Change My Life 2
13 Os sonhos com a feiticeira.
Notas iniciais
Não era exatamente aquilo que Annabeth chamaria de “conveniente”. Dias depois do seu estranho sexo no mar com o filho do deus mar, a última coisa que previa era isolamento total no chalé seis.
Infelizmente, ela não teve escapatória. Era como se tivesse que votar, mas não tivesse nenhum candidato que realmente lhe agradasse... Até porque havia prometido, desta vez seria meticulosa na escolha de seu sucessor.
O “assombrado” conselheiro chefe do chalé 6. Quem seria bom ou corajoso o bastante para pegar o lugar tão não cobiçado de Annabeth Chase? Ela estava indo embora, querendo ou não era o seu último verão.
Tinha se formado, e enxergava sua vida muito concreta dali pra frente: faculdade>carreira de sucesso>mais sucesso>sucesso absoluto.
Queria ser a melhor arquiteta e como boa filha de Atena não desviaria do seu caminho.
Voltando, estava atrás de um novo conselheiro chefe. E para isto tinha que pelo menos dar uma arrumada nas coisas do chalé seis, estava tudo tão bagunçado que nem ela conseguia se organizar no meio de tantos livros e papeis.
Sua primeira e óbvia escolha era Malcolm, seu irmão e melhor amigo. Mas teve uma surpresa interessante ao saber que ele também saía do acampamento naquele verão, todos os seus amigos estavam tendo o mesmo pensamento no mesmo ano.
Isto a deixava feliz e recompensada.
A última coisa que queria parecer era insensível, mas realmente não tinha visto Perseu desde o que ela intitulou de “a trepada mágica” e sua cabeça estava tão atordoada que nem sequer parou para pensar que estava sendo um pouco... homem demais.
Ao mesmo tempo, era bom não correr atrás de Percy para variar. Sempre acontecia isto, ela ia atrás que nem um cachorrinho... Um pouco de saudades faria bem ao “relacionamento”.
Foi pega de surpresa nas últimas horas por Reyna. Reunião com conselheiros chefes e romanos? Quem foi que havia tido a ideia daquela palhaçada? Agora não só veria Percy, como ficaria o encarando por aproximadamente horas infinitas.
–Quem teve a ideia dessa palhaçada? — perguntou para Travis quase que como uma súplica.
–Fui eu – voz masculina muito conhecida, alguém havia falado demais. Annabeth deu um sorriso bobo, virando para nada mais nada menos que o precioso Perseu Jackson, na glória de seu esplendor. Lindo, sensual, e charmoso. Como sempre.
–E posso saber por quê? – saída rápida, quase instantânea. Ouvia a risada prensada de Travis atrás dela e quase bateu nele com o cotovelo.
–As férias estão acabando, os romanos estão indo embora e temos que concluir os assuntos pendentes – a última parte ele havia dito com um pouco mais de ênfase, era claro, notório, a vontade dele de socar Annabeth até ela ficar inconsciente. Ela só não sabia por quê. Quer dizer... Tentava não admitir o porquê.
–Ah, então foi uma boa ideia – ela deu um meio sorriso, quase sarcástico. Percy semicerrou os olhos, tentando ler alguma coisa naquela mente louca e genial de Annabeth Chase.
Não conseguia captar nada, ela era um mistério a ser revelado. E cada dia que passava, ele queria entender mais e mais o que se passava dentro da mente dela. Quem sabe um pouco de seus pensamentos estavam reservados a ele.
Quíron já estava no centro da mesa de ping pong, todos sabiam o que aquilo significava. Hora de todos calarem a boca e prestarem atenção.
Annabeth foi em direção da sexta cadeira, a sua sensacional e linda cadeira que não tinha sucessor. E ela tinha que escolher, e rápido.
–Reyna, suas palavras... – foi a única coisa que o centauro disse. O que fez Annabeth semicerrar os olhos em estranheza. Quíron nunca era de poucas palavras, ainda mais agora numa reunião tão importante.
Era raro isto acontecer, por isto pensava cada vez mais na possibilidade de que...
–As coisas estão ruins no acampamento romano – exatamente isto. As coisas estavam desandando pelo lado romano.
Era um de seus pensamentos na última semana, as coisas pelo lado grego estavam indo de vento em polpa. Os caminhões de morangos vendendo mais do que a última década inteira vendeu, mais e mais gregos chegando para o acampamento.
Não sabia bem como havia acontecido, mas pelo que parecia o acampamento estava recebendo graças divinas. E pelo amor de todos os deuses, não sabia como, mas ela tinha quase certeza que os deuses poderiam sim escolher uma forma.
E a forma preferida pode ser a original, a grega.
–... Mandamos a maioria de nossas tropas de volta para São Francisco, monstros estão entrando em Roma como nunca antes, e estamos tendo sérios problemas com nossos Deuses, alguém está mandando bolas e bolas de fogo para nossos chalés.
Annabeth arregalou os olhos, era o que estava acontecendo no último ano com o acampamento grego. Olhou para Percy, que parecia pensar também a mesma coisa.
–Reyna, creio que você tenha que voltar para Roma... – Annabeth comentou, num tom mais respeitável possível. Vic deu um sorriso argiloso.
–Mesmo? – comentou sarcástica.
–Mesmo – respondeu Annabeth, a língua afiada para acabar com a insolente filha de Vênus -... Meu conselho é que leve suas tropas, e daqui também uma pretoria forte. Isto é uma desestabilização total dos deuses da forma romana. E infelizmente... Algum grego muito patriarca não goste muito dos romanos. A mesma coisa aconteceu conosco no último ano e foi difícil de conter. Aqui esta o acordo de paz entre gregos e romanos, eu profiro com a certeza que todos os gregos concordam comigo.
Reyna assentiu.
–Quero levar todos os meus romanos para esta expedição de salvação. Incluo Jason e Vic no grupo – a filha de Vênus ajeitou as costas, quase como num susto. Annabeth deu um meio sorriso. Vic fora da cidade? Isto estava começando a ficar bom. Ela pigarreou.
–Eu, pretora?
–Sim, você. É uma forte semideusa e já fez parte da pretoria romana, uma volta como a sua uniria novamente nossos soldados e felicitaria nossa cidade. Apenas para uma missão, sinta-se à vontade para voltar à Nova York quando quiser.
“Mas prefiro que não” – pensou Annabeth, quase rindo de si mesma logo depois. Nico, exatamente à sua frente, também deu um meio sorriso.
–Claro, seria uma honra – ela deu uma olhadela para Zac. Que parecia ter acabado de engolir uma espinha de peixe.
–E quero contar com Jason também, sua volta para a pretoria me seria de muito bom grado – ele assentiu. Piper parecia pálida como papel.
–Eu volto para a responsabilidade que deveria ser minha desde o começo... Mas com uma condição. — Todos se calaram, esperando que ele continuasse sua frase – Precisamos de uma pessoa boa para chantagens, falácias e discursos. O dom de Piper é fora do comum, Quíron bem sabe disso, para a missão seria bom tê-la conosco.
Annabeth revirou os olhos. Reyna parecia que tinha acabado de levar um soco no rosto, mas como boa pretora o baque foi revelado apenas por poucos segundos.
–Gregos também são bem vindos para a missão.
Sentou-se, deu um pequeno sorriso e acabou assim seu discurso. Annabeth decidiu salva-la.
–Quanto a esses bombardeamentos com fogo, realmente são difíceis de prever e muito mais de conter. Não consigo achar uma boa solução de momento, mas quando puder prometo que...
–Eu sei como conter – disse uma voz da porta. Annabeth arregalou os olhos e quase se levantou de raiva.
O que raios Leo Valdez fazia fora da maca que era seu lugar?
Vic deu um meio sorriso e cruzou os braços, num gesto óbvio de satisfação. Percy, porém, parecia ter visto seu pior inimigo, o que Annabeth não duvidava muito que Leo poderia ter virado. Reyna o estudou.
–E posso saber como?
Quíron deu um meio sorriso, satisfeito. Leo levantou os ombros, fazendo a melhor expressão heroica que podia, e então da sua mão nasceu uma chama alaranjada. Ele abriu os dedos, e a chama cresceu até quase o teto.
Todos ficaram chocados, saindo de perto do Valdez. Annabeth arregalou os olhos, ela tinha certeza que aquele poder não era comum entre os filhos de Hefesto.
–Você controla o fogo? – perguntou Annabeth, maravilhada. Percy deu uma olhadela para ela e revirou os olhos, claramente sem paciência para os adornos que o filho de Hefesto iria ter dali para frente.
A chama sumiu de sua mão, e todos foram até ele. As perguntas foram tantas ao mesmo tempo que ele acabou ficando tonto, sentou-se justamente na cadeira nove. A cadeira do conselheiro chefe de Hefesto.
Era um sinal para o futuro, mas naquele momento ninguém deu importância alguma.
Reyna pigarreou, tomando controle da situação efusiva que Leo havia provocado. Todos se sentaram em suas respectivas cadeiras.
–Você acredita que conseguiria parar as explosões em Roma? — a pergunta de Reyna foi direta, seu olhar efusivo causava pressão em qualquer pessoa. Leo engoliu em seco.
–Posso até achar a causa das explosões... Com os equipamentos certos e enfim... Uma boa equipe de Hefesto para me ajudar.
Percy encostou as costas na cadeira.
–O acampamento todo vai para Roma ou é impressão minha? – perguntou mal humorado. Annabeth semicerrou os olhos para ele, impressionante o quão divergentes eram suas opiniões políticas.
–Sim, se preciso. O acampamento romano precisa da nossa ajuda – a resposta de Annabeth foi conclusiva. Todos se dispersaram, não havia o que ser discutido mais.
Zac e Vic foram os primeiros a sair, claramente incomodados com alguma coisa. Nico Di Ângelo e Thalia Grace estranhamente foram para o lado de Annabeth.
–O que você acha sobre essa missão? – perguntou Nico, e a filha de Atena se surpreendeu positivamente, ele tinha experiência e inteligência o suficiente para tirar suas boas próprias conclusões. Mas preferiu consultá-la.
–Será o que unirá de vez os dois acampamentos... – Percy chegou perto do grupo, os braços cruzados. Naquele momento havia apenas eles e Quíron com Travis e Katie numa conversa baixa.
–O que você tem com o Valdez, Annabeth? Porque tanta questão que ele vá numa missão tão complicada? Não se esqueça de que ele é um calouro ainda, poucas semanas ou quase nenhuma de treinamento.
Thalia trocou olhares inquisitivos com Nico. E Annabeth ficou cheia de toda aquela palhaçada.
–O que você tem contra o Valdez, Perseu?! Eu não vejo problemas, aliás, ele é a solução. Você que ama encontrar defeitos nele, que é um ótimo herói. Tem muita coragem e determinação. Você devia deixar os seus problemas pessoais de lado pelo menos uma vez.
Annabeth deu meia volta, indo embora daquela reunião que já havia esgotado sua paciência. Além disso, mais uma vez brigava com Percy por assuntos do acampamento. Não podia nem sequer brincar com a situação de tê-lo como inimigo.
Era quase suicídio.
Ela não sabia se Percy tinha realmente problemas pessoais com Leo, mas era um chute quase racional. Sentia que tinha algo na história do filho de Poseidon que ela ainda não sabia. Algo que Victória havia comentado com ela no último verão... Sobre corações quebrados e quem sabe alguma maldição.
Voltou para o seu chalé, novamente para todas aquelas tarefas que a deixavam tão cansada.
Pelo que parecia, ela agora tinha virado um espectro. Sua visão era panorâmica, uma ilha linda... E claramente enfeitiçada estava em sua visão. Sentia o cheiro das flores silvestres e ao mesmo tempo das flores tropicais. A água era cristalina e a areia, branca como a neve.
Via duas pessoas deitadas no chão, seminuas. Realmente os sonhos de Annabeth estavam cada vez piores. Uma das pessoas eram Perseu, ela conseguia ver mesmo que de longe.
Mas ao contrário do que pensava, e como outras vezes havia sonhado, não era ela a garota ao lado dele.
Via apenas um rosto atemporal, com os cabelos castanhos e ondulados. Uma toga cobria parte de seu corpo. Ela era linda, esculturalmente concebida pelos Deuses... Ou algo ainda mais poderoso.
Seu coração apertou. Perseu com outra garota? E o pior, parecia muito mais apaixonado por ela do que foi algum dia por Annabeth.
Viu de mais perto os dois, a cabeça da menina-perfeita estava encostada no peitoral de Percy. Mas não era o Percy de Annabeth, era um mais novo, quase com uns 15 ou 16 anos.
–Podemos ficar assim para sempre, se quisermos – foi o que Perseu disse, sorrindo e fechando os olhos. A garota não parecia assim tão convicta, havia respirado fundo.
–Para todo o sempre...
Annabeth arregalou os olhos, assustada. Seu coração batia extremamente mais rápido do que deveria para sua própria saúde e o sonho que para ela mais era um pesadelo começava a revelar as coisas que ela tanto batucava e batucava para tentar entender.
Foi nessa ideia que deixou um suspiro sair da sua boca, e daí então percebeu que não havia ninguém no chalé seis com ela.
Olhou o relógio, eram mais de duas horas da tarde. Não era possível que havia dormido pela manhã toda. Levantou-se de súbito, trocando de roupa o mais rápido que podia.
Olhando para fora do chalé percebeu a movimentação mais que estranha e desconfiava que o evento que queria tanto ver já poderia ter terminado. Calçou os chinelos, abriu a porta pesada do chalé e andou contra o fluxo de meio-sangues.
No topo da colina, havia apenas Quíron, Zac, Thalia, Nico e Percy. Todos pareciam um pouco assustados ou quem sabe, amedrontados.
Annabeth enquanto subia a colina meio-sangue deu uma olhadela para o Perseu de 20 anos, estava muito mais forte, alto, bonito, poderoso e confiante. Mas com toda certeza era aquele garotinho da ilha.
–Perdi? – Annabeth falou ofegante, as mãos nos joelhos. Quíron deu uma piscadela e um meio sorriso.
–Um grupo de meio-sangues tão estranho acabou de sair daqui... Creio que você não perdeu grandes coisas.
Percy assentiu, rindo um pouco e descontraindo a tensão. Annabeth olhou novamente para aquele sorriso, agora mais cautelosa. Era ele, era por isso que ele...
O problema de Annabeth com Percy não era só as brigas antigas e as contínuas brigas. Pelo que parecia ela tinha mais um concorrente...
E era praticamente impossível ganhar daquele concorrente, pois estava intocado, na ilha de Ogígia.
E também é praticamente impossível ser uma amante melhor que a filha de Atlas, a linda Calipso.
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