de uma mão embaixo de seu cabelo e a outra apertava com força sua cintura, quase em um abraço. Eu já estava com saudades daquele beijo, mesmo depois de alguns minutos. A insanidade hoje parecia ser infinita.
Senti Sam envolver seus braços por cima do meu ombro e eu dei graças a todos os seres divinos por ela estar correspondendo.
Mas, sabe, quando dizem "alegria de pobre dura pouco"? Isso tinha acabado de acontecer. Apesar de eu não ser nenhum pouco pobre.
Mesmo assim, acho que vocês, seres da minha consciência, entenderam.
— Para com isso. — ela disse se soltando de mim e se afastando — Sei que fazia tempo que a gente nem se olhava na cara, mas saiba que eu não sou alguém que faz esse tipo de coisa errada na tranquilidade.
Me desanimei e meu olhar denunciava. Não havia nada de errado naquilo, pelo contrário, parecia cada vez mais certo.
— Você e o Griffin não tem nada, não é como se você estivesse traindo ele.
Sam pareceu ponderar enquanto comprimia a boca.
— Eu gostei para caralho de fazer isso com você, Sam. — admiti — Foi incrível descobrir que a gente se entrosou mesmo depois de tantos anos de ódio. Se eu achasse que você está sendo uma babaca, pensa que eu não falaria? Eu ainda sou aquele certinho que você zoava anos atrás. Não gosto de fazer a coisa errada mesmo que meu desejo por você esteja falando tão alto quanto a Carly quando grita em desespero.
Sam riu e se virou para me olhar. Passou a mão na barriga e levou um pequeno susto quando a campainha do quarto tocara.
— É meu rango! — saltitou indo até a porta.
Pareceu falar com um funcionário e trouxe o carrinho para dentro com o montão de comida que havia pedido em cima.
— Já que você está aqui... vou te deixar dividir comigo para não morrer de fome, mas na próxima, peça o seu, Freddonho.
Eu a olhei sorrindo como um idiota.
— Então, vai ter próxima vez? — disse malicioso.
Sam revirou os olhos.
— Cala a boca e come logo! — respondeu impaciente.
Nada me tirara da cabeça que ela estava querendo ficar sozinha num quarto comigo de novo.
Agora era questão de honra ter nossos momentinhos de sexo casual. Eu queria conquistar isso de verdade. Eu precisava tê-la mais vezes.
E um Benson consegue o quer, mesmo que não pareça.
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