Changes- Interativa
13 Só mais um dia no palácio
Notas iniciais
LEIAM AS NOTAS FINAIS E INICIAIS, PLEASE!
–Samantha-
Nervosa.
Muito nervosa.
Completamente nervosa.
Triplamente nervosa.
Tudo bem, já deu para entender que eu estava nervosa.
Era o meu primeiro ultrassom.
E isso já estava me deixando…. ta, eu vou parar. Prometo.
Eu estava sentada na minha cama mexendo as minhas pernas freneticamente, meus pais iriam me buscar e eu estava morrendo de medo de eles começarem alguma conversa sobre bebês. As vezes, esquecia que estava grávida e só lembrava quando a vontade de vomitar voltava ( o que acontecia muitas vezes). A psicóloga disse que esse era o método de fuga do meu cérebro, já que toda vez que eu pensava no bebê, pensava do estupro. Olhei para as minhas pinturas que ficavam no canto do meu quarto. Havia pintado sem parar nessas semanas. Quando não pintava, tocava, quando não fazia nenhum dos dois, eu tirava fotos. Era o único jeito de me manter sã.
O pensamento me levou a olhar as fotos emolduradas na parede que eu havia escolhido hoje. Todas eram minhas e de Johnny. Não sei porque. Talvez porque a segurança que ele me passava seria o que eu iria precisar para enfrentar o dia de hoje. Um abraço, uma brincadeira ou uma foto formal. Todas elas eram dele.
Leves batidas na minha porta fizeram- se presente. Levantei- me e atendi a porta. Meus pais estavam parados lá. Graciosos como sempre.
–Olá, amor- minha mãe disse com um sorriso e estendeu a mão para mim.- Está pronta?
–Vamos fazer isso- digo com convicção e fecho a porta atrás de mim.
Eu iria ver o meu filho.
E, consequentemente, as imagens começaram a passar pela minha cabeça.
***
–Melanie-
Encarei a parede do meu quarto meio entediada. Não tinha muita coisa pra fazer, já que na minha casa eu vivia trabalhando. Meu Deus… eu estou no palácio. Nunca vi tamanha riqueza ou qualquer outra coisa assim. A comida era divina, havia criadas ao meu dispor… tudo bem, eu poderia me sentir bem ou qualquer coisa assim, mas não podia deixar de me sentir culpada por estar aproveitando tudo isso.
Suspirei e fiquei pensando que a maioria das selecionadas não falavam comigo por causa do meu jeito meio quieto, mas eu realmente não conseguia evitar. Tento levar isso numa boa, o importante era o príncipe gostar de mim, certo? Ah, sei lá.
Minhas criadas estavam em algum lugar fazendo meu vestido para o Jornal Oficial e eu não tinha nada aqui… então é muito melhor eu sair. Abri a porta logo notando que não tinha ninguém no corredor e fui andando até o jardim.
–Olá- ouvi uma voz de criança e virei- me para trás dando de cara com uma garotinha. Ela tinha uma carinha de anjo e olhos azuis, seu cabelo era levemente cacheado, ia entre o loiro e castanho e era muito comprido.
–Olá?- disse algo que estava entre uma pergunta e um cumprimento.
–Meu nome é Lara, sou a princesa da Dinamarca- ela diz olhando para os lados.- Me perdi de Kaden, ele estava me levando para o salão… das mulheres, sei lá. Algo assim. Tenho que encontrar a rainha.
Sorri para ela e me curvei. Ela falava de um jeito tão rápido que tive que me esforçar para acompanhar.
–Posso te levar lá, você quer?- perguntei e ela assentiu com um sorriso já começando a andar.
Fui atrás dela orientando. De repente, o príncipe Kaden apareceu no final da escada que levada para o segundo andar e pôs a mão no peito aliviado. Sei que sou devota ao outro príncipe, mas ele era muito bonito.
–Alteza- disse e me curvei, mas ele apenas sorriu e começou a decer as escadas
–Obrigada…- ele checou meu broche.- Senhorita Melanie. Estava procurando a princesa Lara em todo lugar. Basta virar as costas para essa garotinha e ela some- a princesa deu um sorriso envergonhado.- Venha, Lara.
Ela assentiu e deu a mão para ele, subindo as escadas. Sorri e voltei para o meu caminho para o jardim.
–Senhorita Melanie?- uma criada me chamou e eu assenti.
–Sim?
–O príncipe mandou avisá-la que quer que você vá para a sala de cinema amanhã. Um envelope estará no seu quarto com mais coisas.
***
–Charlotte-
–Não que eu esteja aqui por isso- o príncipe Kenji disse e eu gargalhei.
Como a princesa conseguia deixar esses homens fora do radar dela? Todos eles são muito bonitos, mas também gente boa. Sempre tive maior facilidade de amizade com garotos, então… o santo bateu.
Por um momento penso na minha mãe e o que iriam fazer se descobrissem que eu estou falando com todos os príncipes. Não posso ser expulsa da seleção, tenho que ajudá- la. Mas… ah, dane- se. Eu só to falando com eles, não é como se eu tivesse planejando uma orgia.
Estávamos na biblioteca e eu acabei dando de cara com todos lá. Comecei a conversar e agora estamos falando sobre alguns momentos embaraçosos da vida. Como a gente chegou a esse assunto? Nem queira saber.
–Você é legal, Charlotte- Príncipe Hyun disse e fez uma careta.- Seu cabelo também.
–Pode parar de elogio porque não vai dar em nada não- eu digo com um sorriso e ele revira os olhos. Sei que parece estranho eu falar com um príncipe assim, mas eu realmente não ligo.
–Somos totalmente devotados a Samantha- Alexander diz e faz uma careta de desgosto, juro que eu ouvi um “infelizmente”, mas não tenho muita certeza.
–E eu ao príncipe Jonatah- digo e reviro os olhos.- Como se ele fosse devoto a nós.
Os príncipes se mexeram desconfortáveis e eu me repreendi mentalmente. Falar mal do príncipe é considerado traição?
–Não acho que Jonatah faria isso- Damon disse e estalou os dedos.- Desculpe.
–Pelo que?- perguntei confusa.
–Estalar os dedos. Um príncipe não faria isso publicamente- ele respondeu e eu gargalhei.
–Se você diz…
Realeza e suas regras…
Meu Deus… eu posso fazer parte dela.
Ai.
Credo.
***
–Olívia-
“Você terá mais facilidade para ir atrás dos seus sonhos, ainda mais se contar com o apoio de alguém próximo. Aproveite para ampliar seus interesses. Mas tenha jogo de cintura com os amigos — há risco de briga. A sensualidade está em alta na conquista! Cor: gelo.”
Olhei para a revista em minhas mãos. Mais facilidade para ir atrás dos seus sonhos… bom… tudo bem, né. Se o Horóscopo diz, quem sou eu para contrariar?
Estava no Salão das Mulheres pensando em… pensando em tudo. Sentia saudade de Nina e do jeito forte dela. Sorri, lembrando de como ela falava que a família real é apenas uma validação da opressão monarquista em cima dos cidadãos que antigamente eram de uma casta mais baixa. Acho que esse foi o único dia em que eu contrariei ela.
Sentia falta do meu irmão mais velho também…e….
–Olívia?- ouvi alguém me chamando e reparei em uma selecionada na porta.
–Ei, Annie- digo com um sorriso animado, que a selecionada retribui.
–Estão nos chamando para um comunicado, não sei de que- ela diz e eu assinto rapidamente.
–Estou logo atrás de você- digo e me levanto, saindo do salão.
***
–Kayla-
O príncipe estava aqui. Na verdade, toda família real estava aqui. Isso deixou os meus instintos na maior frequência, eu tinha todos eles aqui, eu poderia terminar o meu trabalho e ninguém saberia muita coisa. Porém, tive que me segura. Calma, Kay, você terá sua chance… por enquanto… continue como uma selecionada adorável.
Você irá conseguir o que quer.
****
–Kessy-
Estava olhando para a minha mãe atentamente. Ela parecia muito cansada, seus olhos estavam com alguma olheiras e a postura meio encurvada. O que está acontecendo? O palácio não é mais o que costumava ser. Era alegre, divertido, sempre com risadas. Agora… Sam mal me olha, Johnny está sempre mal- humorado e Kaden tem muita coisa pra fazer. Além dos meus pais estarem sempre ocupados.
–Mãe?- chamei com um sussurro e logo a vi endireitando a postura e abrindo um sorriso brilhante. Estávamos na sala em que a nossa família se reunia as vezes.
–Kessy!- ela exclamou com um sorriso e estendeu os braços para me abraça.- O que está fazendo aqui? Não devia estar com o seu instrutor?
–É meu horário de folga- respondo e sento no sofá ao seu lado. Ela olha para o relógio, pendurado na parede, confusa e assente.
–Claro, desculpe- me.
–Está tudo bem?- pergunto desconfortável e a vejo morder os lábios.
–Sim, amor- ela responde.- Só algumas coisas com os preparativos da estadia das selecionadas que estão tomando o meu tempo. Apenas isso.
Reparo no seu olhar cansado e esforçado para se tornar suave, seu sorriso que mais parecia uma careta de choro, porém esforçado para virar otimista. Sua postura de incapacidade se esforçando para se tornar graciosa. Sei que muitas pessoas me subestimam por ter 15 anos ou ser mais delicada, mas eu consigo ver o que as pessoas estão sentindo de longe.
O país e a minha família estão passando por um momento bastante difícil. A partir de agora, eu vou deixar de me perder no meu mundo e tentar ajudar todos a minha volta. Começando com a mulher que sempre esteve comigo. Quando eu quebrei meu braço, quando eu morri de chorar porque Josie havia quebrado a minha boneca preferida. Eu iria ser um bálsamo para a minha mãe custe o que custar.
Então apenas a abracei, sentindo seus ombros relaxarem e suas mãos me apertarem mais forte.
***
–Kaden-
Corri até o gabinete real de meu pai com as folhas em meus braços farfalhando. Eu acho que tive uma ideia, mas precisava da ajuda dele. Bati apressadamente na porta e ouvi um “entre” abafado. Abri e vi meu pai usando o óculos de leitura e olhando para alguns papeis. Ele parecia cansado.
–Oi, pai- digo com um sorriso, que ele retribui e me sento na cadeira em frente a dele.
–Oi, filho- ele diz e me olha firmemente.- Descobriu algo?
–Como está a Sam?- pergunto o que estava me incomodando há um tempinho, sei que não foi o que ele me perguntou, mas estava nem aí. Sua expressão ficou sombria de repente.
–Ela… ela está bem- ele responde e eu assinto, não vou tirar mais coisa que isso, ele parece sofrer.- O bebê… também.
–Ah sim- digo olhando para baixo e ficando animado logo em seguida.- Eu tive uma ideia. Acho que sei como parar as manifestações.
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