Changes of Destiny
31 Epifania
Notas iniciais
— Melanie!
Sam gritou do banheiro e seguiu chamando sua irmã enquanto descia as escadas desesperada. Ainda não tinha derramado uma lágrima, o que parecia um recorde, mas era mais coerente pensar que ela simplesmente estava atônita demais internamente para soltar qualquer tipo de lamentação.
Melanie mexia em algo na pia da cozinha, até se virar preocupada quando sua irmã já estava aumentando seu tom em um que transpirava tristeza e aflição. Sam ora tentava explicar, ora respirar mais fundo. Nada podia fazer seu coração desacelerar, então Mel se apressou em tomar alguma atitude.
— Calma! – quase gritou segurando os ombros dela – Primeiro senta, depois respira e fala. O que houve, Sam?
Sam suspirou até conseguir recuperar o ar. Sentiu seus olhos marejarem e os fechou como se isso fosse amenizar esse efeito. Sentou-se devagar na mesa da cozinha, Melanie acompanhou esse movimento sentando-se na cadeira a frente. Ela ainda consolava Sam e a encorajava a continuar falando.
— Sam, o que aconteceu? Está me assustando... Não diz que foi algo com a mamãe.
— Não posso. – Sam declarou já limpando algumas lágrimas – Melanie, nossa mãe desapareceu.
— O quê?
— A Carly ligou e disse que o pai dela notou uma movimentação esquisita no hospital quando procurou pela ficha dela lá. O que pode ter acontecido?
A gêmea levantou da cadeira pensativa. Sabia que tinha algo estranho e lembrou-se de algumas coisas que seu pai tinha contado a ela pouco antes de morrer. Sim, tinha havido uma época que Pam estava mais ausente que o normal e Melanie percebia. Sam sempre se distraía com John, enquanto ele tentava mascarar o começo de uma recaída da esposa.
Pam tinha problemas com o álcool desde sua adolescência quando sua mãe morreu precocemente. Já tinha ido pra clínica de reabilitação no auge de seus vinte anos, porque já tinha começado a se envolver com drogas também. Melanie se lembrava. Se lembrava exatamente de uma conversa que ouvira entre John e Pam. Sam já estava dormindo, mas a outra repousava seus pequenos pés na beira da escada e escutava uma discussão desagradável.
Ela lembrava exatamente de seu pai dizendo que não queria passar por mais um tratamento ao lado de Pam, pois ela já havia fugido de uma clínica de reabilitação antes, então poderia fazer de novo sem hesitar.
— Não acredito que ela fez isso...
— Como assim? – Sam acompanhava cada expressão no rosto de sua irmão, tentando decifrar.
— Se a gente fuçar, vamos achar várias fotos da mamãe em uma reunião do AA em 1984. Ela já fugiu de uma clínica antes.
— Acha que ela fugiu? Eu não sei, Melanie, ela saiu daqui decidida a melhorar!
— Sam. – disse ela assertiva – A mamãe tentaria qualquer coisa por nós, mas conseguir é outra coisa. Você sabe que ela enjoa de tudo muito rápido.
"Eu que o diga", Samantha pensou. Levantou-se, também, bem vagarosamente. Sua feição era claramente de alguém que tenta processar todas as informações. Podia acreditar que sua mãe havia fugido, mesmo que fosse muito estranho. Pam era completamente imprevisível e Sam estava decepcionada. Depois de todo o trabalho que teve para ajudá-la, não queria supor que mais essa não daria certo.
— Precisamos conversar com os médicos, você não acha?
— Acho. – Melanie suspirou – Mas, hoje não. O Freddie me contou que vem te buscar a noite antes de sair. Você precisa ir, Sam. Vai te fazer bem e o Freddie não merece que você fure, ele é muito legal.
— Você não está abalada? Melanie, pra que você voltou? Pra tirar o Griffin da Carly?
Sam estava irritada e seu tom em sua voz denunciava isso. Melanie fechou os olhos pesadamente e cambaleou um pouco para trás. Sentiu-se injustiçada e decepcionada, afinal havia acabado de explicar como sua relação com Griffin ocorrera. Afastou-se e subiu apressada com a mão no rosto para o quarto que estava dormindo. Olhou para sua mala com pesar, enquanto sua gêmea comprimia os lábios arrependida do que tinha dito.
Sam achava, no fundo de sua alma, que tinha vivido todas as montanhas russas de Pam bem mais profundamente e considerava-se até uma perita nelas pelo tempo. Não culpava Melanie, mas ela se fora muito jovem quando decidiu estudar em Annie Wright, a família ficou em segundo plano por mais que custasse a ela admitir. Estava sinceramente preocupada porque não queria mais viver nessa realidade em que tinha de ser a mãe de sua própria mãe. Era fardo demais para carregar.
Decidiu se desculpar com a irmã assim que a viu descer, mas esta fechou a porta com uma mochila repousada nas costas. Sentou-se frustrada. Pensou em Freddie, logo em seguida. Ele queria levá-la para comer quantas lasanhas conseguisse. Pensou, então, que ele sempre fazia o que fazer ou dizer mesmo quando não sabia o quanto as coisas estavam difíceis. Freddie era seu porto seguro, felizmente. Toda vez sentia-se grata e honrada por tê-lo e experimentar um amor tão puro somente com ele. Jonah não podia chegar aos pés e muito menos Griffin. Freddie era o amor de sua vida.
Não podia deixá-lo na mão, iria ao jantar e faria ser especial. Queria deixar isso tudo de lado e aproveitar algo tranquilo pela primeira vez. Não merecia toda essa carga pesada em sua responsabilidade.
—
(...)
Carly estava na terceira batida da porta da casa de Griffin. Pensava ser uma idiota por estar fazendo isso, mas queria uma satisfação sobre como as coisas tinham mudado tão rápido. Em uma noite, ele estava dizendo que ela era a única garota que já havia amado e hoje estava nos braços de outra. O amor não podia sumir assim, ao menos de dentro dela não havia sumido.
— Carly? – Griffin abriu a porta surpreso. Ele esperava Melanie, porque ela já havia telefonado, mas receber a morena ali com certeza fizera seu coração disparar.
Não conseguia esquecê-la tão fácil, afinal, tinha sido mesmo seu primeiro amor. Mas, estranhamente, não podia dizer que passar a maior parte de seu tempo com Melanie era um sacrifício. Ele encontrava coisas adoráveis nela e já podia imaginar que sentiria sua falta quando ela fosse para Annie Wright. Sinceramente, estava apenas puxando assunto para aproximar-se dela quando comentou sobre o programa de tecnologia, mas agora pensava mesmo em ir.
Sempre adorara a vida de nômade e agora que não estava preso a ninguém, considerava essa possibilidade.
— Já esqueceu quem eu sou rápido assim? – a garota entrou sem que esperar. Soltou essa frase se arrependendo no minuto seguinte por conter um alto tom de ironia. Queria falar sério, mas também não queria parecer uma ex-namorada chata.
— N-não. – respondeu sem jeito – Mas, achei que nunca mais quisesse me olhar na cara.
— E eu não queria. – suspirou – Só que... eu preciso entender o que aconteceu com a gente, Griffin.
— Nada, não aconteceu nada. Nossa relação não estava dando certo. – Griffin dizia dando as costas a ela e se dirigindo a cozinha.
— Então por que você não consegue me olhar nos olhos?
O bad-boy parou e tentou encará-la. Era verdade. Toda vez que conversavam ele não tinha a gana de olhá-la nos olhos e sustentar sua decisão. Com certeza, tinha algo a ver com não ser uma decisão realmente tomada por ele. Aproximou-se dela devagar, ainda não tinha parado de tentar manter o maior tempo de contato visual com ela para transparecer verdade. Mas, ele ainda não sabia qual verdade queria mostrar. Qual verdade tinha em toda essa história, afinal?
— Olha, Griffin, eu só vim te fazer uma pergunta...
— Pode dizer. – respondeu em calmamente em alívio. A pressão para que falasse algo estava matando-o.
Carly se preparou para falar e, então, colocou uma de suas mãos nos ombro direito do garoto. Ele encarou o movimento um pouco nervoso, até que sentiu seu telefone vibrar no bolso da calça. Mexeu-se um pouco inquieto e amedrontado. Pegou o telefone com cuidado tentando não transparecer o decodificador de chamadas.
Carly estranhou no mesmo minuto.
Ele virou de costas, então a morena pegou em seu braço um brava querendo descobrir o que ele escondia. Podia estar agindo como a ex louca, mas não aguentava mais segredos. Pensou se havia alguma mulher na vida dele além da Melanie, mas logo depois da confusão física esquisita que eles se enfiaram, o celular caiu no chão e foi fácil para que Carly identificasse quem era.
— Por que o Leonard está te ligando?
Griffin gelou. Honestamente, queria correr dali mesmo que aquela fosse sua casa. Foi, então, que ouviu uma batida na porta e deu graças aos seres divinos por ser Melanie. Claro que, em qualquer outra realidade, as duas mulheres que gostava ao mesmo tempo em sua casa era um pesadelo. Mas, tudo. Tudo poderia ser melhor do que alguém descobrir do plano de Leonard, porque também descobririam que ele compactuou com tanta sujeira.
— Oi, Carly. Tudo bem? – Melanie disse sem graça. Ela não esperava ver a ex de seu "atual?" na casa dele. Refletiu sobre o que conversavam e quis se culpar quando lembrou-se que talvez sua irmã estivesse certa. Ela estava roubando mesmo o Griffin de Carly.
— Quer saber... eu volto outra hora. – disse a loira se dirigindo de volta a porta.
Griffin protestou na hora. "Não vai!", era confuso para ele gritar isso mesmo sabendo que sua relação com Mel não havia começado de maneira espontânea. Bem, a relação de Sam e Freddie também não e eles estão apaixonados. Pensou ele. Mas, então, ele não entendia porque simplesmente não conseguia apenas não sentir nada por Melanie. Ela tinha algo que o atraía, que o deixava verdadeiramente feliz. Tudo com ela era fácil e leve.
— Não esquenta, Melanie. – Carly disse com uma pitada de asco – Eu mesma vou.
Carly saiu ainda sem acreditar que tinha falado tudo aquilo sem desabar de chorar. Porém, era claro que tinha uma pulga atrás da orelha. O que diabos Griffin fazia recebendo telefonema de um presidiário nojento? Freddie nunca o perdoaria por isso. Nunca.
Dirigiu até em casa para conseguir esquecer como sua vida tinha mudado de maneira tão rápida e insana. Queria uma amiga para conversar, mas sua melhor amiga era — simples assim — a irmã gêmea de seu problema.
Quando chegou em casa afundou seu rosto no travesseiro ainda não conseguindo deixar um choro escapar de seus olhos. Estava sendo forte e, de verdade, achava que Griffin não merecia um segundo de seu lamento. Ele havia sido egoísta e provou completamente que era desonesto. Ainda não conseguia parar de pensar na ligação do pai de Freddie, mas não fazia ideia do que podia significar. Não sabia como ele estava na prisão e seu comportamento foi bastante manso no tribunal.
Mas, tinha quase certeza que ele não havia nem ao menos contatado Freddie pelo celular. E a quantos telefonemas ele tinha direito, afinal? Era confuso e perturbador pensar no que tudo isso significava e não tinha nem vontade de continuar. Talvez fosse uma boa ideia deixar Seattle depois que o ensino médio acabasse.
Felizmente, sorriu quando ouviu seu telefone tocando. Sam estava pedindo sua ajuda para sair com Freddie hoje a noite. Pelo menos, algo tiraria sua cabeça da insanidade daquele dia. Preparava o vestido que Sam havia pedido, era o único que tinha que havia ficado um pouco largo em seu corpo, pensou que ficaria perfeito em sua amiga. Ao menos, ela estava tendo um bom momento e alguém com quem podia contar em todas as horas.
Tomou um banho relaxante e se preparou para dirigir até lá e a ajudá-la a se arrumar. Era certo dizer que Sam precisava desse jantar para esquecer, por alguns momentos, que sua mãe não estava segura na clínica. Se ela havia fugido por que não fora para casa? Provavelmente, a culpa tomara conta de seu corpo e ela não teria coragem de olhar para Sam e encarar sua derrota em se recuperar. Tudo isso era completamente bizarro para ser verdade.
Então, Sam olhava-se no espelho e pensou que sua maquiagem leve tinha sido suficiente para esconder o choro que descarregou durante toda a tarde. Esperava Carly chegar com a roupa para que se lembrasse que essa noite seria incrível. Precisava de um momento incrível com ele, precisava sentí-lo com ela. Era o momento que mais precisava que Freddie provasse o quanto a ama e se importa com ela. Sentia-se vulnerável, triste e um pouco solitária. A partida de Melanie seria muito mais difícil desta vez, pois Sam já havia percebido sua ausência se transformar em angústia no peito quando ela fugiu com aquela mala.
Olhou sorridente para a porta quando Carly invadiu seu quarto. Obviamente, a morena conseguiu abrir a porta porque Sam não havia trancado quando Melanie a deixou.
Vestindo aquela peça, percebeu que o tom de azul perolado e escuro combinava com seu tom de pele. A entrada do vestido para um decote era totalmente perfeitava e se encaixava nos seios de Sam com perfeição. O comprimento ajustadamente curto valorizava suas pernas até o meio da canela, porque o coturno preto que usava tinha canos logos. Estava deslumbrante sem perder seu estilo. Até Carly havia gostado do detalhe do calçado, mesmo preferindo um salto.
Com um gloss nos lábios, observava a morena ir embora e sentou-se para esperar Freddie. Se fosse capaz de admitir, diria que suas mãos estavam suando porque estava nervosa. Também, falaria que sua respiração estava descompassada porque nunca fora convidada para um encontro de verdade. Não assim. Quando namorava o Jonah, eles apenas faziam tudo de qualquer jeito. Não podia culpá-lo, até porque nunca pensara que gostava dessas coisas até Freddie aparecer.
"Você revirou minha alma, me bagunçou e deixou tudo do avesso. Isso foi a melhor coisa que poderia ter acontecido comigo."
"Você também, nerd.", pensou ela.
Saiu dos seus devaneios quando escutou a buzina da Range Rover. Sorriu tentando concentrar-se apenas nisso. O vidro não era tão escuro, então andando até o carro ela conseguira ver o formato do topete se virando a sua frente. Freddie estava a olhando. Será que já admirava o jeito que estava vestida? Ou sua maquiagem? Será que estava admirando o tom do seu cabelo? Sam apenas queria saber se havia o agradado, porque quando abriu a porta do carro foi presentada uma visão incrível.
Freddie estava com uma camisa social vinho que ela pensou que podia fazer parzinho com seu vestido ofuscante. Seu topete estava mais lindo do que nunca e seus olhos de chocolate brilhavam com a pouca luz da lua e dos poste que batia em seu rosto. Ela, agora, sentia suas pernas bambearem pelo olhar e sorriso que ele a lançou. Parecia transpirar pureza e o maior dos amores que já havia atingido seu coração.
— Você está tão linda, Sam. – seu maxilar travou enquanto encarava um pouco mais de seus olhos. Estava completamente hipnotizado pelos fios de cabelo que repousavam delicadamente na bochecha rosada dela e pelos seus lábios que pareciam reluzir ao luar.
Sam apenas sorriu satisfeita e se prostrou para beijá-lo rapidamente. Freddie ainda não havia aberto os olhos quando Sam se afastou e o custou para parar de amar o gosto que ela havia deixado em sua boca. Ele queria tê-la para o resto da vida, parecia que cada segundo nunca era o suficiente.
— Vamos ser felizes hoje, por favor. – Sam soltou segurando uma de suas mãos.
Freddie apenas sorriu e deu partida com o carro.
Quando sentaram, Sam admirou o quanto o Pini's estava bonito na nova decoração. Freddie tinha feito tudo que um cavalheiro faz: empurrou a cadeira para que ela se sentasse, pediu um campanhe e ainda disse que não importava quantas lasanhas ou massas Sam quisesse pedir, ele pagaria por tudo.
Ela gostava de ter independência, mas tudo que ele estava fazendo merecia ser apreciado. Ele cuidou de detalhes para que fosse uma noite agradável para os dois.
— Sam, está tudo bem? Estou te sentindo um pouco pra baixo. – ele estendeu a mão na mesa para que ela segurasse.
— Está perfeito. Eu prometo.
Era sua terceira taça de champanhe, podia sentir que na sua quinta talvez enxergasse tudo rodar. Freddie estava mais relaxado também, ele ria com ela sobre a postura de um garçom engraçado que se atrapalhava com os pedidos por toda a extensão do restaurante. Conversaram sobre tudo. Ou quase. Escolheram as coisas boas e radiantes que existia para se falar. Conseguiram até rir de toda a situação de Griffin e a aposta.
Então, quando finalmente Sam decidiu que o sexto pedaço de lasanha seria seu último, Freddie preparou a sobremesa que havia combinado com um dos atendentes. Ele queria que viesse um brownie com sorvete de chocolate branco para ela porque era sua sobremesa favorita. Encarregou-se de tudo com antecedência, então sorriu quando o prato chegou a mesa.
Sam gelou e seu sorriso se alargou no rosto imediatamente. Estava escrito no prato com calda de chocolate, a frase "quer ir ao baile comigo?". Ela não pôde conter o riso e o encarou enquanto ele também ria como uma criança travessa.
— O baile é daqui a um mês, está maluco, Benson? – disse rindo de toda maravilhosidade que ele havia criado.
— Eu não quero perder tempo em te garantir como meu par, princesa Puckett. – suspirou – Você sabe que é incrível, existem caras por aí que matariam pra te ter do lado. Eu precisei ser mais rápido.
Sam riu.
— Eu iria com você mesmo que você nunca me convidasse. – sussurrou se aproximando de seu rosto – Você é meu par, Freddie. Não importa o que aconteça, você vai ser sempre o meu par.
Freddie arrepiou-se como se já tivesse ouvido isso antes. Sorriu quase se rendendo ao ímpeto de agarrá-la ali mesmo. Ela pegou mais um pouco de champanhe, o ofereceu e ele apenas estendeu sua taça. Beberam até aquela garrafa enorme acabar enquanto imaginavam como seria o baile e seus pares. Acharam que Griffin ficaria divido entre chamar a Carly e Melanie, que Gibby ficaria dividido entre chamar Shanon e Carly, porque Freddie havia descoberto recentemente que seu companheiro de aulas de geografia tinha uma grande queda pela morena.
Os dois andaram até o carro gargalhando de qualquer piada idiota e nerd que Freddie havia contado. O mais impressionante é que Sam havia dado risada dela. Cambaleavam um pouco, mas Freddie sabia que estava completamente bem para dirigir até a casa de Sam. No caminho, ela estava um pouco sonolenta no banco do carona. Feeddie ora olhava para ela, ora para o caminho. Sorria bobo por ter reconquistado sua confiança e agora não queria deixar escapar de jeito nenhum.
Pegou a chave da casa dela em sua bolsa e a carregou até a porta. Abriu com dificuldade e apenas uma mão, mas a levou no colo até seu quarto. Viu-a repousar num sono profundo e sentou do outro lado da cama apenas para admirá-la. Seus olhos brilhavam, suas pipulas negras dilatavam e o castanho de seus olhos clareava mesmo sem nenhuma luz. O amor reflete nos corpos. Estava encantado com cada detalhe em Sam, até que percebeu que ela ainda vestia os coturnos. Desceu um pouco desamarrando os laços dos cadarços e retirou delicadamente os sapatos. Sam mexeu-se levemente e grunhiu alto.
Freddie levantou e estava decidido em deixá-la dormir. Foi, então, que ela percebeu a movimentação e o segurou pela blusa.
— Não, Freddie. – impediu tentando abrir os olhos – Dorme comigo, por favor. Não quero ficar sozinha, não posso ficar sozinha. Todo mundo na minha vida me deixa.
Ele franziu o cenho confuso e se aconchegou ao seu lado. Abraçou-a forte quando ela virou para o lado. Beijou o começo de seu pescoço e retirou seus tênis rapidamente logo em seguida. Finalmente, sentia que o cheiro doce e inebriante dos cachos de Sam faziam efeito em seu confortável sono, então adormeceu.
— Para de chorar, sua vadia! – dizia um homem carrancudo acima do peso. A tatuagem de fogo em seu braço era típica de um marginal perigoso. Pam queria olhá-lo no olho e chutar suas piores partes, mas uma máscara preta cobria todo seu rosto.
Pam chorava como se dependesse disso para ser solta. Contorcia-se naquela corda que fora amarrada e os dias passavam como horas incrivelmente vagarosas. Estava machucada pelas punições que levava dos sequestradores toda vez que abria a boca para choramingar sobre suas filhas e John Puckett. Eles não queriam que nada se remetesse as gêmeas para que nenhuma informação delas escapasse de algum lábio burro deles.
Os médicos foram subornados para doparam Pam com as comidas que traziam especialmente para ela. Tinham calmantes em todos os sucos e o dopante final foi colocado no seu terceiro dia de estadia. A verdade é que as pessoas podem contatar pacientes antes de completar uma semana, mas esse plano estava tão bem arquitetado que essa foi a única informação que as irmãs receberam.
— Eu preciso me tratar! Eu preciso voltar pra casa e ver as minhas...
— Se disser filhas, você recebe mais um soco. – suspirou enquanto andava pelo porão – Estou exausto da sua ladainha, o chefe não avança nesse plano.
— Não acha que vão nos escutar aqui embaixo? Isso não pode durar muito tempo! Quem está por trás disso, afinal?
Ela gritava contendo um choro incessante. Desespero corria suas veias e ela pensava que talvez morrer e se juntar ao John seria a melhor escolha. Mas, não. Estava viva sendo vítima de algo que não conseguia compreender porquê. Não tinha posses, nem riquezas. O que poderia oferecer com esse sequestro?
— Sam, minha filha! – gritava – Me escuta, minha filha! Eu preciso de ajuda, vem resgatar a sua mãe! Filha!
Chorava olhando para um clarão no teto. Seus olhos tinham uma dor transparente e agonizante. Ela sofria em cada palavra, sofria em cada gesto.
— SAM!
A garota loira levantou-se em susto da cama. Sentiu sua testa suar frio, enquanto Freddie a olhava ofegante. A luz do sol batia na janela e ela estranhava, pois podia jurar que não havia dormido nada. Seus olhos estavam espremidos e seu corpo maltratado. Sentia dores estranhas em lugares aleatórios. Esticou-se. Tentou trazer sanidade a mente, mas nada funcionou. O que ela tinha acabado de sonhar? Um pesadelo horrível que parecia uma cena de filme baseado em fatos reais. Seu coração palpitava, até focar a expressão preocupada de Freddie em sua frente.
— Você estava se mexendo muito dormindo! O que aconteceu, Sammy? – ele perguntara acariciando seus cabelos de leve.
Sam arriou as sobrancelhas tentando focar em sua resposta.
— Acho que minha mãe está em perigo.
Seria completamente estranho dizer que o sonho de Sam era um retrato perfeito da realidade. Mas, seria mais estranho ainda confirmar isso. Ela, realmente, havia sonhado uma visão dos reais acontecimentos. Então, o que faria agora?
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