Change My Life 2
4 Maduro
Notas iniciais
Annabeth sempre foi uma garota meio medrosa, claro que raramente transparecia isto e quase sempre ignorava estes sentimentos. Mas Malcolm, seu irmão, presenciou seu momento de mais puro pânico.
Ela saiu correndo e se escondeu numa sombra ao lado do armário, respirando fundo com os olhos arregalados. O filho de Atena ficou assustado, um pouco sem entender o que Hades era o problema de Annabeth.
–Sério? Qual o problema com você? — ele cruzou os braços, arqueando uma sobrancelha. Annabeth respirava fundo.
–Nada — ela se levantou mais uma vez — Eu só entrei em pânico.
Depois, ela fechou rapidamente a janela do quarto. Respirando bem fundo. Deitou-se na sua cama e puxou seus lençóis para cima.
–Eu não saio daqui até ter um apocalipse.
Malcolm revirou os olhos, mas ainda sim Annabeth ouviu a porta do chalé ser fechada. Ele havia ido embora. Ela continuou com os olhos abertos por muito tempo, pensando no que faria em seguida.
Por fim, acabou pegando no sono. Foi acordada o que pareceram segundos depois.
–O que foi? — murmurrou ela com um pouco de medo. Malcolm riu, afagando suas costas.
–Você é uma garota muito sortuda, sabia? — de uma hora para outra Annabeth se levantou, olhando para ele com os olhos cinzas brilhando.
–Como assim? O que está acontecendo? Quem morreu?
–Como alguém morrendo seria bom para... Deixa para lá. Na verdade, Quíron está te chamando na Casa Grande. Ele tem uma missão para você.
(...)
–Alright! — Annabeth gritou animada, entrando na Casa Grande com seus longos fios de cabelo loiro — Em que posso ser útil?
Ela havia aderido a personalidade: Super super.
E não era só porque tinha uma missão, que também era uma grande de uma oportunidade de sair do acampamento, ela finalmente poderia ser feliz sem ter que olhar para a cara de Percy Jackson por longos dias. Se os Deuses permitissem, claro.
–Fico feliz que esteja animada — Quíron sorriu, mostrando um pouco de suas rugas ao redor dos olhos — Preciso que você pegue alguns meio-sangues que foram rastreados mais para o Oeste do país. Eu te chamei porque sei que você conhece bem aquele lado, e também porque é a mais novata por aqui. Pode ser que você os ajude a reconhecê-los.
Annabeth tinha as mãos na cintura, sua blusa do acampamento meio-sangue marcando seu porte atlético.
–Ok, e onde estão estes meio-sangues sensacionais?
Quíron parecia sério demais para uma mera missão para pegar meio-sangues, ele pigarreou e disse:
–Eles estão em caminho para o Grand Canyon.
Ele e ela ficaram um longo tempo em silêncio, uma tensão havia se instaurado nos dois. Butch, o filho de Íris, chegou lá do nada.
–Alguém me chamou? — Annabeth olhou para ele reprovadamente. Era o típico cara de futebol americano que a odiava no colégio. Quíron sorriu.
–Você tem uma missão.
(...)
Annabeth saiu na frente bufando, seus pés pisando forte demais pela grama da colina meio-sangue, Butch a seguia flexivelmente. Nenhum dos dois falava nada. Quando chegaram no topo da colina Annabeth parou, olhando para Butch que estava logo atrás dela.
–E então? Onde está esta biga voadora de que todos estavam falando? — ela cruzou os braços, raivosamente. Butch consertou a coluna e colocou a sacola cheia de dracmas, suprimentos e extremamente pesada no chão.
–Não faço ideia — ele olhou para os lados — O chalé de Ares brigou por ele alguns anos atrás com o chalé de Apolo, então provavelmente está mais a esquerda, na reta do chalé 5.
Annabeth fez uma expressão desdém. Pelo jeito ele também queria ser o cérebro da dupla. E se não fosse aquela biga maldita, o número três básico em missões estaria completo. Mas não... Não cabe tantas pessoas numa biga na volta.
Agh. Annabeth estava revoltada.
–Seguindo o capitão — ela comentou irônica, indo para a esquerda. Bem no fundo, tampada por árvores, estava a tal da biga voadora. — E você achou, Jack Sparrow. Parabéns.
Butch se voltou para ela. Cruzou os braços e fez uma expressão nada bonita. Ele parecia ter uns dois metros de altura, o que não ajudava em muita coisa também.
–Qual o seu problema comigo? Eu sou novo e nunca nem sequer conversei com você — ele olhou para os lados — Você é preconceituosa? Tem algum problema porque sou negro ou...?
Annabeth franziu as sobrancelhas, depois suspirou e coçou os cabelos.
–Desculpa. É que você me lembra muito alguns caras do time de futebol que...
–Te maltratavam? — perguntou ele. Annabeth assentiu — Então, eu duvido que estes caras tenham esta tatuagem no braço...
Ele levantou sua blusa do acampamento meio-sangue, um arco íris nada combinado com sua personalidade estava preenchendo todo seu bíceps. Annabeth gargalhou.
–Você é gay?
–Pior, filho de Íris.
Annabeth riu ainda mais, encostando-se um pouco no corpo de Butch. Ela havia gostado dele, de verdade.
Por algum motivo esquisito, ela começou a sentir que aquela missão era realmente importante. O número de meio-sangues estavam diferentes, e eles chamaram
A garota da profecia.
E por algum motivo, ela sabia que era certo que Butch estivesse ali com ela.
(...)
Zac saiu em passos rápidos e pesados até o chalé três, seu corpo mesmo preparado para aquele encontro continuava bem enérgico. Ele praticamente arrombou a porta do chalé com cheiro de maresia.
Percy arqueou uma sobrancelha para ele, não entendendo grandes coisas. Nico estava sentado na cama com as pernas cruzadas.
–Você — o loiro apontou para o moreno dos olhos verdes, indo até ele e apertando a gola da sua camisa azul marinho — O que Hades você quer com a Vic?
Percy não disse nada, apenas olhou para Nico com um sorrisinho. Nico este que deu de ombros, como se falasse “eu já avisei”.
–Também é ótimo te ver, Zac.
O loiro ignorou a voz grossa e rouca que Percy havia deixado evidente. Seus olhos azuis faiscando de raiva.
–Você não pode fazer estas coisas, você sabe como é a minha relação com a Vic.
O sorriso de Percy foi sumindo aos poucos, sua expressão foi ficando séria e misteriosa.
–Nico, você pode nos dar licença. Por favor — o moreno gótico se levantou, indo embora o mais rápido possível e ficando feliz por enfim poder sair daquela situação. Zac continuou a olhar para Percy, este que o olhou camaradamente, apontando para a mão em sua blusa um pouco informativo.
–Senta, Zac — foi a única coisa que o moreno disse, cruzando os braços encima do peito em seguida.
O loiro ficou um pouco retesado, raramente Percy falava num tom sério com ele. Por mais que para os outros ele fosse uma pessoa bem séria.
Ele acabou se sentando, olhando para Percy enraivecido. Ele pegou uma cadeira e se sentou na sua frente, depois sorriu de lado.
–Zac, você é uma confusão, sabia? — o loiro cruzou os braços, olhando para os lados. A brisa que chegava do chalé 3 deixava todo o seu cabelo de lado. — Me conta, o que você tem com a Vic? Qual a sua relação com a Vic?
Zac continuou calado, se pensasse bem, realmente não tinha nada além de amizade com Vic. E se pensasse ainda melhor, tudo que ele estava fazendo era realmente irracional.
Os olhos verdes de Percy estavam tão verdes que Zac não conseguia fitá-lo olho no olho.
–Você é meu melhor amigo, cara. O seu problema é que você não tem atitude com a Vic. E eu quero o melhor para ela, ficar aqui e te ver namorando todas as garotas do acampamento não a faz bem. Ela estava pensando entrar para a caçada, você sabia? Uma filha de Vênus entrando para a caçada! Você consegue ver algo do tipo?
A boca de Zac virou um O. Ele nunca imaginou Vic conversando com Artémis, falando sobre o celibato eterno.
–A Vic é virgem? — foi a única coisa que o filho de Apolo perguntou. Percy acabou rindo, pondo seus cabelos para trás.
–Isto foi há muito tempo atrás — Percy chegou mais perto — Zac, você não é burro. Já é um médico, praticamente. Cara, você acha mesmo que eu mandei aquela carta só para a Vic vir comigo no fim do verão?
Zac piscou, concentrado. Depois riu, tão alto que todo o ambiente tenso no chalé ficou descontraído. Percy acabou rindo um pouco também.
–Não acredito que você fez tudo isto apenas para me fazer ter atitude! Seu… — Zac lhe enfiou uma gravata, brincando. Ele e Percy acabaram rindo e rolaram no chão. A porta do chalé foi aberta. Nico deu um sorriso de lado.
–Ótimo. Foi mais rápido do que eu imaginei — ele se sentou na cama — Reyna está te chamando, pelo que parece você é o cara que representa os gregos.
Percy cruzou os braços encima do peito, sentando-se na cadeira.
–Não é Annabeth a grande representante? — Zac estudou seu tom de voz. Estranhamente ele não carregava nenhum ressentimento. Nico foi bem cauteloso com as palavras:
–Annabeth não está no acampamento — ele pigarreou — Ela saiu para uma missão com a biga voadora, na realidade.
Percy arqueou uma sobrancelha, levantando-se.
–Tudo bem. Vamos lá?
Então eles foram, andando pelo acampamento lentamente até a casa grande.
Percy contou sobre a faculdade, como estava feliz lá e o quão legal era estar naquele lugar e conhecer mortais tão diferentes. Falou sobre seu curso de biologia marinha e outras coisas sobre o campus. No fim, eles já estavam na porta da casa grande, entrando na sala de reuniões e se encontrando com uma Reyna séria e concentrada.
Zac e Nico ficaram no meio do caminho, então apenas Percy havia entrado na sala.
–Reyna — ele deu um sorriso de lado. Abraçando-a fortemente e dando-lhe um beijo na bochecha. A romana não entendeu muito bem o carinho, mas não desgostou de toda forma.
–Perseu.
–Percy.
–Percy Jackson — ela sorriu de lado, já um pouco mais calma. Sentaram-se na mesa de ping pong. — Soube que você está numa faculdade, muito interessante. Mesmo.
Ele deu de ombros.
–E o acampamento romano? Tão militar quanto antes? — Reyna assentiu, olhando para o leopardo na parede que parecia estranhamente vivo. Percy também olhou naquela direção, lembrando-se do Sr.D e sua esquizofrenia greco-romana.
–Estou sendo pressionada por vários soldados, centuriões e também aquele filho de Apolo… — ela negou com a cabeça — Octavian.
Percy mordeu o lábio inferior, não sabia quem era aquele garoto, mas havia o visto de longe. Sempre com esquisitos bichos de pelúcia presos na cintura.
Reyna mordeu o lábio inferior, seu tronco foi um pouco para frente, chegando um pouco perto de Percy.
–Agora que estou sem um companheiro pretor, é importante ter um parceiro pelo menos no acampamento meio-sangue — ela piscou um pouco os olhos — Eu esperava que esta minha companheira fosse Annabeth, mas meu encontro com ela deixou claro que nem sua mente nem seu corpo estão no acampamento meio-sangue. Na realidade, ela anda muito confusa e estranha ultimamente.
Percy não sabia muito bem o que pensar sobre aquele comentário, não sabia se estava curioso ou apático quando o assunto era Annabeth, e estranhamente ele estava muito certo sobre sua confusão. Sabia que quando olhasse para Annabeth novamente veria em qual nível estaria o seu nível de indiferença sobre ela.
A única coisa que sabia era que provavelmente não iria gostar dela mais uma vez, ele não era mais o cara babaca do ano passado, não ficaria doido por uma barbie metida à princesa daquela forma.
–Eu não estou tendo muito contato com Annabeth há um bom tempo, não sei como explicar o seu comportamento — Reyna estranhamente deu um sorriso de lado.
–Eu sei. Por isto estava pensando que seria interessante você ser o meu parceiro, sabe… Alguém para estar do meu lado nas convocações das reuniões da legião. Como um líder do acampamento meio-sangue.
Percy já tinha vinte anos, ele sabia quando uma garota estava interessada nele. Sorriu de volta para Reyna.
–Vai ser uma honra ajudá-la, com toda certeza.
(...)
Os olhares iam todos para um único cara: Percy Jackson. Todos os meio-sangues pareciam curiosos ao vê-lo passar com Reyna. Havia dois dias que os dois não se desgrudavam, sempre conversando sobre trilhões de assuntos sem fim. Na realidade, alguns romanos pareciam desconfiados de uma suposta “mágica grega” para cima de Reyna, já que ela nunca pareceu tão convidativa em toda sua vida.
Eles estavam sentados na areia da praia, discutindo pelo que parecia ser um assunto importante. Os dois estavam sérios e com os olhos frios. Como dois pretores.
Foi assim que aconteceu, com muitas pessoas olhando na direção deles e os dois conversando bem seriamente, de repente, do que pareceu um portal temporal, uma biga queimada chegou atravessando o ar, caindo diretamente na água do mar.
Percy e Reyna foram atrás da multidão, tentando ver se estavam todos bem.
Quando viram os resgatados, tanto Percy quanto Reyna estavam boquiabertos.
Lá estava Annabeth Chase. E todos os níveis possíveis de sentimentos de Percy.
E lá estava…
–É o Jason! — gritou uma romana assustada — O pretor voltou!
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