Notas iniciais
Desculpa o atraso gente, mas estou tendo problemas com a internet aqui em casa. Bom, este capitulo vai falar do passado da Lire e como ela conheceu Zeref. Boa leitura!

Dor, era o que eu sentia, era só o que eu sentia.

Quantas vezes isso já me aconteceu?

Acusada, perseguida e espancada por coisas que eu não fiz, que eu nunca faria, por culpa dessa anomalia maldita em meus genes.

Quantas vezes fui chamada de demônio e aberração pelos aldeões da pequena vila onde eu nasci?

Quantas vezes já tentei arrancar minha calda e até minhas orelhas?

Preferia ser surda a ter que viver isolada das pessoas.

Eles não sabiam...

Mas eu sempre os protegi das criaturas da floresta.

Sempre estive a beira da mata, observando, espantava qualquer criatura que se aproximava.

Eu nunca os machucaria, eu nunca senti raiva das pessoas que me maltratavam.

Eles tinham medo pelo histórico de violência e assassinatos que minha raça proporcionou a mais de 2 séculos atrás.

Tal esse medo que fez meus próprios pais me abandonarem naquela floresta.

Sozinha.

Com menos de um mês de vida.

Eu não sei como sobrevivi.

Eu não queria ter sobrevivido.

E durante quatorze anos naquele lugar

Nunca havia conversado com ninguém.

Quantas vezes as crianças adentravam a floresta e se perdiam lá dentro?

Quantas delas eu levava novamente para a vila?

Quantas vezes em que eu aparecia na vila com elas e era expulsa pelos aldeões com tochas e tridentes em punho?

E é claro que haviam as poucas noites em que eu adentrava sorrateiramente a biblioteca e pegava alguns livros.

Diferente do que pensavam.

Eu sabia ler.

Aprendi observando os pais ensinando os filhos perto da floresta.

Seria assim minha vida se eu fosse normal?

E se não fosse eu a nascer com essa magia?

Eu iria afastar o infeliz que a tivera?

Provavelmente.

Nesta vila você é ensinado desde criança que não deve se aproximar da floresta.

Que não se deve aproximar de coisas novas.

Nem de coisas estranhas.

Como eu.

Estavam havendo assassinatos, desaparecimentos, eu estava a três dias rondando a vila.

Eu não permitia que os terríveis monstros da floresta chegassem perto da vila.

Então, alguém de dentro estava cometendo tais atrocidades.

Eu sai da mata e adentrei a pequena vila em plena luz do dia.

Eu nunca devia ter feito isto.

Desencadeei o pânico.

Eu queria ajudar a achar o culpado.

Mas eles não viam assim.

Eles me consideravam uma ameaça, e como uma eu deveria ser erradicada.

Vieram para cima de mim.

Trinta homens ou mais.

Me atacando.

Eu tentei me defender sem ferir ninguém.

Impossível.

Cheia de machucados eu corri para a floresta, mas eles vinham logo atrás de mim.

Seguindo o rastro de sangue que eu deixava.

Eu sabia que não conseguiria me esconder.

Mas meu corpo não aguentaria continuar correndo por muito tempo.

Me transformei em lobo.

E corri o máximo que pude.

Ate não conseguir ouvir mais os gritos enfurecidos das pessoas atrás de mim.

Cai me destransformando.

Não conseguia me mexer mais nem um milímetro.

Logo o medo e a dor se apoderou de mim.

A dor pelas lagrimas que desciam pelo meu rosto ensanguentado e os incontáveis cortes no meu corpo que ardiam.

O medo de morrer ali, e das pessoas que eu só queria ajudar me encontrarem.

Apesar de tudo, eu não conseguia odiá-los.

Eu fiquei horas ali, caída debaixo da chuva que tirava o sangue de meus machucados e os faziam arder.

Ouvi gritos de pânico, de dor, medo e horror.

Forcei meu corpo a levantar e ir em direção aos gritos.

Cada musculo, cada osso e em cada centímetro de meu corpo estava sob uma dor dilacerante.

Mas eu não me importava, eu aguentaria, eu precisava aguentar.

Logo pude ver os aldeões que me perseguiam antes cercados por monstros enormes, de vários formatos, um pior que outro.

Estavam prestes a atacar o grupo.

Com as últimas forças de meu corpo, e me transformei no penúltimo estagio de minha magia.

Lobisomem.

Meu corpo foi coberto por uma pelugem preta e vermelha, garras enormes ser formaram no lugar de minhas unhas e meu rosto adquiriu traços de um verdadeiro lobo.

E em um ataque derrubei 5 deles.

Rugi.

E os outros fugiram com medo.

Pude ver os aldeões estáticos antes de sair correndo de lá.

Ainda transformada corri para o encontro da floresta com a montanha, que era onde eu vivia.

Em uma pequena caverna, em que havia alguns cobertores feitos de pele de animais, algumas roupas e livros que vez ou outra eu pegava na vila, pasta de ervas medicinais que estavam guardadas em potes de madeira que eu mesma havia feito e agua que eu pegada do pequeno riacho que descia a montanha.

Fechei a “porta” da caverna após ascender uma pequena fogueira para aquecer o local.

Passei a pasta de ervas e deitei dormi.

Mas não consegui devido as dores em todo meu corpo.

Abri novamente o local e fiquei observando a chuva cair calmamente lá fora.

Era a última coisa que eu havia visto.

Me lembro de na manhã seguinte acordar com dores absurdas.

Me forcara levantar e tomar um banho no riu, comer algumas maças e me sentar em baixo de uma arvore.

Senti algo encostar no meu ombro e pulei me afastando, soltei um grito devido as dores do meu corpo se movendo desajeitadamente.

Um homem.

Tao fundo na floresta.

Me olhava assustado.

Mas não aparentava ter medo.

“Você está bem?”

Concordei com a cabeça.

“Não posso acreditar!”

Ele dizia como se fosse algo inacreditável.

Me afastei devagar, e assim que alcancei uma distância aceitável corri para minha caverna.

Eu estava com medo.

O homem veio atrás de mim me impedindo de fechar a “porta”.

“Por favor, se acalme, eu não vou te machucar.”

Ele se aproximou e esticou a mão em minha direção para me tocar.

Me encolhi o máximo que pude, abracei os joelhos fazendo alguns cortes voltarem a sangrar.

Senti seu toque em minha cabeça.

“Desculpe te assustar, não estou acostumado a ter pessoas por perto”

“Nem eu”

Respondi baixo

“Meu nome é Zeref, e o seu?”

Nome...

Eu não tinha.

E se tinha, não sabia.

“Eu não tenho nome”

Ao falar isso senti uma solidão enorme em meu peito.

Eu nunca precisei de nome, nunca tive ninguém para conversar, nunca pude me aproximar de alguém.

“Aime Lire”

Ele falou olhando para os livros que eu tinha.

Apenas olhei curiosa para Zeref.

“Aime Lire... Poderia ser seu nome”

“Por que?”

“Significa que você gosta de ler, é francês”

Naquele momento eu senti algo novo para mim.

Essa sensação de calor e conforto.

Seria está a felicidade?

Senti lagrimas se acumularem em meus olhos e minha visão se embaraçou.

“Pode chorar, chorar as vezes faz bem”

Ele falou me abraçando e afagando minhas orelhas.

E eu desabei.

Toda aquela tristeza e solidão que sempre estavam comigo pareciam não existir mais.

Zeref ficou comigo todo o tempo em que eu chorava.

Quando parei ele tinha um pequeno sorriso no rosto.

“Eu estou feliz, nunca pude me aproximar de ninguém por causa da minha magia”

“Eu também”

Eu disse me separando dele que ainda estava abraçando-me.

“Por que?”

Ele perguntou sem entender.

E eu lhe expliquei tudo.

E quando terminei ele aparentava estar irritado.

Mas se acalmou quando lhe perguntei sobre sua história.

E ele me contou.

Sua magia matava todos os seres vivos que se aproximavam.

Se assustou quando, sem querer se aproximou de mim e nada aconteceu.

E ficara feliz em descobrir que seu poder não fazia efeito em mim.

Nos tornamos amigos.

Ficaria ali comigo até meus machucados se curarem.

E depois ele me levaria com ele.

Conhecer o mundo.

Eu não queria me separar dele.

Era meu único amigo.

A única pessoa que eu conhecia.

O único que não tinha medo de mim.

Quando meus machucados se curaram.

Ele me levou até a vila.

Eu estava com medo do que aconteceria.

Mas ele me prometeu que não deixaria nada acontecer comigo.

Alguns aldeões olhavam feio para mim.

Outros avançaram alguns passos em nossa direção.

Mas recuavam quando os olhos de Zeref caiam sobre eles.

Apesar de assustada, eu estava feliz.

Mas eu estranhava, de certo modo, andar nas ruas da vila sobre luz do dia, com tantas pessoas, tanto barulho e vida.

Devia ser porque eu estava acostumada a vir aqui a noite, quando estavam todos em suas casas.

Zeref parecia incomodado.

Ele notou que eu notei e sorriu para mim, como se disse que estava tudo bem.

Pegamos algumas coisas na cidade e voltamos para a floresta.

Eu nunca estive mais feliz.

Notas finais
Escrevi esse capitulo sobre a Lire porque precisava mostrar o passado dela para nao ficarem com muitas duvidas nos próximos capítulos. Obrigado por lerem, bjs!