Change my heart
2 Capítulo um
Respirei fundo e comecei a organizar minhas "coisas" dentro da mala. Nós tínhamos planejado essa viajem há dois meses. Todos estavam animados. Mas eu tinha que estragar isso. De um jeito ou de outro.
Se fosse há sete anos nunca iria, sequer, me imaginar desse jeito. Minha infância não foi das melhores. Me tornei órfã aos doze anos, quando meus pais morreram. Assassinados. Eu assisti tudo bem de perto. Foi o pior dia de minha vida. Depois que às coisas se acalmaram, fui mandada para casa de meus avós. Mas passar o resto dos dias que me sobraram enfurnada numa casa onde todos me odiavam, não me pareceu um bom caminho. Então eu fugi. Fiquei na rua um tempo até Peter me encontrar e me trazer para cá. Ele disse que o que me esperava era melhor do que qualquer coisa que eu já havia feito. Casa, comida e dinheiro fácil. Bem, não tão fácil assim.
Sou a caçula da turma. Eles me acolheram como se eu fosse da família, me prepararam e me treinaram.
Como eu disse, se fosse há sete anos eu teria saído correndo, mas perderia toda diversão.
– Poxa, não sabia que precisava de tudo isso para tirar férias. — Peter disse me fazendo dar um pequeno pulo para trás.
– Me assustou.
– O que é isso, Hayden?
– O que você acha?
– Achei que íamos viajar.
– E vamos, só que não para férias.
– Você aceitou outro trabalho do Bruce? Sem nos dizer?
– Como se você já não estivesse acostumado.
– Olhe pra mim, Hayden. — Ele puxou meu braço me fazendo olha-lo — Você está ficando psicótica. Tudo tem um limite.
– Qual é, Peter, não seja molenga agora.
– Eles não são escravos, Hayden. Precisa parar um pouco.
– São dois milhões. Dois milhões — realcei.
– Temos dinheiro suficiente para bancar duas vidas.
– Nunca é demais.
– O que aconteceu com a minha garotinha doce?
Encarei seu rosto, que agora estava triste. Eu havia mudado mais do que pensei. Minhas ambições eram maiores. Queria alcançar o topo do mundo. E era isso que iria fazer.
– Acho que ela não existe mais. — Falei me retirando do quarto.
Alasca, Jaden e Thomas estavam na sala jogando videogame. Eu não os estava fazendo de escravos. Eles viviam disso. Era um caminho sem volta.
Pigarreei chamando a atenção deles. Vendo Peter se encostar-se ao corrimão da escada.
– Onde está Ryan? — Perguntei.
– Com a namorada. — Alasca respondeu.
– Achei que ele tivesse terminado. — Arqueei uma sobrancelha.
– È nova. — Ela deu de ombros.
Claro. Ryan está com uma namorada nova toda semana.
– Tenho algo a dizer. — falei
– Pode ser rápido? Tenho que arrumar minhas coisas. — Jaden disse sem tirar os olhos do videogame.
– Acho que vocês deveriam escutar bem. — Peter falou e todos viraram para mim.
– Nós temos um novo trabalho. — soltei ouvindo um monte de reclamações.
– Outro? Achei que aquele fosse o último. — Tomas se levantou.
– Calma, esse vai vale a pena. — Tentei explicar.
– Hayden, isso já é demais. Você está ficando psicótica. — Alasca revirou os olhos.
– Eu te disse. — Peter se pronunciou mais uma vez.
– Não sejam tão chatos.
– Merecemos um descanso. – Thomas disse.
– È isso o que fazemos, ok? — Alterei a voz. — Vocês não vão dar pra trás agora, só por causa de uma viajem que pode ser adiada. Depois disso vamos pra onde quiserem, tudo bem? Mas agora eu preciso de vocês. — Olhei para Peter. — Todos vocês.
Eles me encararam e assentiram.
Suspirei. — Vamos, temos muito que fazer.
[...]
O endereço que Bruce havia me dado era de uma universidade. Agora eu tenho que dar conta de um playboy universitário?
Definitivamente, estão baixando meu nível.
Ficamos dentro do carro, observando os alunos saírem. Olhei a foto mais uma vez, mas sem dar muita atenção. Escolhendo apenas algumas características.
E lá estava ele. Cercado de amigos, o que dificultava um pouco nosso sequestro. Eu olhei a foto novamente. Ele estava um pouco mais novo do que agora, mas era a mesma pessoa. Cabelos negros, olhos verdes, o tipo forte, mas não exagerado. Alto e com um sorriso encantador.
Eu não acredito que prestei atenção no sorriso dele. O que não era nem um pouco comum.
Eu o encarei, sem conseguir desviar o olhar.
Aquele era... Era o alvo mais lindo que já vi.
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