Change Your Life
4 Every moment
Notas iniciais
Mas eu volteeei! o/ êbaaaa! E dessa vez pra ficar *-*
Shina começou a trabalhar com a banda logo na outra semana. Surpreendeu-se com o talento dos cinco rapazes. Desde que os ouvira pela primeira vez, soube de alguma forma que eram muito bons, mas que aquilo que mostravam ainda não era seu melhor. Sentada no estúdio, ouvindo pedaços de composições cruas dos rapazes, teve ainda mais certeza de que se podia esperar grandes feitos do the GazettE. Eles tinham o que era preciso. Shina os viu como um diamante que vinha sendo meticulosamente esculpido durante seis anos, mas que ainda não estava no formato ideal. Ainda não tinha o brilho ideal. Munidos de um talento sem fim, uma criatividade invejável, presença de palco estonteante e inquebrantável química, os cinco eram o que faltava para que a juventude japonesa fosse mais uma vez orgulhosa das bandas de rock do país, ao invés de venerar artistas americanos produzidos em série.
Ela estaria no céu, não fosse o constante pé atrás do guitarrista base. Dos cinco, ele era o único que não se dava ao direito de qualquer momento de descontração no estúdio. Pelo menos na presença de Shina. Era invariavelmente compenetrado, não se importava de trabalhar três ou quatro horas a mais do que o previsto e nunca parecia contente com alguma coisa. Shina sempre admirara artistas com senso de autocrítica, mas Aoi exagerava. Chegava a ser ranzinza. E por algum motivo, Kiriyama sentia que o problema era com ela. Ele sempre relutava em mostrar-lhe alguma música e questionava toda vez que Shina tomasse alguma decisão que diferisse da intenção inicial da música. Mediante a qualquer desvio que ela fizesse na rota, ele se demonstrava incomodado. Não dizia nada, mas ela sabia que no fundo ele se sentia violado. Como se uma estranha tivesse entrado em sua casa e aberto seu armário e rearranjado a ordem de cor das camisas no cabide. E de fato nunca disse nada, até o dia que Shina sugeriu que mudasse o tom de sua guitarra em uma das músicas.
- Como assim? – a princípio ele pareceu não entender do que ela falava.
- Talvez se colocássemos essa parte em uma afinação diferente, Aoi-san. – sugeriu Shina.
- Você fala de um tom abaixo? – o moreno arqueou a sobrancelha.
- É. Pra diferir da parte do Uruha. E pra dar mais peso também. – disse, calmamente, mesmo sabendo que ele estava se controlando para não dizer qualquer coisa rude.
- Não, não. Não vai ficar harmônico. – retrucou, decidido.
- Pode ser que fique, Aoi. Não custa tentar. – argumentou Uruha, que encontrava-se apoiado na mesa de mixagem, ao lado de Shina.
- É, Aoi. Eu acho que vai dar mais amplitude pra música. – completou Kai.
- Também acho. – concordou Ruki – A música é boa, mas pra mim parece que falta alguma coisa. Talvez seja isso.
- Desde quando tá todo mundo contra mim? – perguntou o guitarrista, indignado, apontando o próprio peito.
- Ninguém tá contra você. – Uruha riu um pouco – Só estamos sugerindo. Se não ficar bom, a gente muda de novo.
- Ah, o que é que você sabe? Quem compôs fui eu. – retrucou o Shiroyama, irritado.
- Hey, hey... Que atitude é essa, cara? – perguntou o baterista, surpreso com a rudeza do amigo.
- Tá vendo... Isso é tudo culpa sua. – o moreno apontou Reita, que até então estava sentado quieto em uma cadeira – Sua e da sua paixãozinha de colegial.
- Aoi... – Ruki suspirou, cobrindo o rosto com as mãos.
- Eu?! – o baixista apontou para si mesmo – Mas todo mundo concordou em chamar a Shina, inclusive você.
- Pera aí... – Shina interveio – Agora vocês me deixaram perdida nisso tudo... Que história é essa?
- O Reita fez a gente contratar você só porque tá obcecado com a sua melhor amiga. – resmungou Aoi.
- Isso é verdade, Reita? – Kiriyama quis rir, mas era inacreditável demais.
- Não é não. – o loiro levantou-se, corando violentamente e balançando a cabeça com veemência.
- Abre o jogo, Reita. Faz quase dois meses que a Shina tá com a gente e você não conseguiu nem um telefone. – riu Uruha. – Quem sabe ela te ajuda...
- Então vocês não me chamaram por causa do meu trabalho? — perguntou a moça.
- Não, não é isso. Nós chamamos sim. – desculpou-se Ruki – O Reita só sugeriu... E insistiu. Muito.
- Implorou. – Aoi voltou a resmungar – Afinal a gente tava se virando bem sem produtor.
- Aoi, menos. – Kai repreendeu o amigo mais uma vez.
- Bom, a decisão é de vocês. Me pagar, vocês já me pagaram. Se quiserem que eu fique, ótimo. Se quiserem que eu vá, o que eu acho sensato já que eu venho causando desavenças entre vocês, ótimo também. O cheque já tá descontado de qualquer forma. – replicou Shina, calmamente, como se nem tivesse acabo de descobrir que fora usada para chegar à sua amiga.
- Não, Shina. Nós queremos que você fique. – disse Uruha, parecendo desconfortável com a situação.
- Não acho que esse sentimento seja unânime, Uruha. – Kiriyama sorriu sem mostrar os dentes – Mas obrigada. Eu vou pra casa, pelo menos por hoje. Se resolverem... – olhou para Aoi – que querem que eu volte, estarei aqui amanhã. – pegou a bolsa e o celular e dirigiu-se à porta – Reita, vem aqui. – chamou o baixista e tirou um papel e uma caneta da bolsa enquanto ele andava até ela, escreveu o número da melhor amiga no bilhetinho e colocou-o no bolso da camisa que ele usava – Não foi pra isso que me pagaram? – piscou e sorriu, antes de sair pela porta.
O baixista ficou pasmo, mas com o coração batendo forte sob o bilhetinho no bolso. Era verdade o que Aoi dissera. A mais pura verdade. Desde que vira Anna naquele dia no estúdio de TV, nunca mais conseguiu passar um dia sem pensar nela. Procurava o rosto dela nas revistas, ouvia-a cantar em seus fones de ouvido quando saía para correr, assistia-a nos filmes e na TV, e como um adolescente, ensaiava mil e um diálogos quando encostava a cabeça no travesseiro. Não parecia, mas Reita era o tipo de cara que lidava com as mulheres como qualquer colegial faria. Queria parecer seguro de si e entendido do riscado, mas na verdade era só um moleque rendido a pernas, mãos, cabelos e sorrisos. Lembrou de quando leu em uma das revistas que comprara, Anna contando em uma entrevista, que quem produzia suas músicas era sua melhor amiga: Kiriyama Shina. Foi quando sentou-se em frente ao computador, pesquisou aquele nome na internet e descobriu a filha da Tokyo-to Orchestra e bem-sucedida produtora, Shina. Sem titubear, sugeriu aos amigos e ao empresário da banda que a chamassem para o próximo álbum, mas nem sequer contou com a possibilidade de algo assim acontecer.
Reita sentiu-se culpado quando chegou em casa e lembrou da discussão com Aoi no estúdio mais cedo. Incriminou-se pelo acontecido, sentindo um peso enorme ser largado sobre seus ombros. E se Aoi não tivesse contado a verdade à Shina? Eles teriam continuado a brigar e poderia ter sido muito pior. O baixista arrependeu-se de sua irresponsabilidade. Arriscou o bem-estar da banda para chegar perto de uma garota. Foi dormir com raiva de si mesmo naquela noite.
Shina repassou os fatos em sua mente enquanto tomava café com Anna na manhã seguinte. Era uma droga que tivesse que parar de trabalhar com eles. Mas talvez fosse melhor assim do que continuasse a ser o motivo de discordâncias entre os cinco. Depois de ter digerido a informação, ela achou graça na atitude de Reita. Que tipo de homem fazia essas coisas? Riu, mas ao mesmo admirou-o pela determinação em aproximar-se de Anna, mesmo tendo a visto apenas uma vez. Olhou para a amiga por alguns instantes, enquanto esta arrumava o casaco do filho antes de levá-lo para a casa da avó. Por um momento pôde imaginar o Suzuki inserido naquela cena, ajudando-a com Sky, levando o menino nos ombros até o carro, fazendo-o rir. Pelo que conhecia do baixista, sabia que tinha um bom coração e que era do tipo que se importava com a felicidade de quem gostava. Pensou que talvez, não fosse uma má idéia.
Look up the sky
Olhe pro céu
You can see me
Você pode me ver
Oh my life is like a shooting star
A minha vida é como uma estrela cadente
Disappear before I wish my dream
Desaparece antes que eu deseje um sonho
Life is too short,
A vida é muito curta
We need more time.
Precisamos de mais tempo
I tried to find my way
Tentei achar meu caminho
Hard to find the truth
Difícil achar a verdade
But I knew you are the one
Mas eu sabia que você era perfeito
I shall be a blue sky
Eu serei um céu azul
To guide your broken wings
Pra guiar suas asas quebradas
I play a song so that you are not alone
Toco uma música para você não se sentir só
I shall be a river
Serei um rio
to take your tears away
Para levar embora suas lágrimas
Baby I promise I'll be
Eu prometo que estarei
with you every moment
Com você a todo momento
Every Moment – Anna Tsuchiya
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