Change My Life 2
6 Poderoso.
Notas iniciais
Jason estava confuso, como nunca estava antes. Ele definitivamente não entendia o que se passava ao seu redor. A sua última memória era de estar treinando no acampamento Júpiter, dando ordens para seus centuriões.
E depois, de estar dentro de um ônibus e lindos olhos coloridos lhe fitarem com insegurança. “Jason, está tudo bem?”.
Óbvio que não estava, ele nem ao menos sabia quem eram aquelas pessoas. Por mais que estivessem falando e insistindo que haviam meses que eram amigos, e aquela garota… Sua namorada.
E depois veio Annabeth e Butch e todo este mundo mitológico confuso. Agora, estava no que parecia ser o chalé 1. Ao contrário dos romanos, que estavam instalados do outro lado do acampamento, os gregos decidiram que Jason ficaria lá. Que era o seu lugar.
Era um lugar bem intimidador, Zeus (ou Júpiter) olhava para ele como se falasse “Você é o meu filho? Bem fora das expectativas”.
Quando estava procurando um lugar fora do olhar da estátua,Thalia, a punk louca que o agarrou no meio do acampamento, chegou animada e deu um sorriso grande.
–Oi Jason — o loiro deu um suspiro.
–Eu sei que deveria te conhecer ou algo do tipo, mas eu não faço a mínima ideia de quem é você — ele jogou a blusa laranja do acampamento meio-sangue encima da cama. Thalia deu um sorriso ainda maior, sentando-se no chão com ele.
–Eu sei que vai parecer estranho, mas eu sou sua irmã…
–Não exatamente, já que sou filho de Júpiter e você de Zeus…
–Não, não — Thalia deu um mínimo sorriso — Somos irmãos por parte de mãe também, você não se lembra?
Ele franziu as sobrancelhas, fazendo sua memória trabalhar. Olhou para Thalia, e depois para a estátua de Zeus os olhando com pavor.As únicas coisas que lembrava antes de entrar na caverna da loba era um olhar bonito e os cabelos negros da sua mãe. Iguais aos de Thalia.
–Você…?
–Eu sou sua irmã, Thalia Grace. E você é Jason Grace. Meu pai meio que traiu Hera com a mesma mulher duas vezes, em duas formas diferentes. Eu achei que você tinha morrido, depois do… Depois de tudo. E então Nico foi para o acampamento romano e te reconheceu
–Nico Di Ângelo — Jason disse suas palavras lentamente, como se estudasse o caso — Sim, eu me lembro dele.
–Era um infiltrado, grego. Ele te viu por lá e falou comigo na mesma hora, eu não consegui acreditar no que ouvi e estava me preparando para encontrar com você quando…
–Eu sumi — supôs Jason — Sumi por meses que eu não sequer me recordo. É simplesmente horrível isto.
–Você não só sumiu, acho que ficou inconsciente por alguns meses. Por isto o acampamento romano não conseguiu te achar.
Jason ficou um tempo calado. Processando todas as informações, não se sentia nada revigorado para um cara que dormiu por quase um ano. Na realidade, todos os seus ossos pareciam quebrados.
–Eu vou te deixar um tempo aqui, sozinho. Amanhã vamos ter um treinamento conjunto. Acho que você pode se considerar um greco-romano, então esteja na arena. Eu volto mais tarde, depois da fogueira.
Ele não havia entendido nada do que Thalia havia dito: Treinamento conjunto? Fogueira? Decidiu que perguntaria sobre isto depois.
Saiu daquele chalé macabro, sentindo a luz do dia bater em seu rosto. Não havia uma nuvem no céu, o que era algo estranho para Junho. Foi andando até onde seus pés conseguiam, e parou num campo de morangos. Enorme e lindo.
Viu uma garota agachada, chorando. Depois de franzir os olhos percebeu que era a mesma garota do ônibus. Piper.
–Aconteceu alguma coisa? — Jason perguntou, chegando mais perto. A morena olhou rapidamente para ele e depois desviou o olhar, girando o seu corpo em noventa graus e afundando sua cabeça entre as pernas.
O coração de Jason deu uma batida mais forte e descompassada no peito, sentou-se ao lado dela. Ela tinha um cheiro de canela reconfortante, e no Grand Canyon quando ele a abraçou no ar… Teve que se segurar para não beija-la.
–Annabeth acabou de sair daqui, ela teve uma conversa comigo — a voz de Piper era abafada, Jason olhou para frente, o sol se pondo era lindo — Ela me falou toda a verdade.
–Que verdade? — Jason acabou perguntando, mesmo já sabendo a resposta.
–Você não me conhece, certo? Você nem sequer sabe meu nome completo — ela enxugou as lágrimas, rindo sem graça — Foi tudo uma brincadeira da “névoa”.
Jason queria muito que fosse verdade, falar que Annabeth estava errada e que os dois eram namorados há algum tempo já.
–Desculpa, eu não faço ideia de quem é você — ele pegou na mão direita dela, sorrindo um pouco — Mas eu ficaria muito feliz em descobrir.
Piper assentiu, os dois ficaram ali um tempo. E depois a meio-sangue foi embora, deixando um Jason sozinho em meio aos campos de morango. No fim, o próprio Jason foi embora, chegando até a área dos chalés e sendo parado por Reyna, que parecia contente em vê-lo.
–Que tal andarmos pelo acampamento? — ela não parecia aceitar um não como resposta — Precisamos conversar.
(...)
O sol forte e o número de pessoas faziam aquele anfiteatro ficar mais cheio e caloroso que nunca, ninguém entendia exatamente qual era o objetivo daqueles jogos. Mas definitivamente não era cooperação entre acampamentos.
A idiotice começou quando um grego e um romano foram os líderes para escolher os times, obviamente que um time ficou totalmente grego e outro totalmente romano. Deixando assim, gregos contra romanos.
Uma coisa que Annabeth nunca entendia era como jogos rivalizados poderiam trazer paz entre acampamentos, ou escolas, ou campus. Seja lá o que fosse, jogos só trariam ainda mais rivalidade.
Bem, pelo menos os jogos mesmo não aconteceriam tão cedo. Não com um ódio instaurado entre os campistas por causa da volta de Jason e tudo o mais. Annabeth só estava ali por causa do treino, do maldito treino que teria entre grupos.
Ela não entendeu como aconteceu o sorteio, mas de repente ela estava no grupo que menos queria estar. E iria lutar com a última pessoa que queria lutar.
Seu grupo eram Jason, Percy, Vic, Thalia e Nico. E a sua dupla era Victoria, a maldita greco-romana mais chata dos últimos três mil anos.
Cada grupo teria um local de lutas, o deles era na arena. Um lugar fechado, onde às vezes ficavam alguns pégasos caminhando para lá e para cá.
Eles se juntaram num círculo, Percy foi o que começou a dar as ordens:
–Ok, quem ganhar as lutas tem o direito de escolher a próxima dupla. Tentaremos revezar o máximo que pudermos até o tempo terminar. Isto aqui é um treinamento, não apelem — Percy olhou diretamente para Vic.
Era óbvio que isto era porque Victória já havia apelado uma vez no ano anterior, quase decepando a cabeça de Annabeth e a fazendo ficar na enfermaria por algum tempo. O lado bom foi que lá ela conheceu Zac, o lado ruim era que Zac não era mais amigo dela.
Annabeth ficou com Jason, os dois deslocados no meio de toda a situação. Por mais que Thalia tentasse enquadra-los. Jason se virou para Annabeth.
–Você treina aqui a quantos anos? — o sorriso dele foi estranhamente charmoso. A marca acima de sua boca era sexy. Annabeth fingiu pensar.
–Apenas numa parte do ano passado, cerca de dois meses — Jason parecia surpreso.
–Você lutou bem lá no Grand Canyon, eu nunca iria imaginar que você é uma novata.
–Eu tive uma grande missão no ano passado — o rosto de Annabeth se enegreceu — E também fiz umas aulas de judô no ano que fiquei em Nova York.
Jason riu.
–Eu nunca vi uma meio-sangue usar óculos, mas é bem adapto a uma filha de Miner… Atena. Por mais que Minerva não tenha exatamente filhos.
A última parte ele sussurrou, parecia confuso. Annabeth franziu as sobrancelhas.
–O que você disse?
–Nada, apenas boa sorte com a Vic. Ela é muito boa, a melhor — Annabeth assentiu, ela já sabia daquilo há um bom tempo. Mas ela era filha de Atena, a mais famosa de todas. Ela com toda certeza iria dar um jeito em Vic, pensaria numa estratégia na hora.
Thalia acabou ganhando de Nico, porque ele se desconcentrou totalmente quando ela passou as pernas na sua cintura, jogando-o no chão. Nenhum dos dois pareciam ressentidos.
Jason e Percy eram a próxima dupla.
–Deseje-me sorte — o loiro piscou para Annabeth. Ela abriu um sorriso, arqueando as sobrancelhas.
Nico ficou ao seu lado, e Thalia do outro.
–Será uma batalha interessante — comentou Thalia — Quem você acha que ganha?
–Jason
–Percy.
Nico e Annabeth se entreolharam, e depois riram. Todos olharam para frente, ansiosos pela batalha. Percy deu um sorriso simpático e apertou a mão de Jason, que também apertou a mão dele e sorriu.
A caneta de Percy virou sua espada contracorrente, feita em bronze celestial. E Jason tirou sua espada mais longa, quase que uma lança, feita em ouro imperial. Os gregos retesaram ao ver aquela arma, era diferente de tudo que já haviam visto.
Foi como dois pássaros que os dois avançaram um no outro, suas espadas batendo uma na outra e formando um tilintar entre metais bastante conhecido para os dois. Annabeth franziu as sobrancelhas, forçando os olhos.
Gregos e Romanos tinham duas formas diferentes de lutar.
Percy era mais aberto, tinha golpes largos e curvos, esquivava com muita facilidade porque os gregos tinham o costume de misturar artes marciais na sua luta.
Jason era bem mais… Romano. Centrado e preciso, reto e parado. Seu corpo era como um escudo, seus golpes eram bem mais pesados e fortes que o de Percy.
Os gregos usavam um, dois… No máximo três golpes e recuavam. Na maioria das vezes eram um golpe de longe e depois se aproximavam, dando dois golpes perto e enfim esquivavam.
Jason esperava Percy vir até ele, e então dava um golpe preciso e forte. As armas dos dois foram forçadas novamente, e o impacto fez as duas espadas serem jogadas longe. Percy e Jason se entreolharam, era hora de agirem sem armas.
Com um chute no peito, Percy recuou dois passos para trás, cambaleando um pouco. Quando Jason estava pronto para dar o golpe final o moreno rolou, esquivando de um soco no rosto. Sua perna deu uma tesoura em Jason, fazendo-o perder o equilíbrio das pernas e acabar se agachando.
Foi nisto que recebeu um chute no peito, deitando-se no chão com falta de ar.
–Eu disse que Percy iria ganhar — Nico disse para Annabeth, rindo um pouco. Annabeth também deu um meio sorriso.
Vic era uma greco-romana, ela tinha os dois jeitos de lutar combinados.
No último ano, Annabeth foi uma idiota e decidiu atacar Victória igual uma louca, dando um maldito corte enorme e fundo no braço esquerdo da filha de Vênus. Isto era errado, ela esperava por isto. Pelo ataque desenfreado. Era uma romana.
Annabeth desceu a arquibancada até o chão de terra clara da arena. Conseguiu ouvir Nico perguntando para Jason e Percy quem iria ganhar. Ela sabia que os dois tinham respondido Vic.
Ela não ligava, era melhor que não falassem nada sobre ela. Gostava de surpreender as pessoas.
Vic pegou sua espada, sorrindo maleficamente para Annabeth.
–Eu estou esperando por isto há algum tempo — falou Vic — Foi uma grande sorte minha finalmente pegar a filha nerd e traidora de Atena.
Annabeth respirou fundo, o “traidora” conseguiu definitivamente mexer com ela. Foi até onde estavam todos os outros do grupo.
–Cuida do meu óculos — entregou-os para Thalia, que assentiu confusa. Sua visão estava embaçada, era a chance perfeita de seguir seus instintos de meio-sangue.
Pegou sua arma na sua perna esquerda, que ficava onde parecia um “bracelete de perna”, encaixando ali estava sua adaga. Curta, de Voluptia.
Só conseguia ver as manchas do contorno do corpo de Vic, o que era algo ruim e bom ao mesmo tempo.
Ela não atacou, esperou Vic vir até ela. E como a sua parte grega também a ajudava, Vic foi.
Um golpe longe, dois e três perto. Annabeth desviou todos eles. Ela sentia os passos de Vic com os pés dela. E os golpes eram tão gregos como ela já sabia que seriam.
Um, dois golpes perto, mais um de longe. Gregos nunca dão muitos golpes perto demais, não gostavam de ficar expostos.
Mas Annabeth não se deixaria ser pega assim tão fácil, nenhum monstro mais inteligente conseguiria ler seus golpes assim tão facilmente.
Percy e Jason e Vic eram ótimos meio-sangues, mas eram como cobras treinadas, filhos certeiros daquilo que lhe foi ensinado. Annabeth era louca, totalmente. Tudo que faria a seguir ninguém lhe ensinou, ela inventou da sua cabeça com suas aulas de judô e outras no próprio acampamento.
Desviou com facilidade os dois golpes perto de Vic, e então ela deu um golpe de longe… Annabeth deu um chute na munheca de Victória, o pulso dela ficava exposto sempre que ela dava um golpe de longe.
A espada parou longe, Vic ameaçou correr para pegar mas Annabeth não lhe deu chance, sua mão jogou a própria adaga longe, ela estava chamando Vic para uma batalha corpo a corpo.
A romana sorriu, correndo para cima dela e deixando bem claro que tinha apenas influências gregas na batalha corpo a corpo.
Annabeth esperou ela dar seu golpe de longe, um provável chute. E então desviou, agachando-se e dando uma rasteira na perna de apoio de Vic, que caiu no chão de costas com um baque que parecia ter quebrado suas costelas.
Annabeth avançou para cima dela, mas apenas pois o antebraço no pescoço de Victória, para que ela não saísse do lugar.
–Bem… — o silêncio que havia virado a arena foi algo engraçado, Annabeth fechou os olhos e deu um pequeno sorriso — Eu acho que Annabeth ganhou.
Só depois de Thalia anunciar que Annabeth saiu de cima de Vic, ficando de pé e andando até a arquibancada. Metendo o joelho no primeiro degrau.
Thalia riu, entregando os óculos para Annabeth.
–Você estava conseguindo enxergar alguma coisa? — Annabeth riu, colocando os óculos.
–Nenhum palmo na minha frente.
Todos riram, inclusive Percy.
–Você foi bem, totalmente diferente daquilo que eu te ensinei ano passado — comentou o moreno. Pela primeira vez depois de um ano e meio, ele havia falado francamente com ela. Annabeth assentiu.
Virou-se para Victória, que parecia séria mas nenhum pouco enraivecida.
–Eu não queria parecer uma traidora no seu ponto de vista, eu não estava me sentindo bem aqui no ano passado. E achei que você entenderia quando eu voltasse. É uma pena que não podemos continuar sendo amigas.
Annabeth pegou sua adaga e marchou para longe dali, sentindo o vento bater em seus cabelos, tirou seus óculos e os limpou com a beirada da blusa, quase caiu no chão quando esbarrou com alguém.
–Gata, você tá bem? — Annabeth franziu as sobrancelhas e recolocou os óculos, depois viu que era apenas Leo e acabou rindo. Ele deu a mão para ela, rindo também.
–Sim Leo, tudo ótimo. E você?
Os dois começaram a andar pelo acampamento.
–Tudo dentro dos conformes, você tem uma armação legal, mas você colocou arame do lado do óculos? — Annabeth olhou para os próprios óculos e acabou ficando com as bochechas vermelhas.
–Sim, eu quebrei ele no treinamento e não tem… — Leo roubou seus óculos, com a ponta do dedo indicador ele fez uma flama de chamas, e com a outra mão pegou um parafuso no seu bolso. Segundos depois o óculos de Annabeth estava novamente perfeito.
Ela olhou para o dedo indicador e o rosto de Leo alternadamente.
–Você… É tipo o Zezé?
Leo franziu as sobrancelhas.
–O quê?
–O bebe dos incríveis que vira fogo, você é o Zezé do nosso acampamento.
Leo riu.
–Gostei do apelido, Zé do foguinho.
Annabeth riu, mas deu um passo para o lado. Não gostava muito da possibilidade de morrer queimada, ela ia abrir a boca para perguntar quem seria o pai de Leo quando sentiu alguém pegar no seu braço, tão forte e com tanta brutalidade que ela já sabia quem era.
–O que foi, Percy?
Ele olhou para ela e para Leo clinicamente, depois pigarreou um pouco e disse:
–Precisamos conversar.
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