Chandelier

1 Chandelier


CHANDELIER

O homem de terno caminha entre as ruas vazias, as roupas amassadas e o cabelo desgrenhado além do seu andar descompassado evidenciavam sua embriaguez. Estava andando de volta pra casa depois de mais uma noite de farra com os colegas de trabalho. Colegas estes que mal conhecia, eram só mais umas peças vazias que lhe acompanhavam em seu ritual diário. Colegas que só ligavam para ele convidando para brindarem copos, ele era o cara da farra.


A cada passo que dava, a cada vez que chegava mais perto de casa, mas ele se preparava para o que lhe esperava. Sua esposa, seus filhos, aquelas caras, aquelas expressões... A vergonha viria pela manhã, mas enquanto isso aquela noite ele estava entorpecido pelo álcool...


Andava com os passos pesados como se tivesse ódio do mundo, e tinha... Eram tantos problemas, tantos problemas... Só ele podia resolver, afinal sabia que a culpa era só dele... Arrastava-se no quarteirão, sentia o mundo nas costas...

Ele bebia por vários motivos e por nenhum... Tinha medo de enlouquecer e quem não teria, afinal carregava o mundo nas costas... Era responsável por três vidas, estava fazendo tudo errados... Seu coração doía, seu corpo tremia... O mundo o esmagava, a expressão dos seus filhos o torturava e os gritos de sua mulher... Ah ele queria gritar...

Bebia como se não houvesse amanhã, ele tinha que viver a vida dele... Ele tinha que curtir um pouco a vida... Ele tinha que lhe dar aquela liberdade, porque ninguém sabia a dor que ele sentia, ninguém poderia carregar o mundo pra ele... Ele que tinha que resolver tudo.


As luzes do lustre iluminavam seu rosto, elas viam o que mais ninguém poderia presenciar... As lágrimas caiam em cascata por sua face...

Falava sozinho enquanto caminhava, quem visse acharia que era devido o efeito do álcool... Falava com seus demônios, era o momento que tinha pra sentir todo o ódio que tinha. Mais tarde descontaria na esposa e nos filhos, e a vergonha viria pela manhã.

Quando foi que deixou de ser pai e marido? Quando foi que virou aquela bomba relógio? Ele os ama, é o que o faz forte é o que faz sobreviver naquela noite.


Faltava só mais um quarteirão, a música alta que escutava furava seus tímpanos. As lágrimas já secaram, os problemas ficavam cada vez mais claros em sua mente. Mas ele tinha um plano, ele sempre tinha um plano... Ia sentar com seus filhos, queria conversar com eles, queria que eles conversassem com ele. Ia contar seu plano, ainda tinha chances de fazer tudo certo dessa vez.


Mas ele ia chegar em casa e ver aquelas caras, e antes de falar sua mulher iria gritar com ele e tudo iria evaporar... O ódio o consumiria e ele ia descontar em gritos e palavras chulas em que mais ama, a vergonha viria pela manhã.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!