Chances
7 Capítulo VII
Os índios aprisionados foram soltos e totalmente fragmentados. Muitos não resistiram de tanta tristeza, doenças e vírus se instalaram naquela região e muitas pessoas foram mortas, pois não tinham anticorpos suficientes para manterem resistentes.
Jambá também já estava morta por dentro. Ela estava apenas gerando um bebê, só havia o corpo dela naquele mundo e nada mais. Seus pensamentos eram passagens tristes de uma vida distante, seu sofrimento até me comovia, me fazia querer buscá-la a qualquer momento, mas eu fazia questão dela decidir o momento exato.
A índia da cor de jambo deu a luz a uma linda menina, o fruto do pecado cometido pelo português há nove meses.
— Tu serás Marabá. – disse Jambá ao sentir o pequeno ser tocar seus seios para se alimentar. – Será uma bela mulher, não sentirá vergonha de sua cor ou de sua origem, seguirás em frente de tudo pudor.
A bela Marabá não entendia nada, mas já estava marcada pelo pecado, nasceu para lutar pela vida...
— Rotuah ia gostar tanto de ti, Marabá. – A índia deixa gotas largas caírem no corpo nu da filha. – Não posso te aceitar dessa forma, tu não vieste da forma correta para mim. Só me lembra das desgraças que me aconteceram... – Jambá continua a chorar. – Deixarei você com meu povo, com o teu povo. Eles saberão o que fazer, talvez nos encontremos em breve... Não temas a morte, Marabá. Esta fará com que todo seu sofrimento seja aliviado.
Jambá certa de seus pensamentos e decidida, carregara nas costas a filha durante toda a noite e não hesitava de pedir aos deuses que cuidassem de sua alma... Depois de atravessar matas virgens, Jambá chega a porta de uma tribo com sua filha agarrada em seu pescoço. Ainda estava longe do amanhecer, mas havia alguns guerreiros fazendo vigílias para verificar a segurança. Jambá assovia e chama a atenção de alguns guerreiros para o norte, sobrando seu irmão e seu cunhado próximo as ocas.
— Esterj e Merce, sou eu Jambá. – a índia diz em cima da árvore, entre sussurros. – Entregue Marabá para as mulheres que sobraram nesse local, eu não pertenço mais a este mundo. – Os homens obedientes a Jambá, não lhe tiram a razão e nem fazem perguntas para a mulher.
Portanto, a índia deixa sua filha fruto de um pecado e corre entre as matas, parando nas bordas da praia, mais precisamente em baixo da árvore onde ela e Rotuah se beijaram pela primeira vez. Jambá inicia um ritual de purificação por conta dos pecados, ela desejava se redimir com os deuses. Primeiro, ela faz cortes fundos em suas mãos e deixa o sangue jorrar. Como se não bastasse o sofrimento, a índia começa a ingerir diversas sementes de Ricius communis, que em alguns minutos a faz perder a visão, ter diarreia, prosseguida por fadiga e vômito com sangue... E por fim, Jambá vem até a mim.
Vejo o último pedido de Jambá como uma missão, um dever para cumprir, perseguirei a índia e Ítalo em todas as vidas possíveis, fazendo o português medíocre pagar por tudo que fez, talvez não da forma cruel, mas sim sempre dando uma nova chance dele mudar e perceber sua paixão e respeito por Jambá.
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