Chances

5 Capítulo V


Os dois viveram a fase de cúmplices românticos por pouco tempo, não havia o noivado ou até mesmo a fase do namoro. Eles apenas se juntavam e torciam para viver bem após o casamento, buscavam se respeitar e é claro, procriar. Se você se casar, é necessário que a união traga guerreiros para a tribo. Mas antes do esperado casamento é necessário uma série de rituais para que prove a fase adulta em sua vida, e outros...

Jambá tem que passar por processos diferentes de Rotuah, a índia precisar ir ao rio, tomar diversos banhos durante ao dia para se purificar e assim, no final do dia deveria pintar todo seu corpo com alguns enigmas que para ela deveria significar os pedidos a serem feitos para os deuses e assim, buscar pela paz e pela resposta se o casamento com Rotuah seria a melhor escolha.

Já Rotuah, deveria se arrumar e passar uma noite de “núpcias” com o irmão da noiva, assim depois desse ritual ele estaria pronto para viver apenas com Jambá.

Após os noivos receberem o resultado do que é mais correto de se fazer e também de ter recebido a benção dos deuses, inicia-se a cerimônia do casamento. Portanto, ambos são pintados por seus familiares e amigos, adornam-se sementes, penas e flores pelo casal, deixando-os felizes para iniciarem uma nova fase da vida adulta.

— Jambá, minha confidente – Rotuah suspira. – estar junto a você é mais do que uma simples condição do tempo e será muito mais do que o corpo a corpo. – A índia se posiciona em cima do guerreiro, removendo as penas e flores de seu cabelo.

— Não. – Rotuah segura as mãos da índia com delicadeza. – Quero lembrar-me de você sempre assim. Com esse sorriso branco de orelha a orelha.

— Ah Rotuah, tu amais a mim de forma tão imensa que se torna impossível recusar de ser apenas tua. – Jambá morde os lábios com certo nervosismo e o guerreiro percorre suas mãos por todo corpo, buscando a fita branca que desligaria a índia de uma mulher virginal e pura, e tornando-a uma mulher realizada.

...

Depois do casamento vêm as núpcias, lua de mel e uma escolha de ter ou não filhos. Naquela sociedade indígena não tinha muito que escolher. Para eles casar era sinônimo de ter novas crianças na tribo e consequentemente, com o tempo, mais guerreiros.

Jambá não mudou muito após o casamento, continuava independente e muito amada por Rotuah, mas algo que aquela mulher sempre desejara é ter os filhos após o casamento. E com o tempo que ia se passando toda tribo esperava ansiosamente pelos frutos do casal.

Até agora não atrapalhei a vida de Jambá em nenhum momento, ela não merece, mas o destino interferiu um pouco. Rotuah era infértil, a união dos dois não traria nenhuma mudança para ninguém, não haveria mais guerreiros ou netos para o cacique passar os ensinamentos ou abençoá-los. Infelizes com essa dedução, o casamento de Rotuah e Jambá passa por uma série de crises e tudo só piora com a invasão dos portugueses a tribo.

Uma nova tropa chega ao litoral brasileiro a mando de Ítalo, um português medíocre que aparenta ter um rei dentro da barriga. Os estrangeiros estão comandados a explorar todo território e aproveitar tudo que há de bom no “novo mundo”. Portanto, eles começam a derrubada de árvores, busca de frutas e especiarias exóticas e de belas índias para satisfazer seus desejos.

Jambá e Rotuah participaram de diversas guerras contra os europeus, lutaram com unhas e dentes para salvar sua tribo destas pessoas que desejavam acabar com tudo que os deuses deixaram para a sobrevivência dos nativos, porém os estrangeiros tinham armamentos mais avançados: pólvora, arma de fogo e armadilhas. Estas coisas foram o suficiente para apreender boa parte da tribo e coloca-los a disposição dos portugueses.