Changed Life

3 Adaptação


Já era meu terceiro dia em Seattle: o dia da escola. Aqui eles tiram férias de duas semanas para o Natal e Ano Novo, e depois voltam a estudar. Cheguei numa sexta, o que me fez ficar sábado e domingo o dia inteiro com Mathew. E adivinhem só: Mathew é idiota que nem eu. Ele também diz coisas sem pensar e fala coisas do tipo: esse ketchup. O tomate dele. Era tão lindo. E morreu.

É, ele diz isso. Exatamente como eu haha. Naquele dia que ele me pediu pra contar a minha história já eram 23:00. O que me levou a ficar até 2:00 contando tudo. E eu tive ajuda pra contar a minha vida. Liguei o Skype do meu computador e a Bella tava online. Assim começamos a conversar. Ah Deus, eu tinha tanta saudades dela. E o Mat (sim, ele me faz chamá-lo assim) ficava perguntando coisas do tipo: aí tem sorvete?
MATHEW? QUE TIPO DE LUGAR NÃO HÁ SORVETE? Gente, é sério, que tipo de pergunta foi essa a dele? Depois da minha história foi a vez dele:
– Mathew Gabriel Underwood (e se pronunciava "Gueibriel" o que me fez zoá-lo de "Gaybriel" e isso não o fez ficar feliz pois ele me tomou o Doritos)
– 17 anos
– solteiro
– apaixonado por Watch Dogs
– pede pizza toda quinta só pra ele (pena dele, porque EU CHEGUEI)
– guarda todas as roupas em cabides
– vai me arrumar um garoto em 4 dias
Sim, só as duas primeiras coisas foram as mais relevantes. E eu não quero um garoto. Eu expliquei pra ele que tinha um otário no Brasil que não fazia questão de mim. Que nem mesmo se importava. Daí ele entendeu, mas mesmo assim ainda vai arrumar o garoto. No domingo saímos pra casa de um amigo dele: Luke Morgan. É um garoto idiota também. Mas muito mais idiota do que o Mathew. Pra vocês terem uma noção: ele é mais idiota do que eu. Da pra acreditar nisso? Fui lá pra nada. Só pra comer Pringles e suco. E eu só bebi o suco porque não tinha coca. Domingo à noite, cheguei em casa, fui pro meu quarto, Mat foi pro dele, mas antes me disse uma coisa intrigante.
– Amanhã é seu primeiro dia na Napoleon High! Vai pro primeiro ano hahaha.
– o que?
Mas aí ele já tinha entrado pro quarto. Tomei um banho, coloquei um pijama e me deitei fuçando no meu celular. Até que eu ouço uma voz.
– toc toc. — parece ser John. Meu pai.
– entra pai!
– bom, você começou a se acostumar a me chamar de pai.
– sabe John, foi bem difícil, mas o Mat ta me ajudando um pouco a me "enturmar" na família. — digo dando um sorriso de lado.
– tudo bem filha. Eu não vou te cobrar me chamando de pai. Afinal, passou 14 anos e 8 meses com outros pais. — ele diz sorrindo — ah, quase me esqueci. Te matriculei no sábado na mesma escola que o Mathew.
– é. Ele me contou essa. Nessas escolas não tem uniforme, certo?
– certo, pode usar a roupa que quiser. Desde que não seja curta ok Hanna?
– Tudo bem senhor — digo batendo continência — boa noite meu novo pai.
– boa noite — ele diz me dando um abraço.
É difícil se acostumar com um novo pai. Uma nova família. Mas eu falo com os meus outros pais todos os dias no telefone. É isso também me deixa bem.
Segunda, 7:00

O alarme toca e me faz sair da cama preguiçosamente. Vou até o banheiro, tomo um banho, escovo os dentes, visto uma roupa http://www.polyvore.com/m/set?.embedder=7588769&.svc=copypaste&id=143635777 e desço pra tomar café.
– uau — diz Molly com uma xícara de café na mão — não é um pouco demais pra escola?
– mãe — digo timidamente — é meu primeiro dia. Tenho que passar uma boa imagem. Já vi nos filmes as patricinhas habitantes de escolas estadunidenses.
– É, eles não mentem — diz Mathew pegando uma maçã. — Vamos logo nanica.
E assim, parto em uma jornada perigosa: o ensino médio.

Notas finais
O que acharam?? Reviews, por favor.