Chances

4 Capítulo IV


Meia hora depois do acontecimento bárbaro, policiais, bombeiros, corpo de delito e diversas pessoas preenchem o local. Jornalistas e filmadoras atiram perguntas e flashes por todo canto, sempre iniciando a matéria com incredibilidade, esse homicídio culposo com intensão de matar será inesquecível para muitos naquela cidade. Como um pai milionário pode perder a dignidade dessa forma? Matar a filha e um de seus trabalhadores por conta de uma desobediência proveniente de uma adolescente... Não é uma boa justificativa para chegar ao ponto matar alguém, na verdade, não há justificativas para isto. Confesso que até eu mesma, morte, fiquei impressionada da brutalidade que Antônio tivera.

Odélio e Lucia chegaram até a mim mais cedo do que pensei e eu confesso que esta não foi a primeira vez, e talvez não seja a última. Não sinta pena ou remorso por não ter feito nada para impedir a morte deles, eles já estiveram juntos diversas vezes desde o principio, desde primeira faísca de vida aqui na Terra e tenho certeza que eles não pararão de se encontrar nesse mundo paralelo. Confie em mim, se há algo em que você possa confiar sou eu: a morte. Sou algo que você nunca precisará duvidar. Você chegará até a mim, com toda certeza.

O casal já estivera junto, há um tempinho atrás, no século 16, mais precisamente em 1585. Lucia conhecida como Jambá, era uma índia perfeita aos olhos que qualquer ser dentro ou fora de sua tribo. Ela era uma das produções mais bem feitas pelos deuses, tinha cabelos lisos e pretos como uma estrada escura pela floresta adentro, seus olhos eram rasgados e bem semelhantes à cor da semente de cacau, sua pele da cor de jambo contrastava com tudo de mais belo naquele imenso mundo.

Jambá era a filha do cacique Pautar, fora educada para ser uma mulher que cuidasse de seus frutos e fosse submissa a qualquer homem para dá-lo o que fosse necessário, porém de acordo com o decorrer da vida e vendo os sofrimentos de outras tribos por conta de ataques provenientes dos estrangeiros, Jambá decidiu aprender a guerrilhar, fazer bom uso do arco e flecha, mostrar para os outros que o medo era apenas sentido pelos fracos.

Caso você procurasse Jambá, ela estaria em busca de seu próprio alimento, lutando com animais selvagens e toda desenhada pelo urucum. E de longe estaria Rotuah, um guerreiro de uma tribo vizinha aliada a tribo de Jambá. Ele desejava Jambá como se fosse a última gota de água em meio ao deserto, claro que todos que viam a índia se apaixonavam por ela, sua beleza preenchia os olhos de qualquer homem, mas Rotuah se dava de corpo e alma à índia, tentava conquista-la por diversos jeitos. Mostrava-se corajoso a ponto de pôr sua mão em um formigueiro e passar noites delirando, queimando-se de dor, ele partia para lutas ou vigias nas terras de Jambá só para vê-la de longe, arriscava-se ao extremo, tudo para ter o coração da índia cor de jambo.

Jambá se fazia de desentendida na maior parte do tempo, buscava manter-se firme independente, mas de acordo com seus instintos ela se entregava aos poucos para Rotuah. Quando seus pensamentos iam até o índio, ela passava por tempos de êxtase ao tocar-se lembrando do rosto do homem a quem ela queria se entregar.

— Não há nada no mundo em que um homem não faça por uma bela índia como você. – Rotuah e Jambá caminham juntos pela borda da praia. O índio entrega uma deliciosa carambola e uma flor de maio à índia.

— E não há nada no mundo em que uma índia como eu vá precisar vindo de um homem. – Jambá sobe na árvore com certa habilidade e recebe os singelos agrados de Rotuah, colocando a flor entre os cabelos negros.

— “Mim” percebo que gostas de desorientar um guerreiro – Rotuah imita os passos da índia, subindo na árvore em seguida.

— Vocês cedem muito rapidamente à índia Jambá.

— Admiramos cada detalhe em ti, Jambá – os dedos ásperos de Rotuah tocam na pele macia de Jambá, fazendo-a se derreter e desejar o beijo do guerreiro. – Deixe-me te fazer feliz por muitos anos, virgem cor de jambo. – Jambá assente e gruda os seus lábios ao do amado com exaspero.