Changes- Interativa
3 Algumas das selecionadas
Notas iniciais
–Thea, você precisa se inscrever para a Seleção do príncipe de Illéa!- disse minha mãe, Lizendre Allen, a rainha da Alemanha.
Ela, meu irmão e meu pai estávamos no escritório do rei. Meus pais estavam determinados a me colocarem dentro da seleção do príncipe Jonatah Schreave.
–O rei Maxon disse que em se inscrever não haveria problema, só não iria garantir sua entrada- meu pai, Petrish Laufeyson, afirmou com um brilho no olhar.
Pois era isso que ambos queriam. Restaurar a dignidade de sua preciosa filha. Só de pensar no ocorrido, meus olhos enchiam de água. Olhei para Schnaizen, meu irmão, meio desesperada. Pedindo por ajuda. Ele apenas levantou os ombros e balançou a cabeça, como se falasse que não poderia fazer nada.
–Mas eu não quero!- digo meio exaltada.- Não quero ir para Illéa, muito menos competir para ser rainha de lá!
Meus pais me analisaram profundamente, provavelmente tomando calma para não imporem essa ordem em mim. Se fizessem, seria obrigada a acatar.
–Você nem precisa ganhar- minha mãe começou a dizer.- Você só irá precisar de ir aos encontros com o príncipe e mostrar para os outros que ainda é digna de sair com a realeza. É só isso que pedimos.
Bufei, mas continuei com a cabeça erguida. Sabia que era o certo a se fazer. Depois do evento que me marcou para sempre, todos os membros da realeza dos demais países me olhavam torto. Era uma tortura!
–Tudo bem!- respondi e fiz uma reverência. -Posso ir agora?
Eles assentiram e eu saí do gabinete o mais rápido possível. Droga! Como eu pude ser tão estúpida? Fui caminhando até meu quarto e me joguei na cama, abafando um grito.
Na verdade, não poderia chamar o que eu fiz de estupidez. Acho que quando o amor bate na sua porta… não há nada que você possa fazer para impedi- lo.
E agora eu teria que me arriscar em ser sorteada para uma seleção de um príncipe de um outro país, que apenas vi umas três vezes e troquei um “é um prazer vê- lo, Alteza” em todas elas. Era cansativo. Eu não estava preparada. Eu não queria. Mas era da realeza, eu tinha que obedecer os meus pais. Eles exerciam a maior autoridade. Claro, era isso.
Tudo bem, o príncipe Jonatah parecia uma pessoa boa, um ótimo líder… e talvez um cara legal, mas não era o que eu queria. Vou ter que ficar falando em inglês, vou ter que sair da minha rotina. Vou deixar de ser tratada como uma princesa para ser tratada como uma pessoa normal e… pera… é isso!
Eu quero participar da seleção! Ser uma pessoa normal! E de quebra ainda fico um pouco em outro país e com outro alguém, distraindo- me do que havia acontecido comigo.
Não, eu não sou bipolar. Apenas mudei se ideia totalmente. Parece uma boa ideia, eu deixaria de ser olhada pelo rabo de olho com nojo pelos nobres, voltaria a ter uma vida normal. Ótimo!
Eu iria me inscrever.
Para a felicidade dos meus pais, não teria relutância.E... quem sabe, para a minha felicidade também.
***
–Helena Lancaster Holmes Campbell Lincoln, sua Alteza Real, a princesa herdeira!- a voz do anunciante ecoou por todo o salão de bailes.
Todos os olhares voltaram para mim e eu abri um sorriso enorme. A voz da minha professora de etiquetas ecoava na minha cabeça. “Seja gentil, levante os ombros, sorria, seja simpática”.
Passei pelas pessoas, parando para cumprimentar cada chefe de Estado, cada rei e rainha que estavam presentes no baile em comemoração ao meu décimo oitavo aniversário. Pessoas que eu fora obrigada a gravar os nomes direcionavam os sorrisos para mim, outros me olhavam como cobras venenosas. É um mundo muito difícil.
Vi o rei de Illéa e meu coração logo se aqueceu. Ao lado dele, estava o príncipe Jonatah e eu mal podia acreditar que era ele. Aproximei- me deles e recebi um sorriso caloroso de ambos.
O rei Maxon era muito bonito, sempre foi e (graças aos seus genes maravilhosos) seus filhos também eram. Principalmente Jonatah, que tinha os olhos da mãe, mas de rosto era praticamente o pai mais novo. Que sorriso lindo eles tinham, meu Deus.
–Olá, Alteza- o rei disse se curvando e eu me curvei também.- Meus parabéns.
–Obrigada, Majestade- disse com um sorriso.- E pela presença também.
–É um prazer- Jonatah galanteia e eu tento parar com as tremedeiras na minha perna. Ele pega a minha mão e a beija.- Peço desculpas por minha mãe e meus irmãos não terem vindo, minha seleção está a caminho e minha mãe está organizando milhares de coisas. Já minha irmã… ela está doente.
Ah, sua seleção. Meus pais se conheceram numa seleção e eu totalmente acredito que o amor poderia surgir numa delas. Eu faria de tudo para participar na seleção do príncipe de Illéa.
–E tem como uma princesa participar?- pergunto de um jeito brincalhão.
–Claro, quer a ficha, Alteza?- Maxon zombou e sorriu.
–Ah, por que não?- disse e pus a mão na cintura.- Dê para Pietro, ficarei feliz em me inscrever.
–Claro, farei isso- o rei Maxon disse e eu assenti, tentando esconder a minha animação.
–Agora tenho que ir- disse e me despedi com um um aceno de cabeça.
Tentei não saltitar enquanto andava. Eu iria me inscrever para a seleção do príncipe! O tal príncipe que sou apaixonada desde os meus 16 anos, quando ficamos sozinhos pela primeira vez enquanto ele me apresentava o seu palácio. Ficamos conversando e seus olhos brilhavam tanto! E seu sorriso? Ah, era de derreter qualquer uma.
Bom, agora só teria que resolver o fato de eu ser a herdeira e não poder me casar com um herdeiro. Ah, simples! Governaria parcialmente a Inglaterra e passaria meu “símbolo” para Pietro, o que está regendo o país, e sua decendência. Porque para conquistar Jonatah, eu faria tudo.
***
–Vossa Majestade, os exames estão praticamente excelentes- o médico disse para a minha mãe e eu suspirei aliviada.- Apenas uma coisa que devemos sempre estar cuidando na princesa, mas cabe a ela se vai prosseguir ou desistir.
Minha mãe me olhou com o cenho franzido e eu devolvi o olhar confuso. O que tinha acontecido para que a voz do médico se tornasse tão sombria desse jeito?
–O que tem com Samantha, doutor?- minha mãe perguntou meio alarmada.
–Pelo que vimos no ultrassom, a princesa Samantha está com uma coisa no útero. Ela ovulou- ele explicou e minha respiração começou a ficar acelerada.- E agora tem um feto.
Lágrimas silenciosas começaram a escorrer pela minha bochecha. Eu engravidara de um… ser abominável? Os momentos que eu passei naquele abrigo passaram como flashes na minha mente.
–Então…
–Sim, rainha America, a princesa está grávida.
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