Changes- Interativa
12 Encontro
Notas iniciais
–Mary Anne-
Abri a porta do meu quarto e adentrei no imenso espaço do meu quarto. Sei que é meio infantil, mas a primeira coisa que fiz foi me jogar na cama. Era muito macia. As criadas entraram no quarto e eu me surpreendi com a gargalhada de Gabriella. Bom, era uma gargalhada, mas se tornou um arquejo quando elas viram que eu estava no quarto.
–Senhorita!- Tuesday exclamou.- Desculpe- nos! Pensamos que estivesse no salão das mulheres.
Sorri para elas tranquilamente. Sentei- me na cama e mordi os lábios.
–Sem problema, garotas- respondi.
–Temos um bilhete para a senhorita, por isso viemos para cá- Gabriella disse e procurou algo no bolso do seu uniforme, tirando de lá um pequeno envelope e dando para mim.- Iríamos colocar na sua estante assim que terminássemos de limpar o seu quarto.
–o para mim.- Iríamos colocar no seu criado mudo.
–Tudo bem- respondi morrendo de curiosidade sobre o conteúdo daquele bilhete. Pelo visto, elas também (já que estavam olhando para ele com os olhos brilhando).- Vou ler então.
“Encontre- me no jardim. Ás 16:00h. Estarei esperando ansiosamente a senhorita
-J”
Oh, meu Deus do céu! Era um convite do príncipe! O príncipe Jonatah me convidou para um encontro! Olhei para as minhas criadas de borca aberta. Eu mal conseguia falar! Dei o bilhete para elas lerem e logo já começaram a escolher a minha roupa. Nós tínhamos duas horas. Deitei na cama ainda tentando processar o ocorrido… não sei o porquê de eu estar tão animada. O príncipe era… diferente de outros príncipes, comecei a ouvir boatos sobre garotas que ele já ficou e largou.
Eu realmente espero não ser uma delas.
–Para o banho, senhorita, vamos!
Bom… acho que só chegando lá eu vou descobrir.
***
Jonatah
Já eram quatro horas e eu estava sentando numa toalha no jardim. Sim, um piquenique era a coisa mais clichê do mundo, mas eu não sabia nada sobre a Mary Anne, então como poderia sequer pensar num encontro que ela gostasse? Todo mundo gosta de um piquenique, certo? Afinal, tem comida e isso que é a parte mais legal.
Analisei o que minha irmã (Kessy) tinha escolhido: bolo de chocolate, torta de morango, suco de laranja e suco de uva, água, torrada, algum tipo de biscoito salgado, sanduíches e sorvete.
Acho que está bom, não? Nada muito chique…
Afinal, por que estou me preocupando se ela vai gostar ou não? Tenho que admitir que estou surpreso comigo. Olhei para os lados e vi a imprensa um pouco longe, mas sabia que eles tinham binóculos e liam os lábios. Essa gente não é fácil não.
–Hum… alteza?- ouvi uma voz feminina e tomei um susto. Levantei- me rapidamente e limpei a minha roupa (que era simples, só uma calça preta social e uma blusa azul do mesmo tipo).
–Mary Anne Baskers- digo e abro um sorriso forçado, mas convincente e a olhei de cima a baixo.
Sua roupa era um vestido até os joelhos lilás, ele marcava o busto e a cintura e era largo na saia. Em seus pés, havia uma sapatilha branca. Não era muito chamativo, mas até que ficou bem nela. Dei um meio abraço (que a deixou surpresa) e sinalizei para que sentássemos.
Faça o certo, Jonatah, a imprensa está aqui. Não tente nada, infelizmente. Só converse. Pronto. Pelo menos no primeiro encontro não “ataque”.
–Então…- ela disse e eu dei um meio sorriso.
–Então…- eu repeti e ela sorriu. Pelo jeito que ela apertava as mãos, pude perceber que estava nervosa.- Quer comer?
Ela assentiu e pegou um sanduíche. Peguei uma torrada e tentei puxar alguma coisa para falar dentro desse cérebro. Vamos lá, Johnny, cabeça não serve só para botar chapéu! Ó, deus das conversas fiadas, eu preciso da sua ajuda agora! Mastiguei minha torrada lentamente, o gosto estava salgado (dã).
–Salgado a torrada, né?- perguntei e ela me olhou como se um terceiro olho estivesse brotado na minha testa. O que eu fui falar?
–O que?- ela perguntou e eu vi um sorriso brotar em seus lábios.
–Desculpa! Sou meio novo nesse lance- digo com uma careta. Não estou mentindo, eu já falei com muitas garotas, mas não passava de cinco palavras e eu já estava na cama (ou em qualquer outro lugar) com ela.
–Dá pra perceber- ela diz com uma risada e eu arqueio uma sobrancelha.
–Então me fale, senhorita, como é que eu deveria agir- provoco e ela dá um sorriso. Pega um copo de suco e me encara divertida.
–Que tal parar de ficar quieto e perguntar sobre a minha vida ou algo assim, encontros não são para conhecer as pessoas?- ela diz e eu reviro os olhos. Até que ela é suportável. Lembro que foi ela que chamou os pretendentes de Samantha de gatos. Ela realmente parece gente boa e talvez seja legal tê- la no castelo.
Talvez a seleção não seja tão ruim assim.
Lembrando que eu disse talvez. Só talvez.
–O que fazia na sua província?- pergunto pegando suco e um sanduíche. Ela pega um pedaço de bolo e abre um sorriso nostálgico.
–Isso mesmo, príncipe. Aprendendo- ela provoca e eu arqueio a sobrancelha. Desde quando eu dei essa liberdade a ela?- Eu era enfermeira. Fazia curso, pelo menos.
–Huum..- digo vasculhando minha mente a procura de algo.- Gostava?
–Sim. Claro- ela respondeu e pegou um pedaço da torta de morango.
–Essa é a melhor- eu disse e ela mordeu, saboreando.
–É boa mesmo- ela disse fechando os olhos.- Seria ainda melhor com sorvete de creme.
–E adivinha o que eu tenho dentro dessa caixa térmica?- perguntei e tirei de lá um pote de sorvete de creme.
–Ai, meu Deus!- ela exclamou e tomou o pote da minha mão, abrindo logo em seguida.
Obrigado, Kessy.
–Como é a sua família?- eu perguntei enquanto a copiava, pegando a torta e o sorvete.
–Como é a sua família- ela rebateu e eu dei de ombros. Coloquei o sorvete e a torta na boca e fechei os olhos.
Não é que isso ficou bom mesmo?
–Você conhece a minha família- respondi e ela negou.
–Conheço a imagem pública deles- ela voltou a rebater.
O que eu poderia falar? Não tenho muita intimidade pra isso. Cara, atuar é uma porcaria. Até estou evitando pensar como o babaca que eu sou.
–Eles são normais- eu digo e volto a dar de ombros. Sinto seu olhar insatisfeito queimando em mim. Eu não quero contar minha vida pra ela, mas infelizmente é necessário- Ta, ta, ta. Minha mãe e meu pai são os melhores do mundo, ela é… incrível, já meu pai é… dedicado a tudo o que ele faz na vida. Meus irmãos são os típicos irmãos, cada um com sua peculiaridade- digo pensando muito no que ia falar e olho pra ela.- Satisfeita?
–Quase- ela responde e eu sorrio.- Já comi muito… vamos andar?
Olho para os lados e sinto os olhares da imprensa sobre mim. Você tem que convencê- los, Jonatah. Aguente só mais um pouquinho.
–Por que não?
***
–Mary Anne-
Eu e o príncipe começamos a andar pelo jardim. Aquele lugar era lindo! Não mais que a pessoa que estava do meu lado, mas era impossível não ficar impressionada. Ok, tenho que admitir: nervosa é pouco para descrever o meu estado. Sabe, era meio estranho conversar com ele. Eu estava tentando mostrar que não era muito fácil, mas acabo não mostrando aquele lado animado e meio doidinho que tenho.
Não sabia se isso era bom ou ruim, mas ele devia supostamente me conhecer, não?
–Você vem sempre aqui?- eu pergunto olhando para o nada. Eu era bem curiosa a seu respeito. Bem mesmo. Não sabia quase nada sobre a família real sem ser ao vivo.
–Às vezes- ele responde e estende o braço para mim. Enlacei meu braço ao dele e continuamos a andar.- Geralmente venho aqui com princesa Samantha ou meus pais. Não gosto tanto do jardim.
Eu estou de braço dado com o príncipe! Meu Deus!
–Eu gosto do jardim! É tão verde!- eu exclamo olhando para os lados.
–É… acho que todos os jardins são- ele rebate olhando para mim meio confuso. Abaixo a cabeça sentindo minhas bochechas pegando fogo e olho para o lado contrário a ele.
–Provavelmente- digo.
–Você parece nervosa- ele observou me olhando e eu solto uma risada seca.
–Não estou acostumada a andar com príncipes- digo e ele dá um sorriso.
Esse príncipe é bastante gente boa.
–Ahá- ele faz uma careta e olha para mim.- É bom se acostumar.
–Se você sempre trazer sorvete de creme, pode ter certeza que vou- digo e desenlaço meu braço do dele.
–Anotado.
–Você não é nada ruim, príncipe.
–E você não é nada ruim, senhorita.
Olhei pra ele meio estranhando, mas fiquei quieta. Não sabia o que ele queria comigo, então vou esperar pra ver. O meu lado mais doidinho eu vou deixar pra depois.
***
–Jonatah-
Eu estava… não entediado, mas já eram cinco e meia e eu realmente precisava ir numa reunião com meu pai. Vou ter que terminar o encontro agora. E, por um mísero segundo, isso me deixou meio pra baixo.
–Desculpa, mas tenho que ir- eu disse e ela assentiu.- Foi muito bom.
E foi nessa parte que eu mais me diverti. Segurei sua cintura e dei um beijo na bochecha dela, quase na boca. Quando me afastei, seus olhos azuis se encontravam arregalados e sua boca aberta de espanto.
–Você me beijou na bochecha!- ela exclamou quase dando saltinhos.
Gargalhei e entrei no castelo rapidamente. Eu estava com um sorriso no rosto! Jonatah Schreave, trate de tirar esse sorriso agora! Pare com isso, seu gay! Que merda, pare de sorrir.
–Panaca- ouvi Samantha me chamando. Virei- me e a vi com uma blusa larga e uma calça jeans do mesmo jeito. Ela chegou e ficou frente a frente comigo.- Já tenho data marcada para o primeiro Ultrassom.
Olhei pra ela surpreso e assenti. Sua expressão estava meio aflita e eu apenas não sabia o que fazer. Eu estou totalmente perdido em relação a ser tio. Ainda mais quando o meu cunhadinho é um filho da puta (desculpe, não sabia qual palavra usar. Essa ainda é pouco).
–Estarei lá- eu digo e ela se alivia.- Prometo.
–Ótimo. Porque vou precisar de você- ela diz e abre um sorriso malicioso.- Como foi o encontro? Sofreu?
Essa é uma pergunta bem feita. Como foi? Nem eu mesmo sabia. Que droga!
–Acho que…- digo escolhendo minhas palavras atentamente.- Até que não foi ruim.
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