Chances

10 Capítulo X


Algumas semanas tem se passado desde da revelação que Alice fizera, durante esse período D. Carla só piorou seu estado de saúde e a partir desta manhã houve um impasse que será decisivo para o casal.

Os olhos azuis de Alice ficaram vermelhos e ardentes após ver sua mãe vomitar todo o sangue no tapete persiano e Marcos pirou com a possibilidade de sua mãe parar de respirar. É claro que sua escolha de vir até a mim é irreversível, não adiantava Marcos berrar, gritar ou algo do tipo, nada traria sua mãe de volta.

Lice e Marcos foram levados à casa da tia enquanto alguns parentes limpavam a sujeira dentro de sua casa e o corpo da mãe fora retirado por ambulâncias.

À tarde tudo já estava preparado, os irmãos já estavam na capela mortuária e ficaram atônitos ao ver o corpo da mãe sem vida alguma. Por mais que ela tivesse sofrido durante o final de sua vida, estar sem D. Carla por perto para dar-lhe a benção ou um sorriso fraco fazia com que os dois perdessem o sentido.

Alguns membros do corpo docente e amigos da escola e faculdade chegaram ao local, sussurrando diversas condolências e dando abraços apertados nos irmãos. Mas aquilo de nada bastava, nem tinha muito sentido e parece que este não voltaria tão cedo.

Miguel entra na capela todo engomado, alto e juvenil. A única pessoa que Alice não pensaria que veria por perto. Ambos se fitam durante um tempo e deixam o orgulho e todo sentimento ruim evaporar, envolvendo-se em um abraço confortante. O adolescente sussurra:

— Vamos embora.

Alice arregala os olhos e sente todo seu ar escapar.

— Vamos, Alice. Eu quero ser a sua prioridade, seu único motivo de te fazer dormir e acordar sorrindo. Meu pai vai pagar pelo o que fez, pedi para investigarem o caso do seu pai e incluírem o pescoço do meu pai em meio a isso tudo. O que eu sinto por você é em excesso e de se afogar. Nada pode nos atrapalhar a viver.

— Não sei se é o correto agora. Você some e me aparece num momento confuso como esse e...

— Alice, eu não faço parte dessa geração que não admite que sente saudades, não fala que gosta e não adianta “pagar” de desinteressada, você só está perdendo tempo. Nossa vida é muito curta para ocuparmos ela com esse orgulho desnecessário. Seu irmão saberá se cuidar, ele tem que ficar com sua tia de qualquer forma. – Miguel desfaz o abraço, encarando a feição indecisa de Alice e depois de um tempo se retira da capela, parando o primeiro táxi que passa pela rua.

— Espere! – Alice grita, correndo atrás de Miguel – Vamos para oeste. – o adolescente sorri entrando no carro em seguida.

Após vinte minutos o taxista estaciona em frente a casa de Miguel.

— Por favor, não me faça pirar agora. Você sabe que a última pessoa que quero ver é seu pai.

— Calma, Alice. Ele nem está em casa. Eu só preciso pegar uma coisa.

Lice bufa e amarra seus cabelos, esperando por Miguel que em pouco tempo sai da garagem com um carro preto.

— Vamos em direção ao oeste.

Depois de viajarem por duas horas, o casal para em um posto de gasolina comercial. Comprando algumas roupas para vestirem e algo para comerem. Alice observa Miguel sem o terno e sim, com uma roupa espojada e com um semblante humilde e realizado. Ele era totalmente diferente do pai ou de qualquer outra pessoa que ele possa ter sido em outra vida.

— Você não acredita que estamos juntos. – Alice comenta depois de pegar no volante e seus cabelos esvoaçarem com o vento forte que adentrava por todo carro.

— Não mesmo.

...

— Miguel? Chegamos ao oeste – Alice sai do carro com os olhos marejados. Céu estava alaranjado, rosa e vermelho, um verdadeiro degrade de cores, estar diante do pôr-do-sol era forma como ela gostaria de conversar com seus pais e despedir deles. Miguel respeita o espaço de Alice observando-a de longe.

Um longo tempo depois Alice se ajoelha soluçando e Miguel corre para ajudá-la.

— Alice... Estou aqui. Está tudo bem, – eles se abraçam. – você encontrou a resposta que queria né? – Lice assente e diz:

— Você sempre foi tudo pra mim, Miguel. Desde muito tempo atrás percebi que você era a única coisa que me mantinha em gravidade e respirando nesse mundo. Não é a primeira vez que estamos juntos, eu sinto isso. Já fui uma índia, uma dama muito rica, diversas outras pessoas e você também, você sempre me acompanhou. Eu te odiei tanto pela primeira vez, da mesma forma quando descobri quem era seu pai, mas sempre quis te dar uma chance de ser outra pessoa melhor. Como essa aqui.

— Eu sei disso, Alice. Desde momento em que senti meu ombro esbarrar no seu, quando nossos olhares se cruzaram, eu soube que você era a minha chance. Percebi que nenhuma riqueza do mundo valia a pena, que todo o respeito e amor do mundo deveriam ser direcionados a você. Essa era a minha maior divida tive durante muito tempo – Miguel da um sorriso nervoso. – que eu nem sei o quão longo foi.

As palavras de Miguel foram tão reais e fortes que é nítido a forma como Ítalo aprendeu ao longo de todas as vidas o meu ensinamento mais importante: deixe o orgulho e luxo de lado, ame e se afogue nesse sentimento, porque nem sempre você terá as mesmas chances de viver. Você até pode ter outra vida, caso acredite, mas nunca será a mesma.

Quanto mais Miguel e Lucia se amavam e se respeitavam, mais distante eu ficava dos dois. É claro que eu voltarei de novo, talvez tardiamente, não se pode dizer ao certo a data. E quando eu voltar, talvez seja a última vez deles juntos ou não...

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